Ronaldo, paga a crise!

Cristiano Ronaldo ganha pelo menos 22,5 milhões de euro por ano, somados o salário no Real Madrid e seus patrocínios principais (Nike, Coca-Cola e Giogio Armani). É um dos jogadores de futebol mais bem pagos de todos os tempos. Fora a “remuneração fixa”, CR ainda estrela algumas outras campanhas publicitárias, de bancos a marcas de cosméticos, engordando o bolso com mais algumas moedinhas. Ouvi ainda dizer que ele é dono de algumas coisinhas na ilha da Madeira, sua terra natal.

Apesar disso, creio que ele não conseguiria pagar a dívida portuguesa, como sugerem os Homens da Luta no vídeo O Ronaldo paga a crise.

Segundo o que pesquisei na Internet, a dívida portuguesa não surgiu de repente. Ela é fruto de uma evolução, ou seja, os governantes deveriam ter se tocado antes que o balão ia estourar algum dia…

– Em 1980 a dívida pública era de 2,3 mil milhões de euros.

– Em 2000 já era de 66,1 mil milhões.

– Em 2004 era de 79 mil milhões.

– Em 2011 é de 150 mil milhões.

“Mil milhões” em português de Portugal é o equivalente a “bilhão” em brasileiro. Ou seja, Portugal encerra o ano de 2011 devendo mais de 150 bilhões de euros – e o PIB português é de 160 bilhões! Isso sem falar na dívida dos bancos e das empresas privadas…

Na lista das resoluções para 2012, Portugal deveria traçar um plano para sair da bancarrota. Apelar para a fortuna de Cristiano Ronaldo é até engraçado, mas, pensando bem, está longe de ser a solução da crise.

5 comentários

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5 responses to “Ronaldo, paga a crise!

  1. Manuel

    Esperava eu que último post de 2011 neste blogue (pelo menos acho que este é o último) falasse de esperança e energia positiva. Mas não, mais do mesmo! E este ‘papinho’ da evolução da dívida, assim fora do contexto, até parece muito simples: porque os governos não se mancaram, não é?! Duh!!! Mais uma vez, TODOS os países têm dívidas externas. O que nem todos têm são ataques especulatórios à sua moeda e juros. Mais uma vez, a dívida aumentou exponencialmente em 2008, fruto da crise made in USA – que obrigou os estados a endividarem-se (com o avalo da UE), e também devido às descidas de rating (pelas agências de notação) que implicaram juros colossais: resumindo, o Estado não pediu mais dinheiro, mas de um dia para o outro teve de pagar muito mais juros por os empréstimos já realizados e isso, ao tornar-se insustentável, obrigou ao resgate da UE/BCE/FMI.
    É que mesmo assim, em 2011 Portugal ganhou um Pritzker, um Emmy, Porto e Lisboa foram destacados internacionalmente na imprensa, avanços na investigação científica, as exportações aumentaram, os hotéis têm estado cheios…há vida para além do défice e da crise.
    E eu a pensar que no Brasil hoje era dia de vestir a fatiota branca e só pensar em coisas boas, a emanar energia positiva…

  2. fernandapugliero

    Manuel, confesso que não pensei no “espírito de energias positivas do último dia do ano” ao postar hoje. Apesar de eu me considerar uma pessoa extremamente positiva e emanar boas energias o tempo todo (além de mentalizar coisas boas tb), acabei por escrever sobre esse vídeo que me fora enviado dias atrás.

    Sinceramente, a única coisa que me preocupa na crise europeia é que meus planos de viver no continente acabam se adiando, pois fico com receio de deixar o “país do futuro” e me unir às reclamações de aumento nos preços, perdas de subsídios e falta de empregos. Isso é uma lástima para mim, e creio que a maneira que encontro em “combater” isso é, em certa medida, o deboche.

    A crise não é fruto de uma dívida, pois, como você mesmo repetiu, todos os países têm dívidas. Ainda estou tentando descobrir o real motivo dessa porcaria toda que está a ocorrer nos países do norte.

    Enfim, um bom ano novo a todos (com ou sem crise!). E, se valer de alguma coisa, deixo aqui registrado um comentário que minha mãe insiste em fazer todos os dias ao ver notícias na tv sobre o afundamento da Europa: No fim das contas, quem vai comer merda somos nós aqui de baixo, porque o pessoal lá de cima vai arranjar um jeito de se safar.

    Amém!

  3. Manuel

    Isto agora foi abaixo, 2012 é ano de recortes e austeridade – de forma clara e assumida – mas haverá uma saída. Tem de haver! As pessoas não aguentam mais ouvir a palavra crise o que é bom, pois começa o movimento de reacção. Nisto tudo a comunicação social tem tido um papel lastimável.
    E por muito que custe, que nos custe, mais vale puxar o travão agora e sanear as contas e a economia (como quase toda a Europa está a fazer) do que continuar na ilusão e endividamento: os EUA continuam a subir o tecto da dívida pública e a imprimir dinheiro – isto sim é um verdadeiro perigo para todos!
    Mas o Brasil já é país do futuro há quanto tempo?!🙂 (estou no gozo). Parece-me que agora vive-se um momento de ouro! Nunca vi e ouvi tanta gente brasileira em turismo pelas ruas de Lisboa como agora. Sinal que há grana a rolar e vontade de a gastar. É aproveitar!!! Há quem diga que o Brasil terá, depois da euforia da Copa e das Olimpíadas, uma ressaca – o que ocorre sempre depois destes eventos. Resta saber se o governo está a preparar a economia para isto. Se será um embate ou um nivelamento gradual.
    Esta cena até pode rebentar toda como dizem os Maias: e quê?! A minha mãe também diz uma coisa que é: ‘Para a frente é que é caminho!’
    Um bom ano!
    Saravá!!! (too much?!…🙂 )

    • fernandapugliero

      Manuel, o dinheiro não está a rolar no Brasil. Por aqui temos uma coisa chamada “cartão de crédito” para pessoas com ou sem crédito, ou seja, você tb pode vir viver cá e ter o seu! hehe

      Não é o dinheiro que está rolando por cá, mas sim a facilidade de crédito. Isso gera juros, que gera dívidas imensas e, se algumas coisa der errado no meio do caminho, a bomba estoura e será impossível pagar essa bola de neve, entende? Eu sempre comparo o Brasil de hoje a Espanha de ontem. Acho que depois de 2014 estaremos lascados!

  4. Pedro

    O post foi bom, até as mensagens de Natal e ano novo eram piadas sobre a crise que este ano dominou a nossa actualidade e em 2012 vai atacar com mais força ainda.

    Fernanda neste link http://desmitos.blogspot.com/2010/10/legados-deste-governo-1-divida-publica.html podes ver a evolução da divida em relação ao pib desde 1850. Nota-se bem alguns períodos da nossa história recente neste gráfico como o constante crescimento até 1870 (talvez efeitos da independência do Brasil e da quebra de entrada das matérias-primas). a entrada de Salazar nas finanças portuguesas, a dívida do Estado Novo (ditadura) que era irrisória, daí muitos portugueses olharem saudosistas para esse tempo, os efeitos do 25 de Abril, o país evoluiu mas contraiu dívida, fruto de uma politica mais de esquerda (investir para crescer) o constante crescimento a partir de 2000 com a quebra da produção portuguesa e até da construção, um dos efeitos da UE, pagam-nos para não produzir mas dão-nos € para obras, acabam-se as obras acabam-se os empregos. Mais tarde na era Socrates que foi a ruína total do país juntamente com a crise mundial que começou com os Lehman Brothers e o medo dos credores de que os devedores não pagassem.

    Bom ano e continua a postar no blog que é sempre agradável de ler, a tua (exigente[!]) audiência agradece.

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