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Surfistas de sofá

Sou membro do Couchsurfing há pelo menos 5 anos. Só tive boas experiências com o projeto. Tenho dezenas de histórias para contar e também já ouvi um bocado sobre as experiências de amigos e conhecidos.

A primeira vez que usei o site mesmo a sério foi em 2007. Eu planejava uma viagem ao Rio de Janeiro no verão de 2008 e decidi fazer alguns amigos cariocas antes do embarque. Conheci o Flávio, a Bianca e a Ane. Mantenho contato com eles até hoje via Facebook.

Algum tempo depois, encontrei-me em Porto Alegre com dois peruanos que estavam a viajar pela América Latina há seis meses. Eles estavam percorrendo o Brasil pegando carona com caminhoneiros na estrada. Mal tinham dinheiro para comer – muito embora tivessem o suficiente para gastar com bebida a se emborrachar. Levei-os a um bar da minha cidade, um dos mais baratos que eu conhecia na época. Ouvi boas histórias naquela noite, e guardei para mim um conselho: “Visite Bogotá, mas não vá a Lima.” Talvez um dia eu faça isso 🙂

Mas é claro que foi na Europa que eu tive as maiores experiências. Aqui no Brasil (e isso se aplica a toda América Latina, África e parte da Ásia), as pessoas são mais desconfiadas com esse tipo de coisa. Como vou colocar uma pessoa que nem conheço dentro da minha casa? E se me roubar, sequestrar, matar enquanto durmo? Enfim, os terceiro-mundistas temem mais quanto a segurança, e eu me incluo nisso. Acho mais fácil surfar no sofá alheio se estiver no hemisfério Norte.

Decidi começar a receber pessoas depois de quatro meses morando em Portugal. Encontrei com alguns CS’s antes disso, apenas para um meet for coffee or drink. No entanto, eu não estava apta a receber qualquer um que quisesse usar minha casa como dormitório. O interessante do Couchsurfing é a troca. Realmente conhecer alguém que possa fazer alguma diferença na sua vida – nem que isso se resuma a apenas alguns dias saindo da rotina.

Em meio às mensagens da minha inbox, simpatizei com uma polaca, oriunda de uma cidade a qual eu não sabia pronunciar o nome corretamente, mas hoje me orgulho de ter aprendido: Wroclaw (não se lê “vrôclau”, mas sim “vrôtzlav”!). Asia tinha fotos engraçadas no perfil. Chegou ao Porto no início do verão de 2009, acompanhada do namorado e do filho dele, uma criança de cinco anos (sim, eu recebi uma criança de cinco anos em casa e não a matei!)

Pediram inicialmente para ficar três dias, que viraram cinco e se transformaram em 1 semana. Depois, seguiram para o sul de Portugal, retornando novamente para a minha casa após algumas semanas.

Tive alguns outros hóspedes naquelas primeiras semanas do verão, até que, em julho de 2009, fui eu que comecei a surfar no sofá alheio.

Com algumas dificuldades, arrumei um couch em Barcelona (a Asia me ajudou recomendando algumas pessoas que tinham respondido a ela na época em que viajou pra lá). Fui a primeira hóspede de Catriel, um argentino que morava há algum tempinho na Catalunha. Ele trabalhava como ator e vivia num apartamento daqueles bem antigos, pertinho do centro de Barcelona. Tinha uma companheira de casa que era do país basco e se referia a mim como “chica guapa”. Não lembro o nome dela. Só sei que é uma das mulheres mais bonitas que conheci na vida, apesar de ter a cabeça raspada (se bem que dizem por aí que essa é a melhor maneira de saber quem é verdadeiramente belo: tirar-lhe os cabelos!).

Como o apartamento tinha três dormitórios, fiquei com um quarto só para mim. Não posso dizer que foram as melhores acomodações do mundo, mas tinha uma cama com lençóis limpos e uma sacada que não conseguia acessar porque a porta estava emperrada, além de milhares de sacos plásticos e entulhos espalhados por um armário que estava caindo aos pedaços.

Infelizmente Catriel havia quabrado o pé dois dias antes de eu chegar, portanto não pôde me mostrar a cidade. Apesar disso, me deu alguns mapas de Barcelona e me explicou os pontos imperdíveis. Combinamos pela Internet que eu ficaria por três noites, mas acabei ficando uma a mais – claro que perguntei a ele e a basca se poderia, e lembro que ela disse: “Sí, sí guapa, claro que sí.”

Eu e Catriel, que insistiu em posar com a cortina do apê

Em Barcelona encontrei pessoalmente com Pierre, CS da parte francesa do Canadá. Ele havia me enviado uma mensagem pedindo pouso no Porto. Informei a ele que estaria em Madrid e depois iria Barcelona, por isso não poderia hospedá-lo. As datas de nossa viagem coincidiram, e decidimos nos encontrar em Barcelona. Comemoramos seu aniversário juntos, jantando paella em algum dos restaurantezinhos perto da Rambla.

Aliás, mantenho contato com o Pierre até hoje. Atualmente ele está vivendo em Paris, num pequeno apartamento perto do Moulin Rouge, segundo me informou.

Com Pierre em Barceloneta

Foi uma colega de Faculdade que me indicou um couch na Áustria. Apesar de dizerem que Viena é um dos lugares mais fáceis para descolar um, tive dificuldades. Steffanie me passou o link do perfil da Kathalena, amiga de sua irmã.

Algumas trocas de mensagem depois, Kath me passou as indicações de como chegar a sua casa tim-tim por tim-tim. Combinamos que eu estaria lá por volta das 17h, o que não aconteceu. Acabei demorando mais do que o esperado em Blatislava (minha cidade preferida na Europa!) e peguei o ônibus mais tarde. Nesse dia, eu não estava sozinha, mas sim com meu amigo polaco Karol, que conheci em Erasmus.

Enviei uma mensagem a ela avisando que chegaria atrasada, por volta das 20h. E foi mais ou menos isso que aconteceu. Lembro que saímos do ônibus e pegamos o metro em direção a casa dela. Saímos na estação correta, seguimos as indicações que ela havia passado (caminhar duas quadras e virar a esquerda). Mal estávamos na esquina, e a vi sentada na janela de casa nos esperando. A primeira coisa que ela disse foi: “You are late and I don’t like people who are late.” Subimos. Ela nos recebeu na porta, pediu que tirássemos os sapatos, me deu a chave do apartamento, explicou como eu alimentava o gato, como ligava o chuveiro e disse para eu não comprar comida, pois ela tinha o suficiente em casa. Já estava quase fechando a porta de casa, quando retornou: “Vou dormir na casa do meu namorado, fiquem à vontade.” Eu e Karol tivemos nosso próprio apartamento em Viena por duas noites.

"Nossa" cozinha em Viena

Eu nunca tinha pensado em conhecer Wroclaw. Aliás, eu nem sabia que essa cidade existia antes da Asia aparecer na minha vida. Decidi que poderia visitá-la no caminho para Varsóvia, afinal o trem passaria por ali e custava nada ficar por uns dias. Enviei mensagem a ela para dormirmos no apartamento do seu namorado, pois ela vivia com o pai e eu estava viajando com o Karol.

O namorado da Asia nos passou um número de táxi para quando chegássemos na cidade – o trem passava por Wroclaw às 4 da matina, então não haveria ônibus. Acontece que há dezenas de táxis na Polônia que não são mesmo táxis, ou melhor, são clandestinos. O número que tínhamos era um desses, que, segundo o que nos informaram, seria mais barato.

Confesso que tive um pouco de receio, mas como o Karol é polonês não me pareceu tão mal assim. O táxi marcou conosco no posto de combustíveis ao lado da estação de trem. Ficamos meio de “tocaia”, pois o plano era esperar o motorista estacionar, “dar uma conferida” se parecia boa gente e só então embarcar. Como eu estou viva hoje para contar a história, presume-se que nada me aconteceu naquela madrugada. Enfim, o “esquema” é mesmo tranquilo, e nos custou cerca de 6 euros por quase 15 minutos de corrida. Bagatela. O “taxista” nos contou que o carro tinha placa francesa, pois é possível comprar usados muito baratos por lá, o que vale a pena para o pessoal do leste europeu.

Eu, Asia, namorado da Asia e filho do namorado da Asia de lancha nos canais de Wroclaw, a cidade das ilhas

Na virada de 2009-2010, participei do CouchSurfing Winter Camp em Budapeste. Foi o melhor Ano Novo da minha vida (até hoje!). Tivemos algumas atividades com o grupo, e duas festas bem legais. Numa dela, cada pessoa trazia uma bebida de seu país – eu tive que levar os ingredientes da sangria portuguesa, pois não havia cachaça disponíveis nos non-stops húngaros.

Desde agosto de 2011, o Couchsurfing deixou de ser uma organização sem fins lucrativos. Acho mais do que justo. As pessoas que organizam essa corrente devem sim receber por conta disso. As boas iniciativas do mundo também devem ser bem recompensadas.

Costumo recomendar o site para quem sai de intercâmbio, mas sempre alerto para estarem cientes da real função do projeto. Mais do que um lugar para dormir “de grátis”, o CS é uma troca de experiências. Para manter a ideia ativa, é importante que os indivíduos cadastrados zelem de verdade por essa iniciativa. Sou defensora ferrenha dessa ideologia, e recomendo àqueles que querem apenas economizar na viagem que procurem um hostel baratinho.

E para os que acham uma experiência perigosa, #ficadica do vídeo abaixo, que está na capa do site novo.

E falando em perigo…

Minha amiga Gabriella viajou com mais cinco amigos a Amsterdão. Eram 3 meninas e 3 meninos. Ficaram na casa de um couchsurfer que morava sozinho. Dormiram os seis na sala do apartamento do cara, que era “muito gente fina”, segundo ela me contou. Ele inclusive pagou pizza para eles na primeira noite.

No segundo dia, eles descobriram algo estranho na geladeira. Um pote, com um líquido que parecia sangue e algumas coisas boiando dentro. Mexeram um bocado, sacudiram e decidiram abrir. Era uma orelha humana. Em outro pote havia dedos humanos.

Os seis então fizeram uma pequena reunião e decidiram ir embora na mesma hora. No entanto, estava frio e escuro. Além disso, a casa ficava um bocado longe do centro, e eles não sabiam se haveria transporte até lá. Também não sabiam se os hostels teriam vagas. Então mudaram de ideia: dormiriam mais aquela noite por ali mesmo e saíram bem cedo no outro dia.

A porta da sala onde eles dormiram não tinha chave. Eles então empilharam as mochilas em frente a porta, para dificultar o acesso, caso o então assassino holandês decidisse cortar partes dos seus corpos durante a noite…

Mas é claro que isso não aconteceu! Apesar disso, Gabi e os outros devem ter passado por verdadeiros momento de tensão hehe

Mais tarde, quando o dono da casa chegou, alguém tomou coragem e acabou por perguntar o que tinha naqueles potes. O holandês contou que era maquiador – ou algo assim – e disse ter essas “partes humanas” (que eram de mentirinha) na geladeira para assustar as meninas com quem passava a noite. Pela manhã, pedia a elas para irem buscar água na geladeira. A mulher abre a porta e vê potes com dedos ou orelhas boiando. O que faz? Vai embora na mesma hora, sem dar explicações ou causar desconfiança… ninguém vai arriscar a sorte com um estripador.

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Aniversário, Natal e Ano Novo longe de casa

Eu sempre fico muito agitada nos dez últimos dias do ano. No 21 comemoro meu nascimento. Em 25, é a festa do nascimento de Jesus. Na noite do 31, nasce um novo ano. É um bocado de coisa para comemorar em apenas dez dias! Fico até mais-agitada-que-o-normal nesses dias…

Nos últimos dois anos (2009 e 2010), comemorei aniversário, Natal e Ano Novo longe de casa. No primeiro ano foi um pouco estranho. A gente nunca sabe muito bem o que fazer ou como comemorar. Mas acho que isso é trauma de primeira vez. Depois dá para encarar tranquilo a sensação de peixe-fora-do-aquário-longe-da-família-e-dos-amigos.

Sempre faz calor no meu aniversário. É o dia de maior insolação no Hemisfério Sul do planeta Terra, ou seja, temos pelo menos 14 horas de dia claro. É solstício de verão, marcando o início da estação mais quente do ano. Bom, pelo menos, era essa a imagem que eu sempre tive antes de viver na Europa.

Em 2009 fiz um diário fotográfico do meu aniversário por dois motivos. Primeiro pelo simples registro da comemoração diferenciada da data que eu mais gosto no ano. Segundo para postar aqui no blog como parte da minha experiência de vida em Portugal.

Em 2010, comemorei meu aniversário só porque meu amigo André insistiu. Eu tinha dois trabalhos (um no shopping e outro num hostel), mas as aulas na faculdade já tinha entrado em recesso de final de ano. Fui comer uma Francesinha com os amigos a noite, num restaurante na Boavista. Minha amiga Alice fez meu bolo (aliás, ela é a melhor fazedora-de-bolos-de-aniversário que eu conheço!). O jantar foi rapidinho, pois eu tinha que acordar cedo no dia seguinte, mas valeu a pena.

Eu tinha esquecido da câmera fotográfica quando saí de casa de manhã, então liguei para minha amiga Tati levar a dela. Tiramos algumas fotos, só para gravar o momento mesmo. Eu pedi a Tati que me enviasse as fotos diversas vezes, e nada! Até que ontem, dia 21 de dezembro de 2011, eu pedi novamente. Aliás, ontem foi meu aniversário (de novo!) então ela poderia fazer um esforço e me enviar as fotos como presente.

Filipe, eu, bolo da Alice e André. Obrigada pela foto, Tati 🙂

Meu primeiro Natal em Portugal pareceu mais com “uma festa na casa de alguém”. Cada um levava sua bebida (e, nesse caso, algo para comer). E pronto, foi isso. Conheci algumas pessoas, conversei com os amigos e comi um bocado. Em 2010, passei o Natal na casa dos meus sogros. Foi uma experiência diferente, especialmente pela comida. Ao invés de peru, tivemos algum fruto do mar (lulas, se não me engano). No entanto, achei melhor passar a noite com uma família, pois acho que esse é o verdadeiro sentido do Natal – mesmo isso parecendo um pouco piegas talvez… Enfim, ganhei presente e tudo do Pai Natal (leia-se “minha sogra” hehe).

Natal de 2009 com conhecidos e nem-tão-conhecidos-assim

O Natal de 2009 foi espetacular. Conheci meu namorado em outubro (na época, obviamente, ele não era meu namorado, mas sim um desconhecido). Enfim, o tal desconhecido logo me convidou para ir viajar no Ano Novo para Budapeste. Eu fiz cara de “você-é-doido-acabou-de-me-conhecer”, mas acabei aceitando (vai ver porque eu sou doida também).

Em Budapeste faz MUITO frio no final do ano. FRIO FRIO e FRIO. Foi lá que eu vi neve pela primeira vez – foi pouquinho, mas eu me recordarei pra sempre! Apesar da sensação de freezer, as pessoas saem a rua para assistir shows em palcos montados em praças. Há centenas de barraquinhas vendendo perucas e outros acessórios coloridos. Algumas outras barraquinhas vendem vários tipos de comidas e bebidas. As lojinhas non-stop ficam non-stop de gente entrando e saindo. Foi bem legal 🙂

Em Budapeste no último dia de 2009

Em 2010, passei o Ano Novo no Porto. Um pessoal do couchsurfing estava a enviar convites para uma festa no quarto andar de um prédio semi-abandonado no centro do Porto, na avenida dos Aliados. Lá de cima dava pra ver toda a multidão aguardando pelos fogos, que saem por detrás e do topo da Câmara do Porto. Foi legal também.

Acho que Ano Novo na Europa é tudo de bom. Talvez o Natal não seja tão bom assim porque se está longe da família… Comemorar o aniversário longe de casa também é algo do qual não sou muito fã. Gosto de reunir meus amigos todos e não só parte deles. O que posso dizer dessas experiências? É que na segunda vez é muito melhor 🙂

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As tomadas europeias

Uma das coisas que sempre me preocupou foram as tomadas estrangeiras. Como vou usar chapinha, secador de cabelo, carregar o celular ou a bateria do computador sem o adaptador adequado?

Não é sempre que a gente acha esse tipo de informação pesquisando no Google (na verdade, até acha, mas nem sempre a fonte é 100% confiável e fica sempre uma pulguinha atrás da orelha…).

Que a eletricidade é fundamental todo mundo sabe, o problema é quando não temos a informação necessária para poder utilizá-la em outro país (e daí corre todo mundo atrás de adaptador em uma lojinha de 1,99, camelô, chinês, árabe e etc hehe).

Eu já tinha feito um post sobre as tomadas portuguesas aqui no blog, mas hoje topei com essa imagem e achei bacana compartilhar.

A típica tomada portuguesa é a terceira (da esquerda pra direita) na segunda linha

Importante lembrar ainda que a voltagem padrão na Europa é 220. Cuidado para não queimar secadores 110!

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#ficadica: Aviso aos novos navegantes

Está aberta a temporada de perguntas-e-respostas, dúvidas infinitas e ansiedade ao extremo no Facebook dos brasileiros futuros intercambistas da Universidade do Porto. Tudo começa com a espera pela carta de aceite (a minha chegou 1 mês antes do embarque!). Depois que a UP te aceita, inicia a loucura atrás de passagem + seguro saúde + visto. Se o estudante solicitou alojamento acadêmica e não conseguiu, mais uma preocupação: Onde eu vou morar? É confiável alugar pela internet? Não seria melhor ficar alguns dias num hostel e procurar pessoalmente?

Pois, não existem respostas claras e diretas para todas as perguntas. O medo e a ansiedade fazem parte do jogo: O que seria da montanha-russa sem o friozinho na barriga?

Cada pessoa vai descobrir a melhor maneira de se preparar para o intercâmbio. E hoje em dia isso fica ainda mais fácil e rápido com a Internet. Existem várias blogs sobre o assunto (esse é o melhor hehe!), além de comunidades no Facebook com gente disposta a ajudar.

Recomendo uma boa espiada nos tópicos já discutidos em Porto 2011, no grupo da Brasup e na página da Brasup no Facebook. O site da Brasup (associação da qual eu fazia parte) está desatualizado. Falta colaboração DE VERDADE e grana (pois, esse é um problema difícil de sanar visto a crise europeia!). No entanto, algumas dúvidas ainda podem ser sanadas lá dando um vista de olhos nos posts antigos e perguntas frequentes.

E como eu sou total apoiadora da venda do meu próprio peixe, não posso deixar de recomendar a página do Vida Portuguesa no Facebook. Além da atualização dos posts direto na sua wall, sempre estou colando algum link ou informação relevante sobre o Porto, Portugal e Europa.

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O fim do subsídio desemprego em Portugal

Foi só digitar o nome “Ferraz da Costa” no Google que o resultado foi uma infinidade de notícias relacionadas a cortes de salários, funcionários públicos trabalhando mais por menos, apoio às medidas da troika e pessimismo em relação ao novo governo. Enfim, o economista parece achar (pelo menos, segundo meu entendimento) que a competitividade portuguesa está associada a desconforto: O povo precisa sofrer para que o país reaja à crise. E daí eu me pergunto: E qual a parcela de culpa do povo português (ou europeu, pois parece que o bicho vai pegar cedo ou tarde para todo mundo) nessa crise econômica?

Foi um ex-colega do curso de Geografia que recortou e me enviou a matéria de jornal abaixo. Em um primeiro momento, até me assustei. É muito mal para acostumados com dois anos de seguro-desemprego não poderem contar mais com o benefício (ok, há algum tempo que o benefício já não corresponde a dois anos, mas sim a 1,5). Nunca tivemos possibilidade de um seguro-desemprego tão longo cá no Brasil. Aliás, no ano passado diminuíram ainda mais o auxílio a quem é presenteado com um desligamento (uma forma amigável de dizer demissão!). O máximo que se consegue por aqui são cinco meses de auxílio… e olha que somos emergentes (isso equivale a ser chic? hehe).

É só clicar na imagem que ela amplia e dá pra ler a matéria!

Me licenciei em Geografia pela Universidade do Porto em julho desse ano. Tive a felicidade de aprender imenso com meus colegas portugueses sobre a história mais atual do país. Uns me contaram como eram as coisas antes do euro, outros compartilhavam suas experiências práticas com a crise e até mesmo os professores me relataram por que plano de carreira em funcionalismo público é lenda em Portugal. E é claro que eu me indignei com certas situações e relatos, mas, ao mesmo tempo, eu sempre olhava para eles como quem olha para pupilos novatos. Se um português quer mesmo saber o que é crise, que venha viver no Brasil.

Mas viver mesmo a sério: Prestar vestibular para faculdade pública, encarar ônibus fora de horário, sempre atrasado e em paradas de ônibus (leia-se “paragens de autocarro”) que se resumem a uma plaquinha pregada num poste (ou seja, se chover tá tudo lascado!). Os portugueses (e insisto em convidar gregos, espanhóis, italianos e irlandeses) que venham reclamar da troca da moeda num país que já experimentou isso sete vezes antes do Plano Real. Aliás, duvido alguém ter coragem de discutir crise com um povo que teve suas poupanças bloqueadas pelo próprio presidente em época de inflação e instabilidade. Ah, mas europeu não sabe direito o que é inflação, né?

Há a opção de pesquisar no Google o sentido e uso da palavra inflação. No entanto, eu prefiro explicar na prática: Em fevereiro, comprei uma garrafa de Coca-Cola 2 litros por R$2,95. Em junho, a mesma custava mais de três reais. Hoje sai por quase quatro reais no mesmo supermercado que a minha família costuma frequentar. No início da década de 90, essa alteração brusca nos preços de mercado não era anual, trimestral ou mensal. Era diária. Aliás, às vezes, o preço mudava em questão de horas. Isso mesmo: Horas.

Mas os europeus não sabem o que é isso.

Meu único medo, nessa crise toda, é que a gente (sim, nós, brasileiros residentes no Brasil) se ferre ainda mais. Isso porque o mundo inteiro acha que o Brasil é o país do futuro, da próxima Copa e das Olimpíadas. Mas, na real, somos dependentes dos países ditos de Primeiro Mundo para sempre. E a crise que se alastra pela Europa e EUA vai chegar aqui, cedo ou tarde, e nos ferrar.

Mas, enfim, nós brasucas já estamos acostumados com essa vida difícil mesmo. Vamos tirar de letra. Não precisam se preocupar… (fui irônica, ok?).

E continuando com o relato sobre a vida no Brasil, convido os europeus que vivem a pior crise da História do Planeta Terra a se juntarem a nós na fila de hospital público, a experimentarem parir sem um plano de saúde ou insistirem que o Papai Noel (o Pai Natal português) traga algum presente de marca no dia 25 de dezembro. Tudo é caro no Brasil. Tudo custa dinheiro por aqui. É difícil pra caramba abrir os Classificados de Emprego do jornal e achar um trabalho que permita pagar aluguel, contas da casa, plano de saúde, colégio dos filhos, transporte, alimentação e segurança. Talvez eu esteja sendo boazinha usando o termo difícil. Eu quis dizer impossível.

Não existe milagre econômico por aqui. Balela. Eu caí nesse papo, troquei Portugal pelo Brasil e me sinto enganada.

Eu acho muito mal os cortes nos salários dos funcionários públicos portugueses, bem como o aumento nas tarifas de transportes públicos e diminuição de subsídios. Eu acho péssima a ideia de acabar com o seguro-desemprego no momento que talvez as pessoas mais necessitem dele, pois estão inseguras quanto ao futuro. Eu acredito que os portugueses estejam evidenciando algum aumento inflacionário nos produtos que sempre costumavam comprar. Também sou contra as privatizações que estão por acontecer em empresas nacionais portuguesas.

Mas, enfim, o que posso dizer sobre isso? Que sou nova, porém experiente no assunto.

Quando eu estava a cursar o primeiro ano do Ensino Médio, pagava R$0,65 no ônibus. Isso foi em 2001. Hoje, a passagem na mesma linha com o mesmo trajeto e distância custa R$2,70. A conclusão? Que eu posso ficar velha com uma certeza: Os preços vão sempre continuar a aumentar no Brasil. E quando a gente pensar que um milagre econômico vai estabilizar a coisa, estaremos sendo ingênuos. Os preços vão sempre aumentar no Brasil.

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O preço da comida portuguesa

Uma das dúvidas mais frequentes daqueles que estão indo viver ou turistar em Portugal é o preço da alimentação. Comer em restaurante é caro? Vale mais a pena fazer comida em casa ou almoçar nas residências universitárias? A comida deles é igual a brasileira ou muito diferente? Quanto custa 1kg de arroz?

Como diria Jack Estripador: Vamos por partes!

1) Há restaurantes para todos os gostos e bolsos. Dá para pagar 5 euros por entrada + sopa + prato principal + bebida no centro do Porto (e na capital Lisboa deve existir opções pelo mesmo valor). Uma das dicas é comer no O Perfume. A comida é ótima, o preço é justo (5 euritos) e ainda dá para almoçar com o rio Douro a janela 🙂

Se a intenção é comer num lugar mais chic, típico e menos dia-a-dia, sugiro o Tromba Rija. Foi eleito o melhor restaurante de Portugal várias vezes. Além disso, os turistas que se destinam ao norte de Portugal não devem deixar de provar as Francesinhas. Recomendo o Capa Negra, no Porto.

2) Uma possibilidade para os estudantes são as cantinas universitárias. Sopa, pão, prato, bebida e sobremesa por 2,15 euros (cantinas da Universidade do Porto). Além de unir a praticidade ao baixo custo, a comida é bem boa (e pode-se checar o cardápio da semana pela internet antes de encarar).

Para quem está na correria de estudos e não quer perder tempo indo ao supermercado, pilotando fogão e depois lavando louças, é prático e vale a pena comer nas cantinas. Por cerca de 40 euros mensais, pode-se almoçar 5 dias por semana na universidade. Depois, ao jantar, come-se qualquer coisa (sanduíche, pizza congelada ou lasanha que saem bem em conta também). E como final de semana é dia de comer uma coisinha um pouco melhor, os estudantes leitores desse blog podem buscar explorar a culinária portuguesa em um restaurante baratinho (“as tascas”).

3) A comida portuguesa é um pouco diferente da brasileira sim. Os portugueses comem mais peixe e MUITO mais carne de porco. A carne de vaca não é muito popular (e é um pouco mais cara que as demais). Outra coisa que não falta são frangos: Sempre muito temperados com piri-piri (pimenta!). A maioria dos pratos típicos portugueses contam uma História: A alheira (enchido português), a Francesinha e as tripas à moda do Porto são exemplos disso.

Não é costume comer feijão diariamente, mas quem quiser encontra facilmente nas prateleiras do supermercado (seja o saco de grãos ou o enlatado). Na casa das famílias portuguesas, a sopa é sempre presente antes das refeições, seja almoço ou jantar, no inverno e verão. Ao meu ver, os portugueses comem muito mais vegetais e verduras do que os brasileiros, e beeeem menos gordura. Batata-frita é algo que nunca se vai encontrar como refeição em Portugal (isso come-se no Mc Donalds!).

4) A comida no supermercado parece-me mais barata lá (Portugal) do que cá (Brasil). Eu já disse isso inúmeras vezes por aqui, mas, enfim: Volto a repetir! Eu gastava cerca de 25 euros semanais em compras no mercado. Para um estudante viver no Porto, o custo aproximado da alimentação mensal são 150 euros:

€ 25 / semana no supermercado = € 100
+ € 40 / mês na cantina da universidade = € 140

É claro que às vezes acaba-se gastando um pouco a mais, da mesma forma que é possível gastar bem menos do que isso. Creio que € 150 serve como valor médio para ilustrar a despesa mensal com alimentação em Portugal. Importante ainda destacar que esse valor pode modificar um pouco dependendo da cidade onde se vive, mas nada tão diferente assim.

Pedi a um amigo, o Felipe, que fotografasse alguns produtos a venda no Pingo Doce. O Felipe vive em Aveiro.

Pão de forma, leite, salgadinho de batata-frita e macarrão

O pão de forma custa € 0,85, um litro de leite por € 0,49, salgadinho de batata-frita (ideal para os momentos “não-quero-cozinhar-e-vou-comer-qualquer-lixo”) sai por € 0,49 também, enquanto o pacote de macarrão (tipo parafuso) custa € 0,65. O espaguete sai por € 0,39. Geralmente, estudantes costumam comprar produtos da marca do supermercado. É mais barato e a qualidade parece ser a mesma. Eu sempre fui fã dos produtos Pingo Doce e recomendo.

Pizza resfriada, yogurt, arroz e sangria

Famosos entre estudantes & mochileiros, congelados na Europa são baratinhos. A pizza resfriada custa € 1,99 (a congelada sai pelo mesmo preço e tem em diversos sabores). O potinho de yogurt é € 0,22 e o quilo do arroz custa € 0,74. Em Portugal existem alguns tipos de arroz branco. Eu nunca consegui cozinhar direito com tipo Agulha, um dos mais comuns na Europa. Ficava sempre todo colado, estilo “juntos venceremos” hehe. Aconselho o arroz Vaporizado, é o mais fácil para cozinhar. Não tem mistério! Recomendo ainda que nunca compre o arroz Carolino: Pode até ser o mais barato, mas é o pior de todos!

Para completar a pequena amostra da cesta-básica-do-estudante-em-Portugal, o Felipe fotografou ainda os garrafões de Sangria. Por € 1,49 compra-se 1,5 litros da bebida mais famosa de Portugal 🙂

E já que tocamos no assunto, vale ainda destacar aqui o preço do pack com 24 mini Super Bock (a cerveja mais famosa da terrinha!). Apenas € 10,99!

As minis da Super Bock são tããão bonitinhas

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Os cabazes do Pingo Doce

Descobri duas coisas interessantes, muito embora a segunda informação seja mais relevante (e surpreendente?) que a primeira:

1) O Pingo Doce tem página no Facebook! (clica aqui)

2) O Pingo Doce inventou uma nova maneira de vender seus produtos: Os cabazes (ou melhor, uma espécie de “cesta básica” em bom brasileiro!)

E tem cabaz de tudo quanto é coisa. O preço é sempre o mesmo: 10 euritos. O objetivo parece ser vender o kit pronto com economia para o consumidor (e para o Pingo Doce também né, pois devem estar pagando menos por aqueles produtos através de acordos com fornecedores).

Enfim, achei a ideia bacana e é uma pena que isso não existisse na época em que eu ainda estava pelas terras lusitanas.

Novos cabazes surgem a cada período de tempo (não sei ao certo a frequência), ou seja, nem sempre é o mesmo que você encontra disponível nas lojas. Acho que a ideia casou bem com a tal da crise que os portugueses reclamam que aderiram ao euro. Perdi a conta das vezes que escutei falarem que “no tempo dos escudos é que era bom”.

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