O Brasileirissimo de Aguinaldo Silva

Há cerca de um mês, li num desses sites de fofocas alguns spoilers sobre a atual novela das nove da Rede Globo, Fina Estampa. Enquanto os portugueses estão ainda a assistir Insensato Coração (o Léo morre no final HÁ!), por cá nos divertimos (?) com as crueldades (!) de Tereza Cristina.

Christiane Torloni interpreta a vilã da trama. Ela é casada com um cozinheiro chamado René, que trabalha em seu restaurante, o Le Velmont. Essa semana era irá demiti-lo (sim, ela vai demitir o marido do próprio restaurante porque ela é a ryca!). Enfim, segundo o que li no tal site de fofoca, René vai abrir seu próprio restaurante, que supostamente irá se chamar Brasileirissimo.

E esse restaurante existe de verdade! Fica em Lisboa, serve petiscos brasileiros, tem cerveja de cá e cachaça. E adivinha quem é proprietário!? Sr. Aguinaldo Silva, o autor da novela Fina Estampa.

Cerveja brasileira

Aguinaldo Silva, o proprietário do Brasileirissimo

Eu bem que desconfiava que ele tinha um pezinho do lado de lá. Pensa bem: A outra personagem principal dessa novela chama-se Griselda (interpretada por Lília Cabral) e é imigrante portuguesa. O ator Paulo Rocha (que é lisboeta) interpreta Guaracy, um portuga dono de tasca (conforme já postado aqui). Fora que esses dias ainda vi na tv que uma das oito casas do Aguinaldo Silva fica em Lisboa. Aliás, acho que ele deu uma entrevista para alguém diretamente de lá, ou seja, suponho que alguns capítulos de Fina Estampa sejam literalmente importados da terrinha😛

A conexão Brasil-Portugal em novelas brasileiras parece estar se fortalecendo cada vez mais. Primeiro importam Ricardo Pereira e o ensinam a falar brasileiro. Lembro ainda que estava em Portugal quando gravaram cenas da novela Viver a Vida em Lisboa. Em outra novela havia um núcleo de tugas. Agora, em Fina Estampa, a personagem principal é portuguesa, há um português de verdade (atuando com o sotaque que eu a-do-ro e tudo!) e o restaurante do autor ainda vai entrar na trama (mega publicidade, hein Aguinaldo!?). Não esquecendo também da nova sede da Rede Globo em Lisboa.

Vamos dominar a terrinha lol (ou a terrinha quer nos dominar novamente?)

Obs.: Espero que observem que o post foi baseado num spoiler, ou seja, pode ser que não se confirme. No entanto, na mesma fica a dica do restaurante e a informação de que Aguinaldo Silva é o dono.

9 comentários

Filed under Brasil, Portugal

9 responses to “O Brasileirissimo de Aguinaldo Silva

  1. Manuel

    Dominação, dominação…Império, Império…sabia que no século XVIII não havia a distinção-nome-adjectivo de brasileiro?! Oh yes…toda a gente era portuguesa, sem distinção (li num artigo sobre os engenhos de café).
    Quanto às novelas, acho um piadão que a malta nova no Brasil – independentemente da ‘classe social – vibre com as novelas! Parece-me a mim, sem certeza…mas quase! Ou não?!
    Mas não continua sempre tudo um pouco na mesma: os pobres e os ricos (muito, muito ricos), ‘café da manhã’, a ‘comunidade’ aka favela (mas versão light)…ah, e os portugueses (quando aparecem) ou muito brutos ou padeiros, ou então as duas coisas!🙂
    Outra coisa sobre as quais me questiono: sendo o Brasil um país ‘mestiço’, em que aparentemente mais de metade da população se considera ‘não branca’ nunca há uma personagem central representativa dessa realidade! A não ser que seja uma novela de época…
    Quando voltarem a escrever algo do tipo ‘A Próxima Vítima’ me liguem, tá?!

  2. fernandapugliero

    Manuel, antes do Brasil ser independente, creio que éramos colônia de Portugal, ou seja, não existia a definição de “brasileiro”… pois, éramos sim todos portugueses (eu não inclusa, pois meus bisavós chegaram cá depois disso vindos de Itália, Espanha e Alemanha rsrsrs).

    Sobre a malta jovem assistir novelas, discordo do que você disse. Eu assisto pq sou boboca mesmo, mas a maioria não assiste não, em especial na minha faixa etária (as pessoas trabalham, saem pra se divertir, têm outros compromissos etc e etc). Te confesso que tenho acompanhado as novelas pq fiquei dois anos sem, ou seja, tô matando a saudades AINDA!

    E o que você disse sobre o país mestiço sem protagonistas mestiços: Olha, sempre temos no ar alguma novela com algum “mestiço” como protagonista (você se referiu a “mestiço” como pessoas de pele não branca, né?). Creio que em Portugal não se tem conhecimento sobre isso, mas temos pelo menos 3 novelas simultaneamente no ar só na Rede Globo, e aí em PT geralmente optam por reprisar a das 9 (é uma hipótese). Ou ainda, reprisam aí as novelas que tenham menos impacto cultural (é outra hipótese!).

    • marta luigi

      Como não inclusa? A família procriou a partir dos ascendentes não portugueses só com outros ascendentes 100% não portugueses? Em 100 anos? Você me desculpe a sinceridade, mas parece difícil. Hoje em dia é chique dizer que se é descendente de alemães, italianos… mas na época havia tanta pobreza na Alemanha e Itália como noutros países europeus e, com raras exceções, quem vinha para o Brasil fugia de uma vida miserável. Você sabe disso, acredito. Mas preste atenção nessa necessidade de demarcação, tão comum nos brasileiros, não é legal, não é bonito.

  3. Manuel

    Como assim impacto social?! Porque tem pretos e brancos?! Não percebi isso, a sério…
    Em Portugal não se sente isso das diferenças de cor com essa intensidade. Tenho sobrinhos com descendência angolana e duvido que alguma vez tenham sentido algum tipo de descriminação! Nem vejo que em termos de oportunidades sejam colocados à margem…essa hipótese é completamente ridícula e anacrónica! Mesmo. Ficaria completamente alterado se alguma coisa desse género lhes acontecesse!!!
    Eu dou-lhe a imagem que passa: não há um negro – excepto se for um escravo – como personagem central nas novelas! Mas okay…nas que passam aqui, dou-te o benefício da dúvida!!!
    Uma outra coisa. Portugal recebe gente de todo o mundo desde o século XVI e é como esponja: absorve tudo! Por isso, racismo sim há – como em todo o lado – mas a tendência é a mistura mesmo!
    Nada tenho contra novelas. Gostava é que regressassem as de conteúdo mais literário, tipo Tieta e assim…
    E isso do termo Brasileiro que referi é uma coisa que mostrava a inexistência de ‘preconceito’ e do olhar português sobre o território. Mas isso é mais complexo, mete muitas outras coisas, e got to go now…🙂

  4. fernandapugliero

    Primeiro dizes “Tenho sobrinhos com descendência angolana e duvido que alguma vez tenham sentido algum tipo de descriminação”, para depois completares com “Por isso, racismo sim há – como em todo o lado – mas a tendência é a mistura mesmo!”.. Te decide!

    By the way, racismo é crime no Brasil. Por aqui, não saímos na rua a chamar os afro-descendentes de “pretos” como fazem em Portugal…

    • Manuel

      Fernanda: duh!!!! Eu falo dos casos que me são muito próximos e depois tento não generalizar pela positiva porque obviamente – não sendo ingénuo – hello?!!! – e apesar de ser coisa que não bate à porta da minha família, sei de que existe em qualquer paíes deste mundo. Nâo sei como posso ter sido incongruente…
      Já agora, sobre o racismo ser crime. A mim ensinaram-me em casa desde pequeno e na escola como me relacionar com os outros. Obviamente ninguém se dirige a mim como ‘ó tu ó branco’ e não chamo ninguém por ‘preto’… Mesmo assim acho que PRETO é uma palavra e como tantas outras depende de quem a usa e da intenção com que a usa. Entendes? Quanto à legislação: parece-me que é uma forma de forçar e ESTAGNAR um comportamento na marra. Não sei como é a legislação aqui, e os contextos e as sociedades são diferentes. Ainda bem que aí ninguém chama preto a ninguém, mas o problema às vezes reside na cabeça das pessoas – e isso ninguém ouve.

  5. Manuel

    E estão a ir pelo caminho dos americanos: italo-americanos, afro-americanos, hispano-americanos…porque nâo simplesmente americanos?! No vosso caso brasileiros. PONTO. Sem hífen. De pleno direito. Acabar com essas armadilhas raciais, culturais, étnicas ou sei lá o quê…

  6. fernandapugliero

    Concordo contigo em diversos pontos. No entanto, racismo existe sim e é hipócrita quem diz que não existe. E não é só as raças diferentes que são vítimas… toda minoria sofre algum tipo de preconceito. Enfim, acho que nos desviamos um bocado do assunto “novelas”… aliás, vou ter que reler os comentários para lembrar como chegamos nesse ponto hehe

    • Manuel

      Sim, mega desvio. Mas tudo por causa das novelas! E continuo com a minha: apesar de mais de 50% do Brasil se considerar ‘não branco’, os caras das novelas não representam isso. Pelo menos nas da Globo. É como se fosse um Brasil selected, numa redoma, falsamente genérico, sem calorias e sem glutén! REFORÇO: esta é a minha opinião pessoal, de quem desde pequeno viu novelas brasileiras e ao longo do tempo, cruzando com a vida real, tem vindo a ‘reflectir’ sobre o assunto…mas quase sempre uma reflexão para dentro!🙂 Bom fds!

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