Os perigos da Ribeira

Toda segunda-feira é dia de balde para os universitários do Porto. Alguns turistas aparecem também. Erasmus misturam-se a portugueses e mesmo os brasileiros arriscam um inglês cheio de erros para pedir informações sobre onde é a casa de banho.

O preço da segunda é especial. Pague um, leve dois. Por 5 euros leva-se dois baldes de vodca com qualquer outra mistura, geralmente sumo. Pode também optar por cerveja ou whiskey. São literalmente baldes, pois cada um deles contém um litro de bebida!

O dito bar dos baldes fica por baixo das marquises dos antigos prédios do local. Se passa por uma espécie de túnel – mas muito curto – para chegar lá. Há uma esplanada com mesinhas e guarda-sóis, que ficam abertos no inverno, inclusive.

O lugar pode parecer um pouco macabro, com todos aqueles prédios-cacarecos, becos escuros e gente de todo o tipo. Parece e é. A polícia do Porto não recomenda que ninguém frequente a Ribeira a noite. “Portugal já não é mais como fora há dez anos”, disse o policial que nos atendeu ontem a noite na Esquadra a beira de Loiós.

Pode ser que Portugal não seja mais tão segura como fora há dez anos, mas eu não arrisco em dizer que é mais perigosa que o Brasil. Se a prostituição foi a primeira profissão da humanidade, o furto deve ter sido o primeiro delito.

Ontem, dia oito de fevereiro, minha amiga teve a bolsa roubada na Ribeira. Estavámos entre três pessoas em uma mesa, com as bolsas colocadas em uma quarta cadeira. Quando nos demos conta, a bolsa dela não estava com as outras. Liguei para o celular. Este estava caído embaixo de uma outra cadeira, em uma mesa próxima.

Não podemos acusar ninguém. Não é justo. Não temos provas. É feio desconfiar dos outros. Mas, de uma coisa eu sei: Documentos brasileiros são facéis de vender e muito valiosos no mercado negro. Quando se está em uma mesa somente com amigos brasileiros, mas rodeada de portugueses, a desconfiança aumenta. Eles sabem que tem muito brasileiro ilegal por aqui. Imagina quanto deve valer uma Autorização de Residência Portuguesa no mercado negro?

Cartões de crédito ou débito roubados de madrugada são passíveis de cancelamento até que se possa fazer algum rombo pela manhã. Uma bolsa e carteira, embora caras, compram-se novas. Não entendo o porquê de terem deixado o celular. Talvez caiu, talvez não.

Certo é que pra Ribeira só se leva o essencial. Algum documento idiota de identificação – carteirinha ESN, Euro-26, da faculdade… -, dinheiro trocado de preferência e celular. Estudante brasileiro não precisa rondar por aí carregando passaporte. Deixa sempre em casa. Tem gente que diz que é bom levar ele para todos os lugares que se vá no estrangeiro. Balela. Deixa em casa, trancado a sete chaves. É o passaporte que mais vale dinheiro na mão das pessoas erradas.

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1 Comentário

Filed under Vida Portuguesa

One response to “Os perigos da Ribeira

  1. Carlos

    Eu acho super errado como pensas que só os portugueses roubam as coisas. Tas a dizer que há muitos brasileiros ilegais, mas não das credito que um brasileiro ilegal possa ter roubado, ou mesmo uma das pessoas com quem estavas ter combinado com outro brasileiro para o furto. No final, o importante é que o roubo foi feito, mas o que eu acho impactante é que estejas a dizer que o ladrão foi um português… não tas a dizer também que PT é mais seguro que o Brasil???

    Ps. Não sou português.

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