Tag Archives: Brasil

Fim do Mundo

Desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa de 2014 que não se fala de outra coisa: Não temos capacidade para receber o evento. Pelo menos não com a infraestrutura que hoje se tem.

E já que o suposto Fim do Mundo (de acordo com o calendário Maia ou Asteca?!) está marcado para o dia em que completo 26 aninhos (pretendo fazer uma mega festa para celebrar fim-do-mundo + aniversário), 2012 fica conhecido como o ano do grande evento mundial (que acaba de vez com essa coisa toda, inclusive com os registros históricos do acontecimento!). Daí que surgiu a piada cá no Brasil: O Fim do Mundo será cancelado porque não temos estrutura para recebê-lo (talvez o mundo todo acabe e só reste a nós…).

Enfim, hoje me deparo com uma cópia da piada brasuca na versão tuguesa. Agora os portugueses também acham que não têm capacidade para receber eventos tão grandiosos como o fim do mundo. Culpa da crise… é sempre ela!

Cópia da piada que roda o FB dos brasucas desde a escolha da sede da Copa de 2014

11 comentários

Filed under Brasil, Portugal

O fim do subsídio desemprego em Portugal

Foi só digitar o nome “Ferraz da Costa” no Google que o resultado foi uma infinidade de notícias relacionadas a cortes de salários, funcionários públicos trabalhando mais por menos, apoio às medidas da troika e pessimismo em relação ao novo governo. Enfim, o economista parece achar (pelo menos, segundo meu entendimento) que a competitividade portuguesa está associada a desconforto: O povo precisa sofrer para que o país reaja à crise. E daí eu me pergunto: E qual a parcela de culpa do povo português (ou europeu, pois parece que o bicho vai pegar cedo ou tarde para todo mundo) nessa crise econômica?

Foi um ex-colega do curso de Geografia que recortou e me enviou a matéria de jornal abaixo. Em um primeiro momento, até me assustei. É muito mal para acostumados com dois anos de seguro-desemprego não poderem contar mais com o benefício (ok, há algum tempo que o benefício já não corresponde a dois anos, mas sim a 1,5). Nunca tivemos possibilidade de um seguro-desemprego tão longo cá no Brasil. Aliás, no ano passado diminuíram ainda mais o auxílio a quem é presenteado com um desligamento (uma forma amigável de dizer demissão!). O máximo que se consegue por aqui são cinco meses de auxílio… e olha que somos emergentes (isso equivale a ser chic? hehe).

É só clicar na imagem que ela amplia e dá pra ler a matéria!

Me licenciei em Geografia pela Universidade do Porto em julho desse ano. Tive a felicidade de aprender imenso com meus colegas portugueses sobre a história mais atual do país. Uns me contaram como eram as coisas antes do euro, outros compartilhavam suas experiências práticas com a crise e até mesmo os professores me relataram por que plano de carreira em funcionalismo público é lenda em Portugal. E é claro que eu me indignei com certas situações e relatos, mas, ao mesmo tempo, eu sempre olhava para eles como quem olha para pupilos novatos. Se um português quer mesmo saber o que é crise, que venha viver no Brasil.

Mas viver mesmo a sério: Prestar vestibular para faculdade pública, encarar ônibus fora de horário, sempre atrasado e em paradas de ônibus (leia-se “paragens de autocarro”) que se resumem a uma plaquinha pregada num poste (ou seja, se chover tá tudo lascado!). Os portugueses (e insisto em convidar gregos, espanhóis, italianos e irlandeses) que venham reclamar da troca da moeda num país que já experimentou isso sete vezes antes do Plano Real. Aliás, duvido alguém ter coragem de discutir crise com um povo que teve suas poupanças bloqueadas pelo próprio presidente em época de inflação e instabilidade. Ah, mas europeu não sabe direito o que é inflação, né?

Há a opção de pesquisar no Google o sentido e uso da palavra inflação. No entanto, eu prefiro explicar na prática: Em fevereiro, comprei uma garrafa de Coca-Cola 2 litros por R$2,95. Em junho, a mesma custava mais de três reais. Hoje sai por quase quatro reais no mesmo supermercado que a minha família costuma frequentar. No início da década de 90, essa alteração brusca nos preços de mercado não era anual, trimestral ou mensal. Era diária. Aliás, às vezes, o preço mudava em questão de horas. Isso mesmo: Horas.

Mas os europeus não sabem o que é isso.

Meu único medo, nessa crise toda, é que a gente (sim, nós, brasileiros residentes no Brasil) se ferre ainda mais. Isso porque o mundo inteiro acha que o Brasil é o país do futuro, da próxima Copa e das Olimpíadas. Mas, na real, somos dependentes dos países ditos de Primeiro Mundo para sempre. E a crise que se alastra pela Europa e EUA vai chegar aqui, cedo ou tarde, e nos ferrar.

Mas, enfim, nós brasucas já estamos acostumados com essa vida difícil mesmo. Vamos tirar de letra. Não precisam se preocupar… (fui irônica, ok?).

E continuando com o relato sobre a vida no Brasil, convido os europeus que vivem a pior crise da História do Planeta Terra a se juntarem a nós na fila de hospital público, a experimentarem parir sem um plano de saúde ou insistirem que o Papai Noel (o Pai Natal português) traga algum presente de marca no dia 25 de dezembro. Tudo é caro no Brasil. Tudo custa dinheiro por aqui. É difícil pra caramba abrir os Classificados de Emprego do jornal e achar um trabalho que permita pagar aluguel, contas da casa, plano de saúde, colégio dos filhos, transporte, alimentação e segurança. Talvez eu esteja sendo boazinha usando o termo difícil. Eu quis dizer impossível.

Não existe milagre econômico por aqui. Balela. Eu caí nesse papo, troquei Portugal pelo Brasil e me sinto enganada.

Eu acho muito mal os cortes nos salários dos funcionários públicos portugueses, bem como o aumento nas tarifas de transportes públicos e diminuição de subsídios. Eu acho péssima a ideia de acabar com o seguro-desemprego no momento que talvez as pessoas mais necessitem dele, pois estão inseguras quanto ao futuro. Eu acredito que os portugueses estejam evidenciando algum aumento inflacionário nos produtos que sempre costumavam comprar. Também sou contra as privatizações que estão por acontecer em empresas nacionais portuguesas.

Mas, enfim, o que posso dizer sobre isso? Que sou nova, porém experiente no assunto.

Quando eu estava a cursar o primeiro ano do Ensino Médio, pagava R$0,65 no ônibus. Isso foi em 2001. Hoje, a passagem na mesma linha com o mesmo trajeto e distância custa R$2,70. A conclusão? Que eu posso ficar velha com uma certeza: Os preços vão sempre continuar a aumentar no Brasil. E quando a gente pensar que um milagre econômico vai estabilizar a coisa, estaremos sendo ingênuos. Os preços vão sempre aumentar no Brasil.

4 comentários

Filed under Brasil, Espanha, Portugal

Brasileiros no estrangeiro

Brasileiro vivendo ou turistando no estrangeiro acaba sempre sofrendo com os estereótipos. Só porque um dos ritmos musicais mais famosos do país é o samba, todos devemos saber sambar (e muito bem!). A Floresta Amazônica é um lugar de super fácil acesso (fui irônica!) e brasileiro que é brasileiro já esteve lá (ah tá né!)! Para os estrangeiros, geralmente, Pelé e Ronaldo são as pessoas mais importantes do Brasil.

Nós brasileiros também costumamos fazer isso com os outros: Americanos são gordos e só falam inglês, portuguesas têm bigode, franceses não tomam banho, chinesas são tímidas e por aí vai.

Ontem eu estava fuçando (leia-se matando tempo) no 9gag e achei um quadro sobre isso. Aliás, eu nem sabia que tantos brasileiros visitassem o 9gag. Fiquei impressionada com a quantidade de likes e shares que o post teve.

Apesar de estar incluído no monte dos estereótipos, tendo a concordar que temos sim as mulheres mais bonitas do mundo cá no Brasil 🙂

Deixe um comentário

Filed under Brasil

50 euro x 50 real

O Real é a moeda brasileira desde 1994, enquanto o Euro iniciou sua circulação na Europa em 2002 – apesar de existir como moeda escritural desde 1999. As novas cédulas do real são muito parecidas com as do euro. As de 50 e 100 começaram a circular em agosto de 2011. Os demais valores (2, 5, 10 e 20) iniciam sua circulação em 2012.

Qualquer coincidência não é mera semelhança 🙂

Na cotação de hoje, 50 euros valem aproximadamente 125 reais – e 50 reais valem 20 euros!

Um índice muito famoso no mundo para calcular o real valor de uma moeda (em comparação com o dólar) é o Big Mac Index. E eu digo mais: Para comparar a valorização de duas moedas pode-se utilizar ainda o preço do maço de cigarro e do litro de Coca-Cola.

1 litro de Coca-Cola em Portugal: € 0,89
2 litros de Coca-Cola no Brasil: R$ 3,29

Malboro vermelho Portugal € 4,00
Malboro vermelho Brasil R$ 4,25

Cheeseburger Mc Donalds Portugal € 1,00
Cheeseburger Mc Donalds Brasil R$ 3,50

Confesso que não sei o preço do Big Mac, pois não sou fã (e faz tempo que eu não vou ao Mc). Assim, decidi comparar o preço do cheeseburger. Também não achei o preço da Coca-Cola de 1 litro. No Brasil, o mais comum é comprar sempre de 2 (aqui em casa, às vezes, compra-se de 1,5).

Enfim, somando a cestinha portuguesa (coca-cola, tabaco e cheeseburger) dá € 5,89. As compras brasileiras saem por R$ 11,04 (e contem um litro a mais de Coca-Cola!).

Ao converter para o dólar, resultado é o seguinte:

Cestinha Portugal: US$ 8,12
Cestinha Brasil: US$ 6,18

Mas isso não quer dizer que as coisas são mais caras em Portugal. Em economia é importante lembrar sempre do fator inflação: E essa é uma palavra mais-do-que-usada no Brasil (enquanto que na zona euro os preços não mudam da noite para o dia). Outra coisa é o preço do tabaco: Cigarros são extremamente taxados de impostos na Europa. No Brasil, estão tentando fazer o mesmo, mas ainda continua mais barato na comparação com o preço europeu.

4 comentários

Filed under Brasil, Portugal

Fernanda Pugliero é convidada especial em palestra na Universidade do Porto

A manchete seria quase essa. Quase porque a palestra foi para colegas de faculdade em uma apresentação de trabalho de grupo da discplina de Geografia dos Grandes Espaços Mundiais. Ou seja, ninguém foi me assistir porque queria, mas sim porque um dos grupos me convidou para falar cinco minutinhos sobre as favelas do Rio de Janeiro.

Foi pena não fotografar. Pela primeira vez na História da minha vida alguém me convida para falar sobre um tema só porque acha que eu entendo mais sobre isso do que qualquer outro conhecido – considerando que a comunidade acadêmica da Universidade do Porto peca por não se aproximar de profissionais especialistas em suas áreas de estudo.

Por ser brasileira e estar a fácil acesso – a maioria dos que fazem essa disciplina são ou já foram meu colegas – lá fui eu! Comecei falando que o problema central das favelas do Rio de Janeiro está no fato de conseguirmos vê-las. As favelas (ou vilas) de Porto Alegre ficam ”escondidas” na áreas suburbanas. É claro que há vilas em meio à cidade, a Vila Ipiranga é um exmeplo disso, pois até mesmo fica próxima ao Iguatemi e à Nilo Peçanha, zonas nobres da cidade. Porém, as condições de vida lá são bem diferentes. Ninguém vive em barracos na enconsta do morro, sem luz elétrica ou acesso a saneamento básico.

Disse também que favela não é sinônimo de violência. Não é em todas que o tráfico de drogas e armas é pesado. O componente comum entre elas é a discrimação social. O Complexo do Alemão e sua recente invasão por parte da polícia foi manchete no mundo todo. Como português adora uma noticiazinha sobre a pobreza brasileira, por cá houve muito comentário acerca disso. Falei sobre o trabalho do BOPE e, é claro, citei “Tropa de Elite” 1 e 2. Acho que ambos os filmes resumem bem o problema das drogas, relacionado com o consume das classes mais ricas e a venda por parte dos traficantes, ou seja, da classe mais pobre – se bem que a casa do “dono” do Complexo do Alemão não está nada mal… até sauna tem! “Tropa de Elite 2” ainda aborda o problema das milícias. Além disso, ambos tratam da corrupção por parte da polícia e do governo. Sem resolver isso, não temos muito para onde evoluir.

Os colegas perguntaram sobre soluções. Olha, na minha opinião, se encontrar uma solução efetiva fosse fácil e simples, essa já teria sido aplicada. Porém, não é “o” problema das favelas. São inúmeros fatores físicos, humanos e estruturais envolvidos. A sociedade precisa mudar a mentalidade, o governo precisa agir e as pessoas precisam querer prosperar com melhores condições de vida.

Eu queria mesmo era ter fotografado minha palestra 😛

1 Comentário

Filed under Brasil, Vida Portuguesa

A Bug’s Life

As formigas estão por todos os lados. Pequenas, graúdas, marrons, pretas ou avermelhadas. As vi na grama, sobre a calçada e andando livremente para dentro e fora de casa. As baratas ainda não deram as caras, pelo menos nos lugares por onde circulei. As moscas não têm vergonha de voar mesmo em zonas nobres da cidade, muito menos de pousar na carne do churrasco. Alguns mosquitos me visitam à noite, mas é por isso mesmo que criaram Raid Mata Inseto!

Em Portugal é raro se deparar com esses animalzinhos invertebrados. Até mesmo borboletas são raras de avistar. No Brasil ocorre o contrário. Os insetos estão por todos os lugares. Escuto grilos a noite e me deparo com insetos herbívoros nas plantas de casa – inclusive um dos Ficus da varanda está a morrer por causa do ataque destas pragas.

Um dos seis comedores do Ficus aqui de casa

Bichinhos da luz, abelhas, besouros, aranhas, traças, piolhos, pulgas e cupim são mato por essas bandas tropicais – ou quase tropicais – do Hemisfério Sul. Lembro que minha colega de casa, Flávia, encontrou uma joaninha há algumas semanas. O insetinho com menos de meio centímetro havia pousado na bacia aonde estavam roupas de molho. Dizem que joaninhas trazem sorte. Deve ser mais fácil ganhar na loteria brasileira do que no Euro Milhões

1 Comentário

Filed under Brasil, Portugal