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Surfistas de sofá

Sou membro do Couchsurfing há pelo menos 5 anos. Só tive boas experiências com o projeto. Tenho dezenas de histórias para contar e também já ouvi um bocado sobre as experiências de amigos e conhecidos.

A primeira vez que usei o site mesmo a sério foi em 2007. Eu planejava uma viagem ao Rio de Janeiro no verão de 2008 e decidi fazer alguns amigos cariocas antes do embarque. Conheci o Flávio, a Bianca e a Ane. Mantenho contato com eles até hoje via Facebook.

Algum tempo depois, encontrei-me em Porto Alegre com dois peruanos que estavam a viajar pela América Latina há seis meses. Eles estavam percorrendo o Brasil pegando carona com caminhoneiros na estrada. Mal tinham dinheiro para comer – muito embora tivessem o suficiente para gastar com bebida a se emborrachar. Levei-os a um bar da minha cidade, um dos mais baratos que eu conhecia na época. Ouvi boas histórias naquela noite, e guardei para mim um conselho: “Visite Bogotá, mas não vá a Lima.” Talvez um dia eu faça isso 🙂

Mas é claro que foi na Europa que eu tive as maiores experiências. Aqui no Brasil (e isso se aplica a toda América Latina, África e parte da Ásia), as pessoas são mais desconfiadas com esse tipo de coisa. Como vou colocar uma pessoa que nem conheço dentro da minha casa? E se me roubar, sequestrar, matar enquanto durmo? Enfim, os terceiro-mundistas temem mais quanto a segurança, e eu me incluo nisso. Acho mais fácil surfar no sofá alheio se estiver no hemisfério Norte.

Decidi começar a receber pessoas depois de quatro meses morando em Portugal. Encontrei com alguns CS’s antes disso, apenas para um meet for coffee or drink. No entanto, eu não estava apta a receber qualquer um que quisesse usar minha casa como dormitório. O interessante do Couchsurfing é a troca. Realmente conhecer alguém que possa fazer alguma diferença na sua vida – nem que isso se resuma a apenas alguns dias saindo da rotina.

Em meio às mensagens da minha inbox, simpatizei com uma polaca, oriunda de uma cidade a qual eu não sabia pronunciar o nome corretamente, mas hoje me orgulho de ter aprendido: Wroclaw (não se lê “vrôclau”, mas sim “vrôtzlav”!). Asia tinha fotos engraçadas no perfil. Chegou ao Porto no início do verão de 2009, acompanhada do namorado e do filho dele, uma criança de cinco anos (sim, eu recebi uma criança de cinco anos em casa e não a matei!)

Pediram inicialmente para ficar três dias, que viraram cinco e se transformaram em 1 semana. Depois, seguiram para o sul de Portugal, retornando novamente para a minha casa após algumas semanas.

Tive alguns outros hóspedes naquelas primeiras semanas do verão, até que, em julho de 2009, fui eu que comecei a surfar no sofá alheio.

Com algumas dificuldades, arrumei um couch em Barcelona (a Asia me ajudou recomendando algumas pessoas que tinham respondido a ela na época em que viajou pra lá). Fui a primeira hóspede de Catriel, um argentino que morava há algum tempinho na Catalunha. Ele trabalhava como ator e vivia num apartamento daqueles bem antigos, pertinho do centro de Barcelona. Tinha uma companheira de casa que era do país basco e se referia a mim como “chica guapa”. Não lembro o nome dela. Só sei que é uma das mulheres mais bonitas que conheci na vida, apesar de ter a cabeça raspada (se bem que dizem por aí que essa é a melhor maneira de saber quem é verdadeiramente belo: tirar-lhe os cabelos!).

Como o apartamento tinha três dormitórios, fiquei com um quarto só para mim. Não posso dizer que foram as melhores acomodações do mundo, mas tinha uma cama com lençóis limpos e uma sacada que não conseguia acessar porque a porta estava emperrada, além de milhares de sacos plásticos e entulhos espalhados por um armário que estava caindo aos pedaços.

Infelizmente Catriel havia quabrado o pé dois dias antes de eu chegar, portanto não pôde me mostrar a cidade. Apesar disso, me deu alguns mapas de Barcelona e me explicou os pontos imperdíveis. Combinamos pela Internet que eu ficaria por três noites, mas acabei ficando uma a mais – claro que perguntei a ele e a basca se poderia, e lembro que ela disse: “Sí, sí guapa, claro que sí.”

Eu e Catriel, que insistiu em posar com a cortina do apê

Em Barcelona encontrei pessoalmente com Pierre, CS da parte francesa do Canadá. Ele havia me enviado uma mensagem pedindo pouso no Porto. Informei a ele que estaria em Madrid e depois iria Barcelona, por isso não poderia hospedá-lo. As datas de nossa viagem coincidiram, e decidimos nos encontrar em Barcelona. Comemoramos seu aniversário juntos, jantando paella em algum dos restaurantezinhos perto da Rambla.

Aliás, mantenho contato com o Pierre até hoje. Atualmente ele está vivendo em Paris, num pequeno apartamento perto do Moulin Rouge, segundo me informou.

Com Pierre em Barceloneta

Foi uma colega de Faculdade que me indicou um couch na Áustria. Apesar de dizerem que Viena é um dos lugares mais fáceis para descolar um, tive dificuldades. Steffanie me passou o link do perfil da Kathalena, amiga de sua irmã.

Algumas trocas de mensagem depois, Kath me passou as indicações de como chegar a sua casa tim-tim por tim-tim. Combinamos que eu estaria lá por volta das 17h, o que não aconteceu. Acabei demorando mais do que o esperado em Blatislava (minha cidade preferida na Europa!) e peguei o ônibus mais tarde. Nesse dia, eu não estava sozinha, mas sim com meu amigo polaco Karol, que conheci em Erasmus.

Enviei uma mensagem a ela avisando que chegaria atrasada, por volta das 20h. E foi mais ou menos isso que aconteceu. Lembro que saímos do ônibus e pegamos o metro em direção a casa dela. Saímos na estação correta, seguimos as indicações que ela havia passado (caminhar duas quadras e virar a esquerda). Mal estávamos na esquina, e a vi sentada na janela de casa nos esperando. A primeira coisa que ela disse foi: “You are late and I don’t like people who are late.” Subimos. Ela nos recebeu na porta, pediu que tirássemos os sapatos, me deu a chave do apartamento, explicou como eu alimentava o gato, como ligava o chuveiro e disse para eu não comprar comida, pois ela tinha o suficiente em casa. Já estava quase fechando a porta de casa, quando retornou: “Vou dormir na casa do meu namorado, fiquem à vontade.” Eu e Karol tivemos nosso próprio apartamento em Viena por duas noites.

"Nossa" cozinha em Viena

Eu nunca tinha pensado em conhecer Wroclaw. Aliás, eu nem sabia que essa cidade existia antes da Asia aparecer na minha vida. Decidi que poderia visitá-la no caminho para Varsóvia, afinal o trem passaria por ali e custava nada ficar por uns dias. Enviei mensagem a ela para dormirmos no apartamento do seu namorado, pois ela vivia com o pai e eu estava viajando com o Karol.

O namorado da Asia nos passou um número de táxi para quando chegássemos na cidade – o trem passava por Wroclaw às 4 da matina, então não haveria ônibus. Acontece que há dezenas de táxis na Polônia que não são mesmo táxis, ou melhor, são clandestinos. O número que tínhamos era um desses, que, segundo o que nos informaram, seria mais barato.

Confesso que tive um pouco de receio, mas como o Karol é polonês não me pareceu tão mal assim. O táxi marcou conosco no posto de combustíveis ao lado da estação de trem. Ficamos meio de “tocaia”, pois o plano era esperar o motorista estacionar, “dar uma conferida” se parecia boa gente e só então embarcar. Como eu estou viva hoje para contar a história, presume-se que nada me aconteceu naquela madrugada. Enfim, o “esquema” é mesmo tranquilo, e nos custou cerca de 6 euros por quase 15 minutos de corrida. Bagatela. O “taxista” nos contou que o carro tinha placa francesa, pois é possível comprar usados muito baratos por lá, o que vale a pena para o pessoal do leste europeu.

Eu, Asia, namorado da Asia e filho do namorado da Asia de lancha nos canais de Wroclaw, a cidade das ilhas

Na virada de 2009-2010, participei do CouchSurfing Winter Camp em Budapeste. Foi o melhor Ano Novo da minha vida (até hoje!). Tivemos algumas atividades com o grupo, e duas festas bem legais. Numa dela, cada pessoa trazia uma bebida de seu país – eu tive que levar os ingredientes da sangria portuguesa, pois não havia cachaça disponíveis nos non-stops húngaros.

Desde agosto de 2011, o Couchsurfing deixou de ser uma organização sem fins lucrativos. Acho mais do que justo. As pessoas que organizam essa corrente devem sim receber por conta disso. As boas iniciativas do mundo também devem ser bem recompensadas.

Costumo recomendar o site para quem sai de intercâmbio, mas sempre alerto para estarem cientes da real função do projeto. Mais do que um lugar para dormir “de grátis”, o CS é uma troca de experiências. Para manter a ideia ativa, é importante que os indivíduos cadastrados zelem de verdade por essa iniciativa. Sou defensora ferrenha dessa ideologia, e recomendo àqueles que querem apenas economizar na viagem que procurem um hostel baratinho.

E para os que acham uma experiência perigosa, #ficadica do vídeo abaixo, que está na capa do site novo.

E falando em perigo…

Minha amiga Gabriella viajou com mais cinco amigos a Amsterdão. Eram 3 meninas e 3 meninos. Ficaram na casa de um couchsurfer que morava sozinho. Dormiram os seis na sala do apartamento do cara, que era “muito gente fina”, segundo ela me contou. Ele inclusive pagou pizza para eles na primeira noite.

No segundo dia, eles descobriram algo estranho na geladeira. Um pote, com um líquido que parecia sangue e algumas coisas boiando dentro. Mexeram um bocado, sacudiram e decidiram abrir. Era uma orelha humana. Em outro pote havia dedos humanos.

Os seis então fizeram uma pequena reunião e decidiram ir embora na mesma hora. No entanto, estava frio e escuro. Além disso, a casa ficava um bocado longe do centro, e eles não sabiam se haveria transporte até lá. Também não sabiam se os hostels teriam vagas. Então mudaram de ideia: dormiriam mais aquela noite por ali mesmo e saíram bem cedo no outro dia.

A porta da sala onde eles dormiram não tinha chave. Eles então empilharam as mochilas em frente a porta, para dificultar o acesso, caso o então assassino holandês decidisse cortar partes dos seus corpos durante a noite…

Mas é claro que isso não aconteceu! Apesar disso, Gabi e os outros devem ter passado por verdadeiros momento de tensão hehe

Mais tarde, quando o dono da casa chegou, alguém tomou coragem e acabou por perguntar o que tinha naqueles potes. O holandês contou que era maquiador – ou algo assim – e disse ter essas “partes humanas” (que eram de mentirinha) na geladeira para assustar as meninas com quem passava a noite. Pela manhã, pedia a elas para irem buscar água na geladeira. A mulher abre a porta e vê potes com dedos ou orelhas boiando. O que faz? Vai embora na mesma hora, sem dar explicações ou causar desconfiança… ninguém vai arriscar a sorte com um estripador.

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Filed under Europa

Os cabazes de Natal do Pingo Doce

O Pingo Doce decidiu seguir a onda dos cabazes e criou kits especiais de Natal. São três opções que custam 15 euros cada. €15 euros equivalem a cerca de 35 reais. Todos os kits incluem bacalhau, tradição comum na mesa portuguesa no Natal.

Aqui no Brasil, comemos chester ou peru. Em Portugal, creio que o prato principal é quase sempre oriundo do mar: Lula, bacalhau, outros tipos de peixes, polvo, entre outros. Acho isso um bocado engraçado, pois peixe me parece uma comida “mais tropical” do que frango. O mais natural seria invertermos nosso cardápio com o português!

Além do bacalhau, os cabaz 1 inclui vinho, azeite, Bolo Rei e chocolate. (Eu não gosto de Bolo Rei, pois frutas cristalizadas não me apetecem, mas recomendo às pessoas que o provem, pois faz parte da tradição de Natal portuguesa). No segundo cabaz, são duas garrafas de vinho, duas garrafas de azeite e chocolate. (Esse é o cabaz que eu compraria!). O outro é composto de vinho, azeite, duas barras de chocolate e uma Coca-Cola 2 litros (aliás, acabo de descobrir que a Coca-Cola 2 litros custa €1,49 em Portugal!!!).

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Quem quiser outras informações sobre os cabazes de Natal do Pingo Doce, clica aqui!

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Filed under Portugal

#ficadica: Custo Justo

Ontem a noite vi um anúncio do Bom Negócio na TV. Já estava na hora do Brasil ter algo no estilo da Craigslist. Trata-se de um site de classificados, onde pode-se postar gratuitamente anúncios de venda ou aluguel. Nesse tipo de serviço acha-se de tudo: Apartamentos para alugar, roupas para vender, anúncio de empregos, venda de filhotes de cães e etc.

Esse tipo de site é popular especialmente na Europa. Se você é estudante, trabalhador temporário ou pretende ficar por tempo limitado em determinado lugar, classificados online são a melhor forma de conseguir casa, móveis e até mesmo um carro de forma rápida e barata.

Em Portugal, sou fã do Custo Justo. Certa vez, fotografei um colchão usado que tinha em casa e queria me desfazer. Pedi 20 euros nele. 20 minutos depois de inserir o anúncio, meu telefone tocou. Era um homem querendo comprar. Buscou na minha casa no outro dia. Pegou o colchão, me deu o dinheiro. Simples assim.

Indico ainda para aqueles que estão a procura de apartamentos ou quarto para arrendar (especialmente os estudantes intercambistas ou turistas de temporada). É a melhor saída, tanto em Portugal quanto no Brasil. A dica é olhar todos os dias, pois logo que colocam um anúncio novo já chovem ligações para o anunciante… assim, tem que correr para garantir um bom negócio! Meu amigo, o André, já comprou um carro via Custo Justo. Pagou cerca de 400 euros, se não me engano. Outros amigos, Moisés e Felipe, arranjaram um beliche pelo site e, após seis meses, revenderam. Pagaram cerca de 80 euros e conseguiram ganhar mais depois.

custojust.pt: Os classificados online mais famosos de Portugal

O Custo Justo e o Bom Negócio são sites de classificados da mesma empresa. Além dos dois países, está presente em outros 23, na Europa e América Latina.

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Filed under Brasil, Europa, Portugal

Mochilão europeu

Itens essenciais na lista de um mochileiro: Mochila (dã!) e saco de dormir. Se você viaja de low cost é bom saber que as companhias aéreas desse tipo cobram pelas bagagens despachadas. A solução: Viajar apenas com bagagem de mão.

Geralmente, aceitam-se bagagens de mão com até 10kg (a Ryanair, por exemplo). Há um limite também para as medidas, pois deve entrar no compartimento de bagagens de mão – aquele acima dos assentos. Importante destacar também que é UMA bagagem por pessoa apenas. Ou seja, bolsa de mulher, sacolinha de plástico, capa de laptop e qualquer outra coisa do gênero conta como item. É a mochila e ponto final.

Quando eu viajei 40-e-tantos dias pela Europa do leste em 2009, comprei meu “kit viagem low cost” na Sport Zone. Aliás, prefiro a SZ a Decathlon. Paguei €39,90 pela mochila e (vejam só!) ela continua custando a mesma coisa: País sem inflação meio que causa espanto/admiração em brasuca, né?

Enfim, a mochila é essa da foto, da marca Berg. Super útil e bonita!

Minha companheira de aventuras!

Não é como a maioria dos mochilões que parece um saco, ou seja, você praticamente soca as suas roupas lá dentro e depois fica tua amassado ou com cara de sujo. Essa mochila tem zíper que deixa você abrir ela totalmente, parecendo uma malinha de colocar nas costas. O melhor? Ela não é rígida: Se der rolo de não entrar no treco que mede as malas da Ryanair, você senta nela e faz caber!

Quanto aos sacos de dormir (ou “saco cama”, como diz em Portugal), eu paguei 7 euros no meu. Mas ele era meio grande, eu pendurava na mochila mesmo e passava na boa no aeroporto. Foi muito útil para as noites que dormi no chão de estações de trem e aeroportos. Se você paga pouco pelo saco de dormir, não tem pena de sujar, rasgar, emprestar, perder ou se desfazer. Há quem prefira comprar daqueles sacos de dormir bem pequenos, que cabem dentro do mochilão. Eu acho que não vale a pena pagar mais do que 10 euros nisso.

Se achar necessário também, é sempre útil comprar uma daquelas toalhas de banho que absorvem a água. Além de quase não ocuparem espaço, você não precisa se preocupar com toalha molhada umedecendo suas roupas (ou ter que arranjar saco plástico para colocar ela dentro). Vale o investimento!

Ah, e uma última dica: Não entupa a sua mala de coisas, roupas e acessórios. Deixe para comprar no lugar que você está indo. Leve somente o essencial. Não se preocupe também em levar shampoo, condicionador e não sei mais o que naqueles frasquinhos de 100ml: Isso compra-se quando chegar no destino (e divide-se entre os companheiros de viagem!).

Como diz uma amiga minha, a Nina: “Em qualquer cidadezinha da Europa tem supermercado e aceitam cartão de crédito!”. Ou seja, sempre melhor levar 7kg de bagagem do que 10kg, pois nunca se sabe a promoção bombástica que se vai encontrar por aí hehe

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Filed under Europa, Portugal

#ficadica: Os casaquinhos da Blanco

€ 12,99. Esse é o preço da minha peça de roupa favorita. Podem me chamar de velhota, mas eu adoro um casaquinho!

Casaquinhos fofinhos da tia Fernanda! (foto by Kelly Guimarães)

Os da Blanco são os melhores. Têm um bocadinho de lycra e daí ficam mais justinhos ao corpo: Dá pra usar aberto ou fechado, tipo blusinha de inverno.

Se eu pudesse dar uma dica, essa seria: Não deixe de ir a Blanco. A marca é espanhola, e costumava ter loja somente na cidade do Porto, mas agora tem em Lisboa também. Na minha opinião, uma das melhores lojas fast fashion. (Ok, Zara, não fique com ciúmes. Você ainda é a number one no meu coração!).

Aliás, a Blanco tem os melhores preços na época de saldos, em especial para os vestidos. Biquíni também vale a pena comprar lá, pois saem por cerca de € 12 – se bem que a parte de baixo é geralmente inutilizada pelas brasileiras, pois dá pra usar fraldas com aquele pano todo!

Dei uma espiadinha no site agora e descobri que eles estão vendendo online. Se bem que nem adianta ficar empolgada: 1) O custo da entrega mata a pessoa provavelmente; 2) É melhor nem sonhar, pois eles nem devem entregar no Brasil; 3) Se entregam e eu arrisco pagar o frete, corro o risco de ter mercadoria apreendida pela alfândega e ter que arcar com os custos de imposto de importação. Enfim, o mais importante de tudo isso é que eu não gosto de comprar roupa sem experimentar, portanto, as compras ficam para a próxima passagem pela Europa!

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Filed under Espanha, Europa, Porto

(pausa para reflexão)

‎”Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!”

(Fernando Pessoa)

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Filed under Mundo

O (falso) glamour da vida de intercambista

É, amigo. Vida de intercambista não é fácil.

Você precisa aprender a dividir sua casa com os outros. Você compratilha banheiro com gente, até então, desconhecida. Você lava roupa junto, pega coisas emprestadas e divide sua comida. Alguns vão subir de tênis no sofá, não recolher os cabelos do ralo do banheiro e deixar louça suja acumular. Mas, mesmo assim, vão continuar sendo seus melhores amigos na saúde ou na doença, na alegria e na tristeza, até que o final do semestre os separe.

Confesso que quando cheguei ao Porto, em fevereiro de 2009 (nossa, tô ficando passadinha!), eu mal sabia lavar roupa. Não entendia como funcionava aquele compartimento do sabão em pó e por que havia tantas opções de lavagem. Afinal, quanto sabão em pó eu coloco na máquina? Qual a quantidade de roupa que cabe numa vez só? Separa por cor, por “nível de delicadeza” ou por tamanho? (Tá, exagerei um pouco nesse negócio de “por tamanho”). Enfim, hoje sou uma pessoa orgulhosa de mim mesma! Eu sei lavar, passar e cozinhar. Sou A dona de casa! (Muito embora não goste muito das tarefas domésticas, minha mãe sempre disse que para mandar tem que saber fazer!).

Minha primeira residência foi junto a duas alemãs: Uma de Hannover e outra de Leipzig. Eu logo percebi quem era do leste e qual delas vinha do oeste. Preciso dizer que foi uma experiência incrível? Elas queriam aprender a falar português, e eu queria praticar meu alemão. (Como se diz em Porto Alegre: FECHOU TODAS!). A casa foi apelidada carinhosamente de Große Schule.

A minha “mãe” Maren me ensinou a lavar roupa na máquina e a cozinhar comida vegetariana (yummy yummy!). A Clara sempre reclamava da maneira como eu limpava o banheiro e dizia que eu deixava meus cabelos no ralo. (Elas eram loiras, e eu sou morena… daí não tinha desculpa do tipo “não é meu”!). Eu também tinha minhas reclamações: Elas lavavam as pranchas de surfe na banheira, metiam música alta às 2 da matina, deixavam lixo e louça acumular. Pois, nada irremediável, mas às vezes incomodava.

Todo bônus tem um ônus. No pain, no gain. Isso é faCto. Hoje olho pra trás e vejo que aquelas duas alemãs (que eu ainda espero reencontrar algum dia) mudaram minha vida. A palavra principal no meio de tudo isso é tolerância. E eu tolero tudo – só não tolero gente pulando em cima da minha cama de tênis…

Eu vejo as casas de estudantes (ou, como dizem por aí, as “repúblicas”) como verdadeiros universos paralelos. Há regras próprias em cada uma delas, assim como na nossa sociedade. Tem casa que pode fumar dentro, há outras que cigarro nem pensar. Tem gente que assume o espírito “party everyday”, há outros que querem (e precisam!) realmente estudar MUITO. Tem gente que nunca limpa a geladeira, nunca lava a louça, entra com tênis em casa e joga o papel higiênico do número 2 no lixo (o correto na Europa é jogar na sanita, ok?). Assim como há casas em que existem planilhas que ditam a ordem da limpeza do banheiro, quem passa vassoura na sala em cada semana e quando o lixo deve descer.

Cada um se adapta ou sobrevive como pode.

Depois das alemãs, morei num apê com mais 5 pessoas, dividindo o quarto com outras 2 meninas. Mudei novamente para um apartamento mais afastado do centro morando com meu namorado e duas amigas. Daí, fui viver só eu e ele no centro. Por fim, acabei fazendo mais mudanças (quando meu namo foi viver no Chile) e fui ser companhia para um grande amigo, o André. Nessa época, eu costumava dormir de vez em quando no hostel que eu trabalhava. Lá era punk: Se você não cuidar da sua comida, comem hehe

Lasanha do Pingo Doce de 1,99 euro. É MINHA, SÓ MINHA!

Tem Guaraná em Portugal sim. Mas esse é MEU, SÓ MEU!

É, amigo, animal domesticado não sobrevive na selva se não ficar esperto.

Mas relaxa e fica tranquilo. Sempre tem alguém que sabe coisas que você não sabe e vai te ensinar com a maior paciência. Do mesmo jeito, você logo entende que sabe mais sobre algo e pode também passar o conhecimento adiante. Ninguém precisa mudar, só se adaptar. Esse é o segredo 🙂

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Filed under Porto, Portugal