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E então é (quase) Natal

Tudo bem que antes do Natal tem outra data muuuito mais importante: Meu aniversário. Mas a maioria das pessoas desconhece a data que nasci. Portanto, o Natal continua sendo a festividade top de dezembro. Os shopping já estão decorados e as ruas também. Tudo cheio de luzinhas e pinheirinhos. O máximo. Adoro dezembro (aliás, ainda não é dezembro, mas já tá quase…).

Natal no frio é uma experiência encatadora. Aqui não se faz compras derretendo ou com calos no pé por causa do mix de havaianas com suor. Na Europa, o Natal é elegante. Casacos de pele e botas de cano alto ajudam a criar o clima.

Eu já comprei meu presente de Natal/Aniversário – sim né, porque a tristeza de ser sagitariano é que só se ganha um presente. Tudo bem. O meu vale por muitos!

O meu bébé, ou melhor, o meu iPod é o máximo. Simplesmente não entendo como só fui comprar uma coisa dessas agora. Após a abrir a embalagem, logo me deparei com um papelzinho explicativo que anunciava: “Magia na ponta dos dedos”. Nem dei bola na hora. Minutos depois, percebi que tinha comprado algo realmente mágico.

Ele faz tudo. Fotografa, filma, entra na internet, tem GPS, mapas, jogos, me mostra a temperatura e acessa a bolsa de valores. Até toca música!! Basta tocar ou acionar pela voz.

Foi a compra mais cara que fiz na vida, mas valeu a pena.

Sou uma nova pessoa 🙂

Meu bébé 😀 😀 😀

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Carnaval português

Uma cidade inteira em festa. Este é o princípio do carnaval de Ovar. A cerca de 50 km ao sul de Porto, o concelho tem cerca de 60 mil habitantes. No carnaval, esse número deve triplicar, especialmente na Noite Mágica. Inúmeros grupos de pessoas mascaradas – que, em Portugal, significa trajando fantasia – circulam pelas pequenas avenidas e ruelas da cidade. A multidão se estende desde o largo da igreja, passando pela praça central, até o entorno inteiro do centro.

A odalisca e o peluche gigante no comboio

A criatividade não estanca em perucas coloridas com topetes volumosos. Óculos bizarros e máscaras venezianas também não são o topo da festa. Vi grupos de chear leaders, bruxas e vampiros. Casais com fantasias em combinação. Um telemóvel, um grupo de bombeiros com carro e tudo, além de vários MM’s.
Um grupo de meninos resolveu ir de saia irlandesa. Por baixo, vestiam tanguinhas vermelhas de elefante, que deixavam a bunda à mostra quando exibiam as saias levantadas.

Os engraçadinhos gostaram de exibir a bunda, mesmo com a baixa temperatura da noite

O que mais gostei, foi um grupo de senhores e senhoras vestidos de lata, em analogia àquele personagem do Mágico de Oz. Prova de que todas as idades podem se divertir juntos, mesmo ao som de I Gotta Feeling, hit do século XXI. Aliás, isso é coisa que não se vê no Brasil.

Minhas amigas conheceram um grupo de mulheres que participa de um bloco chamado “As Palhacinhas”. Parece que existe fila de espera para entrar. Elas se reúnem no carnaval de Ovar há cerca de 50 anos, incluindo várias gerações.

Al-Qaeda (?) marca presença em Ovar

O que mais me impressionou foi a noção de respeito que as pessoas têm uma com as outras. Não há confusões, pancadaria ou rodas punk. Todos estão ali para interagir e brincar, mesmo regados a muito álcool. Outra coisa que não se vê no Brasil.

Aliás, não tem agarra-agarra, nem ninguém sendo beijado à força. O carnaval me provou de uma vez por todas o porquê de eu me sentir melhor na Europa do que no Brasil, além das questões evidentes de segurança e qualidade de vida. Por aqui há um sentimento de comunidade. Todos parecem cuidar de todos. O que é público não é do governo. É deles, de cada um dos portugueses. E eles respeitam isso. Respeitam tudo e todos.

Muita, muita, muita gente na Noite Mágica em Ovar!

Sempre que qualquer estrangeiro descobre que sou brasileira, uma das primeiras perguntas que me faz é sobre o carnaval. O velho papo de naked women, samba e cerveja. Na minha opinião, alegoria para vender o Brasil internacionalmente. Fato é que – ainda continuo a defender – o Brasil é bom pra visitar, não para morar.

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Carnaval em Ovar

Em Portugal, carnaval se comemora em Ovar. O esquema tem até site, com programação completa, que remete até a micareta em Salvador – olha o exagero, Fernanda! Enfim, fato é que, corre o boato, que uma cambada de portugueses se desloca de carro ou comboio para a cidadezinha perto de Aveiro, na região central do país. Ovar tem pouco menos de 60 mil habitantes, mas, reza a lenda que, no carnaval a cidade enche. As praças são tomadas, em especial na Noite Mágica, que ocorre hoje, segunda-feira, 15.

Todo mundo vai mascarado. Se bem que hoje eu estava a ver tv e percebi que aqui usam a palavra mascarado para qualquer tipo de fantasia que se vista. Fontes me informaram que é melhor comprar a bebida antes de aportar por aquelas bandas, pois fica mais barato. Aliás, ir do Porto até Ovar de comboio custa apenas 1,80 euro por trecho, numa viagem de aproximadamente uma hora. Em alguns dos dias da semana de festa dispõem-se comboios em horários especiais, pois a maioria dos comboios portugueses funciona até às 23h.

Como não se tem a opção de desfilar de abadá, seguir trio elétrico ou apenas guerrear com aquelas espumas nojentas – estilo carnaval gaúcho – vamos à Ovar! E o frio que fique no Porto…

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Viena também é cultura

Viena no verão não me apetece, mas no inverno é o que há. No início de janeiro, coloquei meus pezinhos pela segunda vez na capital da Áustria e mudei a percepção sobre a cidade que me entediou em setembro.

Concordo com esse tal de Mathias Hietz e sua frase em uma plaquinha ao pé do canal do Danúbio: “Stein ist bestand, Wasser ist leben”!

"Pedra existe, água é vida"

Admito que Viena é o tipo de cidade onde a câmera fotográfica não precisa deslocar da mão. Tem coisa interessante por todos os lados, principalmente para quem fala e entende alemão.

"Cartazes publicitários (não?) proíbidos", em frente ao MuseumsQuartier

Tudo bem que no Museu de Arte Moderna as coisas também são em inglês, com excessão do aviso na porta onde diz que a partir de primeiro de janeiro de 2010 estudante não paga – aliás, quem não percebe o que ali está escrito, gasta seis euros de entrada…

Definição de uma garota da Bósnia segundo soldado norte-americano, no Museu de Arte Moderna

Somos quase a mesma coisa, também no Museu de Arte Moderna

A minha preferida é “Was ist Geld? Wie funktioniert es?”. Estava por todos os lugares me perseguindo…

"O que é dinheiro? Como isso funciona?" pixado em diversos muros na rua

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Europa, 11 meses

Ontem, dia 28 de janeiro de 2010, completei onze meses de vida portuguesa. Entretanto, me gabo em dizer que conheci a Europa – ou pelo menos boa parte dela – em minha estada por essas bandas. Tudo começou em um sábado cinzento. Céu nublado, chuvinha fina e temperatura baixa o suficiente para causa dor de garganta instantânea. Fui ao Pingo Doce naquele dia. Conferi os preços. Onze meses depois, o litro da Coca-Cola ainda custa a mesma coisa.

Onze meses depois, o litro de coca-cola ainda custa 0,89 euro

Em maio, fiz minha primeira viagem “de verdade”. Antes havia ido somente à Guimarães, a 40 quilômetros do Porto, mas nem conta. O destino: Sul de Portugal. Foi lá que me senti Erasmus pela primeira vez. Antes, eu estava como estudante de mobilidade acadêmica, oriunda do Brasil, rodeada por gente do mesmo tipo. Depois daqueles quatro dias, minha percepção mudou. Foi aí que a vida boa começou.

Italiano sem-nome, Algarve: A pessoa vai pra balada, dorme na praia e às quatro da tarde ainda continua lá...

A temperatura começou a esquentar, e as festas pareciam se emendar. Apesar disso, fui a todas as aulas. Meu nome está assinado na lista de presença em 100% dos quadrinhos de todas as disciplinas. As praias de Espinho e Matosinhos foram só o início do melhor verão da minha vida, o tal “summer of ’09”. Perdi as contas de vezes que passei pelo Piolho ou que fui aos copos na Ribeira.

A 20km do Porto, o comboio até Espinho custa cerca de 2 euros

As férias de verão me possibilitaram visitar os amigos Erasmus do leste. Caminhei muito, mesmo com um tal de problema no pé. Peguei um vírus, que formou um calo e se alastrou por toda planta do pé. Coisa horrorosa, que só curei um mês depois do retorno, em outubro. Posso dizer que começou a doer mais por causa dos sapatos fechados. Finalzinho de ano próximo é sinônimo de baixa no termômetro.

Em algum lugar do leste Europeu...

Em 11 meses, vi gente beber e ficar ruim. Assisti grupos estrangeiros enlouquecidos sem que tenham ingerido álcool. Ajudei turistas com informações. Trabalhei, pedi demissão e achei trabalho novo. Fiz trabalho até às 4 da manhã na faculdade. Acordei cedo, dormi cedo, mas fiz o contrário também. Uma vez adormeci por 18 horas contínuas e, quando acordei, não acreditei que o dia tinha mudado. Molhei os pés no Atlântico Norte e mergulhei no Mar Mediterrâneo. Assisti a muitos pôr-do-sol. O sol aqui morre mergulhando no mar.

As farmácias portuguesas têm letreiros informativos

Fui à Polícia, relatar a história de um cão que estava preso em um carro há uma semana. Me molhei na chuva e caí em poças da água. Aliás, teve carro passando em poça da água e sobrou para mim! Conversei com os amigos pelo Skype, enviei presentes pros meus pais e continuo a adorar liquidações… Escutei bronca de vizinho, estreitei amizades do primeiro semestre e conheci meu namorado sentada de pijamas numa fonte.

Depois da denúncia, o carro e o cão sumiram!

Nesse meio tempo, o Pingo Doce – aquele supermercado onde fiz minha primeira compra – criou um novo jingle. Teve até adaptação para o período de Natal: “Vai no Pingo Doce de janeiro a janeiro, o preço é sempre baixo no Natal e o ano inteiro”. Aliás, final de ano é época de aniversário para mim. Comemorei 23 anos com frio e chuva. Uma experiência, no mínimo, diferente…

Aniversário com doces portugueses, e vela improvisada!

Diferente também foi meu ano novo. Neve. Muita neve. Um boneco de neve de um metro. Fiz sozinha. Tinha até nome… Josef! Agora, aguardo ansiosamente o verão brasileiro, enquanto realizo a mudança de lar. Quinta residência em onze meses. Aqui, o bicho sempre tá pegando – vovozinha gritando, nenenzinho chorando, cachorro latindo…

O orgulho da mamãe 🙂

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Eu vi neve!

A experiência torna tudo melhor, mas a primeira vez é sempre inesquecível. Nos últimos dias de 2009, vi neve pela primeira vez na vida. Isso foi em Budapeste. Uma precipitação rala, que mal sujou o casaco. Mas não era água, e sim gelo que caía do céu. Repeti a experiência alguns dias depois, em Viena. Numa madrugada, abri a janela e vi telhados embranquecidos. Pela manhã, as calçadas acumulavam neve nas beiradas, o colorido das flores desaperecia em meio ao branco, tudo parecia calmo e em temperatura negativa.

Neve de verdade eu vi em Bratislava. Deve ter começado a precipitar perto das 22h, mas continuou até o meio da manhã. Os carros sumiram, os bancos foram cobertos e os arbustos pareciam montinhos de neve. Até fiz um boneco. Com graus negativos é impossível aguentar mais do que quinze minutos exposto em área externa, então o esquema é revezar entre aquecedores, que deixam as casas em torno dos 20 e tantos graus, e as brincadeiras no gelado.

Com olhos, boca e nariz!

Neve lembra o gelo do congelador, só que mais fofo. Molha as luvas e queima a pele, se não tomar cuidado. Neve sempre é branca, mas também pode ser suja. Principalmente nas ruas ou nos trilhos de trens, ela se mistura a terra e parece uma papinha marrom. As bolas melhores de atirar são feitas com neve acumulada há dias, mas não tive essa oportunidade. Vi neve fresca, daquela que pisa e o sapato afunda 10 centímetros até o piso.

O mais engraçado de tudo é perceber a amplitude térmica na Europa Central. Verões com super aquecimento, e invernos que lembram filmes natalinos. Culpa da continentalidade, que atinge o hemisfério norte. Posso afimar por experiência própria que Bratislava tem pelo menos 40 graus de amplitude térmica entre o dia mais quente e o mais frio do ano. Lembrei da minha camiseta molhada de suor em agosto quando me olhei no espelho e vi meu rosto queimado por causa do albedo.

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Diário de um aniversário

Diferente. A palavra define bem a sensação de nascer no dia do solstício de verão e comemorar a data, 23 anos depois, no solstício de inverno. Depois do terremoto na quarta-feira passada, meu aniversário em Portugal contou com a inundação das ruas do Porto. O sol, piscina e bebidas geladas, foram trocados por guarda-chuvas, casacos molhados e narizes escorrendo. Mas, enfim, não é qualquer um que tem a oportunidade de comemorar os 23 aninhos na Europa. Tô feliz, e é isso que importa 🙂

Para esse ano, decidi não escrever um texto sobre o quão bom foram meus 22 anos e prever que a velhice acrescentada só fará bem. Decidi fazer um diário fotográfico. Acordei com a câmara na mão e sai fotogrando quem se metia na frente – ou não tinha como se defender dos flashs. A inundação do restaurante, onde jantei com os amigos, foi apenas filmada, então fica de fora do post.

A primeira imagem do dia foi a mesma de sempre: Kel no berço 😛

Na cozinha, Dentinho e sua simpatia matutina

Filipe se arruma pro trabalho...

... Enquanto isso, a Babi ainda está a dormir!

Esse foi o meu dia: 21 de dezembro de 2009

Uma voltinha pela rua para comprar doces 😀

Aniversário português: Bola de Berlim, Pastel de Natas e Tarte de Amendoas 🙂

Na falta de tchecas, Felipe ataca as Bolas de Berlim

Flávia a cortar pelinhos da meia de dedinhos, e eu atucanando com a câmera 😀

Comprinhas na rua Santa Catarina, que estava bombando em pré-Natal

Não foi neve, mas granizo que espantou os transeuntes (inclusive nós!)

Depois de muita busca no Google, fransesinha foi a escolhida para o jantar da noite 🙂

O fim da história é o seguinte: Jantar interrompido pela inundação que entrou pelo restaurante. Foi divertido, no mínimo. Engraçado também os vídeos que fiz 🙂 A volta para casa foi abaixo de chuva forte e vento. Até a luz faltou! Enfim, chegamos vivos! Seria injusto a correnteza me levar justo no dia que completo 23 anos hehe

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