Ai se eu te pego na Europa

A reportagem de abertura do Fantástico deste domingo, 15 de Janeiro, foi o sucesso de Michel Teló na Europa. Ele foi a Península Ibérica para duas apresentações em Portugal e quatro na Espanha, além de inúmeras entrevistas e participações em programas de tv.

O Fantástico aproveitou para proporcionar o encontro de Teló com Cristiano Ronaldo, que, segundo o que dizem, foi responsável pelo sucesso de “Ai se eu te pego” do outro lado do Atlântico, depois de comemorar um gol do Real Madrid com a dancinha já famosa cá.

A primeira vez que eu ouvi falar de Michel Teló foi na Europa. Fui a festa de despedida de um amigo brasileiro que estava retornando ao Brasil. Ele me mostrou “Fugidinha”. Outro amigo, que é do Mato Grosso do Sul, disse que conhecia o Michel Teló. Parece que um amigo dele era primo do Teló ou algo assim, e eles se conheciam pessoalmente. Claro, na época, Michel Teló não devia nem sonhar que um dia faria sucesso na Europa, conheceria o Cristiano Ronaldo e que um monte de gente que não fala a língua dele cantaria sua música.

Aqui no Brasil há muitas pessoas criticando o sucesso de Michel Teló. Dizem que ouvir e gostar de “Ai se eu te pego” é falta de cultura, coisa de gente de baixo nível. Há, inclusive, cantores e pessoas da mídia falando mal dele. Eu acho isso um absurdo!

Aprendi na Faculdade, em uma aula de Psicologia, que uma pessoa pode ser vista de três formas distintas: 1) como a pessoa se vê; 2) como os outros veem a pessoa; 3) como a pessoa pensa que os outros a veem. E daí, fico a pensar: o Brasil não é uma pessoa, ok. Mas é uma Nação, formatada por diversas identidades, que correspondem também a uma identidade única, pois senão não teria estabelecido seus limites geográficos assim. Ou seja, dá para aplicar essa teoria ao país.

Como o Brasil se vê? O Brasil é o país da esperança para alguns, e das oportunidades para outros. É um país formatado por uma massa sem cultura, e uma elite que administra dinheiro e poder. Mas a elite também pode ser vista como burra, formada por filhinhos de papai que não se prestam a ler um livro. O Brasil é o país das cotas raciais para ingresso na Universidade, pois tivemos escravos até quase o início do século XX. O Brasil é o país do carnaval, das mulheres bonitas, dos bons jogadores de futebol que são exportados ainda moleques. Mas o Brasil também é o país da má alimentação, da subnutrição, do surto de câncer e dos astros do futebol que decidem ficar nos times de cá. Temos a Amazônia, as praias e outras belezas naturais. Mas também temos cidades lotadas, caras, sem infraestruturas básicas ou transporte público. Pode ser o país da fome, da miséria e da injustiça social, ao mesmo tempo que, para alguns, é o lugar certo para gastar um salário mínimo numa noite de balada.

Como os outros veem o Brasil? Há provavelmente os que ligam Brasil a diversão (carnaval, futebol, festa, verão, cerveja, mulher bonita), enquanto outros o remetem a pobreza (favelas, crianças famintas, seca no Nordeste, corrupção social, tráfico de drogas, guerra civil). Deve existir os que somam os dois fatores (um país de gente alegre, mas pobre; um país bonito, mas perigoso). Ainda posso citar gente que acha o Brasil caro, que nunca viveria aqui ou que sonha em passar o resto dos seus dias cá. Do mesmo jeito, há os que acham o Brasil ridiculamente barato e, talvez, o país das oportunidades no momento atual.

Fiquei matutando sobre esse assunto um bocado. Concluí que a maioria das pessoas deve ver o país de uma forma bem particular, afinal somos extremamente plurais aqui. Para escrever sobre como os outros nos veem, tentei lembrar de comentários que ouvi de estrangeiros sobre o país. Impossível não cair em alguns clichês.

Agora, talvez o mais difícil pareça imaginar como o Brasil pensa que os outros o veem. Na minha opinião, é a parte mais fácil. Como o Brasil pensa que os outros o veem? Praia, samba e futebol. E, agora, ainda há o temor de que associem nosso país ao “Ai se eu te pego” de Teló. Mas por que o medo? Se temos mesmo milhares de pessoas dançando, cantando e indo aos shows dele? Não é o gosto por uma música ou o hábito de assistir determinados programas de tv que define se a pessoa é culta ou não.

Detalhe que Michel Teló já gravou “Ai se eu te pego” em inglês. A ideia é “atacar” agora os país de língua não latina😛

11 comentários

Filed under Brasil, Espanha, Europa, Portugal

11 responses to “Ai se eu te pego na Europa

  1. Lusitana

    E pensar que foi um português que lançou a “praga” dessa música… sim, porque o Cristiano Ronaldo dançou essa música com o brasileiro Marcelo (provavelmente foi ele que deu a conhecer essa música ao CR7) mas ninguém fala no Marcelo… CR7 é CR7!!🙂 De resto, não gosto desse género de música e não percebo o motivo de tanto sucesso…é só pela coreografia básica?! Enfim, gostos não se discutem…!

    • fernandapugliero

      Susana, na reportagem do Fantástico eles falam do Marcelo sim. Dizem até que ele é o “dj” do time do Real Madrid e por isso que todos ficaram conhecendo o “Ai se eu te pego”.

      • Lusitana

        Ainda não vi a reportagem, mas estava a falar de um modo geral… no Brasil, é natural que falem do Marcelo, mas no resto do mundo só falam da dança do Cristiano que lançou essa “moda” que já existia no Brasil…como dizes no teu texto, “Cristiano Ronaldo foi o responsável pelo sucesso no outro lado do Atlântico.” ; )

      • fernandapugliero

        Convenhamos que se o Cristiano Ronaldo usar um penteado de cabelo diferente ou meias roxas, no outro dia, um monte de gente vai estar usando. No caso da música do Teló, esse marketing foi gratuito. É natural que falem mais do Cristiano Ronaldo do que do Marcelo, até pq, eu nem sabia que existia um jogador de futebol brasileiro chamado Marcelo no Real Madrid… enfim, o Marcelo acabou se promovendo tb por causa disso.. às custas do Cristiano Ronaldo.

    • Filipe Sousa

      Sou Português, escuto essa música desde o início que ela foi logo lançada no Brasil, pois também viajo ao Brasil com muita regularidade onde tenho residência e eu escuto o Teló muito antes deste sucesso todo com ele. Devo ter sido provávelmente o primeiro a ouvir essa música em Portugal rsrsrs. E nem por isso me acho de baixo nível, e se tem músicos criticando é porque tem sempre os invejosos do sucesso dos outros. Gostos não se discutem. Gosto da música dele assim como de outras dele. Abraços a todos.

  2. Mariana Mesquita de Morais

    adorooooooooooooo

  3. Manuel

    Temos de começar a cobrar comissão!
    Isso aí! Teló paga (também) a crise!

  4. Pedro

    A música não tem de ser complexa para ser apreciada. Esta é a típica música festivaleira que ajuda as pessoas a divertirem-se numa festa pois é fácil e fica no ouvido, por isso as críticas parecem injustas. Nem todos podem e devem ser Tom Jobim, Chico Buarque, João Gilberto.
    O C. Ronaldo dançou a música com o Marcelo mas quem fez a publicidade foram os media espanhois que adoram explorar estes assuntos, por isso têm mais “mérito” do que o C. Ronaldo na publicidade.

  5. Afonso

    Então que a comissão vá para Espanha, que eles também bem precisam!

  6. oi!
    já não lembro mais se achei o seu blog pelo facebook ou se foi o contrário.
    gostei bastante!

    Sabe que a febre do “ai se eu te pego” está passando aqui “em madrid”.
    Tocou muito, muito mesmo, até no desfile do dia dos reis magos (cavalgada de reyes).
    Algumas amigas não gostaram de saber o real sentido de “te pego” .
    Por outro lado, fez com que alguns amigos descobrissem a Ivete Sangalo cantando com o Zeca Pagodinho … parece que eles descobriram que temos muito a oferecer! Assim os esteriótipos possam nublar e se desfazerem … de ambos os lado!

    Parabéns pelo blog! beijo

  7. Filipe Sousa

    Ai se eu te pego! Ai, ai… que homem nunca pensou nisso ao passar uma gatinha ao pé dele? rsrsrs por isso que adorei o refrão, simples e verdadeiro.

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