Estudando Geografia Humana de Portugal – parte 3

3. Explicite no que respeita às dinâmicas de urbanização recente, os processos de litoralização populacional, concentração metropolitana e reconfiguração da rede de pequena e médias cidades.

“Portugal virou as costas para a Península Ibérica”. A máxima expressa a afirmação da nacionalidade portuguesa aquando dos primórdios da formação do país. Os portugueses voltaram-se para a fronteira marítima, virando as costas (embora sempre vigilantes e defensivos) à fronteira terrestre: Estava determinado um maior desenvolvimento litoral face ao interior.

No litoral, junto a Foz do rio Tejo, principal via fluvial do país que drena mais de 1/3 do território, localiza-se Lisboa, que se torna naturalmente o primeiro centro econômico e a capital política. O desenvolvimento do litoral vai opondo-se ao desenvolvimento do interior, concentrando-se em Lisboa as riquezas e as classes privilegiadas. Os descobrimentos do século XV e XVI provocam ainda maior desiquilíbrio entre o litoral e o interior. Lisboa funcionava como a cidade macrocéfala com cerca de 100.000 habitantes que contrastavam com os 15.000 do Porto. Só no século XVIII é que o Porto acelera o ritmo de crescimento, apoiado no comércio, navegação e indústria, afirmando-se como a metrópole do Norte.

A junção da proximidade de uma fonte de água potável (rios) com o mar levou à formação de cidades medievais portuguesas mais litorais. Com o passar do tempo, as cidades que se desenvolveram mais para o interior da Península perderam destaque e população para as litorâneas, principalmente na ocasião do apogeu das grandes navegações, início da exportação e descobertas além-mar.

Atualmente, Lisboa coloca-se como o centro administrativo e cidade mais populosa de Portugal, seguida por alguns concelhos metropolitanos e sua paralela, o Porto. A industrialização incentivou uma maior urbanização nos dois centros urbanos do país, bem como a constituição de uma importante e grande região metropolitana no entorno das duas cidades. A rede de pequenas e médias cidades com alguma importância econômica se localiza nesse eixo litoral (Lisboa-Porto). As demais cidades de costa no Alentejo e Algarve são somente importantes para o turismo, em época que este está em alta, ou seja, apresentam um desenvolvimento sazonal com posterior retração. As cidades do interior perdem cada vez mais sua importância, mantendo-se também apenas do turismo e da população tradicional residente que não migrou para as grandes cidades do país.

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