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“As grandes inverdades” sobre o Pingo Doce

Eu sei gostei da publicidade do Pingo Doce. Acho que a equipe de marketing trabalha muito bem, em especial, a comunicação da marca. Admiro de verdade. Inclusive já postei aqui alguns dos vt’s de televisão que publicitam minha (ex?) rede preferida de supermercados em Portugal.

Hoje deparei-me com uma anti-publicidade da marca. Ou melhor, uma “chacota” sobre os recentes acontecimentos que ligam as palavras Jerônimo Martins, Pingo Doce, Holanda, holding e impostos. Ah, já ia me esquecendo da principal (e preferida?): CRISE!

O engraçado do vídeo é que transmite uma mensagem em linguagem parecida com a que a marca costuma usar. Provavelmente, as fotos e trechos de vídeos foram retiradas de publicidades oficiais do Pingo Doce.

Vi ainda no site da SIC que o Pingo Doce distribuiu hoje a seus clientes um panfleto explicativo das “grandes inverdades” que estão circulando sobre a empresa. O interessante é que, logo no início do texto, o Pingo Doce justifica-se também em nome dos 25 mil funcionários que mantém, o que, ao meu ver, me soou como um aviso do tipo: “Vamos demitir essas pessoas se o faturamento diminuir, portanto, não nos boicotem”. (Porém, isso pode ser apenas uma mera “impressão desconfiada” da minha parte!).

Pena mesmo é que eu não tenho como conseguir um desses panfletos…

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Boicotar o Pingo Doce ou não? Eis a questão!

Na capa do site do Pingo Doce, a empresa exibe o seguinte comunicado:

Retirado do site http://www.pingodoce.pt na manhã de 7 de janeiro

Ontem mesmo, depois de postar sobre a emigração, troquei uma ideia com meu pai sobre o assunto. Concluímos que o seu Jerônimo é um português malandro. Para o dicionário Aulete, malandro “diz-se de pessoa que abusa da confiança dos outros e usa de esperteza para sobreviver”.

O Pingo Doce ainda pagará seus impostos a Portugal. Mas é óbvio que vai. Isso é inevitável, pois as lojas estão situadas no território nacional, emitem nota fiscal, etc e etc. O Pingo Doce vai continuar com a sede em Portugal. É de onde eles sempre tiraram o sustento e continuarão a tirar.

A grande sacada no “mexe” do capital para a Holanda está na possibilidade do confisco do dinheiro da empresa por parte do governo para pagar parte da dívida – a fim de conseguir mais dinheiro emprestado, por exemplo. Isso já aconteceu no Brasil. Confiscaram nossas poupanças na década de 90. Aliás, confiscaram as poupanças dos meus pais, pois eu nem era nascida. Por isso que o papo com o meu pai acabou por ser construtivo.

Ok. Essa é uma hipótese. Apenas isso.

Recebi ainda um e-mail de um ex-colega do curso de Geografia da FLUP, o Luís Pereira. Ele está sempre a enviar notícias sobre a crise, recortes de jornal, comentários sobre o que sai na mídia portguesa e etc. Atitude válida. Acredito que cada pequenas manifestação pode fazer alguma diferença.

Transcrevo, a seguir, partes do e-mail que recebi ontem (06/01):

“Tenho ouvido dizer maravilhas sobre a decisão da Sociedade do Santos, ou lá quem é, de se mudar para a Holanda: que é uma “holding” (acho piada a estes termos, parece que é para põr o “Zé” no seu devido lugar e mostrar quão inacessíveis e inteligentes são estas coisas), que na Holanda é mais seguro o seu investimento, que vai continuar a pagar impostos em Portugal, blá, blá, blá…

Balelas, é o que é. Acontece que o “Zé” não é burro e pergunta-se a si próprio: ‘quer dizer, enquanto a coisa dava, estava tudo contentinho por aqui, ninguém piava (nem os cronistas de serviço), lucrando, lucrando, cada vez mais, fazendo anúncios muito bonitinhos a elogiar a produção nacional. Agora, que o barco começa a meter água, toca a abandonar o navio’. Já se sabe: os ratos, são sempre os primeiros.

Eu vou boicotar o Pingo Doce, não alimento parasitas, espero que façam o mesmo.”

Admito que eu não sei ao certo se boicotaria o Pingo Doce ou não. Na verdade, por estar distante, talvez não consiga avaliar a situação da maneira correta.

Quero ainda deixar aqui registrado que nada saiu na mídia brasileira sobre isso. Ninguém sabe que o segundo homem mais rico de Portugal “migrou” as participações de sua empresa para a holding holandesa enquanto o país se afunda numa crise – provavelmente essa notícia daria “mais pano pra manga” na mídia daqui ao falar da crise europeia!

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A moda agora é emigrar

Há algumas semanas escuto o retumbar em looping de comentários sobre a afirmação do primeiro-ministro português, que estaria a “incentivar” a emigração dos jovens portugueses – especialmente os professores. Como em Portugal não há vagas para os jovens graduados e especializados (que falam diversas línguas, são viajantes e também integram a chamada Geração Y), o governo está incentivando a busca por vagas em outros países da Europa. Só há um problema nisso: me parece que os jovens portugueses têm pouca ou quase nula experiência de trabalho em suas áreas de formação. Nesse ponto, não discuto a responsabilidade dessa falha, mas sim sua consequência.

Um amigo meu (na verdade, um dos melhores amigos do meu namorado, que “por tabela” passei a chamar de amigo) está nessa situação. Namora uma brasileira há anos, e a menina vive cá. Agora que acabou o mestrado em algum curso de Engenharia na FEUP, passou a buscar uma vaga no mercado de trabalho brasileiro. Mais especificamente no Nordeste do Brasil. Disseram a ele que não tem experiência suficiente – aqui até acho que os possíveis empregadores foram bacanas com o menino, pois ele possui ZERO de experiência. O pior é que, provavelmente, não é o único.

Os graduandos portugueses não estagiam durante a faculdade. Isso é absurdo na realidade brasileira, por exemplo. Perguntei uma vez a alguns colegas do curso de Geografia da FLUP o porquê disso. Uns disseram que não há estágios, enquanto outros alegaram que o curso toma-lhes muito tempo. Para mim, isso é um absurdo! Aqui no Brasil (desculpem-me aqui aqueles que não gostam que eu comparece Portugal à colônia), estudantes de Engenharia Mecatrônica, de Artes Cênicas e Jornalismo fazem estágio durante a faculdade. Estágio remunerado, muitas vezes, mas em outras não. Essa é a nossa praxe.

De nada adianta o exterior parecer promissor ao jovem português. Nada lhes garante o sucesso fora de Portugal. E nem é necessário cruzar o oceano Atlântico. Acho difícil para os recém-graduados portugueses arranjarem trabalho fora de seu território. Afinal, onde tentariam a sorte? Na França, que tem fama de ser preconceituosa com imigrantes portugueses? Na Inglaterra, que está entopida de estrangeiros trabalhadores? Nem pensar na vizinha Espanha por razões óbvias. Descarto ainda possibilidades na Irlanda (um amigo português esteve lá no final de 2011 e não conseguiu vaga nem no Mc Donalds!). Itália e Grécia estão também mal das pernas. O leste europeu não vale a pena arriscar. Índia e China pagam mal. Nos Estados Unidos também há crise. Na Austrália, problemas para conseguir visto. Sobraria a Alemanha de Merkel, que é a única nação europeia que parece crescer em meio às turbulências. Mas daí vem a questão inevitável: será que os jovens portugueses sabem falar alemão?

De fato, a melhor alternativa seriam mesmo as ex-colônias. Conhecimentos sobre Angola e Moçambique não tenho muitos, Possuo uma amiga que mora em Moçambique e trabalha numa agência de publicidade, ou seja, sei que algum mercado por lá existe. Sei também que Angola é uma país caríssimo, que remunera bem gente especializada, mas possui uma classe trabalhadora paupérrima.

Por enquanto, quem decidiu “emigrar” foi o Pingo Doce. Jerônimo Martins – “the big boss” – vendeu a participação da sociedade para uma subsidiária na Holanda. Vendeu também os direitos de voto. No outro país, a empresa poderá contar com financiamentos, menores impostos e alguma isenção. Uma falha no modelo União Europeia: os países-membros não deveriam ter impostos diferenciados, incentivos fiscais ou coisas do gênero. Se a moeda é padrão, isso também deveria ser, não?

A manobra de JM vista do viés empresarial parece-me justa. Portugal está em crise, e é melhor tirar o barco do mar antes que a tempestade aumente. Por outro lado, posso compreender também que Jerônimo Martins está a trair o país: “os ratos são os primeiros a abandonar o barco que naufraga”.

E parece-me que a maioria dos portugueses compreendeu a atitude dessa maneira. Tanto que após o anúncio foram criadas diversas comunidades nas redes sociais pedindo o boicote ao supermercado: Boicote ao Pingo Doce e Salário Mínimo Holandês para os Trabalhadores do Pingo Doce (que é de €1,398.60 por mês – pelo menos 2,5 vezes maior que o português!) são as mais populares. Há ainda a comunidade Boicote a quem faz Boicote ao Pingo Doce, na qual o criador alega que “não tem a mínima relação direta ou indireta com Jerônimo Martins”.

Em breve, mais um produto da marca Pingo Doce disponível nas lojas da rede

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Os cabazes de Natal do Pingo Doce

O Pingo Doce decidiu seguir a onda dos cabazes e criou kits especiais de Natal. São três opções que custam 15 euros cada. €15 euros equivalem a cerca de 35 reais. Todos os kits incluem bacalhau, tradição comum na mesa portuguesa no Natal.

Aqui no Brasil, comemos chester ou peru. Em Portugal, creio que o prato principal é quase sempre oriundo do mar: Lula, bacalhau, outros tipos de peixes, polvo, entre outros. Acho isso um bocado engraçado, pois peixe me parece uma comida “mais tropical” do que frango. O mais natural seria invertermos nosso cardápio com o português!

Além do bacalhau, os cabaz 1 inclui vinho, azeite, Bolo Rei e chocolate. (Eu não gosto de Bolo Rei, pois frutas cristalizadas não me apetecem, mas recomendo às pessoas que o provem, pois faz parte da tradição de Natal portuguesa). No segundo cabaz, são duas garrafas de vinho, duas garrafas de azeite e chocolate. (Esse é o cabaz que eu compraria!). O outro é composto de vinho, azeite, duas barras de chocolate e uma Coca-Cola 2 litros (aliás, acabo de descobrir que a Coca-Cola 2 litros custa €1,49 em Portugal!!!).

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Quem quiser outras informações sobre os cabazes de Natal do Pingo Doce, clica aqui!

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O preço da comida portuguesa

Uma das dúvidas mais frequentes daqueles que estão indo viver ou turistar em Portugal é o preço da alimentação. Comer em restaurante é caro? Vale mais a pena fazer comida em casa ou almoçar nas residências universitárias? A comida deles é igual a brasileira ou muito diferente? Quanto custa 1kg de arroz?

Como diria Jack Estripador: Vamos por partes!

1) Há restaurantes para todos os gostos e bolsos. Dá para pagar 5 euros por entrada + sopa + prato principal + bebida no centro do Porto (e na capital Lisboa deve existir opções pelo mesmo valor). Uma das dicas é comer no O Perfume. A comida é ótima, o preço é justo (5 euritos) e ainda dá para almoçar com o rio Douro a janela 🙂

Se a intenção é comer num lugar mais chic, típico e menos dia-a-dia, sugiro o Tromba Rija. Foi eleito o melhor restaurante de Portugal várias vezes. Além disso, os turistas que se destinam ao norte de Portugal não devem deixar de provar as Francesinhas. Recomendo o Capa Negra, no Porto.

2) Uma possibilidade para os estudantes são as cantinas universitárias. Sopa, pão, prato, bebida e sobremesa por 2,15 euros (cantinas da Universidade do Porto). Além de unir a praticidade ao baixo custo, a comida é bem boa (e pode-se checar o cardápio da semana pela internet antes de encarar).

Para quem está na correria de estudos e não quer perder tempo indo ao supermercado, pilotando fogão e depois lavando louças, é prático e vale a pena comer nas cantinas. Por cerca de 40 euros mensais, pode-se almoçar 5 dias por semana na universidade. Depois, ao jantar, come-se qualquer coisa (sanduíche, pizza congelada ou lasanha que saem bem em conta também). E como final de semana é dia de comer uma coisinha um pouco melhor, os estudantes leitores desse blog podem buscar explorar a culinária portuguesa em um restaurante baratinho (“as tascas”).

3) A comida portuguesa é um pouco diferente da brasileira sim. Os portugueses comem mais peixe e MUITO mais carne de porco. A carne de vaca não é muito popular (e é um pouco mais cara que as demais). Outra coisa que não falta são frangos: Sempre muito temperados com piri-piri (pimenta!). A maioria dos pratos típicos portugueses contam uma História: A alheira (enchido português), a Francesinha e as tripas à moda do Porto são exemplos disso.

Não é costume comer feijão diariamente, mas quem quiser encontra facilmente nas prateleiras do supermercado (seja o saco de grãos ou o enlatado). Na casa das famílias portuguesas, a sopa é sempre presente antes das refeições, seja almoço ou jantar, no inverno e verão. Ao meu ver, os portugueses comem muito mais vegetais e verduras do que os brasileiros, e beeeem menos gordura. Batata-frita é algo que nunca se vai encontrar como refeição em Portugal (isso come-se no Mc Donalds!).

4) A comida no supermercado parece-me mais barata lá (Portugal) do que cá (Brasil). Eu já disse isso inúmeras vezes por aqui, mas, enfim: Volto a repetir! Eu gastava cerca de 25 euros semanais em compras no mercado. Para um estudante viver no Porto, o custo aproximado da alimentação mensal são 150 euros:

€ 25 / semana no supermercado = € 100
+ € 40 / mês na cantina da universidade = € 140

É claro que às vezes acaba-se gastando um pouco a mais, da mesma forma que é possível gastar bem menos do que isso. Creio que € 150 serve como valor médio para ilustrar a despesa mensal com alimentação em Portugal. Importante ainda destacar que esse valor pode modificar um pouco dependendo da cidade onde se vive, mas nada tão diferente assim.

Pedi a um amigo, o Felipe, que fotografasse alguns produtos a venda no Pingo Doce. O Felipe vive em Aveiro.

Pão de forma, leite, salgadinho de batata-frita e macarrão

O pão de forma custa € 0,85, um litro de leite por € 0,49, salgadinho de batata-frita (ideal para os momentos “não-quero-cozinhar-e-vou-comer-qualquer-lixo”) sai por € 0,49 também, enquanto o pacote de macarrão (tipo parafuso) custa € 0,65. O espaguete sai por € 0,39. Geralmente, estudantes costumam comprar produtos da marca do supermercado. É mais barato e a qualidade parece ser a mesma. Eu sempre fui fã dos produtos Pingo Doce e recomendo.

Pizza resfriada, yogurt, arroz e sangria

Famosos entre estudantes & mochileiros, congelados na Europa são baratinhos. A pizza resfriada custa € 1,99 (a congelada sai pelo mesmo preço e tem em diversos sabores). O potinho de yogurt é € 0,22 e o quilo do arroz custa € 0,74. Em Portugal existem alguns tipos de arroz branco. Eu nunca consegui cozinhar direito com tipo Agulha, um dos mais comuns na Europa. Ficava sempre todo colado, estilo “juntos venceremos” hehe. Aconselho o arroz Vaporizado, é o mais fácil para cozinhar. Não tem mistério! Recomendo ainda que nunca compre o arroz Carolino: Pode até ser o mais barato, mas é o pior de todos!

Para completar a pequena amostra da cesta-básica-do-estudante-em-Portugal, o Felipe fotografou ainda os garrafões de Sangria. Por € 1,49 compra-se 1,5 litros da bebida mais famosa de Portugal 🙂

E já que tocamos no assunto, vale ainda destacar aqui o preço do pack com 24 mini Super Bock (a cerveja mais famosa da terrinha!). Apenas € 10,99!

As minis da Super Bock são tããão bonitinhas

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Os cabazes do Pingo Doce

Descobri duas coisas interessantes, muito embora a segunda informação seja mais relevante (e surpreendente?) que a primeira:

1) O Pingo Doce tem página no Facebook! (clica aqui)

2) O Pingo Doce inventou uma nova maneira de vender seus produtos: Os cabazes (ou melhor, uma espécie de “cesta básica” em bom brasileiro!)

E tem cabaz de tudo quanto é coisa. O preço é sempre o mesmo: 10 euritos. O objetivo parece ser vender o kit pronto com economia para o consumidor (e para o Pingo Doce também né, pois devem estar pagando menos por aqueles produtos através de acordos com fornecedores).

Enfim, achei a ideia bacana e é uma pena que isso não existisse na época em que eu ainda estava pelas terras lusitanas.

Novos cabazes surgem a cada período de tempo (não sei ao certo a frequência), ou seja, nem sempre é o mesmo que você encontra disponível nas lojas. Acho que a ideia casou bem com a tal da crise que os portugueses reclamam que aderiram ao euro. Perdi a conta das vezes que escutei falarem que “no tempo dos escudos é que era bom”.

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