22 22UTC Dezembro 22UTC 2009

Diário de um aniversário

Diferente. A palavra define bem a sensação de nascer no dia do solstício de verão e comemorar a data, 23 anos depois, no solstício de inverno. Depois do terremoto na quarta-feira passada, meu aniversário em Portugal contou com a inundação das ruas do Porto. O sol, piscina e bebidas geladas, foram trocados por guarda-chuvas, casacos molhados e narizes escorrendo. Mas, enfim, não é qualquer um que tem a oportunidade de comemorar os 23 aninhos na Europa. Tô feliz, e é isso que importa :)

Para esse ano, decidi não escrever um texto sobre o quão bom foram meus 22 anos e prever que a velhice acrescentada só fará bem. Decidi fazer um diário fotográfico. Acordei com a câmara na mão e sai fotogrando quem se metia na frente – ou não tinha como se defender dos flashs. A inundação do restaurante, onde jantei com os amigos, foi apenas filmada, então fica de fora do post.

A primeira imagem do dia foi a mesma de sempre: Kel no berço :P

Na cozinha, Dentinho e sua simpatia matutina

Filipe se arruma pro trabalho...

... Enquanto isso, a Babi ainda está a dormir!

Esse foi o meu dia: 21 de dezembro de 2009

Uma voltinha pela rua para comprar doces :D

Aniversário português: Bola de Berlim, Pastel de Natas e Tarte de Amendoas :)

Na falta de tchecas, Felipe ataca as Bolas de Berlim

Flávia a cortar pelinhos da meia de dedinhos, e eu atucanando com a câmera :D

Comprinhas na rua Santa Catarina, que estava bombando em pré-Natal

Não foi neve, mas granizo que espantou os transeuntes (inclusive nós!)

Depois de muita busca no Google, fransesinha foi a escolhida para o jantar da noite :)

O fim da história é o seguinte: Jantar interrompido pela inundação que entrou pelo restaurante. Foi divertido, no mínimo. Engraçado também os vídeos que fiz :) A volta para casa foi abaixo de chuva forte e vento. Até a luz faltou! Enfim, chegamos vivos! Seria injusto a correnteza me levar justo no dia que completo 23 anos hehe

16 16UTC Dezembro 16UTC 2009

Ponto-e-vírgula

Bem que eu gostaria de dizer que hoje é meu último dia de aula, passei em tudo, estudar sucks e amanhã tô indo pra praia e só volto no ano que vem! Porém, dia 18 de dezembro não significa ponto final no primeiro semestre do ano letivo português. É apenas um ponto-e-vírgula, pois retornamos pós recesso de natal para prestar os exames finais (aí o bicho pega!). A parte boa é que nunca tive aulas nas sextas e quinta-feira tenho apenas uma pequena saída de campo pela manhã, ou seja, hoje é minha despedida do ato de ouvir os professores e seus blá-blá-blás.

Admito que gosto do ensino daqui. As pessoas tem mania de falar mal e dizer que é pior do que no Brasil. Aliás, os Erasmus de outros países também criticam negativamente. Eu mudei minha opinião a pouco tempo, até por isso que vou ficar mais :) Eu enxergo o Ensino Superior português como um grande self-service. Você vai às aulas se calhar, presta atenção se for interessante, lê a bibliografia indicada se achar necessário e aparece nos exames. Claro que tem lista de presença, mas nem todos cobram e, quando cobram, dá para pedir aos colegas assinarem. Enfim, aprende quem quer aprender e o que quiser aprender. É giro!

Meu inferno astral desse ano ainda não iniciou. Embora eu não o sinta, sei que, menos cedo ou mais tarde, ele brotará. Aniversariozinho na próxima segunda, sem bolo ou salgadinhos do Armelin! Pelo menos o Guaraná eu posso providenciar por aqui mesmo :) O Natal vai ser gasto no Porto mesmo, mas o Ano Novo vai ser congelante – se é que ”congelante” possa ser usado como um adjetivo análogo a ”altamente”! Enfim, vai estar frio na Húngria e na Polônia, mas eu tô levando um esquentador de pés multiuso, a fim de evitar gangrena :P (brincadeirinha, tá?).

Aliás, vi na tv portuguesa ontem uma manchete exatamente assim: ”Achas que está frio? Então prepare-se, pois vai piorar!”. Engraçado o otimismo da âncora ao dizer isso. Então, eu tô achando que vai nevar. Uns dizem que eu sou doida, outros que sou bêbada imunda, mas, na real, iniciaram até pequenos boatos entre os amigos e seus respectivos familiares sobre isso. Diga-se de passagem, eu tenho alguma influência ao espalhar fofocas. Aliás, posso ainda me gabar que entendo o suficiente sobre climatologia para fazer previsões.

Enfim, por último, mas não menos importante, quero destacar a boa vizinhança portuguesa com a qual temos o prazer de compartilhar o condomínio. Terça-feira, 8 de dezembro, 23h: Uma vizinha, que poderia ser caracterizada amigavelmente como ”velha loca”, crava o botão no interfone para reclamar sobre o suposto barulho que vinha do nosso apartamento. ”São sempre vocês”, gritava ela. O caso é que eu estava so-zi-nha! Aliás, leia-se deitada-na-cama-estudando-alemão. E isso não foi tudo. Segunda-feira, 14 de dezembro, 22h30min.: Problemático, que mora no piso de baixo, sobe ao nosso andar e esquece o dedo na nossa campainha. ”CALMA, CALMA”, berrava em francês ou portucês ou qualquer bosta que eu consegui compreender facilmente. Aliás, dedo na cara aqui é mato. Aliás, o pessoal é violento, portanto, eu tento sempre não ter reações do tipo das que teria em Porto Alegre.

Como sou uma pessoa, digamos, simpática, criativa, engraçada (ok, ok.. chega de elogios, Fernanda!), decidi prender em nossa porta uma placa. Para facilitar a possível ignorância (ou multi nacionalidades) de nossos vizinhos, está em sete idiomas. São mensagens de carinho, sem ofensas, destinadas a aqueles que adoram chamar a Polícia (ou o pessoal é carente demais e precisa de amigos, ou gosta de ver os serviços públicos funcionando para se sentir cidadão).

= )

EN: Think before ring our bell. Maybe it’s you who are bothering us!

ES: Se vienes a mi puerta es porque tiene menos que hacer que yo!

PT: Peço imensa desculpa, mas foda-se pá! Não percebi o motivo de sua visita!

BR: Cê também tá nos incomodando tocando essa porra de campainha a essa hora da noite, mané!

FR: La phrase que je connaisse en français est Voulez vous coucher avec moi, ce soir? Et La résponse est non!

DE: Können Sie die Polizei anrufen, bitte? Ich möchte mich auch über Sie beschweren.

IT: Non stiamo facendo un partito. E se fossimo, voi che non sarebbe stata invitata!

CZ: Nech mne, nic nobude! Ty jsi ostuda!

Sugiro uma eleição da melhor ”frase de efeito” do ano. Espero apenas que sejam efeitos positivos…

28 28UTC Novembro 28UTC 2009

Pai Natal

Natal no frio é, no mínimo, uma experiência diferente. Vestidos curtos, suor no rosto – que estraga a maquiagem, blérgh! – e biquini para o banho de piscina pós ceia não acontecerão em 2009. Talvez role até uma nevezinha básica. Há grande possibilidade de fotografar com termômetros negativos como paisagem. Na minha cabeça, tudo isso é cena de filme. Daqueles que eu via quando criança na Sessão da Tarde em época natalina. Jingle Bells com floquinhos brancos, árvores de folhas amareladas com luzes brancas piscantes e o Pai Natal com roupa apropriada para a estação: Gorro, luvas e botas!

Em Portugal, o Papai Noel chama-se Pai Natal. Um tanto quanto esquisito, mas eu acho engraçado. O velhinho é o mesmo do Brasil, com barba branca e ho-ho-ho, a diferença é que ele deve se sentir um pouco mais confortável por essas bandas do norte em dezembro. A primeira vez que ouvi dizerem “Pai Natal” foi em abril. Confesso que ri um bocado e, em um primeiro momento, não percebi do que estavam falando. Mas é um nome giro, e acostuma.

Além das ruas decoradas, gosto de observar o comportamento natalino europeu. O norte da publicidade da Worten, loja que vende eletrônico por aqui, é as férias do Pai Natal. Ele aparece de calções e blusa regata nos impressos e outdoors. Não tive a oportunidade de ouvir o spot de rádio ou ver o da tv, mas acho que deve seguir a mesma linha. A loja fez um site só para a época, que vale a pena conferir. Dá para enviar pedidos de Natal para outras pessoas, já que o Papai Noel pretende passar as festas de final-de-ano em algum lugar quentinho. Ele também envia cartões postais, todos com destinos no hemisfério sul – o Brasil não poderia faltar, é claro.

Traje apropriado para o Natal brasileiro :D

Os shoppings também armaram suas árvores e penduraram umas guirlandas, um tanto quanto de gosto duvidável. Sinto falta dos caminhões da Coca-Cola, que eu não sei se transitam pelas ruas daqui – pelo menos, até agora, nada deles!. Ninguém comem panetone. Tem um negócio chamado Bolo-rei, que ainda não tive a oportunidade de experimentar. Aliás, sempre que eu falo em panetone me dizem assim: “É aquela comida italiana?”. Acho que o panetone surgiu na Itália mesmo, mas me surpreende o fato dos portugueses ficarem assustados quando digo que consumimos isso também no Brasil.

As árvores natalinas nas casas só são feitas em dezembro. A da minha casa já está. A correria por compras não parece ser a mesma, mas ainda estamos na finalera de novembro, então pretendo esperar mais um pouco para tirar conclusões definitivas. Estou atenta à programação de Natal nas ruas e espero que haja alguma… Em Porto Alegre sempre tem, ora bolas! A Universidade marcou janta para os Erasmus, e a ESN vai fazer festa do tema. A noite do dia 24? Ainda não sei qual vai ser… mas isso não é difícil de se arrumar.

19 19UTC Novembro 19UTC 2009

Eu vivo na Europa!

O outono europeu é espetacular. Parece aqueles filmes que a gente vê quando criança na Sessão da Tarde na Globo. Folhas amareladas no chão, daquelas que fazem um barulho de quabrado quando pisadas. Descobri que o crepúsculo se esconde, aliás, guarda sua beleza para essa época. Céu azulado, com nuvens escuras, que parecem desenhadas, às seis da tarde. Um friozinho bom, que se sente na pele, mas ajuda a formar o clima. Enfim, finalmente sinto que vivo na Europa.

Neste semestre, a faculdade anda melhor. As disciplinas estão mais complicadas, estou atolada de trabalhos e todas as provas têm data definida. O Bolonha começa a pesar nas costas, ao mesmo tempo que eu começo a compreendê-lo melhor. Esse processo, estabelecido há não muitos anos, uniu graduação a mestrado. Todo mundo é mestre em cinco anos. Mas, para isso, tem que estudar um bocado. E sozinho! Sim, porque as aulas, embora obrigatórias, só servem como base. Estudantes europeu tem que correr atrás da matéria. Como disse uma professora na quarta-feira a noite – aliás, a maior mejera da Geografia da UP -: “Nós apenas abrimos a porta e não queremos decoreba. Vocês é quem a atravessam”.

Engraçado mesmo é quando alguém me pergunta quando cheguei a Portugal. Logo respondo, “em março”. Como réplica, “no ano passado?”. Enfim, o Natal aqui é no meio do ano. O ano acaba e começa outro, mas as coisas continuam as mesmas. Dia 5 de janeiro tem prova. Aliás, janeiro todo é época de exames finais. Quando vê, já é fevereiro e começa tudo de novo. Bom mesmo são as férias de verão… Ahhh, o verão!

Ainda no ritmo Erasmus, eu e meus companheiros de casa continuamos a aproveitar as quintas, sextas e sábados a todo o vapor. Faz parte da rotina. “Party everyday! Pa-pa-party everyday!”. Até arranjamos um cachorro de estimação, cujo nome (adivinhe!), é Erasmus. Porém, ele ainda não desmamou. Além disso, uma das colegas de casa, a Kelly, disse que se o pequeno labrador branco entrar pela porta, ela sai. Ainda estamos pensando se preferimos a mineira ou o português. É uma pena! Acho que seríamos felizes com o sétimo elemento…

O contato com o Brasil fica cada vez mais escasso. Ainda faço um esforço para avisar meus pais sobre o que ando fazendo, para onde estou indo e como estão os estudos. Mas é complicado. Chego a conclusão que é impossível ter duas vidas pararelas. Parei de pensar na volta em fevereiro – verão, piscina, biquini, banho de sol – e me concentro nas botas e casacos, que, aliás, deixam as pessoas muito mais elegantes do que o suor porto-alegrense em dezembro. O plano para Natal e Ano Novo é fica em terras lusitanas. Meu aniversário provavelmente será comemorado por aqui também. Não tenho dinheiro e, se tivesse, acho que não gastaria. Prefiro viajar em setembro, que, aliás, é o melhor mês para qualquer indiada estilo Eurotrip.

Pois, preciso de idéias melhores para atualizar esse blog, mas a vida pacata até me agrada. Lógico que não cai na rotina (ainda!), mas um período de calmaria faz parte. Além disso, nada de muito interessante ocorre no Porto por já. As ruas e shopping estão decoradas para o Natal, e eu ainda sonho com neve! Provavelmente um de meus pedidos para o Pai Natal, que é como chamam o nosso Papai Noel aqui, será um bocado de floquinhos brancos em dezembro :)

4 04UTC Novembro 04UTC 2009

Do outro lado do Oceano

Sempre tenho a impressão que estou a viver num universo pararelo. A vida parou no Brasil. Nada acontece por lá. Até porque, quando eu voltar, tudo vai estar da exata maneira como deixei. Aliás, minha mãe sempre diz ao telefone que está tudo igual. Meus pais não compraram nada novo para a casa – talvez a pintura tenha sido refeita, mas isso é apenas um detalhe -, minha irmã insiste em não saber o que vestir para ir a aula, as amigas falam que Porto Alegre continua uma merda, ninguém casou, divorciou ou teve filhos. Mas acho que isso não funciona exatamente desta maneira.

Lembro quando um amigo não muito próximo foi morar em Londres há dois anos. Ele me dizia no msn que não tinha medo sobre o que poderia acontecer no Brasil enquanto ele estivesse fora. “Tudo fica no lugar em que deixamos. Somos nós quem mudamos”, repeti ele com alguma frequência. Quando não nos apegamos aos detalhes ou nos valemos de uma pequena observação sobre nossa “vida antiga”, talvez isso faça sentido e nada se passe de fato. Apesar de que, nem grandes mudanças – no sentido literal da palavra – são capazes de impedir certos acontecimentos.

Quando chove, a avenida Goethe, ao lado do Parcão, ainda deve alagar. O buteco ao lado do Opinião ainda deve vender a cerveja mais barata da Cidade Baixa. Em dezembro, o Papai Noel vai cumprimentar as crianças no shopping Iguatemi. As aulas irão acabar no final de novembro. Minha família viajará para Panambi nas festas de final de ano.

Apesar disso, meu aniversário será comemorado na Europa. Sem Krystal, Duda, Japa, Maira ou Amanda. Já não tenho mais carro próprio quando retornar. A Krystal não estará mais morando no Jardim Planalto. O Edu vai ter se formado em Publicidade. O William agora vive no Rio de Janeiro. Mais do que isso! Às vezes é preciso dar exemplos para nós mesmos entendermos nossas próprias idéias. Como eu já disse em posts anteriores, o que vale nessa vida são os encontros. As pessoas são a chave de tudo. Os lugares… Ah! Esses sempre ficam do mesmo jeito, caso não haja nenhum projeto de planejamento urbano em pauta.

Enfim, eu disse tudo isso só para expressar o sentimento, cujo o qual não sei definir, que sinto no momento. As pessoas passam por nossa vida em alta velocidade, mas sempre deixam uma marca. Digo isso, especialmente ao lembrar de meus amigos da escola. Insisto em dizer que nenhum deles me restou, mas acho que minto para mim mesma. Eles ainda estão no meu entorno, e eu sempre sei – ou tenho uma vaga idéia – do que estão fazendo da vida.

Posso afirmar que quando crianças fazemos amigos realmente verdadeiros. Não há interesses ou vantagens. Às vezes não há reciprocidade. Crianças conseguem ser boas mesmo quando ruins. Debocham uns dos outros, mas, no fundo, gostam-se. Não convidei meus ex-colegas de escola para meus últimos aniversários ou para minha formatura. Porém, eles estiveram, de certa maneira, sempre lá.

Na semana passada fiquei sabendo que um ex-colega está fazendo quimioterapia. Apesar de ser meu dever, como jornalista, de me informar sobre esse tipo de fato para repassá-lo com mais exatidão e detalhes, creio que não esteja apta para tanto no momento. Ainda estou em choque. Não consigo imaginar o porquê de certas coisas acontecerem. Mas ainda instigo em meu íntimo que tudo tem um sentido. Nada nunca é ao acaso.

Mesmo que eu estivesse por perto, talvez não pudesse fazer nada. Digo isso, porque não entendo direito como funciona esse esquema de amizade. Seu melhor amigo sempre vai ser seu melhor amigo mesmo que seu melhor amigo mude? Só sei que, graças a Deus, amizade é mais do que casamento ou namoro. É o melhor dos relacionamentos. Por isso, eu ainda acho que ele é uma das pessoas que mais considero na vida, pois, a certa altura de minha infância/adolescência, o foi.

Do outro lado do Oceano, neste momento, tem gente nascendo, escovando os dentes, acordando, indo pro trabalho, morrendo, discutindo, se amando, chorando, rezando e cantando. Aqui também. Porque somos todos pessoas feitas da mesma porcaria. A diferença é que ainda não consegui conhecer os 6,5 bilhões de habitantes da Terra para perceber todas as pequenas mudanças que acontecem nos hábitos de cada um deles diariamente.

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O outro lado fica depois de toda essa água!

26 26UTC Outubro 26UTC 2009

De novo não!

É um pesadelo. O maior de todos. Daqueles que me tira o sono, se estou acordada assistindo a aulas chatas. O que não me deixa dormir, quando encosto a cabeça no travesseiro a noite. Não quero voltar pro Brasil. Sai de lá para encontrar alguma coisa que, com toda a certeza do mundo, perdi em outro lugar. Não lá. Nunca lá. Até porque, depois de passar 22 anos procurando e nada achar, é mais inteligente começar a pesquisar em outros lugares.

15 15UTC Outubro 15UTC 2009

Pequena grande cidade

Bratislava tem ares de vilarejo. Porém, a casa do presidente, os castelos antigos e o aeroporto a validam como capital da Eslováquia. Tudo é velho e bonito ao mesmo. Bem cuidado, conservado. Creio que a parte sul da ex-Tchecoslováquia force uma ocidentalização para parecer cada vez menos com a Europa do leste.

Até a tampa do bueiro é fofa!

Até a tampa do bueiro é fofa!

A Eslováquia implantou o euro em janeiro de 2009. Ao contrário da irmã República Tcheca e das vizinhas Polônia e Hungria, os eslovacos se bandeiam casa vez mais para o oeste. Mesmo com a moeda da União Européia, os preços são ridículos, e dá vontade de comprar tudo, principalmente comida. Até 1992, Eslováquia e República Tcheca formavam um só país. A língua em ambos é parecida – é como o português brasileiro e o de Portugal. As pessoas, fisicamente, também.

O turismo aflora no local. Prova disso é o bem organizado escritório de informações turísticas, os panfletos e mapas distribuídos – super bem feitos com papel de alta qualidade -, bem como os diversos grupos guiados que transitam pela zona central. Bratislava tem slogan, e ele está por todos os lugares: “The little big city”. Isto define tudo.

Eu (coraçãozinho) o coração da Europa :)

Eu (coraçãozinho) o coração da Europa :)

Wegue-Wegue

O combinado era encontrar meu amigo Karol na ala de desembarque do aeroporto. Não demorou muito para eu perceber que ele não estava em quaisquer das dependências do local. O aeroporto de Bratislava é como a cidade: na medida certa. Dez minutos de espera, e o polonês apareceu.

Seguimos para a estação de trem, onde troquei de roupa, escovei os dentes e lavei o rosto. Decidimos seguir para Viena só no fim da tarde, então teríamos pelo menos oito horas de sightseeing. O mais importante mesmo era dançar Wegue Wegue – música angolana famosa em Portugal – o tempo todo. Para mim e Kelly Xu, minha amiga, esse é o hino bratislavense por algum motivo desconhecido.

A maioria das cidades da Europa Central – ou do Leste, como alguns dizem – é composta pelos mesmos elementos. A old town, uma catedral, diversas igrejas, estátuas que contam história, chafarizes e ruas de paralelepípedo. Além, é claro, das marcas de bala deixadas pelos alemães e russos nas paredes.

Mas nem tudo são flores...

Mas nem tudo são flores...

Em Bratislava não tem muito o que se ver. O rio Danúbio corta a cidade em duas. É o mesmo que passa por Viena. Entre as pontes, uma chama mais atenção. De ferro, combina perfeitamente com o lugar. Tudo é um pouco cinza, pois a ponte também. Os fios metálicos dão um ar de modernidade a esta que, com certeza, é o cartão postal mais admirado da cidade.

Para conhecer a pequenina capital não se precisa de mapa. Basta chegar ao centro e caminhar aleatoriamente. Dessa forma, se visita tudo. É instintivo. Monumentos, parques, História antiga e moderna, avenidas ou ruelas, gente com ar de leste, pessoal cosmopolita, a casa do presidente… até o Mc Donalds e a Ikea pelo caminho. Aliás, o Mc Donalds tem preços incríveis. Dois hamburgeres tipo Mc Duplo + batata e refrigerante médio por 2,99 euro. Preço bem menor do que os 4,75 euro cobrados pelo menu normal em Portugal, por exemplo.

A Casa Branca eslovaca

A Casa Branca eslovaca

O castelo não é nada demais, mas a subida até lá vale a pena. Ruas em curvas constantes, estreitinhas e sem calçada. Divertido também sentar na beira da rodovia e enxergar dezenas de Ladas e Škodas ou então entrar no supermercado para comprar Coca-cola e sair com uma Kofola.

Kofola é praticamente um símbolo tchecoslovaco. Motivo de orgulho da população, não ouse criticar. Fale mal da cerveja, mas não fale do refrigerante que lembra Pepsi Twist sem gás – e é bom demais! Viciante, eu arriscaria dizer. A comida eslava também vicia. Tudo é feito com porco, repolho, batata e muito molho. Eles têm diversos tipos de queijo também.

O que eu faço agora sem Kofola em Portugal?

O que eu faço agora sem Kofola em Portugal?

Eu e Karol comemos em um restaurante antes de partir para Viena. Nosso almoço-barra-janta foi coisa fina. Clientes de terno e gravata, senhoras de idade bebendo chá e eu sem banho desde que sai da Espanha (peguei conexão em Milão depois de Barcelona). A refeição custou sete euros, e eu aposto que aquele deve ser um dos comedouros mais caros da cidade.

Dica válida: Quando estiver com sede, não confunda voda com vodca!

Dica válida: Quando estiver com sede, não confunda voda com vodca!

5 05UTC Outubro 05UTC 2009

¡Vale tudo!

Em Barcelona é permitido andar pelado. Seja na areia praia ou no meio da rua, ninguém irá pedir para colocar a roupa. Diz a lenda, que a cidade mudou completamente após as Olimpíadas de 92. O metro foi ampliado, as ruas revitalizadas e o caldeirão turístico começou a ferver.

Pode-se andar nu, mas é proibido beber na rua. A venda de bebidas também é ilegal. Apesar disso, milhões de latinhas ornam qualquer paralelepípedo da zona central. Os ambulantes oferecem aos gritos “cola, fanta, cerveza” e sussurram “haxixe, marijuana”. Se há sinal de polícia, todos somem, e os produtos são armazenados nos bueiros.

Por dentro da cidade

A Sagrada Família continua em construção. Vale a pena ir ao portão fotografar, as dizem que pagar os €8 de entrada é tolice.

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

O Park Güell decepciona. A areia no chão lembra um deserto e levanta poeira. Os lendários bancos de Gaudí tornam-se pequenos na imensa clareia pela qual se estendem. Parece que falta alguma coisa. Vai ver é porque ele faleceu antes de acabar o trabalho. Apesar disso, os azulejos recortados reluzem. A mistura de cores é perfeita, pois parece calculada. Azul, amarelo, verde, laranja e branco na medida certa.

Os famosos azulejos de Gaudí

Os famosos azulejos de Gaudí

Todos querem meter a mão na boca do lagarto, logo na entrada. A água atrai as peles secas, que suam com os úmidos 30 e poucos graus. Uma dica válida é entrar por trás do Parque, parando na estação de Valcarca. Dessa forma, poupa-se o trabalho de subir uma lomba de 1 km, pois algum santo homem construiu escadas rolantes para evitar a fadiga.

Em La Rambla tem de tudo. Camelô, artistas de rua – Ronaldinho treina embaixadinhas lá todos os dias -, prostitutas que puxam possíveis clientes pelo braço, terraças, promoters distribuindo flyers e gente. Muita gente. Nos dois sentidos da calçada, por todos os lados e de todos os idiomas.

Portvell é apenas uma cambada de lanchas estacionadas. Os mastros brancos reunidos formam um bom cenário para fotografias e a calçada à margem guia até à praia. Barceloneta é a mais conhecida. Centenas de chinesas oferecem massagens por cinco euLos. Provavelmente elas não têm curso para isso, e a sessão de quinze minutos é um verdadeiro quebra coluna.

Orgulho da cidade, o Bairro Gótico enche os olhos, ouvidos e a imaginação, se a visita for guiada. Prédios antigos, ruelas estreitas e história por todos os lados. Guias locais oferecem serviço por gorjetas – aliás, esqueci de pagar algo ao meu. O tour é inglês, dura três horas e é a melhor coisa que se pode fazer para conhecer bem Barcelona. George Orwell tem uma praça com seu nome vigiada por câmeras. Buracos registrados nas paredes das igrejas recordam fuzilamentos. Postes de diversas ruelas escoravam prostitutas em séculos passados, quando a cafetinagem era disfarçada por ser ilegal.

Igrejinha amigável essa :P

Igrejinha amigável essa :P

No meio da Plaza Real há dois postes vermelhos. Presentes de Gaudí – talvez a única coisa que ele tenha aprontado antes de partir. O chafariz central foi cenário da “Roda do Mundo”, brincadeira de um grupo de italianos que conheci.

Toni se casaria em duas semanas. Os amigos de Reggio Calábria se reuniram em Barcelona para a despedida de solteiro. Toni, o imperador da noite, se vestiu de sereia. Peruca loira, saia e top lilás. Dezenas de pessoas estavam sentadas nas bordas do chafariz. Fomos o início da roda. Em poucos segundos, juntaram-se americanos, africanos, asiáticos e europeus. Até a Oceania se fez presente. Após a brincadeira, a polícia chegou. Mas, antes disso, Toni nadou na fonte.

¡Vale, vale!

Bem que a capital cataluña gostaria de se separar da Espanha. Até a língua lá é diferente. O catalão é uma mistura de castellano, o espanhol que se aprende na escola ou em cursos, com francês. Se bem que na Espanha isso é comum. Galícia, Andaluzia e o País Basco, por exemplo, também falam idiomas que só lembram o tal “espanhol de verdade”.

Catalão é mistura de castellano com francês

Catalão é mistura de castellano com francês

Meu host em Barcelona foi um couchsurfer. Argentino de nascença, mas com pai espanhol, Catriel me cedeu o quarto de visitas de sua casa. Ele mora com uma menina do País Basco, uma das chicas mais guapa que já conheci na vida. Todas as vezes que eu hablava com ela, o diálogo acabava em vale, vale, talvez a palavra/expressão favorita dos espanhóis.

Há nove anos na cidade, o sorridente Hermano é publicitário. Gastei algumas horas de minhas manhãs – regadas a mate com mel – a debater sobre as diferenças entre América e Europa. Na opinião dele, os latino-americanos aproveitam mais a vida européia. Eu concordo. Aqui é fácil arranjar trabalho e fazer dinheiro rápido. Além disso, desfrutamos das belezas dos lugares muito mais que os nativos, pois nada nos é blasé.

29 29UTC Setembro 29UTC 2009

Grande cidade grande

Madrid é gigante. Calculei errado meu tempo de viagem até a casa do David, meu host na cidade. Para começar, me perdi no aeroporto de Barajas. Corredores intermináveis, escaladas rolantes com mais de 10 metros de comprimento em sequência e guichês de informações por todos os lados.

O metro fica dentro do aeroporto, na ala B ou 2, se não me engano. O caminho não é instintivo, mas, se seguir as placas coloridas, dá para achar fácil, muito embora sejam necessários quilômetros de caminhada dentro de um mesmo prédio.

Quando olhei o mapa do metro, outro susto. Dezenas de linhas coloridas desenham uma teia subterrânea em Madrid. De ponta a ponta, em todas as direções. Dá até para confundir as cores, pois creio que não existam tantas combinações gritantemente diferenciadas para amarelo, azul e vermelho. O bilhete de dez viagens custa cerca de 7,5 euro, mas é preciso pagar uma taxa de €1 para entrar e sair do aeroporto – não me pergunte o porquê.

Em 40 minutos e três baldeações, cheguei à estação Quevedo. O apartamento de David realmente fica na rua mais bonita da cidade, conforme ele havia destacado no último e-mail. Calle Fuencarral tem árvores grandes em ambos os lados. É uma das artérias rodoviárias madrilenas.

Depois de cinco andares de escadas de madeira bruta, daquelas que fazem um barulho engraçado e não perigoso, fui recebida por um de meus ídolos: David de Ugarte. O conheci em Porto Alegre, durante um evento no qual trabalhei como jornalista. Tive que combinar com os colegas para poder assistir a pelo menos uma palestra dele. O esquema funcionou bem, e David até autografou seu livro pra mim: “À minha monografista favorita”. Espero ser digna de tal título.

Enfim, quando vi a passagem da Ryanair por €1, não tive dúvidas em bookar. Não é todo dia que se toma desañuno com uma das pessoas mais encantadoras do planeta. Ele sabe muito. Ele fala muito também. Aliás, David sabe de tudo e fala de tudo. Três dias com ele valeram mais do que dois anos de faculdade.

Após a primeira conversa no café, que fica a frente de sua morada, seguimos para as Sociedade das Índias Eletrônicas, a famosa empresa que eu tanto queria conhecer. O escritório fica numa antiga panadería, e foi engraçado quando apareceu um senhor perguntando por pão.

As Índias lembram um universo paralelo. Laptops espalhados por uma longa mesa de madeira, que abriga também pilhas de papel, pequenas caixinhas e material de trabalho. Telefones, livros, modems, cartões, plantas e SIM cards misturados. Logo na entrada há um pequeno jardim, que ainda está em construção. No subsolo fica a biblioteca, também em montagem, e um sofá cama para a famosa sesta espanhola.

La Sociedad Cooperativa de las Indias Electrónicas

La Sociedad Cooperativa de las Indias Electrónicas

(Naquele dia, David fez um vídeo do Jardín Indiano. Não consegui postar diretamente no blog, mas vale a pena conferir no post do blog das Índias Eletrônicas.)

Madrid 40º

O verão em Madrid é quente. Dá para fritar um ovo no asfalto às três horas da tarde. Há poucas pessoas na rua neste horário, nem todos se arriscam no sol de 45ºC. O ar é seco, mas não é difícil de respirar, muito embora eu acredite que os pulmões sofram um bocado. Desmaiei em minha primeira noite por causa dos 30 e poucos graus às 22h.

De metro, se chega rapidamente a quaisquer dos sightseeings. A estação Sol é a principal. É lá que está o marco zero da cidade. Diversas placas indicam a direção dos pontos turísticos, o que facilita e agiliza o passeio.

A Plaza Mayor não é tão grande assim. Pelo tamanho da capital espanhola, que conta com quase 3.5 milhões de habitantes, eu esperava mais. Prédios de escritórios circundam o local, e eu fiquei a imaginar que chic seria ter um dia no endereço de meu cartão: “Plaza Mayor, 20”.

Fernanda Kist Pugliero - Jornalista - Plaza Mayor, 20

Fernanda Kist Pugliero - Jornalista - Plaza Mayor, 20

Visita guiada

No meio de uma praça, que mais parecia um parque, mas na verdade era um canteiro que dividia avenidas, conheci Walther. O mapa aberto a frente do rosto chamou minha atenção: “Bah, tu sabe prá que lado é o Museu do Prado?”.

Walther já esteve em Madrid. Além de conhecer todos os pontos turísticos – e saber um pouco da história deles –, se prestou a ser meu guia durante duas tardes. A única coisa que ele não sabia era que depois das 17h, o Museu do Prado tem entrada franca. Mas essa informação eu tinha. A fila é grande, mas o tempo de espera pequeno. Disseram-me para olhar o quadro “Las Meninas” e sair fora. Realmente a pintura impressiona.

Embora a primeira vista não pareça nada de especial – cinco meninas sentadas, duas mulheres, dois homens e um cachorro -, foi impossível tirar os olhos. Não sei se são os detalhes, a perspectiva, o reflexo do espelho, a cara de mistério do homem na escada ou a feição dos retratados, mas algo me fixou por pelo menos cinco minutos.

À beira do Museu fica o Parque da Cidade. Lago artificial com patos e pedalinhos, um Palácio de Cristal e muito verde. O bom da Europa no verão é que nada murcha. As árvores emanam um brilho verde e as flores colorem todos os jardins, que parecem capinados diariamente.

O Palácio Real é apenas mais uma casa branca. As estátuas dos Jardins de Sabatini estão ali porque eram muito pesadas para serem postas no terraço do Palácio. O Templo de Debod foi presente egípcio, pois os espanhóis ajudaram os países que circundam o Nilo em uma das grandes cheias do rio.

A Casa Branca espanhola

A Casa Branca espanhola

Presente egípcio bonitinho :)

Presente egípcio bonitinho :)

24 24UTC Setembro 24UTC 2009

Summer of ‘09

Eu fiz xixi em Milão. Ok, na verdade foi em Bérgamo, cidade vizinha onde a Ryanair pousa. Posso me gabar também que minha urina circulou pelos esgotos espanhóis, tchecos, eslovacos, austríacos e poloneses. A metáfora é chula, mas trata-se da mais pura verdade sobre viajar. Parte de mim ficou em cada lugar pelo qual passei.

As visitas não contam. Pontos turísticos são comuns no mundo todo. A cena nunca muda. Paisagens extraordinárias, estátuas de celebridades locais, monumentos únicos e asiáticos a fotografar alucinadamente. O que vale mesmo são os encontros.

Não é todo dia que se cozinha para David de Ugarteou se toma mate com um argentino na Espanha. Nem todos tem a chance de viajar acompanhados de um polonês, que consegue ser ao mesmo tempo a pessoa mais cortês e doida que conheci na vida, cujo considero meu irmão. É bom demais rever os amigos tchecos, conhecer suas famílias e animais de estimação.

Comemorei dois aniversários, um canadense e outro polonês. Participei de uma despedida de solteiro italiana. Desenhei um labirinto ferroviário na Polônia. Pedalei, caminhei e nadei no interior da República Tcheca. Testei massagem chinesa em Barcelona e até escalei uma montanha em algum lugar próximo a Široký Důl.

Estação de trem algum lugar entre a República Tcheca e Polônia

Em algum lugar entre a República Tcheca e Polônia

Chorei na torre de TV em Praga, quando enxerguei o mapa mundi e realizei o quão longe de casa estava. Comi coisas que nem sabia serem comestíveis, girassóis, por exemplo. Dancei sem música no meio da rua em Viena e quase recebi “contribuições financeiras” por isso. Pensei todos os dias que não agüentaria o próximo, ora por causa do problema no meu pé, ora pelos inúmeros hematomas que angariei ou das duas vezes que cortei meu dedão esquerdo.

Impossível comer uma só!

Impossível comer uma só!

Descobri músicas novas e cantava em português sempre que possível, para não esquecer minha língua materna. Aprendi tcheco, confundi com polonês e percebi que quando falo alemão não consigo pensar em inglês. Repeti três dias seguidos no momento “Fernanda Filósofa” em Varsóvia que “life sucks”, mas me dei conta nas últimas noites em Brno que o importante é ter – ou fazer – amigos, não importa o quão difícil pareça viver.

Enchi o saco do Karol repetindo ao anoitecer que “I gotta feeling”. Torrei a paciência do Tomáš olhando com cara feia todas as vezes que ele abria o mapa da Morávia e traçava rotas de caminhada e ciclismo. Traduzi músicas para o Lukaš, e ele perguntou se todo hit brasileiro fala de amor. Abracei a Nina milhões de vezes, e ficamos sorrindo uma para a outra sem dizer nada, como fazíamos na sacada do apartamento dela em Portugal. Tenho que agradecer a Kasia pelo remédio polonês que curou – parcialmente e não em definitivo – meu pé. Devo dez Coroas Tchecas para a mãe da colega de quarto da Aneta, pois não tinha mais dinheiro para pagar a bagagem extra.

Espero que meu host em Varsóvia tenha aberto o presente que deixei no sofá antes de pensar que se tratava de lixo. Adorei reencontrar a Asia, que me recebeu como irmã em Wroclaw. Me realizei quando encontramos o Voytaš antes dele buscar a nova namorada na estação de trem. Nunca presenciei nervosismo masculino tão eminente. Os dois se conheceram na Ucrânia, mas ela também é polonesa. Torço para que dê certo. Da mesma maneira que espero que Toni esteja feliz com sua esposa. Aliás, o mais novo casal italiano deve ter retornado da lua-de-mel antes mesmo de eu voltar para o Porto.

Me considero uma pessoa de sorte por contar com um suporte técnico tão eficiente. Eles trabalharam remotamente direto de Portugal, mas são todos brasileiros. Dentinho, Felipe, Babi e Kelly são mais do que família para mim.

Descobri cinco países e onze cidades em 35 dias de viagem. Isto sem contar o tour pela Morávia, região sul da República Tcheca, onde passei por lugares que nem estão no mapa. Sobrevivi. Aprendi. Emagreci, mas engordei de novo. Ultrapassei meus limites além do que deveria. Desmaiei em Madrid. Passei mal no meio da floresta tcheca. Apesar disso, valeu a pena cada segundo, até mesmo aqueles que gastei dormindo em aeroportos, trens ou calçadas.

Lugares sem informações turísticas em inglês são mais divertidos

Lugares sem informações turísticas são mais divertidos

Por isso, grito com toda a certeza do mundo que EU FIZ A MELHOR EUROTRIP DE TODOS OS TEMPOS. Aliás, diga-se de passagem, espero que não tenha sido só xixi que espalhei por aí.