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Surfistas de sofá

Sou membro do Couchsurfing há pelo menos 5 anos. Só tive boas experiências com o projeto. Tenho dezenas de histórias para contar e também já ouvi um bocado sobre as experiências de amigos e conhecidos.

A primeira vez que usei o site mesmo a sério foi em 2007. Eu planejava uma viagem ao Rio de Janeiro no verão de 2008 e decidi fazer alguns amigos cariocas antes do embarque. Conheci o Flávio, a Bianca e a Ane. Mantenho contato com eles até hoje via Facebook.

Algum tempo depois, encontrei-me em Porto Alegre com dois peruanos que estavam a viajar pela América Latina há seis meses. Eles estavam percorrendo o Brasil pegando carona com caminhoneiros na estrada. Mal tinham dinheiro para comer – muito embora tivessem o suficiente para gastar com bebida a se emborrachar. Levei-os a um bar da minha cidade, um dos mais baratos que eu conhecia na época. Ouvi boas histórias naquela noite, e guardei para mim um conselho: “Visite Bogotá, mas não vá a Lima.” Talvez um dia eu faça isso 🙂

Mas é claro que foi na Europa que eu tive as maiores experiências. Aqui no Brasil (e isso se aplica a toda América Latina, África e parte da Ásia), as pessoas são mais desconfiadas com esse tipo de coisa. Como vou colocar uma pessoa que nem conheço dentro da minha casa? E se me roubar, sequestrar, matar enquanto durmo? Enfim, os terceiro-mundistas temem mais quanto a segurança, e eu me incluo nisso. Acho mais fácil surfar no sofá alheio se estiver no hemisfério Norte.

Decidi começar a receber pessoas depois de quatro meses morando em Portugal. Encontrei com alguns CS’s antes disso, apenas para um meet for coffee or drink. No entanto, eu não estava apta a receber qualquer um que quisesse usar minha casa como dormitório. O interessante do Couchsurfing é a troca. Realmente conhecer alguém que possa fazer alguma diferença na sua vida – nem que isso se resuma a apenas alguns dias saindo da rotina.

Em meio às mensagens da minha inbox, simpatizei com uma polaca, oriunda de uma cidade a qual eu não sabia pronunciar o nome corretamente, mas hoje me orgulho de ter aprendido: Wroclaw (não se lê “vrôclau”, mas sim “vrôtzlav”!). Asia tinha fotos engraçadas no perfil. Chegou ao Porto no início do verão de 2009, acompanhada do namorado e do filho dele, uma criança de cinco anos (sim, eu recebi uma criança de cinco anos em casa e não a matei!)

Pediram inicialmente para ficar três dias, que viraram cinco e se transformaram em 1 semana. Depois, seguiram para o sul de Portugal, retornando novamente para a minha casa após algumas semanas.

Tive alguns outros hóspedes naquelas primeiras semanas do verão, até que, em julho de 2009, fui eu que comecei a surfar no sofá alheio.

Com algumas dificuldades, arrumei um couch em Barcelona (a Asia me ajudou recomendando algumas pessoas que tinham respondido a ela na época em que viajou pra lá). Fui a primeira hóspede de Catriel, um argentino que morava há algum tempinho na Catalunha. Ele trabalhava como ator e vivia num apartamento daqueles bem antigos, pertinho do centro de Barcelona. Tinha uma companheira de casa que era do país basco e se referia a mim como “chica guapa”. Não lembro o nome dela. Só sei que é uma das mulheres mais bonitas que conheci na vida, apesar de ter a cabeça raspada (se bem que dizem por aí que essa é a melhor maneira de saber quem é verdadeiramente belo: tirar-lhe os cabelos!).

Como o apartamento tinha três dormitórios, fiquei com um quarto só para mim. Não posso dizer que foram as melhores acomodações do mundo, mas tinha uma cama com lençóis limpos e uma sacada que não conseguia acessar porque a porta estava emperrada, além de milhares de sacos plásticos e entulhos espalhados por um armário que estava caindo aos pedaços.

Infelizmente Catriel havia quabrado o pé dois dias antes de eu chegar, portanto não pôde me mostrar a cidade. Apesar disso, me deu alguns mapas de Barcelona e me explicou os pontos imperdíveis. Combinamos pela Internet que eu ficaria por três noites, mas acabei ficando uma a mais – claro que perguntei a ele e a basca se poderia, e lembro que ela disse: “Sí, sí guapa, claro que sí.”

Eu e Catriel, que insistiu em posar com a cortina do apê

Em Barcelona encontrei pessoalmente com Pierre, CS da parte francesa do Canadá. Ele havia me enviado uma mensagem pedindo pouso no Porto. Informei a ele que estaria em Madrid e depois iria Barcelona, por isso não poderia hospedá-lo. As datas de nossa viagem coincidiram, e decidimos nos encontrar em Barcelona. Comemoramos seu aniversário juntos, jantando paella em algum dos restaurantezinhos perto da Rambla.

Aliás, mantenho contato com o Pierre até hoje. Atualmente ele está vivendo em Paris, num pequeno apartamento perto do Moulin Rouge, segundo me informou.

Com Pierre em Barceloneta

Foi uma colega de Faculdade que me indicou um couch na Áustria. Apesar de dizerem que Viena é um dos lugares mais fáceis para descolar um, tive dificuldades. Steffanie me passou o link do perfil da Kathalena, amiga de sua irmã.

Algumas trocas de mensagem depois, Kath me passou as indicações de como chegar a sua casa tim-tim por tim-tim. Combinamos que eu estaria lá por volta das 17h, o que não aconteceu. Acabei demorando mais do que o esperado em Blatislava (minha cidade preferida na Europa!) e peguei o ônibus mais tarde. Nesse dia, eu não estava sozinha, mas sim com meu amigo polaco Karol, que conheci em Erasmus.

Enviei uma mensagem a ela avisando que chegaria atrasada, por volta das 20h. E foi mais ou menos isso que aconteceu. Lembro que saímos do ônibus e pegamos o metro em direção a casa dela. Saímos na estação correta, seguimos as indicações que ela havia passado (caminhar duas quadras e virar a esquerda). Mal estávamos na esquina, e a vi sentada na janela de casa nos esperando. A primeira coisa que ela disse foi: “You are late and I don’t like people who are late.” Subimos. Ela nos recebeu na porta, pediu que tirássemos os sapatos, me deu a chave do apartamento, explicou como eu alimentava o gato, como ligava o chuveiro e disse para eu não comprar comida, pois ela tinha o suficiente em casa. Já estava quase fechando a porta de casa, quando retornou: “Vou dormir na casa do meu namorado, fiquem à vontade.” Eu e Karol tivemos nosso próprio apartamento em Viena por duas noites.

"Nossa" cozinha em Viena

Eu nunca tinha pensado em conhecer Wroclaw. Aliás, eu nem sabia que essa cidade existia antes da Asia aparecer na minha vida. Decidi que poderia visitá-la no caminho para Varsóvia, afinal o trem passaria por ali e custava nada ficar por uns dias. Enviei mensagem a ela para dormirmos no apartamento do seu namorado, pois ela vivia com o pai e eu estava viajando com o Karol.

O namorado da Asia nos passou um número de táxi para quando chegássemos na cidade – o trem passava por Wroclaw às 4 da matina, então não haveria ônibus. Acontece que há dezenas de táxis na Polônia que não são mesmo táxis, ou melhor, são clandestinos. O número que tínhamos era um desses, que, segundo o que nos informaram, seria mais barato.

Confesso que tive um pouco de receio, mas como o Karol é polonês não me pareceu tão mal assim. O táxi marcou conosco no posto de combustíveis ao lado da estação de trem. Ficamos meio de “tocaia”, pois o plano era esperar o motorista estacionar, “dar uma conferida” se parecia boa gente e só então embarcar. Como eu estou viva hoje para contar a história, presume-se que nada me aconteceu naquela madrugada. Enfim, o “esquema” é mesmo tranquilo, e nos custou cerca de 6 euros por quase 15 minutos de corrida. Bagatela. O “taxista” nos contou que o carro tinha placa francesa, pois é possível comprar usados muito baratos por lá, o que vale a pena para o pessoal do leste europeu.

Eu, Asia, namorado da Asia e filho do namorado da Asia de lancha nos canais de Wroclaw, a cidade das ilhas

Na virada de 2009-2010, participei do CouchSurfing Winter Camp em Budapeste. Foi o melhor Ano Novo da minha vida (até hoje!). Tivemos algumas atividades com o grupo, e duas festas bem legais. Numa dela, cada pessoa trazia uma bebida de seu país – eu tive que levar os ingredientes da sangria portuguesa, pois não havia cachaça disponíveis nos non-stops húngaros.

Desde agosto de 2011, o Couchsurfing deixou de ser uma organização sem fins lucrativos. Acho mais do que justo. As pessoas que organizam essa corrente devem sim receber por conta disso. As boas iniciativas do mundo também devem ser bem recompensadas.

Costumo recomendar o site para quem sai de intercâmbio, mas sempre alerto para estarem cientes da real função do projeto. Mais do que um lugar para dormir “de grátis”, o CS é uma troca de experiências. Para manter a ideia ativa, é importante que os indivíduos cadastrados zelem de verdade por essa iniciativa. Sou defensora ferrenha dessa ideologia, e recomendo àqueles que querem apenas economizar na viagem que procurem um hostel baratinho.

E para os que acham uma experiência perigosa, #ficadica do vídeo abaixo, que está na capa do site novo.

E falando em perigo…

Minha amiga Gabriella viajou com mais cinco amigos a Amsterdão. Eram 3 meninas e 3 meninos. Ficaram na casa de um couchsurfer que morava sozinho. Dormiram os seis na sala do apartamento do cara, que era “muito gente fina”, segundo ela me contou. Ele inclusive pagou pizza para eles na primeira noite.

No segundo dia, eles descobriram algo estranho na geladeira. Um pote, com um líquido que parecia sangue e algumas coisas boiando dentro. Mexeram um bocado, sacudiram e decidiram abrir. Era uma orelha humana. Em outro pote havia dedos humanos.

Os seis então fizeram uma pequena reunião e decidiram ir embora na mesma hora. No entanto, estava frio e escuro. Além disso, a casa ficava um bocado longe do centro, e eles não sabiam se haveria transporte até lá. Também não sabiam se os hostels teriam vagas. Então mudaram de ideia: dormiriam mais aquela noite por ali mesmo e saíram bem cedo no outro dia.

A porta da sala onde eles dormiram não tinha chave. Eles então empilharam as mochilas em frente a porta, para dificultar o acesso, caso o então assassino holandês decidisse cortar partes dos seus corpos durante a noite…

Mas é claro que isso não aconteceu! Apesar disso, Gabi e os outros devem ter passado por verdadeiros momento de tensão hehe

Mais tarde, quando o dono da casa chegou, alguém tomou coragem e acabou por perguntar o que tinha naqueles potes. O holandês contou que era maquiador – ou algo assim – e disse ter essas “partes humanas” (que eram de mentirinha) na geladeira para assustar as meninas com quem passava a noite. Pela manhã, pedia a elas para irem buscar água na geladeira. A mulher abre a porta e vê potes com dedos ou orelhas boiando. O que faz? Vai embora na mesma hora, sem dar explicações ou causar desconfiança… ninguém vai arriscar a sorte com um estripador.

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Ai se eu te pego na Europa

A reportagem de abertura do Fantástico deste domingo, 15 de Janeiro, foi o sucesso de Michel Teló na Europa. Ele foi a Península Ibérica para duas apresentações em Portugal e quatro na Espanha, além de inúmeras entrevistas e participações em programas de tv.

O Fantástico aproveitou para proporcionar o encontro de Teló com Cristiano Ronaldo, que, segundo o que dizem, foi responsável pelo sucesso de “Ai se eu te pego” do outro lado do Atlântico, depois de comemorar um gol do Real Madrid com a dancinha já famosa cá.

A primeira vez que eu ouvi falar de Michel Teló foi na Europa. Fui a festa de despedida de um amigo brasileiro que estava retornando ao Brasil. Ele me mostrou “Fugidinha”. Outro amigo, que é do Mato Grosso do Sul, disse que conhecia o Michel Teló. Parece que um amigo dele era primo do Teló ou algo assim, e eles se conheciam pessoalmente. Claro, na época, Michel Teló não devia nem sonhar que um dia faria sucesso na Europa, conheceria o Cristiano Ronaldo e que um monte de gente que não fala a língua dele cantaria sua música.

Aqui no Brasil há muitas pessoas criticando o sucesso de Michel Teló. Dizem que ouvir e gostar de “Ai se eu te pego” é falta de cultura, coisa de gente de baixo nível. Há, inclusive, cantores e pessoas da mídia falando mal dele. Eu acho isso um absurdo!

Aprendi na Faculdade, em uma aula de Psicologia, que uma pessoa pode ser vista de três formas distintas: 1) como a pessoa se vê; 2) como os outros veem a pessoa; 3) como a pessoa pensa que os outros a veem. E daí, fico a pensar: o Brasil não é uma pessoa, ok. Mas é uma Nação, formatada por diversas identidades, que correspondem também a uma identidade única, pois senão não teria estabelecido seus limites geográficos assim. Ou seja, dá para aplicar essa teoria ao país.

Como o Brasil se vê? O Brasil é o país da esperança para alguns, e das oportunidades para outros. É um país formatado por uma massa sem cultura, e uma elite que administra dinheiro e poder. Mas a elite também pode ser vista como burra, formada por filhinhos de papai que não se prestam a ler um livro. O Brasil é o país das cotas raciais para ingresso na Universidade, pois tivemos escravos até quase o início do século XX. O Brasil é o país do carnaval, das mulheres bonitas, dos bons jogadores de futebol que são exportados ainda moleques. Mas o Brasil também é o país da má alimentação, da subnutrição, do surto de câncer e dos astros do futebol que decidem ficar nos times de cá. Temos a Amazônia, as praias e outras belezas naturais. Mas também temos cidades lotadas, caras, sem infraestruturas básicas ou transporte público. Pode ser o país da fome, da miséria e da injustiça social, ao mesmo tempo que, para alguns, é o lugar certo para gastar um salário mínimo numa noite de balada.

Como os outros veem o Brasil? Há provavelmente os que ligam Brasil a diversão (carnaval, futebol, festa, verão, cerveja, mulher bonita), enquanto outros o remetem a pobreza (favelas, crianças famintas, seca no Nordeste, corrupção social, tráfico de drogas, guerra civil). Deve existir os que somam os dois fatores (um país de gente alegre, mas pobre; um país bonito, mas perigoso). Ainda posso citar gente que acha o Brasil caro, que nunca viveria aqui ou que sonha em passar o resto dos seus dias cá. Do mesmo jeito, há os que acham o Brasil ridiculamente barato e, talvez, o país das oportunidades no momento atual.

Fiquei matutando sobre esse assunto um bocado. Concluí que a maioria das pessoas deve ver o país de uma forma bem particular, afinal somos extremamente plurais aqui. Para escrever sobre como os outros nos veem, tentei lembrar de comentários que ouvi de estrangeiros sobre o país. Impossível não cair em alguns clichês.

Agora, talvez o mais difícil pareça imaginar como o Brasil pensa que os outros o veem. Na minha opinião, é a parte mais fácil. Como o Brasil pensa que os outros o veem? Praia, samba e futebol. E, agora, ainda há o temor de que associem nosso país ao “Ai se eu te pego” de Teló. Mas por que o medo? Se temos mesmo milhares de pessoas dançando, cantando e indo aos shows dele? Não é o gosto por uma música ou o hábito de assistir determinados programas de tv que define se a pessoa é culta ou não.

Detalhe que Michel Teló já gravou “Ai se eu te pego” em inglês. A ideia é “atacar” agora os país de língua não latina 😛

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Portugal no vestibular da UFRGS 2012

Ocorreu na última semana o vestibular 2012 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a melhor e maior universidade do meu Estado (eu iniciei meus estudos de Geografia lá e pretendo acabá-los se tiver forças…). Apesar de não estar frequentando o curso nos últimos tempos (acabei me formando geógrafa pela Universidade do Porto, apesar de ainda ter a vaga garantida na UFRGS), me candidatei a fiscal do vestibular e fui sorteada. Foram quatro dias de prova, e, pela primeira vez, vi Portugal aparecer nas questões;

Eu tentei o vestibular da UFRGS duas vezes. Fui aprovada na segunda, em 2006. Posso dizer que conheço a maioria das provas do vestibular, pois estudei pelas antigas questões para ingressar na Universidade. Nunca vi qualquer coisa sobre Portugal nas provas.

Aliás, nunca se falou tanto de Portugal e dos irmãos de língua portuguesa no Brasil. Aliás, acredito que a maioria das pessoas por aqui nem sabe que falam protuguês na África, e devem achar esquisita a ideia de existirem pessoas que nasceram falando português na Europa;

Havia uma questão sobre a Revolução dos Cravos na prova de História e alguma pequenina menção à crise europeia (citando a Espanha também, pelo que me recordo).

O pessoal sempre tenta adivinhar o que será o tema de redação. Esse ano, não lembro de ter visto alguém acertar. Na prova, era pedida uma dissertação sobre “a última flor do Lácio”. Havia, inclusive, um textinho estraído do Observatório da Língua Portuguesa, site vinculado a Sapo. Além disso, um gráfico ilustrava os locais onde a língua é falada no mundo – garanto que alguns dos vestibulandos deve ter descoberto que se fala português em São Tomé e Princípe na hora da prova (aliás, e maioria deve continuar sem saber onde fica isso!);

Redação do vestibular da UFRGS 2012: tema era o crescimento da importância da língua portuguesa

Durante o vestibular que conheci Marcelo. Ele foi coordenador do local de prova onde eu trabalhei e é professor na Faculdade de Educação Física da UFRGS. Cursou o Doutorado na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto entre 2003 e 2006, ou seja, tivemos muito assunto durante os quatro dias de vestibular;

O mais interessante é que notei mais uma vez como as pessoas têm lembranças carinhosas da cidade do Porto, e todos que viveram no velho continente acabam por concordar que a qualidade de vida europeia é algo que não se alcança no Brasil – não importa a quantidade de dinheiro que você tenha! Marcelo só não se dava muito bem com os portugueses, em especial “com os vizinhos velhos chatos que chamavam a polícia quando fazia uma festinha no apartamento”.

Marcelo viveu em Matosinhos por três anos com a mulher. Sua primeira filha (hoje com quase 7 anos) nasceu em Portugal. A esposa trabalhava num ginásio em Matosinhos, enquanto ele escrevia a tese;

Ele contou-me uma história curiosa sobre a Queima das Fitas. Talvez eu nunca tenha me dado conta disso por, digamos, ingenuidade (?!), ou apenas não tenha me atentado a esses detalhes: Marcelo disse que viu durante a Queima várias meninas com as chamadas “pílulas do dia seguinte” na bolsa para tomarem caso fizessem alguma coisa com alguém ou alguéns (e esquecem da proteção por causa da quantidade de álcool ingerida).

Eu já sabia que as portuguesas eram mais libertinas que as brasileiras (muito embora a maioria pensem que o oposto é verdadeiro). Confesso que fiquei um pouco assustada ao cogitar essa história como verdade. No entanto, sei de histórias “piores” do que essa que comprovam a tese que o pessoal europeu é sim mais libertino que os povinho da “terra do carnaval”;

E para aqueles que não sabem, a Queima das Fitas é uma grande festa universitária que ocorre durante 8 dias em algumas cidades de Portugal. As mais famosas são a do Porto e a de Coimbra. Os finalistas (graduandos do último ano de curso) desfilam pela cidade, participam de diversos eventos e bebem MUITO. No Porto, a noite, todos se dirigem ao Parque da Cidade para assistir a concertos de música e virar shots nas diversas barraquinhas ali montadas. Eu participei por 2 anos, sempre trabalhando. O ingresso da semana custa cerca de 50 euros.

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A maior foto de Portugal

Descobri na internet o que provavelmente deve ser a maior fotografia de Portugal – ou pelo menos do Porto. O fotógrafo Paulo Bico se posicionou no Jardim do Morro, capturando uma imagem de 14 gigas da ribeira do Porto, Ponte Dom Luís e cais de Gaia. Detalhe que quando se amplia a fotografia, podem-se observar detalhes até mesmo do centro do Porto.

Eu brinquei um bocadinho de ampliar e reduzir a foto – até mesmo para ver se eu encontrava alguém conhecido!

A rapariga que atravessava a ponte

O barco Porto Ferreira em Gaia

Carros estacionados na Ribeira

Aprecio muito registros do tipo megafoto. Creio que são o verdadeiro congelamento de um momento, ou seja, a essência do ato de fotografar.

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As tomadas europeias

Uma das coisas que sempre me preocupou foram as tomadas estrangeiras. Como vou usar chapinha, secador de cabelo, carregar o celular ou a bateria do computador sem o adaptador adequado?

Não é sempre que a gente acha esse tipo de informação pesquisando no Google (na verdade, até acha, mas nem sempre a fonte é 100% confiável e fica sempre uma pulguinha atrás da orelha…).

Que a eletricidade é fundamental todo mundo sabe, o problema é quando não temos a informação necessária para poder utilizá-la em outro país (e daí corre todo mundo atrás de adaptador em uma lojinha de 1,99, camelô, chinês, árabe e etc hehe).

Eu já tinha feito um post sobre as tomadas portuguesas aqui no blog, mas hoje topei com essa imagem e achei bacana compartilhar.

A típica tomada portuguesa é a terceira (da esquerda pra direita) na segunda linha

Importante lembrar ainda que a voltagem padrão na Europa é 220. Cuidado para não queimar secadores 110!

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O Brasileirissimo de Aguinaldo Silva

Há cerca de um mês, li num desses sites de fofocas alguns spoilers sobre a atual novela das nove da Rede Globo, Fina Estampa. Enquanto os portugueses estão ainda a assistir Insensato Coração (o Léo morre no final HÁ!), por cá nos divertimos (?) com as crueldades (!) de Tereza Cristina.

Christiane Torloni interpreta a vilã da trama. Ela é casada com um cozinheiro chamado René, que trabalha em seu restaurante, o Le Velmont. Essa semana era irá demiti-lo (sim, ela vai demitir o marido do próprio restaurante porque ela é a ryca!). Enfim, segundo o que li no tal site de fofoca, René vai abrir seu próprio restaurante, que supostamente irá se chamar Brasileirissimo.

E esse restaurante existe de verdade! Fica em Lisboa, serve petiscos brasileiros, tem cerveja de cá e cachaça. E adivinha quem é proprietário!? Sr. Aguinaldo Silva, o autor da novela Fina Estampa.

Cerveja brasileira

Aguinaldo Silva, o proprietário do Brasileirissimo

Eu bem que desconfiava que ele tinha um pezinho do lado de lá. Pensa bem: A outra personagem principal dessa novela chama-se Griselda (interpretada por Lília Cabral) e é imigrante portuguesa. O ator Paulo Rocha (que é lisboeta) interpreta Guaracy, um portuga dono de tasca (conforme já postado aqui). Fora que esses dias ainda vi na tv que uma das oito casas do Aguinaldo Silva fica em Lisboa. Aliás, acho que ele deu uma entrevista para alguém diretamente de lá, ou seja, suponho que alguns capítulos de Fina Estampa sejam literalmente importados da terrinha 😛

A conexão Brasil-Portugal em novelas brasileiras parece estar se fortalecendo cada vez mais. Primeiro importam Ricardo Pereira e o ensinam a falar brasileiro. Lembro ainda que estava em Portugal quando gravaram cenas da novela Viver a Vida em Lisboa. Em outra novela havia um núcleo de tugas. Agora, em Fina Estampa, a personagem principal é portuguesa, há um português de verdade (atuando com o sotaque que eu a-do-ro e tudo!) e o restaurante do autor ainda vai entrar na trama (mega publicidade, hein Aguinaldo!?). Não esquecendo também da nova sede da Rede Globo em Lisboa.

Vamos dominar a terrinha lol (ou a terrinha quer nos dominar novamente?)

Obs.: Espero que observem que o post foi baseado num spoiler, ou seja, pode ser que não se confirme. No entanto, na mesma fica a dica do restaurante e a informação de que Aguinaldo Silva é o dono.

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Oporto no Fantástico

O Fantástico é um programa de televisão da Rede Globo exibido no domingo a noite há 38 anos. Não se trata de um telejornal, nem puro entretenimento. Na verdade, é um tipo de mistura dos dois: uma revista eletrônica.

Em novembro, estreou um quadro chamado “Conselho de Classe”, no qual a rotina de quatro professores de escola pública é narrada. A série de reportagens parece ter sido gravada entre setembro e outubro desse ano – pois mostraram a festa do Dia do Professor no episódio de ontem (o dia dos professores é comemorado em 15 de outubro!).

Enfim, após assistir os 10 minutos da reportagem de ontem, a chamada para o episódio do próximo domingo me estremeceu. Vi o metro amarelinho do Porto, reconheci de cara a Ponte Dom Luís e alguns trajados cantando “Ai se eu te pego”, do Michel Teló (sim, os portugueses já aprenderam a cantar a última música do Michel Teló!).

No próximo domingo o Fantástico vai mostrar uma escola-modelo que fica no Porto, Portugal. Aliás, os quatro professores que estrelam o quadro viajaram ao Porto para conhecer essa escola. O teaser do episódio está aos 09:56 do vídeo abaixo. É curtinho, mas já dá pra se emocionar um bocado.

Para quem está em Portugal e não é assinante da Globo Internacional, pode sempre assistir ao Fantástico via Youtube (tem sempre uma boa alma que o posta nas segundas-feira!). Aos brasileiros que querem sentir um bocadinho do Porto, fica a dica para assistirem ao Fantástico no próximo domingo, 11 de dezembro. Eu não vou perder 🙂

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