¡Vale tudo!

Em Barcelona é permitido andar pelado. Seja na areia praia ou no meio da rua, ninguém irá pedir para colocar a roupa. Diz a lenda, que a cidade mudou completamente após as Olimpíadas de 92. O metro foi ampliado, as ruas revitalizadas e o caldeirão turístico começou a ferver.

Pode-se andar nu, mas é proibido beber na rua. A venda de bebidas também é ilegal. Apesar disso, milhões de latinhas ornam qualquer paralelepípedo da zona central. Os ambulantes oferecem aos gritos “cola, fanta, cerveza” e sussurram “haxixe, marijuana”. Se há sinal de polícia, todos somem, e os produtos são armazenados nos bueiros.

Por dentro da cidade

A Sagrada Família continua em construção. Vale a pena ir ao portão fotografar, as dizem que pagar os €8 de entrada é tolice.

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Um dia acabam! Reza a lenda, no próximo século...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

Painel do lado da Sagrada Família. Tem que fazer piada mesmo...

O Park Güell decepciona. A areia no chão lembra um deserto e levanta poeira. Os lendários bancos de Gaudí tornam-se pequenos na imensa clareia pela qual se estendem. Parece que falta alguma coisa. Vai ver é porque ele faleceu antes de acabar o trabalho. Apesar disso, os azulejos recortados reluzem. A mistura de cores é perfeita, pois parece calculada. Azul, amarelo, verde, laranja e branco na medida certa.

Os famosos azulejos de Gaudí

Os famosos azulejos de Gaudí

Todos querem meter a mão na boca do lagarto, logo na entrada. A água atrai as peles secas, que suam com os úmidos 30 e poucos graus. Uma dica válida é entrar por trás do Parque, parando na estação de Valcarca. Dessa forma, poupa-se o trabalho de subir uma lomba de 1 km, pois algum santo homem construiu escadas rolantes para evitar a fadiga.

Em La Rambla tem de tudo. Camelô, artistas de rua – Ronaldinho treina embaixadinhas lá todos os dias -, prostitutas que puxam possíveis clientes pelo braço, terraças, promoters distribuindo flyers e gente. Muita gente. Nos dois sentidos da calçada, por todos os lados e de todos os idiomas.

Portvell é apenas uma cambada de lanchas estacionadas. Os mastros brancos reunidos formam um bom cenário para fotografias e a calçada à margem guia até à praia. Barceloneta é a mais conhecida. Centenas de chinesas oferecem massagens por cinco euLos. Provavelmente elas não têm curso para isso, e a sessão de quinze minutos é um verdadeiro quebra coluna.

Orgulho da cidade, o Bairro Gótico enche os olhos, ouvidos e a imaginação, se a visita for guiada. Prédios antigos, ruelas estreitas e história por todos os lados. Guias locais oferecem serviço por gorjetas – aliás, esqueci de pagar algo ao meu. O tour é inglês, dura três horas e é a melhor coisa que se pode fazer para conhecer bem Barcelona. George Orwell tem uma praça com seu nome vigiada por câmeras. Buracos registrados nas paredes das igrejas recordam fuzilamentos. Postes de diversas ruelas escoravam prostitutas em séculos passados, quando a cafetinagem era disfarçada por ser ilegal.

Igrejinha amigável essa :P

Igrejinha amigável essa 😛

No meio da Plaza Real há dois postes vermelhos. Presentes de Gaudí – talvez a única coisa que ele tenha aprontado antes de partir. O chafariz central foi cenário da “Roda do Mundo”, brincadeira de um grupo de italianos que conheci.

Toni se casaria em duas semanas. Os amigos de Reggio Calábria se reuniram em Barcelona para a despedida de solteiro. Toni, o imperador da noite, se vestiu de sereia. Peruca loira, saia e top lilás. Dezenas de pessoas estavam sentadas nas bordas do chafariz. Fomos o início da roda. Em poucos segundos, juntaram-se americanos, africanos, asiáticos e europeus. Até a Oceania se fez presente. Após a brincadeira, a polícia chegou. Mas, antes disso, Toni nadou na fonte.

¡Vale, vale!

Bem que a capital cataluña gostaria de se separar da Espanha. Até a língua lá é diferente. O catalão é uma mistura de castellano, o espanhol que se aprende na escola ou em cursos, com francês. Se bem que na Espanha isso é comum. Galícia, Andaluzia e o País Basco, por exemplo, também falam idiomas que só lembram o tal “espanhol de verdade”.

Catalão é mistura de castellano com francês

Catalão é mistura de castellano com francês

Meu host em Barcelona foi um couchsurfer. Argentino de nascença, mas com pai espanhol, Catriel me cedeu o quarto de visitas de sua casa. Ele mora com uma menina do País Basco, uma das chicas mais guapa que já conheci na vida. Todas as vezes que eu hablava com ela, o diálogo acabava em vale, vale, talvez a palavra/expressão favorita dos espanhóis.

Há nove anos na cidade, o sorridente Hermano é publicitário. Gastei algumas horas de minhas manhãs – regadas a mate com mel – a debater sobre as diferenças entre América e Europa. Na opinião dele, os latino-americanos aproveitam mais a vida européia. Eu concordo. Aqui é fácil arranjar trabalho e fazer dinheiro rápido. Além disso, desfrutamos das belezas dos lugares muito mais que os nativos, pois nada nos é blasé.

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4 comentários

Filed under Europa

4 responses to “¡Vale tudo!

  1. Leandro Morais

    Deu saudade de Barceloneta!

    Muito bem contada a sua descrição da cidade! Parabéns!

  2. Luiza

    bahhh tu descreveu muitooo bem Barcelona!! foi bom me lembrar – relembrar de lá! hehhe
    Vale-Vale!

  3. Luiza

    bahhh tu descrevestes muitooo bem BCN!! foi bom me lembrar – relembrar de lá! hehhe
    Vale-Vale!

  4. Luiza

    teu blog é maluco..ele disse que ficou repetida minha frase e nao publicou..escrevo outra e ele publica as duas!!! o.O

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