A diferença entre crescimento e evolução

Matéria de capa do G1 em 01/09/2011

A crise rende mesmo notícia. E a moral da história é sempre a mesma: Voltem pro Brasil, brasileiros (porque isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais!). Olha, confesso que pensei que estava melhor antes de retornar. (Isso não é uma reclamação, é constatação).

Eu estudei desenvolvimento urbano na Universidade. Quando uma sociedade atinge certo ponto de desenvolvimento, não são mais necessários certos serviços menores. Explico-me: Cobrador em ônibus, fiscal de trânsito, pessoa para cobrar o pedágio, garçons, carregadores de mala, faxineiras, ajudante de banco, varredores de rua e etc. Enfim, uma infinidade de pequenos trabalhos acabam por ser resolvidos pelas próprias pessoas, a partir da evolução da tecnologia e do pensamento: Made yourself e self service são palavras de ordem (bem como ‘cuide do seu nariz!’).

É por isso que a crise tem sido sentida tão fortemente pelos brasucas que estão no exterior. Não vejo nenhum empresário reclamando. Alguém viu?

Tudo bem, tudo bem. Há empresas que estão com os negócios indo mal, mas acho que isso é geral né? Não é só from Europe esse papo…

Trata-se de um movimento da sociedade europeia. Um passo (ou crise?) grande para uma evolução maior. Quando você não consegue produzir tanta riqueza de modo a distribuí-la de forma justa entre sua sociedade, você faz o que? Dificulta a vida dos estrangeiros. Cara, é nacionalismo puro! E eles estão certos.

Se um italiano quer ir a um restaurante no final de semana, prefere ir no restaurante cujo dono é italiano. Se uma família portuguesa precisa de uma faxineira, prefere contratar uma senhora portuguesa. Se você precisa escolher entre produtos nacionais e importados, você colabora com os impostos nacionais. Essa é a lógica, não?

Particularmente, eu sou completamente a favor de imigração. Acho que um país precisa “importar” pessoas quando está a crescer. Bem, mas esse não é o caso da Europa e dos Estados Unidos no momento… esse é o caso do BRIC!

Eu não fico assustada quando dizem que a Alemanha quase não cresceu no primeiro semestre de 2011. O que? A Alemanha? Um dos três países mais top top do mundo (junto com Japão e EUA)? Pois, o processo por lá já não se trata de crescimento, e sim evolução.

* Para ler a matéria completa do G1, clica aqui.

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5 comentários

Filed under Europa, Mundo

5 responses to “A diferença entre crescimento e evolução

  1. Brasil Falido

    Sensacional esse texto. Eu, aqui do Brasil, penso nisso o tempo todo. Como Portugal está em crise se o Brasil (que é o esgoto do planeta) está em amplo crescimento se tratando de mercado? Portugal é muito superior ao Brasil, não preciso dizer o óbvio. Sei que comparar é até covardia, mas é outra educação, outros objetivos, outra filosofia de vida. Enquanto aqui no Brasil queremos apenas sobreviver (sim, a cada 8 minutos acontece um homicídio no Brasil), em Portugal as pessoas viajam, desfrutam, se divertem, enfim, vivem.
    Venham passar 1 mês em São Paulo e conheçam como é a verdadeira crise. Venham visitar os hospitais públicos, as rodovias deterioradas, a ignorância do povo, a violência extrema, os políticos analfabetos… Os europeus de modo geral até pecam quando falam que estão em crise. Mas está certo. Faz parte do nacionalismo. Se eu ganhar 20mil euros por mês e no mês seguinte eu ganhar 19mil, fechei em declíneo 😦
    São textos como estes que fazem, cada vez mais, eu querer criar meus filhos na Europa.
    Parabéns.

  2. Manuel

    Desde a visita da Presidente Dilma tenho lido muita coisa sobre o Brasil. Fiquei particularmente chocado com as coisas que se comentam nos jornais online sobre Portugal: comentários de pessoas anónimas que por detrás de um teclado vomitam ódio. Eu não imaginava! Nas nossas cabeças a questão colónia-colonizador está arrumada. Passaram 200 anos e surpreende que ainda culpem uma nação pelos males da outra. Porque não culpar a classe política, a sociedade que explora a desigualdade?
    Enfim…
    Também ainda não entendi outra coisa. No meio deste boom de crescimento, desenvolvimento e dinheiro fresquinho, a educação, a saúde e a segurança não têm sofrido melhorias?! Se eu decidir ir trabalhar para São Paulo posso usar os transportes públicos regularmente e a todas as horas?
    Conheço alguns Paulistanos que falam entusiasticamente da cidade, mas a impressão que tenho é de que vivem num gueto: certas horas, certos locais, certas pessoas, certas realidades sociais e económicas.
    Como as opiniões dos outros são díspares, a minha própria opinião oscila.

    • fernandapugliero

      Olá Manuel! O Brasil está realmente crescendo e melhorando, mas questões básicas ainda continuam sem atenção: Educação, saúde, segurança, transporte público de qualidade, entre outras. Concordo contigo quando falas em “guetos”… mas daí já não sei se só andamos nos mesmo lugares, com as mesmas pessoas e em certos horários pq nos acostumamos ao perigo de “sair dessa rotina” ou pq realmente é necessário.

      Eu tenho medo de viver no Brasil. Quando anoitece, já começo a ficar assustada. Acho que é pq vivi certo tempo em Portugal, país com uma “dinâmica” social bem diferente. Enfim, acho que retratei bem no meu texto minha opinião sobre Europa e América Latina.

      • Manuel

        Olá! Obrigado pela tua opinião sem rodeios. Neste período de incertezas há-que ao menos saber valorizar alguma coisa… Se calhar aí é isso mesmo: uma mistura de hábito e necessidade – e assim o perigo acaba por fazer parte do quotidiano. Não sei se essa capacidade se poderá adquirir facilmente…mas por outro lado…o ser humano habitua-se a tudo. Sobretudo se a necessidade assim o exigir.
        🙂

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