Bem-vindo verão!

Mistura de profano e sacro, a festa de São João comemora a chegada do verão – no Hemisfério Norte, é claro. Não sei bem ao certo quando, mas com os cismas da Igreja Católica na Europa, que acabaram criando a religião anglicana e de Calvino, por exemplo, o Vaticano decidiu lincar comemorações profanas com datas importantes para os católicos.

Quem disse que Jesus nasceu em 25 de dezembro? A Igreja. Pois bem, adaptaram a data que coincide com outro solstício – de inverno no Hemisfério Norte. Enfim, São João e Natal têm muito em comum. Além de celebrarem o movimento do Sol entre os paralelos terrestres, anexam uma figura santa.

Aprendi nas aulas de Geografia da Europa que essa comemoração da chegada do verão permitia que as pessoas celebrassem da maneira que bem entendessem. Festa, bebida, mulher, música alta, brincadeiras, fogos de artifício. Bem diferente do São João brasileiro, onde se dança quadrilha, come-se pinhão, há casamento, prisão, quentão e a maior fogueira que se conseguir montar.

Aqui em Portugal, a festa começa na noite de 23 de junho. É dia da semana, e a maioria trabalha, mas ninguém liga. Vira-se a noite na rua, bebendo, dançando e tomando marteladas. Uma das tradições daqui é martelar aqueles que gostamos. Os martelos de plásticos estão em todos os lugares e custam entre 1,5 e 2,5 euros.

Também tem gente que sai com ramos enormes de alho, para esfregar nos outros. O galho tem mais de um metro, com algo que parece uma flor lilás na ponta de cima e uma cabeça de alho na extremidade de baixo. Até que não fede tanto, se não passarem na cara.

Teve festão na minha casa. Assamos sardinhas e pimentos verdes – como chamam pimentões aqui -, igualzinho à tradição. Depois, segui com o Karol, meu amigo polonês, até a Ribeira para vermos os fogos de artifício à meia noite. O Porto todo estava na rua. Não teve condições de descer a lombinha que leva até o rio, e estávamos atrasados. Subimos para a Catedral da Sé e achamos um cantinho lá para ver o espetáculo – ou parte dele.

Aqui soltam muitos balões de São João. Alguns pegam fogo e caem. Não vi nenhum incêndio, mas não quer dizer que não existiram. Ainda na Ribeira, ajudamos um balão que não queria decolar. Funcionou, e ele rumou para o rio Douro.

Depois andamos em direção à Foz. Marteladas na cabeça, música alta, muita bebida. Eu fazia cara de má e ameaçava aqueles que passavam. “Don’t make enemies, Fernanda”! Mas a gente tinha tática. Só batíamos em quem estava indo na direção oposta. O cansaço nos pegou e voltamos ao Piolho, barzinho no centro da cidade.

Eu “pedi pra sair” às 5 horas, pois não agüentava mais. Os meninos ainda arriscaram ir até a praia, pois estavam rolando shows lá, com dj’s famosos e tudo. Fiquei apenas pensando na sujeira que estaria a cidade na quarta-feira, 24. Que nada! Algum santo deve ter limpado tudo para evitar alguma possível enchente – coisa que não acontece por aqui – por causa da tonelada de garrafa e copos nos bueiros.

Restos da festa aqui em casa: sardinha crua e enfeites destruídos

Restos da festança aqui em casa: sardinha crua e enfeites juninos destruídos

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Filed under Porto, Vida Portuguesa

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