Réveillon no Porto

No Brasil todos querem ir ao Rio de Janeiro no Ano Novo ver os fogos de artifício pelo menos uma vez na vida. A Rede Globo faz a contagem dos minutos do novo ano todos os anos e transmite ao vivo as imagens da praia de Copacabana. Creio que a minha família não é a única que acompanha a contagem regressiva pela tv.

Os fogos do Rio duram 16 minutos. Sempre ouvi falar que era um dos maiores em duração. Confesso que sempre desconfiei desse dado, especialmente após presenciar os fogos no São João do Porto.

Através de uma rápida pesquisada na Internet, encontrei um vídeo da queima de fogos realizada ontem no Porto. Foram 15 minutos. Com certeza, em Sidney, Paris e Nova York devem haver espetáculos similares ou até maiores.

Alegar que os fogos de artifício da virada de ano no Rio são maiores do mundo não seria o mesmo que chamar os brasileiros de inventores do carnaval?

#ficadúvida

Enfim, um Feliz Ano Novo aos meus leitores fiéis e aos visitantes anônimos. Que 2012 seja o melhor ano de nossas vidas🙂

10 comentários

Filed under Brasil, Porto

10 responses to “Réveillon no Porto

  1. Tiago

    Hum… o da ilha da Madeira é que está no guinness. http://www.madeira-live.com/pt/newsflash/guinness-world-record.html

    Agora se o do Rio de Janeiro é maior eles lá saberão porque o dizem! Nunca vi. Não posso dizer nada!

  2. A. Lemes

    Óbvio que o do Rio de Janeiro não é o maior. Muito menos o melhor. E menos ainda o mais seguro. É apenas marketing. Assim como o Neymar seria melhor que o Messi, e por aí vai…
    A Rede Globo “martela” tanto a cabeça das pessoas, que estes boatos acabam se tornando “verdade”, onde pelo menos 70% da população acaba acreditando…
    Estive em Lisboa em dezembro onde fiquei por 10 dias. Constatei algo que já imaginava mas não sabia de fato: Portugal está ANOS-LUZ na frente do Brasil. Muito na frente. Mas muito mesmo. Acredito que uma geração na frente.
    E ainda temos que ouvir do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que em 20 anos o Brasil terá o padrão europeu. Francamente viu. Acredito que vai no mínimo uns 90 anos para chegarmos ao padrão europeu. Se bem que a tendência é caminharmos mais para o padrão “mad max” do que para o padrão europeu…
    Mas voltando ao assunto a resposta é não, o Rio de Janeiro não é o réveillon que a TV nos vende.

  3. fernandapugliero

    Como eu disse acima, salientar que os fogos do Rio seriam os maiores do mundo é o mesmo que dizer que o Brasil é o país do carnaval (sendo que a festa é proveniente da Itália..).

    Portugal está mesmo muito a frente do Brasil. E o pior que tem brasileiro que acha Portugal subdesenvolvido, preferindo almejar países como os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha ou Japão.. coisas que o Brasil jamais será! (talvez em 2 ou 3 gerações..). Eu já cansei de discutir esse assunto com pessoas que falam mal de Portugal por desconhecimento ou falsas impressões.

    Agradeço a observação🙂

  4. Manuel

    Mas terão sempre de viver em comparações?! Há aí um fantasma ‘inexplicável’ que mistura ressentimento com sei lá o quê. Veja-se a relação EUA e UK: perfeitos aliados! O Brasil (ou alguma massa ignorante no Brasil) insiste em culpabilizar Portugal por todas as desgraças e acredita piamente que Portugal de hoje é igual a Portugal nos anos 1940! Não vale a pena, é um ‘diz que disse’, sinceramente, tô nem aí, ultrapassar a crise é agora bem mais importante que resolver assuntos que se resumem a uma simples palavra: ignorância.
    Quando era pequeno tinha um medo desgraçado da Cuca, do Sítio do Pica-pau Amarelo. Descobri só há muito pouco tempo que em Monção há a festa da Coca (not that kind of…) que é um dragão. Isto existe no norte de Portugal, Galiza e Catalunha. Tendo saído tanta gente do Minho para colonizar o Brasil é óbvio que a nossa Coca se abrasileirou em Cuca!
    Até a Carmen Miranda nasceu no Marco de Canaveses – Distrito do Porto – e insistem em repudiar a cultura portuguesa…
    Conhecer o nosso passado, as origens da nossa cultura, é importante para se evoluir a partir de uma base sólida! Isto acho eu…

  5. Manuel

    Em complemento: mas o Brasil tem algo muito positivo que é uma população com vontade de crescer, que valoriza a formação profissional e educação superior e supostamente dinheiro fresco a circular o que permite que os jovens evoluam pessoal e profissionalmente com o país. Duvido que algum Ministro tenha aí a lata de sugerir a emigração como saída…pois isso aqui já se ouviu isto (e várias vezes).
    Esta é já uma época perdida, porque de nada nos vale saber dois idiomas, ter diplomas (mesmo de cursos técnicos e altamente especializados), CVs repletos de mérito e conteúdo: a não ser que se envie para o estrangeiro!
    Portugal é pequeno mas diverso, cultura ancestral e uma história que extravasa o nosso rectângulo e se relaciona com o Mundo: do Brasil à China! Fomos nós que ensinámos os Ingleses a beber chá e os japoneses a fazer tempura. Uma vida inteira não é suficiente para provar todos os pratos típicos, doces regionais…até a pastelaria industrial! Em Espanha, logo aqui ao lado, todos os bolos sabem ao mesmo: uma tristeza!
    Mas do que nos está a valer isto tudo? Todos os dias é um dia novo e todos os dias nos esmagam os sonhos. Muita gente persiste, mas muita gente – muita mesmo – está a sair.
    Talvez o medo de assaltos e violência, tal como alguma falta de certos serviços públicos, se atenuem quando o que queremos é um futuro que à partida não nos corte todas as expectativas.
    (Pronto, foi um desabafo, mas apesar de tudo mantenho o espírito positivo para 2012, o ano do ‘ou vai, ou racha’!!!)

  6. A. Lemes

    Eu fico imaginando se Portugal estivesse realmente em crise, como isso chegaria para nós através da imprensa local.
    Quando retornei ao Brasil a primeira pergunta que me fizeram foi: “E aí, muita crise?”. Eu: “Crise, que crise?”. Sim, essa resposta. Pois, de fato, não vi crise nenhuma em Portugal.

    Calma Manoel, não vá infartar! Eu explico.

    Aqui no Brasil vivemos em crise desde sempre. Não existe nada público, mas pagamos pelo público. Pagamos em dobro. Tudo. Tudo que você possa imaginar: Escola, saúde, segurança, estradas e muito mais…e muito mais…e mais um pouquinho e…mais um pouco…e pronto.
    Aí chego em Portugal, desço em Lisboa…e vou para Sintra, Cascais e Seixal, estico até Évora, volto e vou para Óbidos, Leiria…e retorno para Lisboa. Tudo funciona. Tudo funciona com extrema perfeição: Pedágio (ou Portagem segundo o GPS) sem funcionário. Vou ao supermercado Continente e vejo opção de auto-pagamento. Vou validar o estacionamento e é automático. Três serviços funcionando perfeitamente sem funcionários.
    Vou comer um presunto e descubro que presunto em Portugal é o verdadeiro e aqui no Brasil comemos fiambre (fui enganado por 30 anos achando que estava comendo presunto!!!). Aí dirijo pelas ruas, não vejo buracos, não vejo lombadas. Os carros param para os pedestres atravessarem. Sem ninguém pedir. Apenas educação. Orientada? Sim, mas respeitada. Respeito. Estaciono, desço do carro e pago 1 euro. Calçadas em ordem. Sem buraco. Posso andar com o carrinho do bebê sem problemas. Vejo o dinheiro que paguei no park sendo investido nas ruas.
    Vou ao caixa-eletrônico (ou multi-banco para vocês) e saco 100 euros. Ninguém olhando para mim. Não serei assaltado. Nossa, que incrível! Tomo um café, como um pastel de nata (e não de Belém como o Habbib’s vende por aqui e nos enganando mais uma vez…tá bom, pastel de nata não é um nome comercialmente viável, mas que engana, engana…). Passeio mais um pouco, vou ao “famoso” Pingo Doce (de tanto ler nesse blog), vejo 2 ou 3 opções de marcas. Sem muita concorrência, mas todas de extrema qualidade. O requeijão (ou creme para barrar) é impressionante. Aliás, todos os queijos são impressionantes. Qualidade ímpar.
    Vou para o hotel. Paro o carro as 23 horas na rua e desço tranquilo. Não vou levar um tiro aqui, que bom!
    Pessoas gentis, pessoas hostis. Umas educadas, outras mal humoradas. Mas todas civilizadas… E a vida no primeiro mundo segue…

    Cadê a crise? Ahm, estão cobrando mais impostos. Entendi. Existem alguns desempregados, isso é ruim. A economia não está girando como deveria. Daqui a pouco passa. Vai passar, pode apostar. Em breve.

    Mas tenha certeza de uma coisa: vocês estão em crise de evolução e nós em crise de sobrevivência.

  7. Manuel

    Pois é, nada como viajar…afinal aqui não andamos todos de carroça e burro, e até há electricidade nas ruas!
    Não percebo bem a razão por tão grande desconhecimento sobre Portugal, aversão e mesmo xenofobia de muitos brasileiros para com a ‘terrinha’ – e temos falado muito disso aqui neste blogue. A própria expressão ‘terrinha’…nós usamo-la para descrever algo que nos é muito querido, um lugar do qual temos saudades, que nos faz falta – era a antiga aldeia, vila, povoação. Aí parece-me que o uso é diferente….Chega a soar a pejorativo.
    De facto falamos de patamares diferentes, escalas territoriais diferentes, realidades sociais distintas. E na verdade muitas das coisas que refere são banais, já foram absorvidas e fazem parte do quotidiano. A partir do momento que há uma autoestrada nova já ninguém se lembra de que antigamente era um caminho de cabras esburacado. E aí está o problema: ao se abrir uma torneira já ninguém sequer pondera a hipótese de que dela não jorre água! E meio mundo a tirar água do poço, ou simplesmente sem água. Mas isto é um pouco relativismo e um pensamento simplista: porque haverá sempre pior que nós.
    Todos os países têm idiossincrasias e todos fazem campanhas de marketing. O problema aqui é que há muito ninguém liga ao marketing. E eu tenho noção de que há muito ‘para vender’ ao exterior. Talvez não haja interesse de quem nos tem governado em fazer isso…
    Sim, as coisas funcionam, mas no meio da eficiência e da boa vontade, há sempre o elemento dissonante (o chamado ‘coiro’) que bloqueia a engrenagem, ou seja, as coisas poderiam funcionar muito melhor. O tema dos buracos nas calçadas às vezes é levantado. Eles existem…de facto são reparados, mas reaparecem. A manutenção de cidades antigas não é fácil e há quem perca a cabeça.
    Eu por formação e educação não olho para o meu país com olhos pessimistas e de que tudo é mau. Simples: tal como tantos outros tive a oportunidade de fazer um percurso académico em escolas e universidades públicas, estudei fora graças ao programa Erasmus, viajo quando posso e constato realidades. De facto há muito por melhorar, mas também às vezes vejo que há países que simplesmente têm uma máquina de marketing mais eficiente, já que aprofundando um pouco mais apercebemos-nos de que estamos perante um simples bluff.
    E os portugueses, sobretudo os mais velhos, adoram queixar-se. Podia até ser um desporto nacional!

    Sim, temos actualmente um sistema viário bom, mas assistimos ao desmantelamento do ferroviário – má gestão e interesses económicos. E o TGV (o trem bala) foi suspenso devido à crise…tema sensível, a alta velocidade ferroviária foi arma de arremesso nas eleições…
    O sistema de via verde (pagamento de portagem sem parar, com sistema magnético) foi inventado em Portugal, serve também para pagar estacionamentos em parques cobertos e outras coisas.

    O multibanco oferece serviços para além do ATM, servindo para comprar bilhetes de comboio, pagar as contas domésticas, bilhetes para espectáculos…e sim, de facto não é em todo o lado que se encontra um sistema destes…mas como já existe há décadas…ninguém o valoriza.

    Engraçado que algumas pessoas aqui recusa-se a usar portagens de pagamento sem portageiro (onde apenas está uma máquina a receber dinheiro) ou as filas de self-service nos supermercados: não por problemas com a tecnologia mas sim por questões ideológicas…é que onde está uma máquina, poderia simplesmente estar um posto de trabalho.

    Enfim…existe uma base (e não porque a UE veio cá despejar camiões de dinheiro, porque isso da UE é um tema complexo e um pouco mitificado no Brasil) agora a regressão assusta-nos, a pobreza extrema assusta-nos, a falta de perspectivas assusta-nos…é triste e difícil. Se o país sabe o que é isso? Claro que sabe, a ditadura foi equivalente a uma grande guerra de propagação e impacto extenso e lento. Mas superou-se.
    Isto não será para sempre, não é o fim do mundo, mas não o desejo a ninguém.

    Falou na simpatia: somos acusados pelos brasileiros de ser mal humorados. Mas é suposto toda a gente sorrir? O que é então atender bem?! Se eu não tiver vontade de sorrir faço mal o meu trabalho?!

    Se calhar aqui só mesmo a má comida e má bebida levariam a uma revolta popular!!! E isso do presunto deve ser uma questão de nomenclatura, por exemplo, em Espanha existe Jamón cocido (fiambre) e o Jamón (presunto), variante ‘serrano’ ou ‘ibérico’, e na verdade todos eles são pernil de porco…e agora lembrei-me de uma sandes de presunto com queijo da serra – algo inexplicável!!!

    Na verdade todos os pastéis são chamados de ‘de nata’ e supostamente só os da Fábrica de Belém é que se poderão chamar assim, por causa de uma receita antiga e secreta.

    Agora falta-lhe o Porto e a zona do Douro! Comida boa há em todo o lado, e Pingo Doces também!

    Ah…e voltando ao tópico. Sempre pensei que o fogo de artifício de Sidney fosse o melhor.

    Cumprimentos

  8. fernandapugliero

    Bom, pelo menos o Manuel não infartou com o comentário hehe

    Enfim, achei a descrição de Portugal fabulosa! Os portugueses não valorizam mesmo a terrinha que têm. A maioria dos brasileiros que me relata viagem a Portugal me diz as mesmas coisas: “Me surpreendi”, “Achei que era pior”, “Pensei que não era assim”.. e por aí vai. Falta de marketing? Pode ser. Mas digo mais: falta em Portugal endomarketing também!

    Português tem a mania de pensar que o exterior é melhor. Mero engano. Quer coisa melhor do que aliar tecnologia ao jeitinho “de interior” que Portugal tem? (importante frisar aqui que ao dizer “jeitinho de interior” estou carinhosamente nomeando algo que não tem nome, e, até hoje, eu só vi em Portugal – Manuel, não infarte!).

  9. Manuel

    A falta de ‘endomarketing’ já se sentiu muito mais. E esse é o problema. Torna-se difícil perpetuar uma mensagem baseada em vitimização e inferioridade – é tão difícil que o desgraçado do PM, para se ver livre de um problema, é capaz de incentivar à emigração.
    Tal como aí o marketing é de dizer que está tudo bacana e legal, o marketing aqui é deitar abaixo para que se tomem todas as medidas sem grandes ondas – uma vez esmagadas as expectativas torna-se mais fácil a cartelização do dinheiro e do poder! A comunicação social é uma arma muito potente e serve os interesses económicos dos grupos que a detém.
    À beira de uma síncope cardíaca fico eu ao ler o que a imprensa brasileira escreve sobre Portugal! Diga aí aos senhores jornalistas da Folha de São Paulo que contabilizar velhinhos de 70 e 80 anos nas médias de escolarização derruba muita gente do raking! E que não vale fazer copy-paste de outros artigos e ignorar os dados positivos – como os que dizem que a geração actual tem uma escolaridade alinhada com a da Alemanha.
    Ontem também foi aí anunciado que o juro da dívida portuguesa baixou, revelando sinais de confiança dos mercados, e isso passou sem um único comentário. Já hoje…
    Bem, mas agora tenho de ir aparelhar a mula para tirar água do poço.
    Até!

  10. A. Lemes

    Olha eu ressuscitando o tópico…

    Obrigado por ter gostado da minha pequena descrição sobre Lisboa. Se bem que para descrever tudo, precisaria de muitas horas… Foi apenas uma prévia mesmo.
    É exatamente isso que você falou: As coisas que passam desapercebido pelos portugueses, são as que mais nos atraem.

    Com certeza um marketing interno ajudaria a revitalizar ou diminuir as lamentações do povo português. Mas é aquela história: “quem sempre teve carro não sabe como é ficar a pé”. Então teria que ser um marketing muito bem feito para funcionar. O povo é um tanto resistente. Ou mais esperto… É, teria que ser algo realmente bem elaborado.

    Aqui no Brasil quando eles querem sacudir o povo, eles mostram pessoas passando fome na África, tipo: “não reclame do Brasil pois tem gente em piores condições”. Ou então usam a boa e velha tática da “mulata dançarina”: “Não esquenta não! O importante é que o carnaval está chegando”. Ou então a do futebol: “O Brasil subiu no ranking da FIFA”. Aí o povo come merda e da risada!!

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