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Aniversário, Natal e Ano Novo longe de casa

Eu sempre fico muito agitada nos dez últimos dias do ano. No 21 comemoro meu nascimento. Em 25, é a festa do nascimento de Jesus. Na noite do 31, nasce um novo ano. É um bocado de coisa para comemorar em apenas dez dias! Fico até mais-agitada-que-o-normal nesses dias…

Nos últimos dois anos (2009 e 2010), comemorei aniversário, Natal e Ano Novo longe de casa. No primeiro ano foi um pouco estranho. A gente nunca sabe muito bem o que fazer ou como comemorar. Mas acho que isso é trauma de primeira vez. Depois dá para encarar tranquilo a sensação de peixe-fora-do-aquário-longe-da-família-e-dos-amigos.

Sempre faz calor no meu aniversário. É o dia de maior insolação no Hemisfério Sul do planeta Terra, ou seja, temos pelo menos 14 horas de dia claro. É solstício de verão, marcando o início da estação mais quente do ano. Bom, pelo menos, era essa a imagem que eu sempre tive antes de viver na Europa.

Em 2009 fiz um diário fotográfico do meu aniversário por dois motivos. Primeiro pelo simples registro da comemoração diferenciada da data que eu mais gosto no ano. Segundo para postar aqui no blog como parte da minha experiência de vida em Portugal.

Em 2010, comemorei meu aniversário só porque meu amigo André insistiu. Eu tinha dois trabalhos (um no shopping e outro num hostel), mas as aulas na faculdade já tinha entrado em recesso de final de ano. Fui comer uma Francesinha com os amigos a noite, num restaurante na Boavista. Minha amiga Alice fez meu bolo (aliás, ela é a melhor fazedora-de-bolos-de-aniversário que eu conheço!). O jantar foi rapidinho, pois eu tinha que acordar cedo no dia seguinte, mas valeu a pena.

Eu tinha esquecido da câmera fotográfica quando saí de casa de manhã, então liguei para minha amiga Tati levar a dela. Tiramos algumas fotos, só para gravar o momento mesmo. Eu pedi a Tati que me enviasse as fotos diversas vezes, e nada! Até que ontem, dia 21 de dezembro de 2011, eu pedi novamente. Aliás, ontem foi meu aniversário (de novo!) então ela poderia fazer um esforço e me enviar as fotos como presente.

Filipe, eu, bolo da Alice e André. Obrigada pela foto, Tati 🙂

Meu primeiro Natal em Portugal pareceu mais com “uma festa na casa de alguém”. Cada um levava sua bebida (e, nesse caso, algo para comer). E pronto, foi isso. Conheci algumas pessoas, conversei com os amigos e comi um bocado. Em 2010, passei o Natal na casa dos meus sogros. Foi uma experiência diferente, especialmente pela comida. Ao invés de peru, tivemos algum fruto do mar (lulas, se não me engano). No entanto, achei melhor passar a noite com uma família, pois acho que esse é o verdadeiro sentido do Natal – mesmo isso parecendo um pouco piegas talvez… Enfim, ganhei presente e tudo do Pai Natal (leia-se “minha sogra” hehe).

Natal de 2009 com conhecidos e nem-tão-conhecidos-assim

O Natal de 2009 foi espetacular. Conheci meu namorado em outubro (na época, obviamente, ele não era meu namorado, mas sim um desconhecido). Enfim, o tal desconhecido logo me convidou para ir viajar no Ano Novo para Budapeste. Eu fiz cara de “você-é-doido-acabou-de-me-conhecer”, mas acabei aceitando (vai ver porque eu sou doida também).

Em Budapeste faz MUITO frio no final do ano. FRIO FRIO e FRIO. Foi lá que eu vi neve pela primeira vez – foi pouquinho, mas eu me recordarei pra sempre! Apesar da sensação de freezer, as pessoas saem a rua para assistir shows em palcos montados em praças. Há centenas de barraquinhas vendendo perucas e outros acessórios coloridos. Algumas outras barraquinhas vendem vários tipos de comidas e bebidas. As lojinhas non-stop ficam non-stop de gente entrando e saindo. Foi bem legal 🙂

Em Budapeste no último dia de 2009

Em 2010, passei o Ano Novo no Porto. Um pessoal do couchsurfing estava a enviar convites para uma festa no quarto andar de um prédio semi-abandonado no centro do Porto, na avenida dos Aliados. Lá de cima dava pra ver toda a multidão aguardando pelos fogos, que saem por detrás e do topo da Câmara do Porto. Foi legal também.

Acho que Ano Novo na Europa é tudo de bom. Talvez o Natal não seja tão bom assim porque se está longe da família… Comemorar o aniversário longe de casa também é algo do qual não sou muito fã. Gosto de reunir meus amigos todos e não só parte deles. O que posso dizer dessas experiências? É que na segunda vez é muito melhor 🙂

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A crise europeia: Grécia x Portugal

Vi isso circulando na Internet hoje, copiei e colei cá.

Grécia x Portugal

Sabe que eu penso justamente nisso o tempo todo?

Apesar de eu ter conhecido alguns gregos em minhas andanças por aí, nunca fui a Grécia e tampouco estudei qualquer coisa sobre a construção social-econômica-política do país. Não posso afirmar com certeza se eles são mais baderneiros ou têm um maior espírito de revolta do que outros povos afundados na crise econômica atual, mas talvez esses sejam os motivos que levam os gregos a sair às ruas “partir aquela merda toda” ao invés de se conformar com o fundo do poço.

Outra hipótese, é que os gregos sejam bem mais egoístas que os portugueses, por exemplo. Ao invés de abrirem mão do dinheiro próprio em nome do público, preferem “partir aquela merda toda” e lutar pelos seus direitos individuais. Se bem que também pode se tratar de uma atitude condizente com povo sofrido e que se fartou de passar necessidades, ou seja, vai “partir aquela merda toda” porque já não há outra hipótese.

Enfim, fato é que os portugueses parecem não se mexer muito sobre a crise. Reclamam. Reclamam mais um pouco. Falam que a crise dificulta isso ou aquilo, que era melhor no tempo do Escudo, que a vida está difícil e não há vagas de trabalho. E por que não partem aquela merda toda como os gregos?

Eu sou super a favor dos panelaços argentinos. Em comparação com o conformismo brasileiro, nossos-coleguinhas-hablantes-de-español cá na América Latina nos dão um banho. É só o governo Kirchner aprovar qualquer lei que foda com a vida deles, que o povo sai às ruas para bater panelas (e partir qualquer coisa também!). Os manifestos em frente a Casa Rosada já são praxe, e a maioria dos turistas que vai a Buenos Aires acaba fotografando junto com a multidão que grita pelo que acredita ser o justo.

O problema deve ser genético. Tudo bem que Portugal conta com algumas raízes romanas em sua construção, mas acho que não herdaram o espírito guerreiro. Depois, Cabral chegou ao Brasil, e acabamos herdando cá esse conformismo.

Podem até citar a Revolução dos Cravos portuguesa ou os Caras-Pintadas brasileiro para justificar alguma luta do povo por direitos. Aliás, aqui no Brasil vira-e-mexe acontece algum protesto em frente a alguma instituição pública, mas nada de muita repercussão.

Deveríamos (portugueses e brasileiros) tirar algumas lições com os gregos. A principal delas seria como reagir ao que nos é imposto. Talvez a solução da crise provavelmente não resida em “partir aquela merda toda”, mas quem não faz barulho não é ouvido e fica no fundo do poço até morrer de inanição.

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Homenagens do Google a Portugal

Todo mundo sabe que de vez em quando o Google muda de logo para homenagear algo ou alguém. Resolvi ir a página dos doodles do todo poderoso e checar quantas vezes o google.pt teve um logo lúdico esse ano.

No dia 2 de fevereiro, o Google homenageou Vitinho, desenho animado de grande sucesso em Portugal que ficou no ar entre 1986 e 1997 pela RTP.

Doodle comemorativo dos 25 anos de Vitinho

Dois dias depois, em 4 de fevereiro, o aniversário de Almeida Garrett foi comemorado com um Doodle. O escritor, dramaturgo, poeta e também político, nasceu em 1799 na cidade do Porto. Veja a foto da casa dele clicando aqui (quem sabe você identifica ela em andanças pelo Porto hehe).

Almeida Garrett foi visconde de Portugal

O aniversário de 123 anos de Fernando Pessoa (e seus heterônimos) ganhou um Doodle no dia 13 de junho.

“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.”

Pessoa é lisboeta. Nasceu e morreu na capital tuga.

Mais recentemente, em 23 de julho, o Google fez graça com os 91 anos d nascimento de Amália Rodrigues, a Rainha do Fado. Para quem não sabe, o fado é a música “típica” de Portugal, como o tango para os argentinos ou o samba para os brasileiros. Amália morreu em 1999 aos 79 anos.

O web site oficial da artista é http://www.amalia.com

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Paredes-meias

Que Siza Vieira é o mais importante arquiteto português e famoso mundialmente todo mundo já sabe. (Bom, se você não sabe, pesquisa no Google então!). Não sou estudante de arquitetura, mas acho a obra de Siza muito parecida com a de Oscar Niemayer (quem sabe esse comentário faça algum sentido – ou não!). Eu estava pesquisando na Wikipedia e auferi que o cara é mesmo bom. Construiu uma penca de edifícios em diversas cidades do mundo, em quase todos os continentes.

Entre as obras que eu conheço estão o Museu de Serralves e a Fundação Iberê Camargo, na minha querida (not) cidade Porto Alegre. Além dessas, morei por algum tempo pertinho do Bairro da Bouça. Para aqueles que não sabem, “bairro” em Portugal refere-se a um conjunto de moradias populares, daquelas que se constrói no Brasil para realocar famílias que vivem em favelas ou em má condições.

O Bairro da Bouça fica ao pé da estação de metro da Lapa, no Porto. Faz esquina com a Boavista e fica a uma quadra de Cedofeita, ou seja, está localizado no centro da cidade, o que contraria um pouco a “lógica” da construção de periferias (Explico-me: Não é porque alguém tem menos dinheiro que merece viver em zonas mais afastadas ou locais com pouca infra-estrutura). Eu morei por seis meses na rua do Monte Cativo e passava todo dia por ali.

Estação da Lapa marcada pelo Google. Ali fica o Bairro da Bouça. Minha ex-casa está marcada com o ponto vermelho-e-branco!

Descobri ontem um documentário sobre o Bairro da Bouça: Paredes-meias mostra a conturbada construção do bairro, que iniciou na década de 70 (época de Revolução dos Cravos) e foi apenas recentemente concluído. Aliás, eu já disse aqui nesse blog que a urbanização portuguesa foi tardia em relação aos outros países da Europa. Até a década de 60 do século XX (sim, século XX!!!), boa parte da população ainda vivia no campo. Dessa forma, era meio lógico que os migrantes iriam se acumular nas chamadas “ilhas”, ou seja, as tais favelas que conhecemos tão bem no Brasil.

A construção de bairros populares é uma constante em Portugal. As pessoas compram os apartamentos ou casas, mas não podem vendê-los nem alugá-los. Apesar disso, eu conheci estudantes que alugavam moradias em bairros populares, mas não sabiam dessa “regrinha” (por isso que é importante ir informado para um país desconhecido!).

Abaixo, teaser do filme Paredes-Meias.

PAREDES MEIAS / PARTY WALLS – teaser (2008) from muzzak on Vimeo.

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Estudando Geografia Humana de Portugal – parte 3

3. Explicite no que respeita às dinâmicas de urbanização recente, os processos de litoralização populacional, concentração metropolitana e reconfiguração da rede de pequena e médias cidades.

“Portugal virou as costas para a Península Ibérica”. A máxima expressa a afirmação da nacionalidade portuguesa aquando dos primórdios da formação do país. Os portugueses voltaram-se para a fronteira marítima, virando as costas (embora sempre vigilantes e defensivos) à fronteira terrestre: Estava determinado um maior desenvolvimento litoral face ao interior.

No litoral, junto a Foz do rio Tejo, principal via fluvial do país que drena mais de 1/3 do território, localiza-se Lisboa, que se torna naturalmente o primeiro centro econômico e a capital política. O desenvolvimento do litoral vai opondo-se ao desenvolvimento do interior, concentrando-se em Lisboa as riquezas e as classes privilegiadas. Os descobrimentos do século XV e XVI provocam ainda maior desiquilíbrio entre o litoral e o interior. Lisboa funcionava como a cidade macrocéfala com cerca de 100.000 habitantes que contrastavam com os 15.000 do Porto. Só no século XVIII é que o Porto acelera o ritmo de crescimento, apoiado no comércio, navegação e indústria, afirmando-se como a metrópole do Norte.

A junção da proximidade de uma fonte de água potável (rios) com o mar levou à formação de cidades medievais portuguesas mais litorais. Com o passar do tempo, as cidades que se desenvolveram mais para o interior da Península perderam destaque e população para as litorâneas, principalmente na ocasião do apogeu das grandes navegações, início da exportação e descobertas além-mar.

Atualmente, Lisboa coloca-se como o centro administrativo e cidade mais populosa de Portugal, seguida por alguns concelhos metropolitanos e sua paralela, o Porto. A industrialização incentivou uma maior urbanização nos dois centros urbanos do país, bem como a constituição de uma importante e grande região metropolitana no entorno das duas cidades. A rede de pequenas e médias cidades com alguma importância econômica se localiza nesse eixo litoral (Lisboa-Porto). As demais cidades de costa no Alentejo e Algarve são somente importantes para o turismo, em época que este está em alta, ou seja, apresentam um desenvolvimento sazonal com posterior retração. As cidades do interior perdem cada vez mais sua importância, mantendo-se também apenas do turismo e da população tradicional residente que não migrou para as grandes cidades do país.

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Estudando Geografia Humana de Portugal – parte II

E a saga continua…

2. No quadro do planeamento urbano, destaque as lógicas e os princípios norteadores, desde a cidade medieval aos Ante-planos de urbanização do Estado Novo.

Entre os primeiros povos a ocuparem a parte hoje correspondente a Portugal na Península Ibérica, o mais importante foi o Romano. Inúmeros templos construídos na época sobreviveram ao tempo e são monumentos históricos da Portugal atual.

Com a queda do Império Romano no século V (ano de 476 d.C.), estabeleceram-se ali povos germânicos como os Visigodos e os Suevos mais a norte. No século VIII, estabelecem-se os árabes mais a sul.
As bases das cidades medievais eram as muralhas, a igreja e o mercado. Os muros protegiam o povo e o castelo de invasões. A igreja era símbolo do cristianismo presente na maioria das cidades medievais. O mercado era o local de troca, compra e venda e mercadorias, sejam elas oriundas do mercado local, importadas ou contrabandiadas. O modo de produção era essencialmente feudal. As cidades nasciam próximas a fontes de água potável e de grandes corpos da água, como rios e mares.

No século XII, Portugal sente a necessidade de consolidar suas fronteiras terrestres e marítimas, construindo fortalezas ou cidades junto às fronteiras terrestres e litorais com o objetivo estratégico de controlar o território. As populações junto às fronteiras eram incentivadas a fixarem-se através de baixas de impostos e sendo administradas diretamente pelo Rei. A construção dessas cidades era planejada corretamente para os parâmetros da época, loteada, com uma forma geométrica e planejamento prévio na sua concepção de atrair pessoas. A população e fortificações do país estão tendencialmente em locais fronteiriços e de passagem (ex. Vila Real). Nas cidades portuárias, constroem-se proteções nas barras para evitar pirataria. No século XVI existe um reforço das diversas muralhas do país devido ao desenvolvimento da artilharia. Todas as cidades coloniais portuguesas fizeram planejamento urbano forte do tipo ortogonal.

A partir do século XVIII, as cidades europeias passam a se desenvolver com maior velocidade e apresentar taxas altas de crescimento, causadas principalmente pelos primórdios da industrialização e o consequente êxodo rural. Inicia-se um processo de rápida urbanização, permitindo pela primeira vez na História das civilizações que uma parcela significante da população vivesse nas áreas urbanas.

Na Revolução Vintista (1820, século XIX), nascem os conceitos da divisão territorial para fins administrativos: Os distritos, concelhos e freguesias, além da divisão em 11 províncias. Também deixam de existir terras cuja propriedade não estava definida. Nessa época, Portugal contava com cerca de 80 concelhos.

O desenvolvimento industrial tardio fez com que Portugal presencia-se uma grande expansão urbana somente a partir do século XX. Apesar disso, o início da construção do caminho de ferro no século XIX pode ser tido como um marco do crescimento de infraestrutura no país (possibilidade de transporte, aumento da exportação, produção, desenvolvimento portuário e etc), impulsionado, provavelmente, pela crise e posterior revolução.

No final século XIX, Portugal também começa a observar algum crescimento demográfico, com a duplicação da população da cidade do Porto em 30 anos (que nem se compara ao boom populacional de outros países da Europa: A população de Londres cresceu de 800.000 habitantes em 1780 para mais de 5 milhões em 1880, por exemplo). A urbanização começa a crescer aos poucos através da migração de habitantes do interior e de migrantes temporários. Isso ocasiona a construção e enchimento de bairros populares, num Porto com condições precárias de saneamento e higiene. A febre bulbônica é detectada na ribeira do Porto em finais do século XIX, na medida em que essa área ficou sobrelotada e as pessoas viviam em “casas de malta” em que se comprava um espaço para dormir. A parte leste da cidade cresce sobre a estação ferroviária de Campanhã, o Campo Alegre era uma área periférica com palácios ligados ao comércio do vinho do Porto e ainda existia um povoamente distante na Foz. Ainda no final do século XIX, começa-se a construir a rede de saneamento no Porto e passa a existir maior mobilidade centrada na cidade, com movimentos pendulares durante a semana em especial ocasionados pela construção civil intensa.

A crise europeia afeta Portugal mais tardiamente. No início do século XX têm início um período de fome, causada por um período de excesso de produção para exportação, queda nos preços e falta de dinheiro entre a população que não consegue comprar mantimentos. A República é proclamada em 1910.

No período entre guerras, em 1933, inicia o regime ditatorial em Portugal, à exemplo de outros países da Europa e do mundo. É principalmente a partir do regime do Estado Novo que Portugal começa a se fortalecer industrialmente, principalmente para suprir às demandas de consumo (e pouca produção) dos países envolvidos na II Guerra Mundial.

Em 1959, a divisão principal de Portugal deixa de ser por províncias passando para Distritos. Em 1969, introduz-se o novo sentido de autarquia, nas funções de desenvolvimento, no estudo e crescimento econômico. Nessa época, Portugal já havia crescido de 80 para cerca de 300 concelhos.

Diz-se que “a partir da década de 60, Portugal deixa de ser um país ‘bronco’ para entrar numa era de modernidade completamente diferente que foi até aí, com acesso ao ensino, investimentos em industrialização e crescimento urbano intenso”. Nos anos 40, Portugal assume uma postura mais fechada, relacionando-se somente com suas colônias africanas. Isso muda a partir da década de 50, com a adesão à EFTA e o início de exportações via acordos econômicos com outros países europeus. Com a independência das colônias Portugal perde em exploração, mas ganha clientes para seus produtos.

Apesar do crescimento urbano incontrolável a partir dessa época, as cidades portuguesas conseguem desenvolver-se também em transportes e construção civil. Lisboa cresce muito na sua periferia, assim como o Porto, contudo nesta cidade é um crescimento de bases territoriais que já existiam e que se alargam e em Lisboa é um crescimento a partir do zero.

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Estudando Geografia Humana de Portugal

Enquanto o dia de amanhã não chega, passo o domingo gelado estudando para o exame que farei numa Portugal veranil. Depois de trocar muitos e-mails com meus professores do curso da UP, ficou decidido que a melhor data para realizar o exame de Geografia Humana de Portugal seria o Recurso de 6 de julho.

E cá estou respondendo questões e compartilhando o que aprendo (ou não) com aqueles que se interessam pela História e Geografia portuguesa.

1. Na evolução da ruralidade portuguesa tente explicar os fundamentos dos sistemas autárquicos e da tardia integração do mercado interno, as políticas de fomento agrícola do estado novo, assim como os processos recentes de intensificação, especialização produtiva e extensificação.

Após o estabelecimento do Reino de Portugal, no século XII e XIII, os fluxos ocorriam majoritariamente do norte para o sul, uma vez que o norte (Visigodos) mais agricultor produzia para alimentar o sul (Muçulmanos), que tinham uma cultura mais de cidade. Esses fluxos explicam a uniformidade do país e pouca desigualdade cultural e etnomológica. Nessa época, a agricultura tinha características feudais e era baseada principalmente na subsistência.

No século XIV, a expansão europeia provocou um dinamismo comercial sem antecedentes regrado pelo mercantilismo. O tema era “vender ao estrangeiro mais do que aquilo que lhe compram para consumo”. Era nessa época que Gênova e Veneza estavam em alta, pois controlavam o comércio com os árabes no Mar Mediterrâneo.

No século XV, o aumento e melhoramento das técnicas agrícolas geram excedentes, libertando mão-de-obra da agricultura para as atividades comerciais. Desenvolvem-se, assim, as manufaturas e a classe burguesa, composta de homens livres.

Portugal desenvolve exportação baseada no sal, açúcar, vinho, fruta, azeite e mel. Faziam o transporte das mercadorias do Mar Mediterrâneo até o mar Báltico utilizando navegação de cabotagem. É nessa época que Portugal começa a explorar também o mar aberto, chegando a lha da Madeira, Açores e a suposta “ilha Brasil”, levando a assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494.

A partir do século XVI, com o início da exploração da então colônia Brasil, os portugueses passam a desenvolver agricultura intensiva tropical com mão-de-obra escrava oriunda de suas colônias em África. Nesse período pode-se destacar ainda a diáspora, responsável pelo atraso do país nos séculos seguintes.

Portugal só iniciou algum investimento na indústria a partir do século XVIII com Marquês do Pombal. Uma das razões para isso é o déficit populacional, que causa também a perda de força militar e na expansão colonial, o que faz com que Portugal perca alguns postos de domínio em suas colônias, para a Holanda, por exemplo. A partir do século XVIII inicia a exploração do ouro no Brasil, que segue rumo à metrópole, assim como a produção agrícola e os demais produtos explorados (madeira pau-brasil, por exemplo).

É no final do século XVIII que o vinho do Porto ganha importância. O vinho surgiu porque se acrescetava água ardente para conservar durante a viagem. Os ingleses se colocam como os principais consumidores e clientes, ditando regras do mercado através de boicote, por exemplo.
Portugal tornou-se um entreposto comercial de suas colônias e vivia da Alfândega através da cobrança de impostos. Isso provocou descontentamentos entre o povo, devido aos impostos sobre o consumo e não sobre a produção (que não existia!).

No século XIX, em 1808, a corte portuguesa foge para o Brasil em virtude da ameaça de invasão francesa. Em 1820 teve início uma revolução liberal, que exigia um rei permanente em Portugal. O Rei ficou no Brasil até 1822, ano da independência do Brasil por D. Pedro I, que declarou “independência ou morte” à beira do Ipiranga. A Revolução Vinstista vai de 1820 a 1823 e é inspirada em movimentos revolucionários antecedentes, como a Revolução Francesa de 1789, impulsionando reformas apoiadas no pensamento positivista e o liberalismo. A monarquia passa a perder poder até que, em 1910, é declarada a República.

Após a primeira Guerra Mundial, surge o fascimo na Europa. O clima de instabilidade política e econômica do pós-guerra induz a golpes de Estado nos diversos países. Em 1933 é estabelecida a ditadura em Portugal (Estado Novo). O lema de Salazar era “Deus, Pátria e Família”.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Portugal mantém uma política só, relacionando-se com as colônias africanas, fechando-se ao mundo e à Europa. Até essa época, metade da população portuguesa era agrícola. O Estado Novo investiu em grandes planos de rega entre as décadas de 30 e 50. Portugal se une à EFTA na década de 50. Dessa forma, coloca-se como grande exportador de tomates, vinho e conservas (agricultura) e também têxteis, calçados e eletrônicos. O investimento na indústria faz surgiu pólos industriais no entorno de Lisboa e Porto, por exemplo, a partir da década de 60. Com a guerra das colônias por independência, Portugal perde por um lado (exploração), mas ganha clientes para exportar seus produtos.

Portugal atualmente aposta na especialização na produção de certos produtos como o vinho do Porto e o azeite derivado da oliva. Destaque ainda para produtos tidos como tropicais para os demais países da Europa, como a banana produzida na Madeira. Dos Açores se exporta ananás e chás, mas também se mantêm uma forte produção de carne e leite que abastece o continente.

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