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70 dias de Alemanha

Estou há tempos sem passar por aqui, mas de vez em quando é bom vir tirar o pó que se acumula, limpar os fenos e ver se a casa está em ordem. E, dessa vez, trago boas novas! Não, não voltarei a viver a Vida Portuguesa, no entanto, vou participar de um programa alemão para jornalistas e viver cerca de 70 dias em Berlin. Para isso, criei um novo blog (e espero que quem gosta de me ler, dê uma passadinha por lá!). De qualquer forma, nos primeiros três dias de viagem, vou dar uma passadinha em Portugal. E, é óbvio, vou para o Porto rever minha terrinha do coração.

O endereço do blog 70 dias de Alemanha é: www.70diasdealemanha.wordpress.com

Espero encontrá-los por lá 🙂

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#ficadica: Aviso aos novos navegantes

Está aberta a temporada de perguntas-e-respostas, dúvidas infinitas e ansiedade ao extremo no Facebook dos brasileiros futuros intercambistas da Universidade do Porto. Tudo começa com a espera pela carta de aceite (a minha chegou 1 mês antes do embarque!). Depois que a UP te aceita, inicia a loucura atrás de passagem + seguro saúde + visto. Se o estudante solicitou alojamento acadêmica e não conseguiu, mais uma preocupação: Onde eu vou morar? É confiável alugar pela internet? Não seria melhor ficar alguns dias num hostel e procurar pessoalmente?

Pois, não existem respostas claras e diretas para todas as perguntas. O medo e a ansiedade fazem parte do jogo: O que seria da montanha-russa sem o friozinho na barriga?

Cada pessoa vai descobrir a melhor maneira de se preparar para o intercâmbio. E hoje em dia isso fica ainda mais fácil e rápido com a Internet. Existem várias blogs sobre o assunto (esse é o melhor hehe!), além de comunidades no Facebook com gente disposta a ajudar.

Recomendo uma boa espiada nos tópicos já discutidos em Porto 2011, no grupo da Brasup e na página da Brasup no Facebook. O site da Brasup (associação da qual eu fazia parte) está desatualizado. Falta colaboração DE VERDADE e grana (pois, esse é um problema difícil de sanar visto a crise europeia!). No entanto, algumas dúvidas ainda podem ser sanadas lá dando um vista de olhos nos posts antigos e perguntas frequentes.

E como eu sou total apoiadora da venda do meu próprio peixe, não posso deixar de recomendar a página do Vida Portuguesa no Facebook. Além da atualização dos posts direto na sua wall, sempre estou colando algum link ou informação relevante sobre o Porto, Portugal e Europa.

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O (falso) glamour da vida de intercambista

É, amigo. Vida de intercambista não é fácil.

Você precisa aprender a dividir sua casa com os outros. Você compratilha banheiro com gente, até então, desconhecida. Você lava roupa junto, pega coisas emprestadas e divide sua comida. Alguns vão subir de tênis no sofá, não recolher os cabelos do ralo do banheiro e deixar louça suja acumular. Mas, mesmo assim, vão continuar sendo seus melhores amigos na saúde ou na doença, na alegria e na tristeza, até que o final do semestre os separe.

Confesso que quando cheguei ao Porto, em fevereiro de 2009 (nossa, tô ficando passadinha!), eu mal sabia lavar roupa. Não entendia como funcionava aquele compartimento do sabão em pó e por que havia tantas opções de lavagem. Afinal, quanto sabão em pó eu coloco na máquina? Qual a quantidade de roupa que cabe numa vez só? Separa por cor, por “nível de delicadeza” ou por tamanho? (Tá, exagerei um pouco nesse negócio de “por tamanho”). Enfim, hoje sou uma pessoa orgulhosa de mim mesma! Eu sei lavar, passar e cozinhar. Sou A dona de casa! (Muito embora não goste muito das tarefas domésticas, minha mãe sempre disse que para mandar tem que saber fazer!).

Minha primeira residência foi junto a duas alemãs: Uma de Hannover e outra de Leipzig. Eu logo percebi quem era do leste e qual delas vinha do oeste. Preciso dizer que foi uma experiência incrível? Elas queriam aprender a falar português, e eu queria praticar meu alemão. (Como se diz em Porto Alegre: FECHOU TODAS!). A casa foi apelidada carinhosamente de Große Schule.

A minha “mãe” Maren me ensinou a lavar roupa na máquina e a cozinhar comida vegetariana (yummy yummy!). A Clara sempre reclamava da maneira como eu limpava o banheiro e dizia que eu deixava meus cabelos no ralo. (Elas eram loiras, e eu sou morena… daí não tinha desculpa do tipo “não é meu”!). Eu também tinha minhas reclamações: Elas lavavam as pranchas de surfe na banheira, metiam música alta às 2 da matina, deixavam lixo e louça acumular. Pois, nada irremediável, mas às vezes incomodava.

Todo bônus tem um ônus. No pain, no gain. Isso é faCto. Hoje olho pra trás e vejo que aquelas duas alemãs (que eu ainda espero reencontrar algum dia) mudaram minha vida. A palavra principal no meio de tudo isso é tolerância. E eu tolero tudo – só não tolero gente pulando em cima da minha cama de tênis…

Eu vejo as casas de estudantes (ou, como dizem por aí, as “repúblicas”) como verdadeiros universos paralelos. Há regras próprias em cada uma delas, assim como na nossa sociedade. Tem casa que pode fumar dentro, há outras que cigarro nem pensar. Tem gente que assume o espírito “party everyday”, há outros que querem (e precisam!) realmente estudar MUITO. Tem gente que nunca limpa a geladeira, nunca lava a louça, entra com tênis em casa e joga o papel higiênico do número 2 no lixo (o correto na Europa é jogar na sanita, ok?). Assim como há casas em que existem planilhas que ditam a ordem da limpeza do banheiro, quem passa vassoura na sala em cada semana e quando o lixo deve descer.

Cada um se adapta ou sobrevive como pode.

Depois das alemãs, morei num apê com mais 5 pessoas, dividindo o quarto com outras 2 meninas. Mudei novamente para um apartamento mais afastado do centro morando com meu namorado e duas amigas. Daí, fui viver só eu e ele no centro. Por fim, acabei fazendo mais mudanças (quando meu namo foi viver no Chile) e fui ser companhia para um grande amigo, o André. Nessa época, eu costumava dormir de vez em quando no hostel que eu trabalhava. Lá era punk: Se você não cuidar da sua comida, comem hehe

Lasanha do Pingo Doce de 1,99 euro. É MINHA, SÓ MINHA!

Tem Guaraná em Portugal sim. Mas esse é MEU, SÓ MEU!

É, amigo, animal domesticado não sobrevive na selva se não ficar esperto.

Mas relaxa e fica tranquilo. Sempre tem alguém que sabe coisas que você não sabe e vai te ensinar com a maior paciência. Do mesmo jeito, você logo entende que sabe mais sobre algo e pode também passar o conhecimento adiante. Ninguém precisa mudar, só se adaptar. Esse é o segredo 🙂

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