Estudando Geografia Humana de Portugal

Enquanto o dia de amanhã não chega, passo o domingo gelado estudando para o exame que farei numa Portugal veranil. Depois de trocar muitos e-mails com meus professores do curso da UP, ficou decidido que a melhor data para realizar o exame de Geografia Humana de Portugal seria o Recurso de 6 de julho.

E cá estou respondendo questões e compartilhando o que aprendo (ou não) com aqueles que se interessam pela História e Geografia portuguesa.

1. Na evolução da ruralidade portuguesa tente explicar os fundamentos dos sistemas autárquicos e da tardia integração do mercado interno, as políticas de fomento agrícola do estado novo, assim como os processos recentes de intensificação, especialização produtiva e extensificação.

Após o estabelecimento do Reino de Portugal, no século XII e XIII, os fluxos ocorriam majoritariamente do norte para o sul, uma vez que o norte (Visigodos) mais agricultor produzia para alimentar o sul (Muçulmanos), que tinham uma cultura mais de cidade. Esses fluxos explicam a uniformidade do país e pouca desigualdade cultural e etnomológica. Nessa época, a agricultura tinha características feudais e era baseada principalmente na subsistência.

No século XIV, a expansão europeia provocou um dinamismo comercial sem antecedentes regrado pelo mercantilismo. O tema era “vender ao estrangeiro mais do que aquilo que lhe compram para consumo”. Era nessa época que Gênova e Veneza estavam em alta, pois controlavam o comércio com os árabes no Mar Mediterrâneo.

No século XV, o aumento e melhoramento das técnicas agrícolas geram excedentes, libertando mão-de-obra da agricultura para as atividades comerciais. Desenvolvem-se, assim, as manufaturas e a classe burguesa, composta de homens livres.

Portugal desenvolve exportação baseada no sal, açúcar, vinho, fruta, azeite e mel. Faziam o transporte das mercadorias do Mar Mediterrâneo até o mar Báltico utilizando navegação de cabotagem. É nessa época que Portugal começa a explorar também o mar aberto, chegando a lha da Madeira, Açores e a suposta “ilha Brasil”, levando a assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494.

A partir do século XVI, com o início da exploração da então colônia Brasil, os portugueses passam a desenvolver agricultura intensiva tropical com mão-de-obra escrava oriunda de suas colônias em África. Nesse período pode-se destacar ainda a diáspora, responsável pelo atraso do país nos séculos seguintes.

Portugal só iniciou algum investimento na indústria a partir do século XVIII com Marquês do Pombal. Uma das razões para isso é o déficit populacional, que causa também a perda de força militar e na expansão colonial, o que faz com que Portugal perca alguns postos de domínio em suas colônias, para a Holanda, por exemplo. A partir do século XVIII inicia a exploração do ouro no Brasil, que segue rumo à metrópole, assim como a produção agrícola e os demais produtos explorados (madeira pau-brasil, por exemplo).

É no final do século XVIII que o vinho do Porto ganha importância. O vinho surgiu porque se acrescetava água ardente para conservar durante a viagem. Os ingleses se colocam como os principais consumidores e clientes, ditando regras do mercado através de boicote, por exemplo.
Portugal tornou-se um entreposto comercial de suas colônias e vivia da Alfândega através da cobrança de impostos. Isso provocou descontentamentos entre o povo, devido aos impostos sobre o consumo e não sobre a produção (que não existia!).

No século XIX, em 1808, a corte portuguesa foge para o Brasil em virtude da ameaça de invasão francesa. Em 1820 teve início uma revolução liberal, que exigia um rei permanente em Portugal. O Rei ficou no Brasil até 1822, ano da independência do Brasil por D. Pedro I, que declarou “independência ou morte” à beira do Ipiranga. A Revolução Vinstista vai de 1820 a 1823 e é inspirada em movimentos revolucionários antecedentes, como a Revolução Francesa de 1789, impulsionando reformas apoiadas no pensamento positivista e o liberalismo. A monarquia passa a perder poder até que, em 1910, é declarada a República.

Após a primeira Guerra Mundial, surge o fascimo na Europa. O clima de instabilidade política e econômica do pós-guerra induz a golpes de Estado nos diversos países. Em 1933 é estabelecida a ditadura em Portugal (Estado Novo). O lema de Salazar era “Deus, Pátria e Família”.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Portugal mantém uma política só, relacionando-se com as colônias africanas, fechando-se ao mundo e à Europa. Até essa época, metade da população portuguesa era agrícola. O Estado Novo investiu em grandes planos de rega entre as décadas de 30 e 50. Portugal se une à EFTA na década de 50. Dessa forma, coloca-se como grande exportador de tomates, vinho e conservas (agricultura) e também têxteis, calçados e eletrônicos. O investimento na indústria faz surgiu pólos industriais no entorno de Lisboa e Porto, por exemplo, a partir da década de 60. Com a guerra das colônias por independência, Portugal perde por um lado (exploração), mas ganha clientes para exportar seus produtos.

Portugal atualmente aposta na especialização na produção de certos produtos como o vinho do Porto e o azeite derivado da oliva. Destaque ainda para produtos tidos como tropicais para os demais países da Europa, como a banana produzida na Madeira. Dos Açores se exporta ananás e chás, mas também se mantêm uma forte produção de carne e leite que abastece o continente.

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