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Surfistas de sofá

Sou membro do Couchsurfing há pelo menos 5 anos. Só tive boas experiências com o projeto. Tenho dezenas de histórias para contar e também já ouvi um bocado sobre as experiências de amigos e conhecidos.

A primeira vez que usei o site mesmo a sério foi em 2007. Eu planejava uma viagem ao Rio de Janeiro no verão de 2008 e decidi fazer alguns amigos cariocas antes do embarque. Conheci o Flávio, a Bianca e a Ane. Mantenho contato com eles até hoje via Facebook.

Algum tempo depois, encontrei-me em Porto Alegre com dois peruanos que estavam a viajar pela América Latina há seis meses. Eles estavam percorrendo o Brasil pegando carona com caminhoneiros na estrada. Mal tinham dinheiro para comer – muito embora tivessem o suficiente para gastar com bebida a se emborrachar. Levei-os a um bar da minha cidade, um dos mais baratos que eu conhecia na época. Ouvi boas histórias naquela noite, e guardei para mim um conselho: “Visite Bogotá, mas não vá a Lima.” Talvez um dia eu faça isso 🙂

Mas é claro que foi na Europa que eu tive as maiores experiências. Aqui no Brasil (e isso se aplica a toda América Latina, África e parte da Ásia), as pessoas são mais desconfiadas com esse tipo de coisa. Como vou colocar uma pessoa que nem conheço dentro da minha casa? E se me roubar, sequestrar, matar enquanto durmo? Enfim, os terceiro-mundistas temem mais quanto a segurança, e eu me incluo nisso. Acho mais fácil surfar no sofá alheio se estiver no hemisfério Norte.

Decidi começar a receber pessoas depois de quatro meses morando em Portugal. Encontrei com alguns CS’s antes disso, apenas para um meet for coffee or drink. No entanto, eu não estava apta a receber qualquer um que quisesse usar minha casa como dormitório. O interessante do Couchsurfing é a troca. Realmente conhecer alguém que possa fazer alguma diferença na sua vida – nem que isso se resuma a apenas alguns dias saindo da rotina.

Em meio às mensagens da minha inbox, simpatizei com uma polaca, oriunda de uma cidade a qual eu não sabia pronunciar o nome corretamente, mas hoje me orgulho de ter aprendido: Wroclaw (não se lê “vrôclau”, mas sim “vrôtzlav”!). Asia tinha fotos engraçadas no perfil. Chegou ao Porto no início do verão de 2009, acompanhada do namorado e do filho dele, uma criança de cinco anos (sim, eu recebi uma criança de cinco anos em casa e não a matei!)

Pediram inicialmente para ficar três dias, que viraram cinco e se transformaram em 1 semana. Depois, seguiram para o sul de Portugal, retornando novamente para a minha casa após algumas semanas.

Tive alguns outros hóspedes naquelas primeiras semanas do verão, até que, em julho de 2009, fui eu que comecei a surfar no sofá alheio.

Com algumas dificuldades, arrumei um couch em Barcelona (a Asia me ajudou recomendando algumas pessoas que tinham respondido a ela na época em que viajou pra lá). Fui a primeira hóspede de Catriel, um argentino que morava há algum tempinho na Catalunha. Ele trabalhava como ator e vivia num apartamento daqueles bem antigos, pertinho do centro de Barcelona. Tinha uma companheira de casa que era do país basco e se referia a mim como “chica guapa”. Não lembro o nome dela. Só sei que é uma das mulheres mais bonitas que conheci na vida, apesar de ter a cabeça raspada (se bem que dizem por aí que essa é a melhor maneira de saber quem é verdadeiramente belo: tirar-lhe os cabelos!).

Como o apartamento tinha três dormitórios, fiquei com um quarto só para mim. Não posso dizer que foram as melhores acomodações do mundo, mas tinha uma cama com lençóis limpos e uma sacada que não conseguia acessar porque a porta estava emperrada, além de milhares de sacos plásticos e entulhos espalhados por um armário que estava caindo aos pedaços.

Infelizmente Catriel havia quabrado o pé dois dias antes de eu chegar, portanto não pôde me mostrar a cidade. Apesar disso, me deu alguns mapas de Barcelona e me explicou os pontos imperdíveis. Combinamos pela Internet que eu ficaria por três noites, mas acabei ficando uma a mais – claro que perguntei a ele e a basca se poderia, e lembro que ela disse: “Sí, sí guapa, claro que sí.”

Eu e Catriel, que insistiu em posar com a cortina do apê

Em Barcelona encontrei pessoalmente com Pierre, CS da parte francesa do Canadá. Ele havia me enviado uma mensagem pedindo pouso no Porto. Informei a ele que estaria em Madrid e depois iria Barcelona, por isso não poderia hospedá-lo. As datas de nossa viagem coincidiram, e decidimos nos encontrar em Barcelona. Comemoramos seu aniversário juntos, jantando paella em algum dos restaurantezinhos perto da Rambla.

Aliás, mantenho contato com o Pierre até hoje. Atualmente ele está vivendo em Paris, num pequeno apartamento perto do Moulin Rouge, segundo me informou.

Com Pierre em Barceloneta

Foi uma colega de Faculdade que me indicou um couch na Áustria. Apesar de dizerem que Viena é um dos lugares mais fáceis para descolar um, tive dificuldades. Steffanie me passou o link do perfil da Kathalena, amiga de sua irmã.

Algumas trocas de mensagem depois, Kath me passou as indicações de como chegar a sua casa tim-tim por tim-tim. Combinamos que eu estaria lá por volta das 17h, o que não aconteceu. Acabei demorando mais do que o esperado em Blatislava (minha cidade preferida na Europa!) e peguei o ônibus mais tarde. Nesse dia, eu não estava sozinha, mas sim com meu amigo polaco Karol, que conheci em Erasmus.

Enviei uma mensagem a ela avisando que chegaria atrasada, por volta das 20h. E foi mais ou menos isso que aconteceu. Lembro que saímos do ônibus e pegamos o metro em direção a casa dela. Saímos na estação correta, seguimos as indicações que ela havia passado (caminhar duas quadras e virar a esquerda). Mal estávamos na esquina, e a vi sentada na janela de casa nos esperando. A primeira coisa que ela disse foi: “You are late and I don’t like people who are late.” Subimos. Ela nos recebeu na porta, pediu que tirássemos os sapatos, me deu a chave do apartamento, explicou como eu alimentava o gato, como ligava o chuveiro e disse para eu não comprar comida, pois ela tinha o suficiente em casa. Já estava quase fechando a porta de casa, quando retornou: “Vou dormir na casa do meu namorado, fiquem à vontade.” Eu e Karol tivemos nosso próprio apartamento em Viena por duas noites.

"Nossa" cozinha em Viena

Eu nunca tinha pensado em conhecer Wroclaw. Aliás, eu nem sabia que essa cidade existia antes da Asia aparecer na minha vida. Decidi que poderia visitá-la no caminho para Varsóvia, afinal o trem passaria por ali e custava nada ficar por uns dias. Enviei mensagem a ela para dormirmos no apartamento do seu namorado, pois ela vivia com o pai e eu estava viajando com o Karol.

O namorado da Asia nos passou um número de táxi para quando chegássemos na cidade – o trem passava por Wroclaw às 4 da matina, então não haveria ônibus. Acontece que há dezenas de táxis na Polônia que não são mesmo táxis, ou melhor, são clandestinos. O número que tínhamos era um desses, que, segundo o que nos informaram, seria mais barato.

Confesso que tive um pouco de receio, mas como o Karol é polonês não me pareceu tão mal assim. O táxi marcou conosco no posto de combustíveis ao lado da estação de trem. Ficamos meio de “tocaia”, pois o plano era esperar o motorista estacionar, “dar uma conferida” se parecia boa gente e só então embarcar. Como eu estou viva hoje para contar a história, presume-se que nada me aconteceu naquela madrugada. Enfim, o “esquema” é mesmo tranquilo, e nos custou cerca de 6 euros por quase 15 minutos de corrida. Bagatela. O “taxista” nos contou que o carro tinha placa francesa, pois é possível comprar usados muito baratos por lá, o que vale a pena para o pessoal do leste europeu.

Eu, Asia, namorado da Asia e filho do namorado da Asia de lancha nos canais de Wroclaw, a cidade das ilhas

Na virada de 2009-2010, participei do CouchSurfing Winter Camp em Budapeste. Foi o melhor Ano Novo da minha vida (até hoje!). Tivemos algumas atividades com o grupo, e duas festas bem legais. Numa dela, cada pessoa trazia uma bebida de seu país – eu tive que levar os ingredientes da sangria portuguesa, pois não havia cachaça disponíveis nos non-stops húngaros.

Desde agosto de 2011, o Couchsurfing deixou de ser uma organização sem fins lucrativos. Acho mais do que justo. As pessoas que organizam essa corrente devem sim receber por conta disso. As boas iniciativas do mundo também devem ser bem recompensadas.

Costumo recomendar o site para quem sai de intercâmbio, mas sempre alerto para estarem cientes da real função do projeto. Mais do que um lugar para dormir “de grátis”, o CS é uma troca de experiências. Para manter a ideia ativa, é importante que os indivíduos cadastrados zelem de verdade por essa iniciativa. Sou defensora ferrenha dessa ideologia, e recomendo àqueles que querem apenas economizar na viagem que procurem um hostel baratinho.

E para os que acham uma experiência perigosa, #ficadica do vídeo abaixo, que está na capa do site novo.

E falando em perigo…

Minha amiga Gabriella viajou com mais cinco amigos a Amsterdão. Eram 3 meninas e 3 meninos. Ficaram na casa de um couchsurfer que morava sozinho. Dormiram os seis na sala do apartamento do cara, que era “muito gente fina”, segundo ela me contou. Ele inclusive pagou pizza para eles na primeira noite.

No segundo dia, eles descobriram algo estranho na geladeira. Um pote, com um líquido que parecia sangue e algumas coisas boiando dentro. Mexeram um bocado, sacudiram e decidiram abrir. Era uma orelha humana. Em outro pote havia dedos humanos.

Os seis então fizeram uma pequena reunião e decidiram ir embora na mesma hora. No entanto, estava frio e escuro. Além disso, a casa ficava um bocado longe do centro, e eles não sabiam se haveria transporte até lá. Também não sabiam se os hostels teriam vagas. Então mudaram de ideia: dormiriam mais aquela noite por ali mesmo e saíram bem cedo no outro dia.

A porta da sala onde eles dormiram não tinha chave. Eles então empilharam as mochilas em frente a porta, para dificultar o acesso, caso o então assassino holandês decidisse cortar partes dos seus corpos durante a noite…

Mas é claro que isso não aconteceu! Apesar disso, Gabi e os outros devem ter passado por verdadeiros momento de tensão hehe

Mais tarde, quando o dono da casa chegou, alguém tomou coragem e acabou por perguntar o que tinha naqueles potes. O holandês contou que era maquiador – ou algo assim – e disse ter essas “partes humanas” (que eram de mentirinha) na geladeira para assustar as meninas com quem passava a noite. Pela manhã, pedia a elas para irem buscar água na geladeira. A mulher abre a porta e vê potes com dedos ou orelhas boiando. O que faz? Vai embora na mesma hora, sem dar explicações ou causar desconfiança… ninguém vai arriscar a sorte com um estripador.

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TAP eleita a melhor companhia aérea internacional do Brasil

Eu assino embaixo. Adoro o serviço e atendimento da TAP, e creio que fizeram uma grande aposta intensificando a atuação no mercado brasileiro – até porque, dizem por aí, que somos o país do futuro! A TAP é mesmo a melhor companhia aérea internacional com atuação no Brasil. O prêmio foi entregue na 34ª edição da Feira de Turismo do Estado de São Paulo.

Em 2010, a TAP transportou cerca de 1 milhão e 400 mil passageiros entre Portugal e Brasil (eu devo estar contabilizada pelo menos umas quatro vezes nesse número aí hehe). A TAP conta ainda com um dos melhores atendimentos via redes sociais (estão sempre de olho e respondendo comentários no Twitter ou Facebook), além de ter uma das melhores revistas de bordo, a Up (que também já foi premiada).

Eu sou fã!

Quando eu cheguei a Portugal, logo percebi que muitos brasileiros andavam por lá a tentar fazer a vida. Brinquei inclusive com a piada batida da “colônia dominando a metrópole”. Pois é, bebê… pelo visto, agora que estamos cheios do novo “ouro” e “Pau-Brasil”, a metrópole cresceu o olho e quer abocanhar uma fatia desse bolo. Espertos são eles (e depois dizem que português é tudo burro, néam?!). Mas isso é também bom para nós. É preciso educar as cias aéreas brasileiras para um melhor atendimento e prestação de serviço aos clientes. Para isso, nada melhor do que cercar-se de bons exemplos 🙂

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Porto Alegre é capa da Up, a revista da TAP

A TAP distribui para seus passageiros durante o voo a revista Up. Eu gosto bastante, acho que tem fotos e matéria interessantes (apesar do tamanho da fonte de letra ser muito pequeno #ficadica!). Certa vez, viajei com a equipe da revista num voo Lisboa – Rio de Janeiro. Conversei com uma das jornalistas e uma designer. Não lembro muito mais do que isso, só sei que a menina do design era polaca.

Na edição da Up de Outubro, Porto Alegre está na capa. Provavelmente por causa do novo voo da TAP que conecta a maior capital do sul do Brasil a Lisboa. Eu peguei esse voo em julho: Facilita (e muito!) a vida dos gaúchos que se destinam a Portugal, dos portugueses que pretendem conhecer Porto Alegre (muito embora eu não recomende, pois não é uma cidade muito turística) e também dos tugas que vivem por cá (e são vários!).

O único problema de voar Porto Alegre – Lisboa direto é a infraestrutura precária do aeroporto Salgado Filho. No embarque até não tive grandes problemas, mas não posso dizer o mesmo do retorno. Ao desembarcar no retorno em Porto Alegre, foi fila para passar na aduana (e deixaram os gringos passarem na frente dos brasucas no meu próprio país!), fila para pegar a mala (a esteira disponível para voos internacionais não comporta a quantidade de passageiros e malas que carregam) e fila para sair da sala de desembarque (a alfândega quer revistar todo mundo para ver se descola alguém acima da cota de compras e mete uma multa!). Além disso, quebraram as minhas DUAS malas – sim, é mesmo muita sorte! (Essa última informação não pode ser atribuída a precariedade do aeroporto, pois a mala trocou de voo entre Porto e Lisboa, ou seja, pode ter quebrado nesse trâmite).

Infelizmente eu não consegui uma edição e tampouco possuo um iPad para baixá-la (aliás, nem conseguir baixar do iTunes direto pro pc – não sei pq!). Assim, não li a matéria sobre Porto Alegre (ainda!). Apesar disso, consegui baixar a fotinho da capa e da página interna.

Bombacha e chimarrão na capa da Up de Outubro/2011

Porto Alegre famosa da Europa (chic demais!)

Bom, mas e fora o novo voo da TAP, o que Porto Alegre tem a ver com Portugal? Olha, se você não é gaúcho, provavelmente pode indagar-se sobre isso…

A História que me contaram no colégio foi a seguinte: Oito casais açorianos liderados por Jerônimo de Ornelas Meneses de Vasconcelos foram destacados pela coroa portuguesa para povoar o Rio Grande do Sul e fundaram Porto Alegre. O primeiro nome da cidade teria sido “Porto dos Casais”, pois se tratavam de casais que chegaram num porto (!), e, como eles eram muuuito felizes, o nome depois foi alterado para Porto Alegre (!).

Engraçado que eu acabo de descobrir que o tal Jerônimo não é açoriano, e sim madeirense (talvez seja até parente do Cristiano Ronaldo hehe). Além disso, sempre desconfiei que essa história de oito casais era um bocado lúdica. Futriquei na Wikipedia e lá está escrito que não eram 16 portugueses, mas mais de mil que povoaram diversas cidades do Rio Grande do Sul.

Enfim, sejam da Madeira, dos Açores ou do continente, Porto Alegre foi colonizada por portugueses. A cidade até tem um monumento dedicado a esses supostos casais açorianos que cá chegaram (não acredito até agora que fui enganada por minha professora de Estudos Sociais da quarta série!): O Monumentos aos Açorianos localiza-se no Largo dos Açorianos em frente ao Centro Administrativo do Estado, próximo ao centro e ao rio Guaíba. (O Centro Administrativo é aquele prédio que aparece na segunda foto desse post, muito embora não se veja o Monumento aos Açorianos…).

Bom, espero que essa aparição na revista da TAP torne Porto Alegre mais conhecida em Portugal e na Europa. Eu já perdi as contas de quantas vezes algum europeu me perguntou de onde eu era, respondi que era de Porto Alegre e a pessoa diz: “Ahhhh, conheço.. É bem quente lá né? Fica bem no norte né? Ou seria nordeste?”. Nesse momento, sempre precisei acabar com a felicidade do cidadão e dizer: “Acho que você está confundindo com Porto Seguro ou Porto de Galinhas, meu bem. Eu nasci em outro Porto!” 🙂

UPDATE: A Revista da TAP pode ser acessada também através do site na Internet. O endereço é http://upmagazine-tap.com/.

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Brasileiros no estrangeiro

Brasileiro vivendo ou turistando no estrangeiro acaba sempre sofrendo com os estereótipos. Só porque um dos ritmos musicais mais famosos do país é o samba, todos devemos saber sambar (e muito bem!). A Floresta Amazônica é um lugar de super fácil acesso (fui irônica!) e brasileiro que é brasileiro já esteve lá (ah tá né!)! Para os estrangeiros, geralmente, Pelé e Ronaldo são as pessoas mais importantes do Brasil.

Nós brasileiros também costumamos fazer isso com os outros: Americanos são gordos e só falam inglês, portuguesas têm bigode, franceses não tomam banho, chinesas são tímidas e por aí vai.

Ontem eu estava fuçando (leia-se matando tempo) no 9gag e achei um quadro sobre isso. Aliás, eu nem sabia que tantos brasileiros visitassem o 9gag. Fiquei impressionada com a quantidade de likes e shares que o post teve.

Apesar de estar incluído no monte dos estereótipos, tendo a concordar que temos sim as mulheres mais bonitas do mundo cá no Brasil 🙂

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O preço da comida portuguesa

Uma das dúvidas mais frequentes daqueles que estão indo viver ou turistar em Portugal é o preço da alimentação. Comer em restaurante é caro? Vale mais a pena fazer comida em casa ou almoçar nas residências universitárias? A comida deles é igual a brasileira ou muito diferente? Quanto custa 1kg de arroz?

Como diria Jack Estripador: Vamos por partes!

1) Há restaurantes para todos os gostos e bolsos. Dá para pagar 5 euros por entrada + sopa + prato principal + bebida no centro do Porto (e na capital Lisboa deve existir opções pelo mesmo valor). Uma das dicas é comer no O Perfume. A comida é ótima, o preço é justo (5 euritos) e ainda dá para almoçar com o rio Douro a janela 🙂

Se a intenção é comer num lugar mais chic, típico e menos dia-a-dia, sugiro o Tromba Rija. Foi eleito o melhor restaurante de Portugal várias vezes. Além disso, os turistas que se destinam ao norte de Portugal não devem deixar de provar as Francesinhas. Recomendo o Capa Negra, no Porto.

2) Uma possibilidade para os estudantes são as cantinas universitárias. Sopa, pão, prato, bebida e sobremesa por 2,15 euros (cantinas da Universidade do Porto). Além de unir a praticidade ao baixo custo, a comida é bem boa (e pode-se checar o cardápio da semana pela internet antes de encarar).

Para quem está na correria de estudos e não quer perder tempo indo ao supermercado, pilotando fogão e depois lavando louças, é prático e vale a pena comer nas cantinas. Por cerca de 40 euros mensais, pode-se almoçar 5 dias por semana na universidade. Depois, ao jantar, come-se qualquer coisa (sanduíche, pizza congelada ou lasanha que saem bem em conta também). E como final de semana é dia de comer uma coisinha um pouco melhor, os estudantes leitores desse blog podem buscar explorar a culinária portuguesa em um restaurante baratinho (“as tascas”).

3) A comida portuguesa é um pouco diferente da brasileira sim. Os portugueses comem mais peixe e MUITO mais carne de porco. A carne de vaca não é muito popular (e é um pouco mais cara que as demais). Outra coisa que não falta são frangos: Sempre muito temperados com piri-piri (pimenta!). A maioria dos pratos típicos portugueses contam uma História: A alheira (enchido português), a Francesinha e as tripas à moda do Porto são exemplos disso.

Não é costume comer feijão diariamente, mas quem quiser encontra facilmente nas prateleiras do supermercado (seja o saco de grãos ou o enlatado). Na casa das famílias portuguesas, a sopa é sempre presente antes das refeições, seja almoço ou jantar, no inverno e verão. Ao meu ver, os portugueses comem muito mais vegetais e verduras do que os brasileiros, e beeeem menos gordura. Batata-frita é algo que nunca se vai encontrar como refeição em Portugal (isso come-se no Mc Donalds!).

4) A comida no supermercado parece-me mais barata lá (Portugal) do que cá (Brasil). Eu já disse isso inúmeras vezes por aqui, mas, enfim: Volto a repetir! Eu gastava cerca de 25 euros semanais em compras no mercado. Para um estudante viver no Porto, o custo aproximado da alimentação mensal são 150 euros:

€ 25 / semana no supermercado = € 100
+ € 40 / mês na cantina da universidade = € 140

É claro que às vezes acaba-se gastando um pouco a mais, da mesma forma que é possível gastar bem menos do que isso. Creio que € 150 serve como valor médio para ilustrar a despesa mensal com alimentação em Portugal. Importante ainda destacar que esse valor pode modificar um pouco dependendo da cidade onde se vive, mas nada tão diferente assim.

Pedi a um amigo, o Felipe, que fotografasse alguns produtos a venda no Pingo Doce. O Felipe vive em Aveiro.

Pão de forma, leite, salgadinho de batata-frita e macarrão

O pão de forma custa € 0,85, um litro de leite por € 0,49, salgadinho de batata-frita (ideal para os momentos “não-quero-cozinhar-e-vou-comer-qualquer-lixo”) sai por € 0,49 também, enquanto o pacote de macarrão (tipo parafuso) custa € 0,65. O espaguete sai por € 0,39. Geralmente, estudantes costumam comprar produtos da marca do supermercado. É mais barato e a qualidade parece ser a mesma. Eu sempre fui fã dos produtos Pingo Doce e recomendo.

Pizza resfriada, yogurt, arroz e sangria

Famosos entre estudantes & mochileiros, congelados na Europa são baratinhos. A pizza resfriada custa € 1,99 (a congelada sai pelo mesmo preço e tem em diversos sabores). O potinho de yogurt é € 0,22 e o quilo do arroz custa € 0,74. Em Portugal existem alguns tipos de arroz branco. Eu nunca consegui cozinhar direito com tipo Agulha, um dos mais comuns na Europa. Ficava sempre todo colado, estilo “juntos venceremos” hehe. Aconselho o arroz Vaporizado, é o mais fácil para cozinhar. Não tem mistério! Recomendo ainda que nunca compre o arroz Carolino: Pode até ser o mais barato, mas é o pior de todos!

Para completar a pequena amostra da cesta-básica-do-estudante-em-Portugal, o Felipe fotografou ainda os garrafões de Sangria. Por € 1,49 compra-se 1,5 litros da bebida mais famosa de Portugal 🙂

E já que tocamos no assunto, vale ainda destacar aqui o preço do pack com 24 mini Super Bock (a cerveja mais famosa da terrinha!). Apenas € 10,99!

As minis da Super Bock são tããão bonitinhas

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Mochilão europeu

Itens essenciais na lista de um mochileiro: Mochila (dã!) e saco de dormir. Se você viaja de low cost é bom saber que as companhias aéreas desse tipo cobram pelas bagagens despachadas. A solução: Viajar apenas com bagagem de mão.

Geralmente, aceitam-se bagagens de mão com até 10kg (a Ryanair, por exemplo). Há um limite também para as medidas, pois deve entrar no compartimento de bagagens de mão – aquele acima dos assentos. Importante destacar também que é UMA bagagem por pessoa apenas. Ou seja, bolsa de mulher, sacolinha de plástico, capa de laptop e qualquer outra coisa do gênero conta como item. É a mochila e ponto final.

Quando eu viajei 40-e-tantos dias pela Europa do leste em 2009, comprei meu “kit viagem low cost” na Sport Zone. Aliás, prefiro a SZ a Decathlon. Paguei €39,90 pela mochila e (vejam só!) ela continua custando a mesma coisa: País sem inflação meio que causa espanto/admiração em brasuca, né?

Enfim, a mochila é essa da foto, da marca Berg. Super útil e bonita!

Minha companheira de aventuras!

Não é como a maioria dos mochilões que parece um saco, ou seja, você praticamente soca as suas roupas lá dentro e depois fica tua amassado ou com cara de sujo. Essa mochila tem zíper que deixa você abrir ela totalmente, parecendo uma malinha de colocar nas costas. O melhor? Ela não é rígida: Se der rolo de não entrar no treco que mede as malas da Ryanair, você senta nela e faz caber!

Quanto aos sacos de dormir (ou “saco cama”, como diz em Portugal), eu paguei 7 euros no meu. Mas ele era meio grande, eu pendurava na mochila mesmo e passava na boa no aeroporto. Foi muito útil para as noites que dormi no chão de estações de trem e aeroportos. Se você paga pouco pelo saco de dormir, não tem pena de sujar, rasgar, emprestar, perder ou se desfazer. Há quem prefira comprar daqueles sacos de dormir bem pequenos, que cabem dentro do mochilão. Eu acho que não vale a pena pagar mais do que 10 euros nisso.

Se achar necessário também, é sempre útil comprar uma daquelas toalhas de banho que absorvem a água. Além de quase não ocuparem espaço, você não precisa se preocupar com toalha molhada umedecendo suas roupas (ou ter que arranjar saco plástico para colocar ela dentro). Vale o investimento!

Ah, e uma última dica: Não entupa a sua mala de coisas, roupas e acessórios. Deixe para comprar no lugar que você está indo. Leve somente o essencial. Não se preocupe também em levar shampoo, condicionador e não sei mais o que naqueles frasquinhos de 100ml: Isso compra-se quando chegar no destino (e divide-se entre os companheiros de viagem!).

Como diz uma amiga minha, a Nina: “Em qualquer cidadezinha da Europa tem supermercado e aceitam cartão de crédito!”. Ou seja, sempre melhor levar 7kg de bagagem do que 10kg, pois nunca se sabe a promoção bombástica que se vai encontrar por aí hehe

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#ficadica: Oporto em 24 horas

Eu sempre disse que é totalmente possível conhecer o Porto em 24 horas. Apesar de ser uma cidade média, as distâncias são pequenas. O vídeo produzido pelo Marketing dos Hotéis Fênix mostra isso na prática. Dois casais de turistas saem para conhecer a cidade. Uma voltinha de bicicleta, passeio pelo elétrico, praia de Matosinhos, Ribeira, Serralves, Casa da Música e até uns copos na Baixa: Tudo em 24 horas.

Fica a dica para roteiro de viagem 😉

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