Empty Porto!

Coloquei como status do Facebook, pois não tiro isso da cabeça. A cidade está vazia! Quando nos tornamos moradores de uma cidade européia, o imaginário turístico cai por água abaixo. Hoje estava a olhar fotos na câmera fotográfica da Maren, minha colega de casa, e percebi como o Porto é bonito. Apesar disso, gasto minhas férias dentro de casa, cozinhando esporadicamente ou indo a praia. Aliás, às vezes arrisco uma passada na casa dos meninos (e menina) de Ouro Preto.

Mas, enfim, o vazio gera solidão. Não que eu esteja triste, mas ficar sozinha instiga a imaginação.. e a minha é muito fértil. O futuro está sempre em pauta e, nesse momento, não tenho a miníma idéia do que quero fazer amanhã, por exemplo. Pior ainda se eu tiver que pensar no próximo semestre da faculdade, no retorno ao Brasil ou no meu mochilão em agosto.

Ontem escrevi coisas muito bonitas em inglês sobre isso. Pensaram que eu citava Kafka. Vou tentar traduzir o que lembro, pois ontem estava realmente cansada, até para ver se fica bonito também em português.

Imagine passar alguns meses fora de sua cidade natal. Então você volta, e está tudo vazio. Seus amigos não estão mais lá. Sua família se mudou. A escola onde você estudou quando criança está fechada. Na universidade não há uma alma viva. Você vai aos lugares onde costumava beber com amigos, fazer festa, caminhar, e lembra das boas companias, mas elas não existem mais. Não tem vontade de conhecer pessoas novas, por medo que elas lhe abandonem também. Todos dizem tchau, até logo, espero te ver novamente em breve… e você sabe que eles estão indo para lugares onde vão encontrar entes queridos, pessoas que se importam com eles. Você vai ser informada que eles estão bem. Mas ninguém vai realmente ligar se você estiver mal. Talvez pensem em você, mas você não sabe disso. Talvez lembrem dos momentos que passaram juntos, mas estão longe demais para fazer algo sobre isso. É provável que gostariam de estar com você, mas se distraem com outras coisas e logo esquecem isso.

Nunca se trata sobre o lugar onde você está, mas sim sobre as pessoas que estão com você lá. Como já disse, fiz bons amigos aqui, mas a maioria já se foi. E não volta mais. Hoje percebo que se eu quero viver aqui, longe de tudo e de todos, com amigos voláteis e descartáveis, tenho que ser forte e segurar as pontas nesse novo estilo de vida.

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