Tag Archives: praia

Oporto em imagens

Oporto, por Mari Ordine.

Deixe um comentário

Filed under Porto

Eu na praia (?!)

Falei de Matosinhosno post de ontem e então lembrei de um vídeo muito popular que circulou por aqui. Não sei bem a que serve, mas alguém postou no YouTube, um passou para o outro, apareceu na tv, fizeram sátiras em programas de humor… Enfim, todos os portugueses – ou pelo menos a maioria dos jovens – já assitiu a esses 38 segundos sem nexo.

Posto para informar os brasileiros qual o motivo para rir quando alguém gritar “Buenos días Matosinhos” 🙂

]

1 Comentário

Filed under Vida Portuguesa

K.G.

E de repente chega o dia em que Kelly Guimarães parte dessa pra melhor – quero dizer, momentaneamente melhor. Abandona a malta em pleno inverno europeu e cruza o Atlântico em busca de sol, praia, cerveja e gajos bronzeados – se bem que pelas bandas de lá arranjam-se apenas guris, moços ou rapazes… gajos só em Portugal!

Lembro-me do primeiro dia que a vi, no quinto andar da reitoria sentada no chão. “Are you brazilians?”, eu perguntei. Nem precisei esperar a resposta. O sorriso gaúcho da Josi e a simpatia mineira do Vini logo revelaram a nacionalidade. O Felipe, que mais tarde virou meu companheiro de casa, me olhou com o canto dos olhos e fez que sim com a cabeça – típico dele, mas, até então, eu não sabia. A Kelly mal prestou atenção em mim. Nem tirou o fone do MP3… – que ódio que eu tenho de gente que prefere tecnologia à bate-papo real.

Enfim, geralmente eu costumo agradar mais as pessoas que não gosto, pois sinto que meus amigos de verdade não se importariam se eu os mandasse tomar no cu ou calar a boca. Encontrei com a Kelly no dia seguinte. Dessa vez, no corredor da sala da Susana Fragoso, responsável pela mobilidade dos estudantes das Ciências. A convidei para a almoçar – custava nada! Eu precisava de compania e tinha esperanças que aquela cara de cu não fosse sua expressão diária.

Rabugentismo desfeito, Kelly Araújo Guimarães logo se tornou minha melhor amiga, meu bichinho de estimação, professora, aluna e enfermeira. A chamo de mãe, mas na verdade ela está mais para irmã – a não ser que tenha tido filhos no jardim de infância… mas não é o caso! Já dormimos no mesmo quarto e hoje apenas uma parede fininha nos separa.

Kelly Araújo Guimarães, mais conhecida como K.G.

Ela é do tipo que não sabe falar baixo e chama atenção quando sobe no palco (da Gare!). Adora o Algarve, mas acho que isso se deve ao fato da região ser costeira, por isso arriscaria dizer que a paixão dela é por praias em geral. Kelly é autora de frases como “deixa a menina trabalhar” e “dá pra fazer”. Reproduz também as famosas como “vamô bebê porque amar tá difícil”.  

Hoje K.G. está no Brasil aproveitando o verão. Eu fiquei sem compania para matar o tempo vago. Apesar disso, creio que a distância seja saudável. É bom sentir saudades – principalmente das pessoas que posso mandar tomar no cu e calar a boca via messenger 🙂

6 comentários

Filed under Vida Portuguesa

Europa, 11 meses

Ontem, dia 28 de janeiro de 2010, completei onze meses de vida portuguesa. Entretanto, me gabo em dizer que conheci a Europa – ou pelo menos boa parte dela – em minha estada por essas bandas. Tudo começou em um sábado cinzento. Céu nublado, chuvinha fina e temperatura baixa o suficiente para causa dor de garganta instantânea. Fui ao Pingo Doce naquele dia. Conferi os preços. Onze meses depois, o litro da Coca-Cola ainda custa a mesma coisa.

Onze meses depois, o litro de coca-cola ainda custa 0,89 euro

Em maio, fiz minha primeira viagem “de verdade”. Antes havia ido somente à Guimarães, a 40 quilômetros do Porto, mas nem conta. O destino: Sul de Portugal. Foi lá que me senti Erasmus pela primeira vez. Antes, eu estava como estudante de mobilidade acadêmica, oriunda do Brasil, rodeada por gente do mesmo tipo. Depois daqueles quatro dias, minha percepção mudou. Foi aí que a vida boa começou.

Italiano sem-nome, Algarve: A pessoa vai pra balada, dorme na praia e às quatro da tarde ainda continua lá...

A temperatura começou a esquentar, e as festas pareciam se emendar. Apesar disso, fui a todas as aulas. Meu nome está assinado na lista de presença em 100% dos quadrinhos de todas as disciplinas. As praias de Espinho e Matosinhos foram só o início do melhor verão da minha vida, o tal “summer of ’09”. Perdi as contas de vezes que passei pelo Piolho ou que fui aos copos na Ribeira.

A 20km do Porto, o comboio até Espinho custa cerca de 2 euros

As férias de verão me possibilitaram visitar os amigos Erasmus do leste. Caminhei muito, mesmo com um tal de problema no pé. Peguei um vírus, que formou um calo e se alastrou por toda planta do pé. Coisa horrorosa, que só curei um mês depois do retorno, em outubro. Posso dizer que começou a doer mais por causa dos sapatos fechados. Finalzinho de ano próximo é sinônimo de baixa no termômetro.

Em algum lugar do leste Europeu...

Em 11 meses, vi gente beber e ficar ruim. Assisti grupos estrangeiros enlouquecidos sem que tenham ingerido álcool. Ajudei turistas com informações. Trabalhei, pedi demissão e achei trabalho novo. Fiz trabalho até às 4 da manhã na faculdade. Acordei cedo, dormi cedo, mas fiz o contrário também. Uma vez adormeci por 18 horas contínuas e, quando acordei, não acreditei que o dia tinha mudado. Molhei os pés no Atlântico Norte e mergulhei no Mar Mediterrâneo. Assisti a muitos pôr-do-sol. O sol aqui morre mergulhando no mar.

As farmácias portuguesas têm letreiros informativos

Fui à Polícia, relatar a história de um cão que estava preso em um carro há uma semana. Me molhei na chuva e caí em poças da água. Aliás, teve carro passando em poça da água e sobrou para mim! Conversei com os amigos pelo Skype, enviei presentes pros meus pais e continuo a adorar liquidações… Escutei bronca de vizinho, estreitei amizades do primeiro semestre e conheci meu namorado sentada de pijamas numa fonte.

Depois da denúncia, o carro e o cão sumiram!

Nesse meio tempo, o Pingo Doce – aquele supermercado onde fiz minha primeira compra – criou um novo jingle. Teve até adaptação para o período de Natal: “Vai no Pingo Doce de janeiro a janeiro, o preço é sempre baixo no Natal e o ano inteiro”. Aliás, final de ano é época de aniversário para mim. Comemorei 23 anos com frio e chuva. Uma experiência, no mínimo, diferente…

Aniversário com doces portugueses, e vela improvisada!

Diferente também foi meu ano novo. Neve. Muita neve. Um boneco de neve de um metro. Fiz sozinha. Tinha até nome… Josef! Agora, aguardo ansiosamente o verão brasileiro, enquanto realizo a mudança de lar. Quinta residência em onze meses. Aqui, o bicho sempre tá pegando – vovozinha gritando, nenenzinho chorando, cachorro latindo…

O orgulho da mamãe 🙂

Deixe um comentário

Filed under Europa, Vida Portuguesa

Zezé Camarinha

Zezé Camarinha se intitula como “o último macho man português”. Fiquei sabendo de sua existência em uma aula de Geografia Urbana. O professor dispôs a segunda parte da aula para reunião de grupos sobre um trabalho. Um colega português me contou sobre o gajo: “Já ouvistes falar de Zezé Camarinha, o comedor de inglesas do Algarve?”, disse ele.

Fui ao Algarve duas vezes no ano passado. Talvez eu seja ingênua demais para crer na existência de michês no século XXI. Mas, dizem que Zezé Camarinha não cobra pelos serviços. Ele “trabalha” como acompanhante de estrangeiras no verão. Elas o pagam  hotel, restaurante e passeios. Ele desfila com elas de sunga pelas areias do sul de Portugal. 

Parece que tudo começou há um tempo atrás, quando ele era mais jovem. Hoje, deve ter pelo menos 40 anos. Inglesas vinham com a fotografia a procura de Zezé Camarinha. Indicação de amigas, que passaram as férias em sua compania. Segundo consta, Zezé só pega gringa, nada de portuguesas! 

O mais interessante da história é que seu inglês é péssimo. Ele inventa palavras, misturando idiomas. Apesar disso, deve se fazer compreender, pois angariou fama nacional e internacional. Depois de ser o garoto-propaganda dos gelados Olá – ou sorvetes da Kibon, no Brasil -, agora estrela o comercial de um instituto de inglês, o Wall Street.

O último macho man português estrela comercial do Wall Street Institute

Com a chamada “Camone and learn English”, Zezé espalha sua lata pelas ruas de Portugal. Aqui no Porto, vi dezenas de publicidade em paradas de autocarro, estações do metro e jornal. Talvez ele também esteja na tv ou no rádio, mas sobre isso não tenho informação. Só sei que hoje cedo recebi um e-mail da tal escola de inglês convidando a 15 dias de aulas grátis.

3 comentários

Filed under Portugal, Vida Portuguesa

¡Vale tudo!

Em Barcelona é permitido andar pelado. Seja na areia praia ou no meio da rua, ninguém irá pedir para colocar a roupa. Diz a lenda, que a cidade mudou completamente após as Olimpíadas de 92. O metro foi ampliado, as ruas revitalizadas e o caldeirão turístico começou a ferver.

Pode-se andar nu, mas é proibido beber na rua. A venda de bebidas também é ilegal. Apesar disso, milhões de latinhas ornam qualquer paralelepípedo da zona central. Os ambulantes oferecem aos gritos “cola, fanta, cerveza” e sussurram “haxixe, marijuana”. Se há sinal de polícia, todos somem, e os produtos são armazenados nos bueiros.

Por dentro da cidade

A Sagrada Família continua em construção. Vale a pena ir ao portão fotografar, as dizem que pagar os €8 de entrada é tolice.

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

O Park Güell decepciona. A areia no chão lembra um deserto e levanta poeira. Os lendários bancos de Gaudí tornam-se pequenos na imensa clareia pela qual se estendem. Parece que falta alguma coisa. Vai ver é porque ele faleceu antes de acabar o trabalho. Apesar disso, os azulejos recortados reluzem. A mistura de cores é perfeita, pois parece calculada. Azul, amarelo, verde, laranja e branco na medida certa.

Os famosos azulejos de Gaudí

Os famosos azulejos de Gaudí

Todos querem meter a mão na boca do lagarto, logo na entrada. A água atrai as peles secas, que suam com os úmidos 30 e poucos graus. Uma dica válida é entrar por trás do Parque, parando na estação de Valcarca. Dessa forma, poupa-se o trabalho de subir uma lomba de 1 km, pois algum santo homem construiu escadas rolantes para evitar a fadiga.

Em La Rambla tem de tudo. Camelô, artistas de rua – Ronaldinho treina embaixadinhas lá todos os dias -, prostitutas que puxam possíveis clientes pelo braço, terraças, promoters distribuindo flyers e gente. Muita gente. Nos dois sentidos da calçada, por todos os lados e de todos os idiomas.

Portvell é apenas uma cambada de lanchas estacionadas. Os mastros brancos reunidos formam um bom cenário para fotografias e a calçada à margem guia até à praia. Barceloneta é a mais conhecida. Centenas de chinesas oferecem massagens por cinco euLos. Provavelmente elas não têm curso para isso, e a sessão de quinze minutos é um verdadeiro quebra coluna.

Orgulho da cidade, o Bairro Gótico enche os olhos, ouvidos e a imaginação, se a visita for guiada. Prédios antigos, ruelas estreitas e história por todos os lados. Guias locais oferecem serviço por gorjetas – aliás, esqueci de pagar algo ao meu. O tour é inglês, dura três horas e é a melhor coisa que se pode fazer para conhecer bem Barcelona. George Orwell tem uma praça com seu nome vigiada por câmeras. Buracos registrados nas paredes das igrejas recordam fuzilamentos. Postes de diversas ruelas escoravam prostitutas em séculos passados, quando a cafetinagem era disfarçada por ser ilegal.

Igrejinha amigável essa :P

Igrejinha amigável essa 😛

No meio da Plaza Real há dois postes vermelhos. Presentes de Gaudí – talvez a única coisa que ele tenha aprontado antes de partir. O chafariz central foi cenário da “Roda do Mundo”, brincadeira de um grupo de italianos que conheci.

Toni se casaria em duas semanas. Os amigos de Reggio Calábria se reuniram em Barcelona para a despedida de solteiro. Toni, o imperador da noite, se vestiu de sereia. Peruca loira, saia e top lilás. Dezenas de pessoas estavam sentadas nas bordas do chafariz. Fomos o início da roda. Em poucos segundos, juntaram-se americanos, africanos, asiáticos e europeus. Até a Oceania se fez presente. Após a brincadeira, a polícia chegou. Mas, antes disso, Toni nadou na fonte.

¡Vale, vale!

Bem que a capital cataluña gostaria de se separar da Espanha. Até a língua lá é diferente. O catalão é uma mistura de castellano, o espanhol que se aprende na escola ou em cursos, com francês. Se bem que na Espanha isso é comum. Galícia, Andaluzia e o País Basco, por exemplo, também falam idiomas que só lembram o tal “espanhol de verdade”.

Catalão é mistura de castellano com francês

Catalão é mistura de castellano com francês

Meu host em Barcelona foi um couchsurfer. Argentino de nascença, mas com pai espanhol, Catriel me cedeu o quarto de visitas de sua casa. Ele mora com uma menina do País Basco, uma das chicas mais guapa que já conheci na vida. Todas as vezes que eu hablava com ela, o diálogo acabava em vale, vale, talvez a palavra/expressão favorita dos espanhóis.

Há nove anos na cidade, o sorridente Hermano é publicitário. Gastei algumas horas de minhas manhãs – regadas a mate com mel – a debater sobre as diferenças entre América e Europa. Na opinião dele, os latino-americanos aproveitam mais a vida européia. Eu concordo. Aqui é fácil arranjar trabalho e fazer dinheiro rápido. Além disso, desfrutamos das belezas dos lugares muito mais que os nativos, pois nada nos é blasé.

4 comentários

Filed under Europa

Férias?

A vida dá voltas, tudo fica uma correria e o mundo parece um caos. Calma, Fernanda! São só as férias. Depois de três semanas intensas de festas de despedidas – por que todo mundo não vai embora no mesmo dia e faz uma festa só? -, comecei a arrumar meus pertences para a mudança de lar. Vou morar na tal República Sempre Cabe +1, fundada por meus amigos ouropretanos, e que agora mantém somente o Igor “Dentinho” como morador remanescente.

A fim de desestressar, decidi viajar ao Algarve. São só três dias em Portimão, mas vai dar tempo de pegar uma cor, esfriar – ou esquentar? – a cabeça no sol e esparecer, literalmente. Percebi que meus problemas estão mesmo no Porto: Malas semi-feitas, lixo e mais lixo, apartamento para limpar, contas para pagar, check-in online e roteiro de viagem a fazer… e por aí vai. Pior de tudo é que não tenho nem lista de afazeres. O mais importante é a mala da viagem, o cabelo cortado e a sombrancelha em ordem.

Como disse minha amiga Nina, o que eu esquecer, dá pra comprar no caminho. Em Madrid e Barcelona também existem civilização e coisas para vender. Em Bratislava pode ser mais complicado – o lado leste é mais esquisito -, mas fico pouco tempo lá. Em Brno tenho abrigo em casa de amigos. Viena e Praga entram e saem do meu roteiro todos os dias… ainda não tenho certeza se passo por lá. Varsóvia vou me forçar a ir, pois meu melhor amigo polonês prometeu dar uma de guia turístico por alguns dias. Wroclaw e Cracóvia também são opcionais, mas também valem visita.

Enfim, sábado de madrugada chego ao Porto, o findi está perdido e a segunda vai ser lou-cu-ra! Terça vou para o aeroporto a meia-noite, acampo lá e começo o tal mochilão na quarta, 19 de agosto, às 6h45min, se não me engano! As aulas começam dia 14 de setembro, mas eu não prestei atenção neste detalhe quando comprei as passagens. Só volto dia 23 de setembro. Paciência!

Deixe um comentário

Filed under Europa, Vida Portuguesa