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Pequena grande cidade

Bratislava tem ares de vilarejo. Porém, a casa do presidente, os castelos antigos e o aeroporto a validam como capital da Eslováquia. Tudo é velho e bonito ao mesmo. Bem cuidado, conservado. Creio que a parte sul da ex-Tchecoslováquia force uma ocidentalização para parecer cada vez menos com a Europa do leste.

Até a tampa do bueiro é fofa!

Até a tampa do bueiro é fofa!

A Eslováquia implantou o euro em janeiro de 2009. Ao contrário da irmã República Tcheca e das vizinhas Polônia e Hungria, os eslovacos se bandeiam casa vez mais para o oeste. Mesmo com a moeda da União Européia, os preços são ridículos, e dá vontade de comprar tudo, principalmente comida. Até 1992, Eslováquia e República Tcheca formavam um só país. A língua em ambos é parecida – é como o português brasileiro e o de Portugal. As pessoas, fisicamente, também.

O turismo aflora no local. Prova disso é o bem organizado escritório de informações turísticas, os panfletos e mapas distribuídos – super bem feitos com papel de alta qualidade -, bem como os diversos grupos guiados que transitam pela zona central. Bratislava tem slogan, e ele está por todos os lugares: “The little big city”. Isto define tudo.

Eu (coraçãozinho) o coração da Europa :)

Eu (coraçãozinho) o coração da Europa 🙂

Wegue-Wegue

O combinado era encontrar meu amigo Karol na ala de desembarque do aeroporto. Não demorou muito para eu perceber que ele não estava em quaisquer das dependências do local. O aeroporto de Bratislava é como a cidade: na medida certa. Dez minutos de espera, e o polonês apareceu.

Seguimos para a estação de trem, onde troquei de roupa, escovei os dentes e lavei o rosto. Decidimos seguir para Viena só no fim da tarde, então teríamos pelo menos oito horas de sightseeing. O mais importante mesmo era dançar Wegue Wegue – música angolana famosa em Portugal – o tempo todo. Para mim e Kelly Xu, minha amiga, esse é o hino bratislavense por algum motivo desconhecido.

A maioria das cidades da Europa Central – ou do Leste, como alguns dizem – é composta pelos mesmos elementos. A old town, uma catedral, diversas igrejas, estátuas que contam história, chafarizes e ruas de paralelepípedo. Além, é claro, das marcas de bala deixadas pelos alemães e russos nas paredes.

Mas nem tudo são flores...

Mas nem tudo são flores...

Em Bratislava não tem muito o que se ver. O rio Danúbio corta a cidade em duas. É o mesmo que passa por Viena. Entre as pontes, uma chama mais atenção. De ferro, combina perfeitamente com o lugar. Tudo é um pouco cinza, pois a ponte também. Os fios metálicos dão um ar de modernidade a esta que, com certeza, é o cartão postal mais admirado da cidade.

Para conhecer a pequenina capital não se precisa de mapa. Basta chegar ao centro e caminhar aleatoriamente. Dessa forma, se visita tudo. É instintivo. Monumentos, parques, História antiga e moderna, avenidas ou ruelas, gente com ar de leste, pessoal cosmopolita, a casa do presidente… até o Mc Donalds e a Ikea pelo caminho. Aliás, o Mc Donalds tem preços incríveis. Dois hamburgeres tipo Mc Duplo + batata e refrigerante médio por 2,99 euro. Preço bem menor do que os 4,75 euro cobrados pelo menu normal em Portugal, por exemplo.

A Casa Branca eslovaca

A Casa Branca eslovaca

O castelo não é nada demais, mas a subida até lá vale a pena. Ruas em curvas constantes, estreitinhas e sem calçada. Divertido também sentar na beira da rodovia e enxergar dezenas de Ladas e Škodas ou então entrar no supermercado para comprar Coca-cola e sair com uma Kofola.

Kofola é praticamente um símbolo tchecoslovaco. Motivo de orgulho da população, não ouse criticar. Fale mal da cerveja, mas não fale do refrigerante que lembra Pepsi Twist sem gás – e é bom demais! Viciante, eu arriscaria dizer. A comida eslava também vicia. Tudo é feito com porco, repolho, batata e muito molho. Eles têm diversos tipos de queijo também.

O que eu faço agora sem Kofola em Portugal?

O que eu faço agora sem Kofola em Portugal?

Eu e Karol comemos em um restaurante antes de partir para Viena. Nosso almoço-barra-janta foi coisa fina. Clientes de terno e gravata, senhoras de idade bebendo chá e eu sem banho desde que sai da Espanha (peguei conexão em Milão depois de Barcelona). A refeição custou sete euros, e eu aposto que aquele deve ser um dos comedouros mais caros da cidade.

Dica válida: Quando estiver com sede, não confunda voda com vodca!

Dica válida: Quando estiver com sede, não confunda voda com vodca!

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Pequeno carro

Parece que alugam Smart Car a 1 euro por dia em Lisboa. Aliás, é em Cascais. Hoje verifiquei no site da s2rent, e é verdade. Smarts com publicidade, que podem circulam apenas dentro da cidade. Muito fixe.

Aqui em Portugal, tem Smart por todo lado. Li na Internet que agora começaram a fabricar também no Brasil. Quando eu voltar, SE eu voltar, talvez compre um. Por aqui, um novinho deve estar custando um pouco menos de 10 mil euros. Talvez seja caro demais para um carro onde mal cabem duas pessoas e que não tem bagageiro.

O mais curioso de tudo é ver a maneira como estacionam os pequenos por aqui. Cabem na diagonal, em balisa e de ladinho. Uma viagem! Os brasileiros adoram fotografar com eles. Eu somente fotografei eles. Dei sorte de estar passando na rua com a câmera justo no momento em que estavam dois Smarts estacionados lado a lado, ou melhor, em frente e de lado (?!?).

Tãããããooo pequenininhooooos!

Tãããããooo pequenininhooooos!

Eles têm um pouco mais de um metro de comprimento e um pouco menos de largura. Um colega português da faculdade tem um em branco. Na verdade, ele era cinza e o pai dele mandou pintar. Não entendi o porquê, mas ele disse que o Smart dele é único. Eu acreditei. Aliás, vamos fazer uma permuta. Vou importar uma Kombi verde ou azul marinho do Brasil e trocar pelo carrinho europeu.

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Impressões gerais

As ruas aqui são um pouco estreitas. Às vezes, fico pensando como podem estacionar à direita e ainda passam carros em dois sentidos por vielas com menos de três mentros de largura. Se fosse em Porto Alegre, a gauchada ia sentar a mão na buzina até o sujeito desestacionar o carro. Aliás, os carros aqui são diferentes dos brasileiros. São os legítimos “importados” – hehehe. A direção parece ser 20 vezes mais leve, e a troca de marcha é imperceptível. Me admira como alguns conseguem estacionar tão mal. E – quase – ninguém liga. O mais engraçado é quando se vê um Smart Car, aqueles carrinhos minúsculos da Mercedes, mal estacionado.

Prefiro o metro e os autocarros...

Pode ficar com ele, Diandra. Prefiro o metro e os autocarros...


Aqui chamam as calçadas de passeio. E os passeios são estreitos e estão quase sempre cheios de filtros usados de cigarro. Aliás, aqui não existe cigarro de filtro branco, só amarelo – pelo menos é o que se vê atirado pelas ruas do Porto. O pessoal não curte muito uma lixeira, nem há cinzeiros para depósito. Atiram no chão mesmo que não tem problema. Apesar de estreitas, as calçadas tem paralelepípedos resistentes e estão sempre limpinha – apesar dos detritos dos fumantes…

Claro que há avenidas mais largas, como a dos Aliados ou as “vias expressas”, que atravessam a cidade. Não cruzei ponte alguma ainda, então não sei como são as pistas, mas acredito que sejam grandes também. Os engarrafamentos são comuns aqui, mas não duram muito tempo. É engraçado de ver. Aliás, muitas coisas são realmente muito engraçadas por aqui.

Gira é bonita. Fixe é legal. Super fixe é muuuuuito legal. Pimentos são pimentões. Ninguém entende “pouquinho”, tem que dizer “bocadinho”. Autocarro é ônibus urbano, comboio é para fora da cidade. Metrô escreve e diz sem acento. Os centavos são cêntimos. “Percebe” é “entende”. “Tomar um copo” é literalmente o que significa – hehehe. Banheiro é casa de banho, mas eles entendem se chamar de banheiro. Chamar de “moça” é pejorativo, então melhor arriscar um “menina” ou “miúda”. Na dúvida, falo um “senhora” que não tem erro. Os guris são gajos e as minhas amigas alemãs não entendem quando eu falo que o gajo é “muuuuito gato”: “Gato não é animal?” – hehehe

Os portugueses adoram dar uma explicação. Correção: Uma looooonga explicação. É só pergunta onde fica qualquer lugar para qualquer pessoa que lá vem um bocado de blábláblá. “Tu segues um bocadinho a frente, depois dobra à esquerda, andas mais um bocadinho, desce umas escadinhas, dobra de novo à esquerda, tu vai ver uma sinaleira, não é na primeira, anda mais um bocadinho que vai ver outra, daí atravessa a rua e sobe umas escadinhas, passa um bar, daí tem uma farmácia, não é ali, sobe mais um bocadinho a rua, vai ter o metro e depois do metro tu dobra à esquerda e anda um bocadinho para chegar”…

Eles gostam de brasileiros por aqui. Não falam da gente, não fazem piada. Na faculdade querem nos conhecer e nos acham engraçados. Os professores também gostam de nossa presença em sala de aula. Sempre nos perguntam o que estamos achando da cidade, se gostamos do Porto e tudo o mais. As pessoas são muito receptivas no geral, claro que tem alguns que não parecem ser muito amigáveis ou falam coisas desnecessários, como “muita menina do Brasil e da África vem para a Europa se prostituir”, mas isso falam em qualquer lugar.

Aqui a pele fica mais bonita, o cabelo não fica olheoso nem seco. Não entendi direito o porquê, mas é o MÁXIMO! A maioria das casas de banho tem banheira e você toma seu banho – que na verdade deve ser chamado de ducha – com uma duchinha de banho. É engraçado e eu sempre escorrego – hehehe. Aqui quase ninguém passa a roupa, só lava, seca no sol e dobra. Poupa tempo e dinheiro.

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