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#ficadica: Aviso aos novos navegantes

Está aberta a temporada de perguntas-e-respostas, dúvidas infinitas e ansiedade ao extremo no Facebook dos brasileiros futuros intercambistas da Universidade do Porto. Tudo começa com a espera pela carta de aceite (a minha chegou 1 mês antes do embarque!). Depois que a UP te aceita, inicia a loucura atrás de passagem + seguro saúde + visto. Se o estudante solicitou alojamento acadêmica e não conseguiu, mais uma preocupação: Onde eu vou morar? É confiável alugar pela internet? Não seria melhor ficar alguns dias num hostel e procurar pessoalmente?

Pois, não existem respostas claras e diretas para todas as perguntas. O medo e a ansiedade fazem parte do jogo: O que seria da montanha-russa sem o friozinho na barriga?

Cada pessoa vai descobrir a melhor maneira de se preparar para o intercâmbio. E hoje em dia isso fica ainda mais fácil e rápido com a Internet. Existem várias blogs sobre o assunto (esse é o melhor hehe!), além de comunidades no Facebook com gente disposta a ajudar.

Recomendo uma boa espiada nos tópicos já discutidos em Porto 2011, no grupo da Brasup e na página da Brasup no Facebook. O site da Brasup (associação da qual eu fazia parte) está desatualizado. Falta colaboração DE VERDADE e grana (pois, esse é um problema difícil de sanar visto a crise europeia!). No entanto, algumas dúvidas ainda podem ser sanadas lá dando um vista de olhos nos posts antigos e perguntas frequentes.

E como eu sou total apoiadora da venda do meu próprio peixe, não posso deixar de recomendar a página do Vida Portuguesa no Facebook. Além da atualização dos posts direto na sua wall, sempre estou colando algum link ou informação relevante sobre o Porto, Portugal e Europa.

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A menina que introduziu a Vida Portuguesa na minha vida

Todo mundo pesquisa alguma coisa na Internet antes de embarcar para um intercâmbio. É no mundo virtual que pedimos ajuda aos que já passaram pela aventura que pretendemos experimentar. Comigo não foi diferente. Eu já fui aspirante a intercambista, especialista em pesquisas sobre Portugal no Google.

Em meio a um emaranhado de pessoas e dicas, em especial nas comunidades do Orkut (no meu tempo, Orkut era chic benhê), encontrei a Mari. Uma menina de Curitiba que estava no Porto e vivia na residência universitária ao pé da Faculdade de Letras (FLUP). Ela respondia a algumas perguntas que o pessoal lançava nas comunidades, e eu decidi comunicar com ela exatamente do jeitinho que as pessoas me contactam hoje em busca de informação: “Oi, tudo bem? Meu nome é Fulana de Tal e eu estou indo para o Porto no dia tal e eu queria saber tal e tal coisa, você pode me ajudar com isso?”. Como diz minha mãe: A História se repete! Bom, e eu digo mais: A História, as histórias e estórias se repetem mesmo!

A Mari embarcou para Portugal em Agosto de 2008 (long long time ago!) e ficou lá por apenas um semestre. Ela foi embora no dia 20 de Fevereiro de 2009, e eu cheguei alguns dias após isso, no dia 28 do mesmo mês.

Nunca nos cruzamos pessoalmente e mal nos falamos no mundo virtual, mas eu sempre fui silenciosamente grata pela ajuda que ela me prestou. Hoje ainda somos amigas no Facebook e no Orkut (a gente ainda tem esse treco?), por isso decidi contactá-la para uma entrevista: A menina que introduziu a Vida Portuguesa na minha vida.

Mari navegando no rio Douro

Vida Portuguesa – Por que decidiu fazer intercâmbio no Porto?

Mari – No meu quinto período de faculdade resolvi fazer um intercâmbio para a Europa e tinha duas opções de universidades associadas à PUC-PR (minha universidade no Brasil) para o meu curso: A Universidade de Ferrara, na Itália, e a Universidade do Porto, em Portugal. Minha decisão foi baseada principalmente no fato de eu ter a facilidade com a língua, mas levei em conta também o custo de vida e a qualidade da universidade.

VP – Recomenda o intercâmbio na UP? Por quê?

Mari – Recomendo sim! O trabalho deles é muito sério, profissional e muito acolhedor. A universidade é realmente muito boa, e para alguns cursos é uma das melhores do mundo. Com certeza será um diferencial no currículo!

VP – Recomenda o intercâmbio em Portugal? Por quê?

Mari – Muito! Os portugueses são um povo fantástico, o país não tem um custo de vida muito alto, a língua é a mesma e a experiência é para a vida toda! Garanto que você irá conhecer pessoas do mundo todo e isso só vai te enriquecer profissionalmente e pessoalmente! Viajar para países vizinhos é muito fácil e barato e você terá tempo de sobra para fazer isso! FAÇA, VOCÊ NÃO VAI SE ARREPENDER!!!

VP – Ainda mantem contato com os amigos que conheceu? Se sim, como?

Mari – Com certeza! Conheci gente do mundo inteiro (literalmente) nesse intercâmbio! Mantenho contato com eles principalmente pelo Facebook, mas já fui visita-los e as vezes trocamos cartas!

VP – Pretende voltar algum dia?

Mari – Não só pretendia, como voltei! Recentemente voltei a Europa e tinha como parada obrigatória Porto, pra matar as saudades!

VP – É melhor no Brasil ou na Europa? Por quê?

Mari – Europa! Nada patriota, mas é a realidade. Na verdade depende do quesito que você considera e da pessoa que está julgando, mas para mim Europa vence. O Brasil tem muitas qualidades, mas uma vez que você viaja para uma cidade como Londres, onde tudo funciona, onde as pessoas são extremamente educadas, onde os carros respeitam até as bicicletas, onde pessoas de todas as classes andam de bicicleta, onde as ruas são muito limpas, entre outros… fica difícil não querer mudar para lá. Já a questão de ensino, acho que ambas são boas, mas bem diferentes. Mas também depende de qual curso você pretende cursar, conheci muitas pessoas em Porto que estavam lá pois o curso de Arquitetura era um dos melhores do mundo, assim como o Direito Criminal.

E para completar a entrevista, a Mari ainda me contou sobre uma das lembranças mais marcantes que tem sobre Portugal. Juro que eu vivi algo muito semelhante a isso… e não foi uma, mas várias vezes!

No dia que cheguei em Porto, desci do avião, passei por uma alfândega rigorosa e entrei no primeiro taxi que achei. O taxista, como bom taxista, começou a conversar comigo, perguntando o que eu estava a fazer no Porto e quanto tempo eu ia ficar. Muito simpático ele! Lembro que fiquei observando pela janela do carro a cidade, e me decepcionei muito. Pensei: “Mas isso aqui parece Curitiba, onde estão os prédios históricos e ruelas charmosas?? Onde fui me meter?”. Ao chegarmos na residência que eu fui designada a ficar, o taxista desceu do carro e tirou minha mala, que estava extremamente pesada. À minha frente uma escada. Viro para ele e pergunto: “Você poderia me ajudar com a mala?!”. Ele me respondeu: “Menina, tenho mais o que fazer!”. Ainda bem que um entregador do correio resolveu me ajudar, mas a primeira impressão de Porto já estava feita: Eu tinha odiado. Cheguei no meu quarto, sentei na minha cama e comecei a chorar até desmaiar de cansaço da longa viagem. Acordei com batidas na minha porta. Atendi. Era um austríaco procurando pela amiga dele. Começamos a conversar e eu contei o meu drama. Ele disse que eu estava totalmente errada e que ia me mostrar o centro histórico da cidade. A partir desse momento me apaixonei irrevogavelmente pela cidade Porto! Conheci a Avenida dos Aliados e seus prédios históricos, a Ribeira com suas ruelas charmosas e seus restaurantes acolhedores, e conheci as pessoas que vivem lá, sempre prontas para ajudar um turista completamente perdido ou entusiasmadas para contar um pouco da história dessa cidade fantástica!

* A Mari me enviou algumas fotos do seu arquivo pessoal do Porto. Num próximo post, pretendo posto-as 🙂

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UP eleita uma das melhores universidades do mundo

Da série “não-quero-me-exibir-mas-já-me-exibindo”, a Universidade do Porto foi eleita uma das 400 melhores do mundo. By the way, eu me graduei em Geografia lá lol O número 400 até pode não significar grande coisa, mas, pensa bem: Quantas universidades que devem existir pelo mundo afora?

Notícia publicada em 17 de Agosto no site do JN

A notícia saiu no Jornal de Notícias, o maior e mais importante na cidade do Porto. Em outro ranking, a UP ficou colocada entre as 250, sendo a 106.ª da Europa. Isso é ponto positivo também para aqueles que vão intercambiar por lá. Não é qualquer um que tem a chance de estudar numa das melhores universidades do mundo. Chic demais gente!

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A recepção aos estudantes estrangeiros (e brasucas) da Universidade do Porto

Em alguns dias, começa mais um ano letivo na Europa. No Brasil, já está todo mundo de mala pronta para embarcar rumo a um ou dois semestres de intercâmbio na Universidade do Porto, em Portugal. (Tá, tem gente de mala pronta para estudar em outras universidades europeias, mas, enfim, esse blog foca no Porto então é disso que vamos falar…).

A essa hora, estão (quase) todos com as cartas de aceite e vistos em mãos. O Google Maps deve ter se tornado aliado, pois na hora de decidir onde morar precisamos ter noção da distância de casa até o campus, se fica longe do centro, se tem transporte e etc. Para aqueles que ainda estão a pensar em comprar roupas, DESISTAM! Se eu pudesse dar um conselho (e cobrar por ele) seria esse: Esqueça tudo o que você sabe sobe preços de roupas e troque o guarda-roupa em Portugal. Diria mais: Vá apenas com uma mala de mão ou encha a mala com miojo lol

Bom, mas isso já é assunto antigo… quem acompanha esse blog já tá esperto nesses quesitos 🙂

Então vamos ao que interessa: O que o estudante brasileiro ainda não sabe (e talvez gere um friozinho na barriga). A partir da próxima semana, começam as reuniões de apresentação na Reitoria da Universidade do Porto. Dona Luisa Capitão (que não é uma senhora, mas sim uma das jovens portuguesas mais bonitas daquela cidade) vai receber grupos de estudantes para apresentar os procedimentos da universidade e trazer alguma informação sobre a cidade, como pontos turísticos, funcionamento do transporte público, explicações gerais sobre NIF, contas bancárias, centros de saúde… enfim, uma infinidade de tópicos que os leitores desse blog já estão (quase) carecas de saber 🙂

Fred e eu falando da Brasup em uma das reuniões de apresentação em agosto de 2010

Eu entre duas intercambistas brasileiras 🙂

Até o ano passado, a Brasup participava dessa reunião. Eu ajudei inclusive na organização da festa de boas-vindas em setembro de 2010. Foi mesmo fixe. Não sei como anda o funcionamento da associação no momento. Só sei que o site continua lá, e de vez em quando eu atualizo (tá bem, faz séculos que eu não atualizo, mas talvez é porque eu esteja meio desatualizada…).

A reunião dura cerca de hora e meia. Quer uma dica: VAI! É bem provável que você conheça seus melhores amigos do intercâmbio nessa reunião (foi o que aconteceu comigo). E não pense que você sabe tudo sobre a cidade só porque pesquisou no Google. Embarque preparado, mas não abra a mão de aprender jamais. Sugue o máximo. Dona Capitão sabe muito 🙂

Depois de finalizadas as duas ou três semanas de reuniões em pequenos grupos, a UP organiza uma recepção oficial para os estudantes estrangeiros. Na famosa “chamada dos países”, o Brasil sempre se destaca (É O MÁXIMO!). Às vezes vai um pessoal das tunas se apresentar (se você não sabe o que é tuna, pesquise sobre a praxe no Google). Após os discursos e apresentações oficiais, todos brindam o chamado Porto de honra. Ah, fora que tem comida grátis (boa pedida para os “miserasmus” que não querem gastar seus eurinhos com comida: Comer pra quê quando se está em Europa, hein?).

Eu e meus quilos a mais com meus ex-companheiros de casa em setembro de 2009 (curtindo um vinho e comida grátis na recepção oficial da UP)

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Jornalista Fernanda. Mas pode chamar de Geógrafa :)

Foi a viagem mais doida da minha vida. Na segunda-feira, 4 de julho, embarquei a noite para Portugal no voo TAP Porto Alegre – Lisboa. O voo saiu com mais de uma hora de atraso. Quando cheguei a Lisboa, estava a 20 minutos da partida do meu próximo voo, que ia para meu destino final, o Porto. Mal sai e já avistei o atendimento de terra da TAP: “Menina, tenho voo agora e olha o tamanho da fila da aduana! O que eu faço?”. A atendente da TAP me olhou e disse calmamente: “Corre!”.

Sim. Eu corri. E corri muito! Furei a fila na frente de 300 pessoas. Algumas me xingaram, outras puxavam pelo braço. Mas eu tinha um objetivo e apenas 20 minutos. O senhor da aduana foi super simpático. Mal fez perguntas e já carimbou meu passaporte. Depois passei pelo raio-x, subi umas escadinhas, virei a esquerda e mirei o portão 12.

Eu mal conseguia falar, e o atendente da TAP queria saber onde estavam as outras oito pessoas que vieram no mesmo voo que eu de Porto Alegre e deveriam embarcar agora para o Porto. “Olha (respira), eu tava (esbafora) correndo sozinha e (respira fuuuundo) não vi ninguém atrás de mim”. Então ele me acompanhou até o autocarro que leva os passageiros nacionais ao avião. Ali estavam umas 40 pessoas sentadas me esperando. Pensei comigo: “Hoje é meu dia de fazer inimizades”.

Um moço muito simpático me ofereceu água. Eu estava completamente suada, cansada e com dificuldades para respirar – não sou nenhuma atleta e não pratico esportes… só podia me ralar com a corridinha básica que fiz. Enfim, embarquei e procurei relaxar – e também fiz amizades com as pessoas que sentaram ao meu redor no avião (não podia deixar de ‘ser Fernanda’ mesmo estando a morrrer hehe).

Cheguei ao Porto pouco após o meio-dia de terça-feira, 5 de julho (horário local, ou seja, 4 horas na frente do brasileiro durante o verão europeu). Não cumpri minha promessa de beijar e lamber o chão do aeroporto quando chegasse, pois a TAP fez o favor de perder minhas malas e eu estava um bocadinho estressada. Felicidade mesmo só na hora que eu vi meu namorado (ohhh que fofo!!).

O Porto continua o mesmo. O Piolho ainda é o point, a cerveja é mais barata nas noites de quarta-feira no Adega Leonor, o verão continua uma delicinha, os gunas ainda estão lá assim como as cotas lol A Padaria Ribeiro ainda une o bom ao barato, a Zara da Santa Catarina reabriu e está mais bonita (em compesação, a do shopping Via Catarina fechou), a Cedofeita mantem sua simpatia e o pessoal do SEF continua antipático. Enfim, tudo está bem direitinho do jeito que eu deixei no dia 26 de janeiro 🙂

Para provar que estive lá: Tarde de sol na esplanada do Piolho em frente a Reitoria da UP

A viagem foi rápida e mais do que cansativa. Foram três dias de correria para organizar coisas, vender coisas e doar coisas – quer uma dica? Não acumule coisas! Fiz meu exame de Geografia Humana de Portugal na faculdade e, adivinha só?!?! Passei lol Aprovação também em Seminário de Projecto II, com a nota 18 (meu, 18 é uma BAITA nota!). Modéstia a parte, o trabalho ficou tão gracinha que merecia esse notão. “O Fortalecimento da identidade europeia através do Programa Erasmus” é meu orgulho atual 🙂 E eu, além de Jornalista, agora também sou Geógrafa licenciada pela Universidade do Porto (chic demais!).

Conclusão da ópera? 1. Pseudo-festinha-de-despedida no hostel que eu trabalhava, o Oporto Invictus Hostel na noite de sexta-feira. 2. Voo às 5 da matina de sábado, 9 de julho. 3. Malas quebradas pelo pessoal super delicado da TAP no aeroporto Salgado Filho no mesmo sábado, só que às 18h (horário local brasileiro). 4. Viagem de trabalho no domingo, 10 de julho, para São Paulo (sim, agora vivo cá temporariamente). 5. O final de semana é amanhã e eu vou dormirEEE finalmente lol

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Estudando Geografia Humana de Portugal – parte 3

3. Explicite no que respeita às dinâmicas de urbanização recente, os processos de litoralização populacional, concentração metropolitana e reconfiguração da rede de pequena e médias cidades.

“Portugal virou as costas para a Península Ibérica”. A máxima expressa a afirmação da nacionalidade portuguesa aquando dos primórdios da formação do país. Os portugueses voltaram-se para a fronteira marítima, virando as costas (embora sempre vigilantes e defensivos) à fronteira terrestre: Estava determinado um maior desenvolvimento litoral face ao interior.

No litoral, junto a Foz do rio Tejo, principal via fluvial do país que drena mais de 1/3 do território, localiza-se Lisboa, que se torna naturalmente o primeiro centro econômico e a capital política. O desenvolvimento do litoral vai opondo-se ao desenvolvimento do interior, concentrando-se em Lisboa as riquezas e as classes privilegiadas. Os descobrimentos do século XV e XVI provocam ainda maior desiquilíbrio entre o litoral e o interior. Lisboa funcionava como a cidade macrocéfala com cerca de 100.000 habitantes que contrastavam com os 15.000 do Porto. Só no século XVIII é que o Porto acelera o ritmo de crescimento, apoiado no comércio, navegação e indústria, afirmando-se como a metrópole do Norte.

A junção da proximidade de uma fonte de água potável (rios) com o mar levou à formação de cidades medievais portuguesas mais litorais. Com o passar do tempo, as cidades que se desenvolveram mais para o interior da Península perderam destaque e população para as litorâneas, principalmente na ocasião do apogeu das grandes navegações, início da exportação e descobertas além-mar.

Atualmente, Lisboa coloca-se como o centro administrativo e cidade mais populosa de Portugal, seguida por alguns concelhos metropolitanos e sua paralela, o Porto. A industrialização incentivou uma maior urbanização nos dois centros urbanos do país, bem como a constituição de uma importante e grande região metropolitana no entorno das duas cidades. A rede de pequenas e médias cidades com alguma importância econômica se localiza nesse eixo litoral (Lisboa-Porto). As demais cidades de costa no Alentejo e Algarve são somente importantes para o turismo, em época que este está em alta, ou seja, apresentam um desenvolvimento sazonal com posterior retração. As cidades do interior perdem cada vez mais sua importância, mantendo-se também apenas do turismo e da população tradicional residente que não migrou para as grandes cidades do país.

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Estudando Geografia Humana de Portugal – parte II

E a saga continua…

2. No quadro do planeamento urbano, destaque as lógicas e os princípios norteadores, desde a cidade medieval aos Ante-planos de urbanização do Estado Novo.

Entre os primeiros povos a ocuparem a parte hoje correspondente a Portugal na Península Ibérica, o mais importante foi o Romano. Inúmeros templos construídos na época sobreviveram ao tempo e são monumentos históricos da Portugal atual.

Com a queda do Império Romano no século V (ano de 476 d.C.), estabeleceram-se ali povos germânicos como os Visigodos e os Suevos mais a norte. No século VIII, estabelecem-se os árabes mais a sul.
As bases das cidades medievais eram as muralhas, a igreja e o mercado. Os muros protegiam o povo e o castelo de invasões. A igreja era símbolo do cristianismo presente na maioria das cidades medievais. O mercado era o local de troca, compra e venda e mercadorias, sejam elas oriundas do mercado local, importadas ou contrabandiadas. O modo de produção era essencialmente feudal. As cidades nasciam próximas a fontes de água potável e de grandes corpos da água, como rios e mares.

No século XII, Portugal sente a necessidade de consolidar suas fronteiras terrestres e marítimas, construindo fortalezas ou cidades junto às fronteiras terrestres e litorais com o objetivo estratégico de controlar o território. As populações junto às fronteiras eram incentivadas a fixarem-se através de baixas de impostos e sendo administradas diretamente pelo Rei. A construção dessas cidades era planejada corretamente para os parâmetros da época, loteada, com uma forma geométrica e planejamento prévio na sua concepção de atrair pessoas. A população e fortificações do país estão tendencialmente em locais fronteiriços e de passagem (ex. Vila Real). Nas cidades portuárias, constroem-se proteções nas barras para evitar pirataria. No século XVI existe um reforço das diversas muralhas do país devido ao desenvolvimento da artilharia. Todas as cidades coloniais portuguesas fizeram planejamento urbano forte do tipo ortogonal.

A partir do século XVIII, as cidades europeias passam a se desenvolver com maior velocidade e apresentar taxas altas de crescimento, causadas principalmente pelos primórdios da industrialização e o consequente êxodo rural. Inicia-se um processo de rápida urbanização, permitindo pela primeira vez na História das civilizações que uma parcela significante da população vivesse nas áreas urbanas.

Na Revolução Vintista (1820, século XIX), nascem os conceitos da divisão territorial para fins administrativos: Os distritos, concelhos e freguesias, além da divisão em 11 províncias. Também deixam de existir terras cuja propriedade não estava definida. Nessa época, Portugal contava com cerca de 80 concelhos.

O desenvolvimento industrial tardio fez com que Portugal presencia-se uma grande expansão urbana somente a partir do século XX. Apesar disso, o início da construção do caminho de ferro no século XIX pode ser tido como um marco do crescimento de infraestrutura no país (possibilidade de transporte, aumento da exportação, produção, desenvolvimento portuário e etc), impulsionado, provavelmente, pela crise e posterior revolução.

No final século XIX, Portugal também começa a observar algum crescimento demográfico, com a duplicação da população da cidade do Porto em 30 anos (que nem se compara ao boom populacional de outros países da Europa: A população de Londres cresceu de 800.000 habitantes em 1780 para mais de 5 milhões em 1880, por exemplo). A urbanização começa a crescer aos poucos através da migração de habitantes do interior e de migrantes temporários. Isso ocasiona a construção e enchimento de bairros populares, num Porto com condições precárias de saneamento e higiene. A febre bulbônica é detectada na ribeira do Porto em finais do século XIX, na medida em que essa área ficou sobrelotada e as pessoas viviam em “casas de malta” em que se comprava um espaço para dormir. A parte leste da cidade cresce sobre a estação ferroviária de Campanhã, o Campo Alegre era uma área periférica com palácios ligados ao comércio do vinho do Porto e ainda existia um povoamente distante na Foz. Ainda no final do século XIX, começa-se a construir a rede de saneamento no Porto e passa a existir maior mobilidade centrada na cidade, com movimentos pendulares durante a semana em especial ocasionados pela construção civil intensa.

A crise europeia afeta Portugal mais tardiamente. No início do século XX têm início um período de fome, causada por um período de excesso de produção para exportação, queda nos preços e falta de dinheiro entre a população que não consegue comprar mantimentos. A República é proclamada em 1910.

No período entre guerras, em 1933, inicia o regime ditatorial em Portugal, à exemplo de outros países da Europa e do mundo. É principalmente a partir do regime do Estado Novo que Portugal começa a se fortalecer industrialmente, principalmente para suprir às demandas de consumo (e pouca produção) dos países envolvidos na II Guerra Mundial.

Em 1959, a divisão principal de Portugal deixa de ser por províncias passando para Distritos. Em 1969, introduz-se o novo sentido de autarquia, nas funções de desenvolvimento, no estudo e crescimento econômico. Nessa época, Portugal já havia crescido de 80 para cerca de 300 concelhos.

Diz-se que “a partir da década de 60, Portugal deixa de ser um país ‘bronco’ para entrar numa era de modernidade completamente diferente que foi até aí, com acesso ao ensino, investimentos em industrialização e crescimento urbano intenso”. Nos anos 40, Portugal assume uma postura mais fechada, relacionando-se somente com suas colônias africanas. Isso muda a partir da década de 50, com a adesão à EFTA e o início de exportações via acordos econômicos com outros países europeus. Com a independência das colônias Portugal perde em exploração, mas ganha clientes para seus produtos.

Apesar do crescimento urbano incontrolável a partir dessa época, as cidades portuguesas conseguem desenvolver-se também em transportes e construção civil. Lisboa cresce muito na sua periferia, assim como o Porto, contudo nesta cidade é um crescimento de bases territoriais que já existiam e que se alargam e em Lisboa é um crescimento a partir do zero.

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