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Eu vorbesc română (ou não!)

A long long (long long) time ago, eu participei de uma excursão organizada pela ESN que chamava-se “Viagem ao Sul” (se você tiver a oportunidade, VAI!). Enfim, sem muitas delongas (pois o que importa nesse momento não é a história em si, mas uma curiosidade idiomática), dividi o quarto com duas romenas: A Andreea (com dois “ês” mesmo!) e a Petronela (cujo o apelido era “Petro”). Foi aí que eu percebi o quanto a língua romena se parecia com o português.

Elas conversavam entre elas EM ROMENO e eu entendia. Juro por Deus. É totalmente possível! As embalagens dos produtos que elas tinham, o nome das comidas, o jeito de mexer a boca ao falar, até mesmo o jeito de se expressar (um bocado com as mãos) eram muito similares ao “jeitinho” brasileiro.

Creio até que posso dizer que os romenos são mais parecidos com os brasucas do que os portugueses, e daí já não estou a falar somente da língua. Apesar disso, português e romeno têm origem latina, ou seja, mesma raiz.

Se você pensar um pouco e ler em voz alta, consegue entender "Cidadãos artomentados".

Espero que mais alguém (fora eu) lembrei do O-Zone. Trata-se de uma banda da Moldávia, que atualmente vive na Romênia (antes que alguém diga alguma coisa, a língua oficial da Moldávia é o romeno, ok?). Eles foram famosos há um tempinho no Brasil, em especial depois que o Latino decidiu usar o ritmo de Dragostea din tei para gravar Festa no Apê. Enfim, minha música preferida deles é Despre Tine (que significa “sobre você”).

O clipe é tosco, mas tá valendo. Escuta aí e vê se você não entende ele dizendo “Nu raspunsi la SMS”, “Eu iti scriu atat de des” ou então “Melodia mea de dor”.

Aproveitando a deixa, vou meter aqui Dragostea Din Tei também. Tinha que ter concorrido a melhor clipe de todos os tempos (fui irônica!).

Até o Latino se aproveitou do “Alo, Salut, sunt eu” do comecinho da música para escrever aquela beleza de canção que é Festa no Apê (fui irônica mais uma vez!).

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Filed under Brasil, Europa

Erasmus Erasmus Erasmus eeeee

Eu já disse aqui que estudante brasileiro não é Erasmus (mas a gente acaba se autodenominando assim porque também estamos a intercambiar na Europa). Enfim, o espírito é o mesmo e é isso o que importa!

Hoje cedo meu amigo Felipe me indicou um vídeo (que eu já conhecia) para publicar aqui. Creio que o post venha em boa hora para aqueles que estão quase a embarcar para Portugal.

Você que está aí todo nervoso, ansioso e num mix de emoções pré-embarque, veja esse vídeo! (Espero que todo saibam inglês, pois não tem legenda!). Você não tem ideia da vida que o aguarda na Europa, baby 🙂

Acho que cabe destacar aqui a importância de saber inglês. Brasileiro fica tranquilo achando que vai ser tudo belê só porque em Portugal se fala português. Mas, olha só: 1. Você vai viajar; 2. Você vai conhecer muita gente de outros países (ou não né, caso você não consiga se comunicar com essas pessoas); 3. Você pode querer fingir que não é brasuca e, se não falar nenhum outro idioma, como faz?

Se você não fala inglês, não é tarde demais! Aproveite a estadia em Portugal para se aproximar dos “verdadeiros” Erasmus e aprender alguma coisa útil. Sabe o que me disseram uma vez? A melhor forma de aprender um novo idioma é na cama. Bom, pelo menos, é o que dizem por aí…

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Filed under Europa, Portugal, Preparativos

Vida Portuguesa II

Uma vez me disseram que não nascemos em determinado lugar por acaso. Assustei-me ao ponderar que nunca havia pensado nisso antes. Alguém pode ter nascido no Brasil, por exemplo, simplesmente para ser capaz de deixar o lugar onde sua maternidade está. Não falo em abandonar a nacionalidade ou ser menos patriota, apenas remeto ao exercício do desapego.

É fácil desapegar do costume de observar onde se pára o carro de madrugada ou de ficar atento às paradas em sinal de trânsito depois da meia-noite. Acostuma-se fácil a entrar gratuitamente em festas e se locomover para qualquer lugar de transporte público. Os europeus exercem maior formalidade em relação aos brasileiros e falam mais baixos – especialmente se comparar com o tom de voz carioca… sem preconceitos!

É bom ser brasileira fora do Brasil. Viajar para os confins da Polônia e contar ao garçom do bar where are you from. Sempre tem alguém, em qualquer beco do mundo, que ama o Brasil ou que vai perguntar se a capital do maior país da América Latina é o Rio de Janeiro. A fama dos brasucas é quase sempre boa no exterior – a não ser por alguns que avacalham e pixam “Comando Brasil” na estação do metro do Porto.

No instante que escrevo esse post, abandono meu país de nascença pela segunda vez. Ao contrário de muitas coisas da vida, a segunda vez que deixa-se “o lar” para trás é mais difícil. Estudei nas aulas de alemão o significado de Heimatland. A professora perguntou à turma o que significaria a palavra. Para mim, Heimatland ainda é Porto Alegre – que, como eu gosto de explicar por aí aos que desconhecem o mapa brasileiro, é a última capital do Estado mais ao sul do Brasil, mais perto de Buenos Aires do que de Brasília!

Eu poderia passar horas listando as diferenças entre o Hemisfério Sul e o Norte. Dizer que Porto Alegre é úmido em relação a Portugal, considerado um dos países menos secos da Europa. Citaria ainda o quão vagabundo é o papel de nossa moeda, pois guardei alguns Reais por um ano em um envelope e eles quase apodreceram – gastei-os logo que finquei os pezinhos na pátria amada mais por nojo do que vontade.

Aliás, fiquei perplexa com os preços brasileiros. Não que tudo esteja caro, mas nós ganhamos muito mal. Enquanto uma pessoa que ganhe o salário mínimo português (450 euros) consegue ter uma vida boa, com pagamento de contas mensais, compras no supermercado, certo esbanjo em supérfulos e viagens sazonais, um brasileiro com 450 reais não pode freqüentar o Mc Donalds semanalmente. Não estou dizendo que o Brasil seja mais caro que a Europa, muito embora em alguns quesitos realmente chegue a ser explorador. Afirmo que aqueles que ganham e gastam em euro têm uma vida melhor do que quem recebe o extrato bancário em Real.

Nessa segunda vez em território português, aterrisso no aeroporto internacional Sá Carneiro e já sei onde fica a estação de metro. Não me perco mais com as moedas diferentes, nem as cédulas de tamanhos diversificados. Sei onde comprar pão, fiambre e ice tea mais baratos. Traço mentalmente qualquer rota dentro do Porto e me sinto familiarizada com outras cidades européias.

Sempre insisto em dizer que morar no exterior não agrega novas experiências. É uma vida completamente nova. Para ter novas experiências, basta ir até a esquina de casa de madrugada ou mudar radicalmente a rotina. Nada tem a ver com morar longe ou lavar a própria roupa. Tentar trocar de Heimatland trata-se de abrir mão de valores antigos e mentalidade ultrapassada para receber um pacote novinho em folha cheio disso – mas em uma linguagem diferente. Resta saber se a tentativa é válida.

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Pequena grande cidade

Bratislava tem ares de vilarejo. Porém, a casa do presidente, os castelos antigos e o aeroporto a validam como capital da Eslováquia. Tudo é velho e bonito ao mesmo. Bem cuidado, conservado. Creio que a parte sul da ex-Tchecoslováquia force uma ocidentalização para parecer cada vez menos com a Europa do leste.

Até a tampa do bueiro é fofa!

Até a tampa do bueiro é fofa!

A Eslováquia implantou o euro em janeiro de 2009. Ao contrário da irmã República Tcheca e das vizinhas Polônia e Hungria, os eslovacos se bandeiam casa vez mais para o oeste. Mesmo com a moeda da União Européia, os preços são ridículos, e dá vontade de comprar tudo, principalmente comida. Até 1992, Eslováquia e República Tcheca formavam um só país. A língua em ambos é parecida – é como o português brasileiro e o de Portugal. As pessoas, fisicamente, também.

O turismo aflora no local. Prova disso é o bem organizado escritório de informações turísticas, os panfletos e mapas distribuídos – super bem feitos com papel de alta qualidade -, bem como os diversos grupos guiados que transitam pela zona central. Bratislava tem slogan, e ele está por todos os lugares: “The little big city”. Isto define tudo.

Eu (coraçãozinho) o coração da Europa :)

Eu (coraçãozinho) o coração da Europa 🙂

Wegue-Wegue

O combinado era encontrar meu amigo Karol na ala de desembarque do aeroporto. Não demorou muito para eu perceber que ele não estava em quaisquer das dependências do local. O aeroporto de Bratislava é como a cidade: na medida certa. Dez minutos de espera, e o polonês apareceu.

Seguimos para a estação de trem, onde troquei de roupa, escovei os dentes e lavei o rosto. Decidimos seguir para Viena só no fim da tarde, então teríamos pelo menos oito horas de sightseeing. O mais importante mesmo era dançar Wegue Wegue – música angolana famosa em Portugal – o tempo todo. Para mim e Kelly Xu, minha amiga, esse é o hino bratislavense por algum motivo desconhecido.

A maioria das cidades da Europa Central – ou do Leste, como alguns dizem – é composta pelos mesmos elementos. A old town, uma catedral, diversas igrejas, estátuas que contam história, chafarizes e ruas de paralelepípedo. Além, é claro, das marcas de bala deixadas pelos alemães e russos nas paredes.

Mas nem tudo são flores...

Mas nem tudo são flores...

Em Bratislava não tem muito o que se ver. O rio Danúbio corta a cidade em duas. É o mesmo que passa por Viena. Entre as pontes, uma chama mais atenção. De ferro, combina perfeitamente com o lugar. Tudo é um pouco cinza, pois a ponte também. Os fios metálicos dão um ar de modernidade a esta que, com certeza, é o cartão postal mais admirado da cidade.

Para conhecer a pequenina capital não se precisa de mapa. Basta chegar ao centro e caminhar aleatoriamente. Dessa forma, se visita tudo. É instintivo. Monumentos, parques, História antiga e moderna, avenidas ou ruelas, gente com ar de leste, pessoal cosmopolita, a casa do presidente… até o Mc Donalds e a Ikea pelo caminho. Aliás, o Mc Donalds tem preços incríveis. Dois hamburgeres tipo Mc Duplo + batata e refrigerante médio por 2,99 euro. Preço bem menor do que os 4,75 euro cobrados pelo menu normal em Portugal, por exemplo.

A Casa Branca eslovaca

A Casa Branca eslovaca

O castelo não é nada demais, mas a subida até lá vale a pena. Ruas em curvas constantes, estreitinhas e sem calçada. Divertido também sentar na beira da rodovia e enxergar dezenas de Ladas e Škodas ou então entrar no supermercado para comprar Coca-cola e sair com uma Kofola.

Kofola é praticamente um símbolo tchecoslovaco. Motivo de orgulho da população, não ouse criticar. Fale mal da cerveja, mas não fale do refrigerante que lembra Pepsi Twist sem gás – e é bom demais! Viciante, eu arriscaria dizer. A comida eslava também vicia. Tudo é feito com porco, repolho, batata e muito molho. Eles têm diversos tipos de queijo também.

O que eu faço agora sem Kofola em Portugal?

O que eu faço agora sem Kofola em Portugal?

Eu e Karol comemos em um restaurante antes de partir para Viena. Nosso almoço-barra-janta foi coisa fina. Clientes de terno e gravata, senhoras de idade bebendo chá e eu sem banho desde que sai da Espanha (peguei conexão em Milão depois de Barcelona). A refeição custou sete euros, e eu aposto que aquele deve ser um dos comedouros mais caros da cidade.

Dica válida: Quando estiver com sede, não confunda voda com vodca!

Dica válida: Quando estiver com sede, não confunda voda com vodca!

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¡Vale tudo!

Em Barcelona é permitido andar pelado. Seja na areia praia ou no meio da rua, ninguém irá pedir para colocar a roupa. Diz a lenda, que a cidade mudou completamente após as Olimpíadas de 92. O metro foi ampliado, as ruas revitalizadas e o caldeirão turístico começou a ferver.

Pode-se andar nu, mas é proibido beber na rua. A venda de bebidas também é ilegal. Apesar disso, milhões de latinhas ornam qualquer paralelepípedo da zona central. Os ambulantes oferecem aos gritos “cola, fanta, cerveza” e sussurram “haxixe, marijuana”. Se há sinal de polícia, todos somem, e os produtos são armazenados nos bueiros.

Por dentro da cidade

A Sagrada Família continua em construção. Vale a pena ir ao portão fotografar, as dizem que pagar os €8 de entrada é tolice.

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

O Park Güell decepciona. A areia no chão lembra um deserto e levanta poeira. Os lendários bancos de Gaudí tornam-se pequenos na imensa clareia pela qual se estendem. Parece que falta alguma coisa. Vai ver é porque ele faleceu antes de acabar o trabalho. Apesar disso, os azulejos recortados reluzem. A mistura de cores é perfeita, pois parece calculada. Azul, amarelo, verde, laranja e branco na medida certa.

Os famosos azulejos de Gaudí

Os famosos azulejos de Gaudí

Todos querem meter a mão na boca do lagarto, logo na entrada. A água atrai as peles secas, que suam com os úmidos 30 e poucos graus. Uma dica válida é entrar por trás do Parque, parando na estação de Valcarca. Dessa forma, poupa-se o trabalho de subir uma lomba de 1 km, pois algum santo homem construiu escadas rolantes para evitar a fadiga.

Em La Rambla tem de tudo. Camelô, artistas de rua – Ronaldinho treina embaixadinhas lá todos os dias -, prostitutas que puxam possíveis clientes pelo braço, terraças, promoters distribuindo flyers e gente. Muita gente. Nos dois sentidos da calçada, por todos os lados e de todos os idiomas.

Portvell é apenas uma cambada de lanchas estacionadas. Os mastros brancos reunidos formam um bom cenário para fotografias e a calçada à margem guia até à praia. Barceloneta é a mais conhecida. Centenas de chinesas oferecem massagens por cinco euLos. Provavelmente elas não têm curso para isso, e a sessão de quinze minutos é um verdadeiro quebra coluna.

Orgulho da cidade, o Bairro Gótico enche os olhos, ouvidos e a imaginação, se a visita for guiada. Prédios antigos, ruelas estreitas e história por todos os lados. Guias locais oferecem serviço por gorjetas – aliás, esqueci de pagar algo ao meu. O tour é inglês, dura três horas e é a melhor coisa que se pode fazer para conhecer bem Barcelona. George Orwell tem uma praça com seu nome vigiada por câmeras. Buracos registrados nas paredes das igrejas recordam fuzilamentos. Postes de diversas ruelas escoravam prostitutas em séculos passados, quando a cafetinagem era disfarçada por ser ilegal.

Igrejinha amigável essa :P

Igrejinha amigável essa 😛

No meio da Plaza Real há dois postes vermelhos. Presentes de Gaudí – talvez a única coisa que ele tenha aprontado antes de partir. O chafariz central foi cenário da “Roda do Mundo”, brincadeira de um grupo de italianos que conheci.

Toni se casaria em duas semanas. Os amigos de Reggio Calábria se reuniram em Barcelona para a despedida de solteiro. Toni, o imperador da noite, se vestiu de sereia. Peruca loira, saia e top lilás. Dezenas de pessoas estavam sentadas nas bordas do chafariz. Fomos o início da roda. Em poucos segundos, juntaram-se americanos, africanos, asiáticos e europeus. Até a Oceania se fez presente. Após a brincadeira, a polícia chegou. Mas, antes disso, Toni nadou na fonte.

¡Vale, vale!

Bem que a capital cataluña gostaria de se separar da Espanha. Até a língua lá é diferente. O catalão é uma mistura de castellano, o espanhol que se aprende na escola ou em cursos, com francês. Se bem que na Espanha isso é comum. Galícia, Andaluzia e o País Basco, por exemplo, também falam idiomas que só lembram o tal “espanhol de verdade”.

Catalão é mistura de castellano com francês

Catalão é mistura de castellano com francês

Meu host em Barcelona foi um couchsurfer. Argentino de nascença, mas com pai espanhol, Catriel me cedeu o quarto de visitas de sua casa. Ele mora com uma menina do País Basco, uma das chicas mais guapa que já conheci na vida. Todas as vezes que eu hablava com ela, o diálogo acabava em vale, vale, talvez a palavra/expressão favorita dos espanhóis.

Há nove anos na cidade, o sorridente Hermano é publicitário. Gastei algumas horas de minhas manhãs – regadas a mate com mel – a debater sobre as diferenças entre América e Europa. Na opinião dele, os latino-americanos aproveitam mais a vida européia. Eu concordo. Aqui é fácil arranjar trabalho e fazer dinheiro rápido. Além disso, desfrutamos das belezas dos lugares muito mais que os nativos, pois nada nos é blasé.

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Summer of ’09

Eu fiz xixi em Milão. Ok, na verdade foi em Bérgamo, cidade vizinha onde a Ryanair pousa. Posso me gabar também que minha urina circulou pelos esgotos espanhóis, tchecos, eslovacos, austríacos e poloneses. A metáfora é chula, mas trata-se da mais pura verdade sobre viajar. Parte de mim ficou em cada lugar pelo qual passei.

As visitas não contam. Pontos turísticos são comuns no mundo todo. A cena nunca muda. Paisagens extraordinárias, estátuas de celebridades locais, monumentos únicos e asiáticos a fotografar alucinadamente. O que vale mesmo são os encontros.

Não é todo dia que se cozinha para David de Ugarteou se toma mate com um argentino na Espanha. Nem todos tem a chance de viajar acompanhados de um polonês, que consegue ser ao mesmo tempo a pessoa mais cortês e doida que conheci na vida, cujo considero meu irmão. É bom demais rever os amigos tchecos, conhecer suas famílias e animais de estimação.

Comemorei dois aniversários, um canadense e outro polonês. Participei de uma despedida de solteiro italiana. Desenhei um labirinto ferroviário na Polônia. Pedalei, caminhei e nadei no interior da República Tcheca. Testei massagem chinesa em Barcelona e até escalei uma montanha em algum lugar próximo a Široký Důl.

Estação de trem algum lugar entre a República Tcheca e Polônia

Em algum lugar entre a República Tcheca e Polônia

Chorei na torre de TV em Praga, quando enxerguei o mapa mundi e realizei o quão longe de casa estava. Comi coisas que nem sabia serem comestíveis, girassóis, por exemplo. Dancei sem música no meio da rua em Viena e quase recebi “contribuições financeiras” por isso. Pensei todos os dias que não agüentaria o próximo, ora por causa do problema no meu pé, ora pelos inúmeros hematomas que angariei ou das duas vezes que cortei meu dedão esquerdo.

Impossível comer uma só!

Impossível comer uma só!

Descobri músicas novas e cantava em português sempre que possível, para não esquecer minha língua materna. Aprendi tcheco, confundi com polonês e percebi que quando falo alemão não consigo pensar em inglês. Repeti três dias seguidos no momento “Fernanda Filósofa” em Varsóvia que “life sucks”, mas me dei conta nas últimas noites em Brno que o importante é ter – ou fazer – amigos, não importa o quão difícil pareça viver.

Enchi o saco do Karol repetindo ao anoitecer que “I gotta feeling”. Torrei a paciência do Tomáš olhando com cara feia todas as vezes que ele abria o mapa da Morávia e traçava rotas de caminhada e ciclismo. Traduzi músicas para o Lukaš, e ele perguntou se todo hit brasileiro fala de amor. Abracei a Nina milhões de vezes, e ficamos sorrindo uma para a outra sem dizer nada, como fazíamos na sacada do apartamento dela em Portugal. Tenho que agradecer a Kasia pelo remédio polonês que curou – parcialmente e não em definitivo – meu pé. Devo dez Coroas Tchecas para a mãe da colega de quarto da Aneta, pois não tinha mais dinheiro para pagar a bagagem extra.

Espero que meu host em Varsóvia tenha aberto o presente que deixei no sofá antes de pensar que se tratava de lixo. Adorei reencontrar a Asia, que me recebeu como irmã em Wroclaw. Me realizei quando encontramos o Voytaš antes dele buscar a nova namorada na estação de trem. Nunca presenciei nervosismo masculino tão eminente. Os dois se conheceram na Ucrânia, mas ela também é polonesa. Torço para que dê certo. Da mesma maneira que espero que Toni esteja feliz com sua esposa. Aliás, o mais novo casal italiano deve ter retornado da lua-de-mel antes mesmo de eu voltar para o Porto.

Me considero uma pessoa de sorte por contar com um suporte técnico tão eficiente. Eles trabalharam remotamente direto de Portugal, mas são todos brasileiros. Dentinho, Felipe, Babi e Kelly são mais do que família para mim.

Descobri cinco países e onze cidades em 35 dias de viagem. Isto sem contar o tour pela Morávia, região sul da República Tcheca, onde passei por lugares que nem estão no mapa. Sobrevivi. Aprendi. Emagreci, mas engordei de novo. Ultrapassei meus limites além do que deveria. Desmaiei em Madrid. Passei mal no meio da floresta tcheca. Apesar disso, valeu a pena cada segundo, até mesmo aqueles que gastei dormindo em aeroportos, trens ou calçadas.

Lugares sem informações turísticas em inglês são mais divertidos

Lugares sem informações turísticas são mais divertidos

Por isso, grito com toda a certeza do mundo que EU FIZ A MELHOR EUROTRIP DE TODOS OS TEMPOS. Aliás, diga-se de passagem, espero que não tenha sido só xixi que espalhei por aí.

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Do not be crazy, Fernanda!

Todo mundo sempre me diz para deixar de ser doida. O problema é que eu nunca escuto. Certo dia entrei no site da Ryanair e consumei a loucura. Quarenta dias viajando por parte da Europa sozinha. Madrid, Barcelona, Bratislava, Viena, Brno, Praga, Wroclaw e Varsóvia. Sempre dormindo em aeroportos, casa de amigos ou couchsurfers. Se bem que adormeci em uma das ruas de Bratislava, mas isso nem conta.

Saudades de falar minha língua. Vontade de comer comida de verdade – chega de fritura peloamordedeus!. Necessito urgentemente de um médico que olhe meu pé, pois sai do Porto com um problema que está 39 vezes maior. Saudades de um teclado conhecido, onde os acentos ficam nos lugares certos. Vontade de descansar. Aliás, estou na metade da jornada e parece que estou longe de casa há mais de um ano.

A parte boa é que eu viajei esperando nada. Nem pensei no que queria visitar. Aliás, nem fiz muitas fotos. Vou andando, conhecendo gente, encontrando amigos, bebendo cerveja de meio litro por 13 coroas tchecas – 25 coroas tchecas valem 1 euro -, cantando no meio da rua, dormindo e comendo pouco, falando muito… mas isso é normal até.

Bom também é poder pensar sem amarras. Mochila nas costas, um pouco de dinheiro no bolso e um coca-cola sempre ao alcance. O celular nem recebe chamadas. Poucas mensagens. Mas eu sei que tem gente me esperando e sentindo minha falta. Isso é bom, pois eu teimo em dizer que nem sinto saudades, mas de vez em quando bate uma dorzinha.

Aliás, bem que eu queria escrever a palavra NAO, mas aqui nem tem til. Tem coisas pequenas que valem muito. Procurei pela crase também e nada dela. A palavra do dia seria ADAPTACAO, se eu conseguisse escrever corretamente.

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