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Marimbar para o código moral dos credores

Admito. Eu tive que pesquisar o significado da palavra marimbar. Às vezes eu não sei ao certo se uma palavra é portuguesa ou brasileira – ou então eu uso essa desculpa esfarrapada para justificar meu pequeno lampejo de ignorância. Marimbar é sinônimo de calote, golpe. Na minha opinião, é isso o que os portugueses deveriam fazer.

Ok. Talvez eu não esteja pensando em todas as consequências. Calotear a União Europeia seria uma punhalada nas costas de Angela Merkel e companhia. Acabaria com os ideais defendidos por Winston Churchill quando pensou numa Europa unida para evitar a guerra. Talvez, marimbar a dívida levaria ao fim do euro ou seria o estopim da terceira Guerra Mundial.

Hoje me deparei com esse artigo de Bruno Faria Lopes, publicado em 23 de dezembro. O autor questiona o porquê dos portugueses honrarem a dívida de seu país. Sem entrar no mérito dos efeitos do não-pagamento, honrar a dívida parece ser mais uma questão moral do que econômica. Afinal, quem empresta dinheiro assume riscos. E esses riscos são minimizados através da cobrança de juros – até porque os credores acreditam que nem todos os devedores serão mau pagadores, penalizando os que não honram o compromisso do pagamento.

Mas voltando à questão do pagamento da dívida portuguesa, isso seria bom para quem mesmo? Ao povo, de certo, não. A crise se faz sentir justamente porque afeta o bolso do trabalhador, que está agora usando seu salário apenas para comprar comida e pagar renda. Pelo menos 99% dos portugueses devem estar agindo assim. Sem sonhos de viagens internacionais nas férias ou fartas compras de Natal. Todos cooperando para pagar uma dívida que ajudaram a criar involuntariamente. Afinal, de quem é culpa das más políticas de Estado? Daqueles que votam ou dos que são mais votados e assumem o poder? Aliás, em Portugal, a culpa pode ser também daqueles que se abstêm, pois o voto não se faz obrigatório.

Pagar ou não pagar é uma questão? Fico a pensar nas consequências dessa escolha, isso é, se as duas hipóteses existissem – pois parece que a dívida vai ser mesmo honrada (para o bem do povo e felicidade geral da União Europeia).

Clique na imagem para ampliar. Daí pode-se ler o artigo 🙂

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50 euro x 50 real

O Real é a moeda brasileira desde 1994, enquanto o Euro iniciou sua circulação na Europa em 2002 – apesar de existir como moeda escritural desde 1999. As novas cédulas do real são muito parecidas com as do euro. As de 50 e 100 começaram a circular em agosto de 2011. Os demais valores (2, 5, 10 e 20) iniciam sua circulação em 2012.

Qualquer coincidência não é mera semelhança 🙂

Na cotação de hoje, 50 euros valem aproximadamente 125 reais – e 50 reais valem 20 euros!

Um índice muito famoso no mundo para calcular o real valor de uma moeda (em comparação com o dólar) é o Big Mac Index. E eu digo mais: Para comparar a valorização de duas moedas pode-se utilizar ainda o preço do maço de cigarro e do litro de Coca-Cola.

1 litro de Coca-Cola em Portugal: € 0,89
2 litros de Coca-Cola no Brasil: R$ 3,29

Malboro vermelho Portugal € 4,00
Malboro vermelho Brasil R$ 4,25

Cheeseburger Mc Donalds Portugal € 1,00
Cheeseburger Mc Donalds Brasil R$ 3,50

Confesso que não sei o preço do Big Mac, pois não sou fã (e faz tempo que eu não vou ao Mc). Assim, decidi comparar o preço do cheeseburger. Também não achei o preço da Coca-Cola de 1 litro. No Brasil, o mais comum é comprar sempre de 2 (aqui em casa, às vezes, compra-se de 1,5).

Enfim, somando a cestinha portuguesa (coca-cola, tabaco e cheeseburger) dá € 5,89. As compras brasileiras saem por R$ 11,04 (e contem um litro a mais de Coca-Cola!).

Ao converter para o dólar, resultado é o seguinte:

Cestinha Portugal: US$ 8,12
Cestinha Brasil: US$ 6,18

Mas isso não quer dizer que as coisas são mais caras em Portugal. Em economia é importante lembrar sempre do fator inflação: E essa é uma palavra mais-do-que-usada no Brasil (enquanto que na zona euro os preços não mudam da noite para o dia). Outra coisa é o preço do tabaco: Cigarros são extremamente taxados de impostos na Europa. No Brasil, estão tentando fazer o mesmo, mas ainda continua mais barato na comparação com o preço europeu.

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Aumento da tarifa do transporte em Lisboa e Porto foi exigência da troika

E daí você me pergunta: Quem ou o quê é essa tal de troika?

Troika é uma palavra russa que denomina um comitê de três membros. O termo é usado como referência às equipes constituídas por responsáveis da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional que negociaram as condições de resgate financeiro da Grécia, Irlanda e Portugal. Bom, troika é o pessoal que ditou as regras para que o empréstimo português saísse… São eles que pediram o congelamento dos salários públicos e pensões até 2013, impediram a construção do TGV Lisboa-Porto, determinaram a venda da EDP, REN e TAP (eles são mesmo maus!).

Troika também é o nome de um chocolate norueguês lançado em 1939!

Pois, e daí que aumentaram as tarifas do transporte público do Porto e de Lisboa também. Em cerca de 15% :O

A nova tabela dos tarifários do Porto já está disponível no site do Metro do Porto e da STCP. A mudança atende ao Decreto-Lei nº 8/93 de 1 de Agosto de 2011, ou seja, já tá valendo desde ontem.

Para se ter uma ideia da diferença, uma viagem de metro ou autocarro com o bilhete azul (não é o ticket único comprado do motorista, mas sim o Clickz) custava 1 euro. Agora sai por 1,10 euro. Aumento parecido sofre a assinatura mensal. Eu pagava cerca de 12 euros mensais pelo meu sub-23 (isso quando eu tinha menos de 23 anos). Hoje sai por pelo menos 14.

Pois, o acordo com a troika é mesmo do mau. Pela primeira vez na História do euro em Portugal, o pessoal tá começando a entender o que é viver a inflação. Se bem que para nós brasileiros, a crise portuguesa é brincadeira de criança. Já passamos por coisas bem piores e, aliás, continuamos passando.

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A passagem mais barata da Ryanair

Por 19,98 euros, Carolina Bogéa passou quatro noites em Madrid, capital da Espanha. Foi sua primeira viagem internacional na Europa, já que tem residência fixa em Portugal pelo menos até o próximo ano. Aliás, se não fosse pela taxa do cartão que a Ryanair anda a cobrar – cuja qual só o Mastercard PrePaid está isento -, a viagem teria saído por 9,98 euro.

Madrid tem seu charme 🙂

Carol é carioca e mora no Porto desde fevereiro. Segundo ela, o fim-de-semana prolongado em Madrid custou-lhe 180 euros. “Foram 120 em gastos, 40 de hostel e mais os 19,98 da passagem”, descreve. O ingresso de visitação turística mais caro que pagou foi o do Estádio do Real Madrid. “Além de ser um dos maiores times da Europa, ter a sensação de pisar no gramado que o Kaká joga valeu os 15 euros”, conta Carol.

Outro passeio que lhe custou dinheiro foi o do Palácio Real: 3,50 euro para estudantes. O Museu do Prado tem entrada gratuita para estudantes europeus. Brasileiros deveriam bancar 50% do ingresso. Carol entrou de graça, mesmo não tenho cidadania da UE: “Desenrolamos com um jeitinho brasileiro e conseguimos cortesia”, gaba-se a estudantes de mobilidade na Universidade do Porto, que é européia de qualquer forma.

Carol assistiu uma das famosas touradas espanholas, praticamente o símbolo nacional. “Na tourada os preços variam de 2,20 até 73 euros”, explica, afirmando que paga menos aqueles que se prestam a assistir o espetáculo no sol. Ela e os quatro amigos companheiros de viagem optaram pelo bilhete de 3,90 euro. “O lugar era bem no alto, numa das últimas fileras, mas tinha sombra”, comemora, afirmando que a loçalização é boa e “dá pra ver legal”, mesmo ficando bem lá no topo da arena.

Espanha - Carol - Brasil

Ela diz ainda que valeu a pena comprar o abono turístico dos transportes: São três dias de metro a vontade por 11,60 euro. Madrid é conhecida por ser a cidade que se paga para sair e entrar no aeroporto. O valo? 1 euro por vez. Sendo que o bilhete para dez viagens custa um pouco menos de oito euros, somados aos dois euros que se necessitaria para sair e entrar uma vez do aeroporto, o valor total rondaria os dez euros.

O tal abono turístico permite entradas, saídas e voltas ilimitadas de metro. Vale a pena, especialmente para aqueles que pretendem passar uma noite no aeroporto, no maior estilo mendigagem Ryanair. Na última noite, Carol e os amigos acamparam no aeroporto de Barajas. O vôo de volta era cedo, então não faria muito sentido queimar dinheiro em hostel. “No último dia fizemos o check-out às 9h, deixamos a mala no hostel e buscamos às 23h”, comenta a estagiária que não demorou muito a misturar o jeitinho brasileiro com o europeu – esperta ela! 😛

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Existe vida após Erasmus?

A frase que intitula esse artigo é fruto da tradução de “Is there a life after Erasmus?”. Alguém deve ter dito isso logo no início do programa Erasmus, no tempo que ainda era apenas um intercâmbio de estudantes europeus entre universidades européias, já que hoje abrange outros países. Aliás, a maioria dos brasileiros que se aventura em mobilidade acadêmica pela Europa autodenomina-se “um Erasmus”. Enfim, a idéia pode não ser a mais original de todas, mas agrada a muitos.

Felipe é seguidor desse lema. “Até existe vida após Erasmus, mas não é tão boa”, argumenta. Meu ex-companheiro de casa aterrissou de volta à colônia no último final de semana de fevereiro. Com mais de 365 dias em terras lusitanas – se bem que ele bandeou muito Europa afora -, a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando se lembra do Porto é a vontade de voltar. E isso logo acontecerá. Em agosto, Felipe pretende transferir seu curso de Biologia em para a Universidade do Porto em definitivo.

Na cozinha da última residência, com o terno comprado por oito euros, Felipe encarna o dono da Playboy...

Para ele nada mudou no Brasil: “Só os preços estão mais altos, tudo está mais caro”, ressalta Felipe. Fato que também atesto como verdade. Se o Brasil não for o país mais caro do mundo, é pelo menos o com maior inflação – se bem que em África deve ser pior. “Festa aqui tá de 25 reais pra cima! Absurdo! Nem em Stockholm era assim!”, complementa Felipe, acostumado com as baladas gratuitas da ESN e Café Feup.

Felipe ainda ressalta a lerdeza da internet brasileira. “Pensava q a [internet] do Porto era meio zuada às vezes, mas nunca mais eu reclamo. Não carrego um vídeo no Youtube sem travar”, assinala. Para o problema, ainda encontra explicação: “A internet antigamente não era lerda, mas é que tudo ficou mais pesado e daí demora”.

A melhor época de sua vida portuguesa foi o verão. Mas acho que isso é a resposta que pelo menos 90% das pessoas dariam. “Summer of ‘69 lembra aqueles dias que eu ganhava mais dinheiro, tinha um semestre inteiro pela frente e mil planos de viagem”, responde Felipe. Aliás, a música de Bryan Adams calhou muito no verão europeu de 2009. Quarenta anos após o tal verão que deve ter sido especial para Adams, milhares de pessoas cantaram “those were the best days of my life”, inclusive Felipe e eu.

Felipe trabalhou no Porto como desenhista. Fazia desenhos para pesquisadores. Reproduzia especialmente animais marinhos e pássaros. Conheceu cerca de onze países em um ano, sendo que desistiu de uma viagem à Lituânia [por falta de dinheiro], mas marcou presença três vezes na Polônia, seu país europeu preferido.
O vôo de volta foi tranqüilo e com pouco atraso, muito embora ele achasse melhor que fosse cancelado. Parece que havia um aviso de furacão no norte de Portugal, mas nem isso o segurou por lá. Os amigos de Aveiro haviam combinado noite e tudo: “Festa do Furacão”, mas ele não pôde comparecer. “Foi um vento bem forte só, mas não chegou a ser furacão”, lamenta.

Apesar das saudades do Porto, que compartilho com Felipe, receio em dizer que vida de Erasmus é punk do início ao fim. Passar aniversário sozinho, contar moedinhas, abrir o armário e não ter roupa limpa ou nada pra comer é só parte do desafio. “Levei tudo [as malas] sozinho na chuva. Subi as escadas do metro [estação da Lapa] na chuva com aquele peso”, relembra o dia da viagem de volta, quando Felipe encarou chuva e vento com um mochilão nas costas, uma mala na mão direita e outra na esquerda.

O retorno ao Porto, planejado desde antes da partida, tem até roteiro. Nesse semestre, Felipe dispensa o ônibus e vai a pé para a faculdade. O objetivo é economizar R$2,20 por viagem, quase 1,50 euro por dia! “Tô economizando aqui, pois gastar na Europa vale mais a pena”, esquematiza. Felipe tem até planos para o dia em que voltar a Portugal: “[Quando eu chegar] vou ao Piolho tomar Super Bock ou na Ribeira se for segunda-feira!”.

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Susto

Ontem fui a um lugar que não pretendo retornar tão cedo. Trata-se do El Corte Inglés, uma big loja de departamentos que fica em Gaia, a alguns minutinhos do Porto de metro. Acho que a marca é espanhola, pois me disseram que em Madrid tem uma dessas em cada esquina. O lugar é imenso. Um prédio todo de vidros azuis, com elevadores panorâmicos e dezenas de escadas rolante. Tem pelo menos oito andares e todos os produtos do mundo. Vendem desde as originais Havaianas – a 14 euros cada -, até cristais Swarovski.

O andar das maquiagens foi o que mais me impressionou. Parece aqueles filmes norte-americanos, com stands da Mac, Lancôme, Gyvenchi e por aí vai. Uma doidera. Triste foi olhar as etiquetas e multiplicar tudo por três. Mas a atrocidade maior foi quando dei uma olhadela na coleção de biquinis. O que eu gostei estava por uma bagatela de 290 euros. Quem sabe, na próxima encarnação, eu use um desses em algum passeio de iate pelo Mediterrâneo.

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