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“No próximo jogo do Brasil eu vou armar um tenda brasuca em Aliados”, disse um dos tantos brasileiros que foi torcer pelo Brasil contra Portugal. “Ah não! Político que promete e não cumpre até aqui”, atacou outro. “Daqui a pouco ele tá querendo se candidatar ao lugar do Sócrates”, rebateu o moreno alto, dono do cooler de cerveja, que amenizava o calor de 30 e tantos graus a qual o grupo estava exposto.

Perto dali, outro grupo brindava o Brasil com Sagres. Uma esteticista reclamava do menino alto, que transformou uma embalagem de pizza em coroa. “No próximo jogo, trago um daqueles banquinhos do salão e meto aqui no meio da galera”, reclamou com a amiga. Os torcedores portugueses gritavam em coro “SENTA, SENTA”, e os brasileiros respondiam “VAI PRA CASA OH TUGA!”. Ninguém iria sentar em praça pública para vibrar pela partida mais esperada da primeira fase da Copa do Mundo. No fim, todo mundo se aquietou para cantar – ou berrar – o hino nacional de seu respectivo país.´

O jogo foi fraco. Kaká ficou só na torcida. Robinho não jogou. Portugal mantinha nove homens na defesa. O juiz estava fissurado pelo seu cartão amarelo. O empate colocou-se como óbvio desde o início, para decepção de quem queria “dar nos dedos” do vizinho.

Quando Cristiano Ronaldo marcou uma falta do primeiro tempo, alguém gritou “sai daí, viadinho” e uma portuguesa logo respondeu: “Volta para teu país se não gosta do Ronaldo”. A verdade é que ninguém estava ali para brigar, mas também ninguém queria vibrar. O negócio era pegar forte na reza para poder comemorar a derrota do outro.

Júlio César virou Paredão, e Ronaldo, paneleiro. Os chutes por cima da trave foram vaiados e comemorados, ao mesmo tempo. Quando a bola chutada por Nilmar no primeiro tempo bateu no travão, ninguém entendeu. Foi gol ou não? O replay demorou para acontecer, e só os torcedores que estavam no estádio em África do Sul devem ter percebido na hora do lance.

Choveu brasileiro posando com a bandeira brasileira. Hoje a noite devem entupir o Orkut com fotos do tipo “eu no jogo da seleção em Aliados”. Brasileiro não perde jogo da seleção por nada no mundo. Português anda calmamente no metro ou faz compras no mercado… – marcaram meu exame final do semestre para às 16h30min, ou seja, perdi o segundo tempo.

A Avenida dos Aliados deveria ter ficado calada no final do jogo. Brasileiros e portugueses devem de ter acordado um empate pelo bem das regras da boa vizinhança. Apesar disso, tudo sempre acaba em festa, principalmente quando há sangue verde-amarelo envolvido. E hoje não foi diferente. Os bares do centro da cidade do Porto estão lotados de vermelho, amarelo e verde que bebem cerveja e sangria non-stop.

Brasuca que vive em terras tugas deveria se contentar com uma derrota, caso essa acontecesse. Por isso mesmo, tinha brasileiro prevenido, trajando camiseta do Brasil e bandeira portuguesa. Graças a Deus, tal fato não foi consumado. Podemos ao menos dizer que passamos em primeiro lugar nessa fase do Mundial e que deixamos nossos irmãoszinhos com o segundo lugar 🙂

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Filed under Vida Portuguesa

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