Españistán, de la Burbuja Inmobiliaria a la Crisis

Confesso que nunca entendi direito porque a Espanha entrou em crise de uma hora para outra. Bem, um dos motivos para a falta de entendimento pode ser o fato de eu nunca ter vivido em Espanha. Além disso, sempre tive pouco contato com espanhóis e nunca me interessei em saber o que se passava na terrinha ao lado de Portugal.

Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha são os PIIGS de Europa – considere que Espanha, em inglês, inicia com “S” (Spain!).

Em uma crise, sempre tem uma bolha envolvida. Em Espanha, a bolha é imobiliária. A especulação aumentou o preço dos imóveis ao mesmo tempo que a compra deles era facilitada por empréstimos menos burocráticos. Ou seja, os bancos emprestavam dinheiro porque alguém comprava as dívidas. As pessoas podiam comprar casas novas porque estavam construindo imóveis a todo o vapor. O preço dos imóveis era sempre valorizado, então as pessoas tinham a certeza que consiguiriam pagar a dívida a longo prazo.

O final da história? Bom, os bancos pararam de emprestar dinheiro porque não vendiam mais as dívidas. Quem financiou a casa em 30 ou 40 anos não conseguiu mais pagar, porque os sálarios não aumentaram nesse período, mas as prestações de pagamento sim. Como os bancos pararam de emprestar dinheiro, as hipotecas das casas foram executadas.

Os espanhóis ficaram sem empregos e sem casas. Aliás, se iludiram com “o sonho espanhol”. A verdade é que sempre receberam um “soldo de mierda”, e as casas financiadas nunca foram suas de verdade.

Dá uma espiada no vídeo abaixo para entender melhor a bolha imobiliária e a crise:

Eu até conheci um português que viveu 20 anos em Espanha e retornou a Portugal porque cortaram 50% do sálario dele do dia para a noite. Provavelmente não foi o único. Os imigrantes estão abandonando Espanha, do mesmo jeito que pulam fora de Portugal. A Irlanda também passa por essa fase, junto com a Grécia (que sofreu um mega baque há alguns anos) e a Itália (que, convenhamos, nunca andou muito bem das pernas).

Em Portugal, apelidaram o período entre o ano 2000 e 2010 de “Década Perdida”. Ninguém teve promoção no trabalho ou aumento significativo de sálario – em cargos públicos. Porém, muito embora essa seja a realidade dos funcionários públicos residentes nos PIIGS, a situação se reflete no privado. Menor poder de compra = menos dinheiro circulando na praça = salários generalizadamente menores. Já presenciei meus professores da faculdade portuguesa reclamando sobre planos de carreira nunca cumpridos e salários estagnados.

Já falei por aqui que na Europa a inflação é quase nula e a mobilidade social também. Já disse também que não é comum as pessoas apostarem na compra da casa própria, como ocorre no Brasil. Aliás, Portugal é o país europeu com mais casas próprias. Em países onde o governo garante suporte, melhor mesmo é investir em cursos e viagens, não na compra de imóveis.

Enfim, pouco entendo sobre crises econômicas, mas, pelo que observo, essa história vai longe. Eu que não queria estar na pele de algum governante e ter que resolver essa história.

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Filed under Espanha, Europa, Portugal

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