Eu vivo na Europa!

O outono europeu é espetacular. Parece aqueles filmes que a gente vê quando criança na Sessão da Tarde na Globo. Folhas amareladas no chão, daquelas que fazem um barulho de quabrado quando pisadas. Descobri que o crepúsculo se esconde, aliás, guarda sua beleza para essa época. Céu azulado, com nuvens escuras, que parecem desenhadas, às seis da tarde. Um friozinho bom, que se sente na pele, mas ajuda a formar o clima. Enfim, finalmente sinto que vivo na Europa.

Neste semestre, a faculdade anda melhor. As disciplinas estão mais complicadas, estou atolada de trabalhos e todas as provas têm data definida. O Bolonha começa a pesar nas costas, ao mesmo tempo que eu começo a compreendê-lo melhor. Esse processo, estabelecido há não muitos anos, uniu graduação a mestrado. Todo mundo é mestre em cinco anos. Mas, para isso, tem que estudar um bocado. E sozinho! Sim, porque as aulas, embora obrigatórias, só servem como base. Estudantes europeu tem que correr atrás da matéria. Como disse uma professora na quarta-feira a noite – aliás, a maior mejera da Geografia da UP -: “Nós apenas abrimos a porta e não queremos decoreba. Vocês é quem a atravessam”.

Engraçado mesmo é quando alguém me pergunta quando cheguei a Portugal. Logo respondo, “em março”. Como réplica, “no ano passado?”. Enfim, o Natal aqui é no meio do ano. O ano acaba e começa outro, mas as coisas continuam as mesmas. Dia 5 de janeiro tem prova. Aliás, janeiro todo é época de exames finais. Quando vê, já é fevereiro e começa tudo de novo. Bom mesmo são as férias de verão… Ahhh, o verão!

Ainda no ritmo Erasmus, eu e meus companheiros de casa continuamos a aproveitar as quintas, sextas e sábados a todo o vapor. Faz parte da rotina. “Party everyday! Pa-pa-party everyday!”. Até arranjamos um cachorro de estimação, cujo nome (adivinhe!), é Erasmus. Porém, ele ainda não desmamou. Além disso, uma das colegas de casa, a Kelly, disse que se o pequeno labrador branco entrar pela porta, ela sai. Ainda estamos pensando se preferimos a mineira ou o português. É uma pena! Acho que seríamos felizes com o sétimo elemento…

O contato com o Brasil fica cada vez mais escasso. Ainda faço um esforço para avisar meus pais sobre o que ando fazendo, para onde estou indo e como estão os estudos. Mas é complicado. Chego a conclusão que é impossível ter duas vidas pararelas. Parei de pensar na volta em fevereiro – verão, piscina, biquini, banho de sol – e me concentro nas botas e casacos, que, aliás, deixam as pessoas muito mais elegantes do que o suor porto-alegrense em dezembro. O plano para Natal e Ano Novo é fica em terras lusitanas. Meu aniversário provavelmente será comemorado por aqui também. Não tenho dinheiro e, se tivesse, acho que não gastaria. Prefiro viajar em setembro, que, aliás, é o melhor mês para qualquer indiada estilo Eurotrip.

Pois, preciso de idéias melhores para atualizar esse blog, mas a vida pacata até me agrada. Lógico que não cai na rotina (ainda!), mas um período de calmaria faz parte. Além disso, nada de muito interessante ocorre no Porto por já. As ruas e shopping estão decoradas para o Natal, e eu ainda sonho com neve! Provavelmente um de meus pedidos para o Pai Natal, que é como chamam o nosso Papai Noel aqui, será um bocado de floquinhos brancos em dezembro 🙂

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under Europa, Vida Portuguesa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s