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O fim do subsídio desemprego em Portugal

Foi só digitar o nome “Ferraz da Costa” no Google que o resultado foi uma infinidade de notícias relacionadas a cortes de salários, funcionários públicos trabalhando mais por menos, apoio às medidas da troika e pessimismo em relação ao novo governo. Enfim, o economista parece achar (pelo menos, segundo meu entendimento) que a competitividade portuguesa está associada a desconforto: O povo precisa sofrer para que o país reaja à crise. E daí eu me pergunto: E qual a parcela de culpa do povo português (ou europeu, pois parece que o bicho vai pegar cedo ou tarde para todo mundo) nessa crise econômica?

Foi um ex-colega do curso de Geografia que recortou e me enviou a matéria de jornal abaixo. Em um primeiro momento, até me assustei. É muito mal para acostumados com dois anos de seguro-desemprego não poderem contar mais com o benefício (ok, há algum tempo que o benefício já não corresponde a dois anos, mas sim a 1,5). Nunca tivemos possibilidade de um seguro-desemprego tão longo cá no Brasil. Aliás, no ano passado diminuíram ainda mais o auxílio a quem é presenteado com um desligamento (uma forma amigável de dizer demissão!). O máximo que se consegue por aqui são cinco meses de auxílio… e olha que somos emergentes (isso equivale a ser chic? hehe).

É só clicar na imagem que ela amplia e dá pra ler a matéria!

Me licenciei em Geografia pela Universidade do Porto em julho desse ano. Tive a felicidade de aprender imenso com meus colegas portugueses sobre a história mais atual do país. Uns me contaram como eram as coisas antes do euro, outros compartilhavam suas experiências práticas com a crise e até mesmo os professores me relataram por que plano de carreira em funcionalismo público é lenda em Portugal. E é claro que eu me indignei com certas situações e relatos, mas, ao mesmo tempo, eu sempre olhava para eles como quem olha para pupilos novatos. Se um português quer mesmo saber o que é crise, que venha viver no Brasil.

Mas viver mesmo a sério: Prestar vestibular para faculdade pública, encarar ônibus fora de horário, sempre atrasado e em paradas de ônibus (leia-se “paragens de autocarro”) que se resumem a uma plaquinha pregada num poste (ou seja, se chover tá tudo lascado!). Os portugueses (e insisto em convidar gregos, espanhóis, italianos e irlandeses) que venham reclamar da troca da moeda num país que já experimentou isso sete vezes antes do Plano Real. Aliás, duvido alguém ter coragem de discutir crise com um povo que teve suas poupanças bloqueadas pelo próprio presidente em época de inflação e instabilidade. Ah, mas europeu não sabe direito o que é inflação, né?

Há a opção de pesquisar no Google o sentido e uso da palavra inflação. No entanto, eu prefiro explicar na prática: Em fevereiro, comprei uma garrafa de Coca-Cola 2 litros por R$2,95. Em junho, a mesma custava mais de três reais. Hoje sai por quase quatro reais no mesmo supermercado que a minha família costuma frequentar. No início da década de 90, essa alteração brusca nos preços de mercado não era anual, trimestral ou mensal. Era diária. Aliás, às vezes, o preço mudava em questão de horas. Isso mesmo: Horas.

Mas os europeus não sabem o que é isso.

Meu único medo, nessa crise toda, é que a gente (sim, nós, brasileiros residentes no Brasil) se ferre ainda mais. Isso porque o mundo inteiro acha que o Brasil é o país do futuro, da próxima Copa e das Olimpíadas. Mas, na real, somos dependentes dos países ditos de Primeiro Mundo para sempre. E a crise que se alastra pela Europa e EUA vai chegar aqui, cedo ou tarde, e nos ferrar.

Mas, enfim, nós brasucas já estamos acostumados com essa vida difícil mesmo. Vamos tirar de letra. Não precisam se preocupar… (fui irônica, ok?).

E continuando com o relato sobre a vida no Brasil, convido os europeus que vivem a pior crise da História do Planeta Terra a se juntarem a nós na fila de hospital público, a experimentarem parir sem um plano de saúde ou insistirem que o Papai Noel (o Pai Natal português) traga algum presente de marca no dia 25 de dezembro. Tudo é caro no Brasil. Tudo custa dinheiro por aqui. É difícil pra caramba abrir os Classificados de Emprego do jornal e achar um trabalho que permita pagar aluguel, contas da casa, plano de saúde, colégio dos filhos, transporte, alimentação e segurança. Talvez eu esteja sendo boazinha usando o termo difícil. Eu quis dizer impossível.

Não existe milagre econômico por aqui. Balela. Eu caí nesse papo, troquei Portugal pelo Brasil e me sinto enganada.

Eu acho muito mal os cortes nos salários dos funcionários públicos portugueses, bem como o aumento nas tarifas de transportes públicos e diminuição de subsídios. Eu acho péssima a ideia de acabar com o seguro-desemprego no momento que talvez as pessoas mais necessitem dele, pois estão inseguras quanto ao futuro. Eu acredito que os portugueses estejam evidenciando algum aumento inflacionário nos produtos que sempre costumavam comprar. Também sou contra as privatizações que estão por acontecer em empresas nacionais portuguesas.

Mas, enfim, o que posso dizer sobre isso? Que sou nova, porém experiente no assunto.

Quando eu estava a cursar o primeiro ano do Ensino Médio, pagava R$0,65 no ônibus. Isso foi em 2001. Hoje, a passagem na mesma linha com o mesmo trajeto e distância custa R$2,70. A conclusão? Que eu posso ficar velha com uma certeza: Os preços vão sempre continuar a aumentar no Brasil. E quando a gente pensar que um milagre econômico vai estabilizar a coisa, estaremos sendo ingênuos. Os preços vão sempre aumentar no Brasil.

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Mais do Facebook Leaks Portugal lol

Para que o empréstimo da Troika (constituída pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) saísse, todos os países da União Europeia deveriam concordar. A Finlândia estava indicando que seria contra ajudar Portugal, então algum português fez o vídeo What the Finns need to know about Portugal, que fez sucesso na internet e fora dela (assiste aqui). Fato é que o empréstimo de 78 mil milhões (é assim que se diz bilhões em purtuguêix!) de euros foi aprovado alguns dias depois.

Na onda do FBleaks (que descobri apenas ontem e é espetacular), segue mais uma brincadeirinha da época. A Finlândia respondeu naqueles questionários do FB que não emprestaria dinheiro a Portugal hehe (engraçado demais!).

E a Espanha ainda faz graça e toma no meio!

E quando o Moody’s baixou a nota de crédito de Portugal rebaixando-a a lixo? Além de receberem lixo (de verdade!) pelo correio, enviado por agências de publicidades portuguesas, ainda foram xingandos de FDP via Facebook (by FBleaks, que é de brincadeirinha, né?).

Moody's Cabrão!

Uma postagem na wall do novo Primeiro Ministro português origina debate sobre a situação do país. O desemprego tá foda (desculpa o termo, mas não encontrei definição melhor) e o temor de ser anexado a Espanha (NUNCA-JAMAIS) demonstra que o bicho está mesmo “a pegare”. O Sócrates ainda não sabe cadê a crise e o Presidente Cavaco da Silva só se diverte (como sempre, tanto na brincadeira quanto na vida real!).

E depois de toda a merda, sente o desespero do novo Primeiro Ministro lol

Sério, eu me divirto demais! Eu já likeei a página no FB!

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A política portuguesa no Facebook

Para os não-portugueses entenderem a piada: Recentemente, Portugal trocou de governo. O Primeiro Ministro Sócrates pediu demissão em março. Nas novas eleições, em junho deste ano, Passos Coelho assumiu como o novo Primeiro Ministro de Portugal (leia aqui). Cavaco da Silva continua presidente, embora quem mande mesmo no país seja o Primeiro Ministro (por isso não importa muito quem é o Presidente daquele país!). Em julho, António José Seguro foi eleito secretário-geral do Partido Socialista (partido que é oposição ao governo). Ou seja, ninguém curte muito o Passos Coelho e, na real, nem sei muito bem o que ele anda fazendo de bom praquele país!

“Fdx” é abreviação de foda-se! Para aqueles que não sabem o que é Troika, clica aqui que eu explico 🙂 E para os retardatários que ainda não viram o vídeo do “Anda Guedes”, olha aqui para entender porque o medo é uma cena que a mim não me assiste!

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Portugal elege seu novo Primeiro Ministro

Ontem, domingo 5 de junho, ocorreram as Eleições Legislativas em Portugal. Os portugueses que entenderam importante votar (porque em Portugal não é obrigatório), se dirigiram às urnas para escolher um novo primeiro ministro. Depois de Sócrates ter se demitido em meio ao estopim da crise, Pedro Passos Coelho é novo primeiro ministro português.

O partido dele, o PSD, é de centro-direita. Ou seja, a tendência é um governo conservador. Não posso dizer ao certo se acho isso bom ou ruim, mas penso que de repente uma força de esquerda poderia fazer a diferença nos cortes previstos nos sálarios e aposentadorias, bem como barrar um aumento de impostos e inflação. Em tempos de dívida com o FMI, as esperanças concentram-se não na prosperidade e sim na busca por uma luz no fim do túnel – e que não seja muito sofrível o caminho até ela.

Importante destacar que apesar de Portugal não ser mais monarquia, ainda conta com um Primeiro Ministro. Depois de anos e anos como reino, o regime parlamentarista ainda vigora no país, muito embora esse tenha um Presidente da República, Cavaco da Silva. A tendência em regimes políticos nesse modelo é a diminuição do poder do Presidente, concentrando as decições no Primeiro Ministro. Por isso a importância da eleição desse último domingo.

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