Queimando as fitas

Dizem por aí que a Queima das Fitas de Coimbras é melhor do que a do Porto. Não me encontro em condições de comparar, já que presenciei a festa só aqui pelo norte mesmo. A Queima ocorre todos os anos e é um evento universitário. Os finalistas – alunos do quarto ano das faculdades – queimam as fitas de seus cursos, como primeiro gesto em comemoração a graduação. O evento dura uma semana. Começa no domingo e vai até o sábado seguinte, e não se tem aulas enquanto isso!

Na terça-feira ocorre o cortejo. As ruas da cidade são fechadas para a passagem dos “carros alegóricos” e blocos. Parece carnaval. Eles gritam, bebem, pulam uns nos outros… Muitos trazem bebida de casa. Uma mistura de sangria com vodca. Enchem um galão de água de cinco litros, colocam em uma mochila e puxam uma mangueirinha para beber. O resultado é muita gente bêbada e caindo pelas calçadas às cinco da tarde. Uma das tradições é a cartola dos finalistas. Cada um deles também tem uma bengala e batem três vezes – às vezes, com bastante força – na cabeça um dos outros para dar sorte. Engraçado é ver nos carros reclamações sobre a falta de emprego, protestos políticos e contra o Bolonha.

Gritando pela Clérigos até de noite..

Gritando pela Clérigos até de noite..

O cortejo segue do Palácio de Cristal e vai até a Avenida dos Aliados. A bagunça deve acabar já de madrugada, e de lá todos seguem para a Queima das Fitas no Parque da Cidade. Duas linhas de autocarro gratuitas são disponibilizadas para levar a gente toda até o local. Um deles partia da paragem do Hospital São João e outro da própria Aliados.

Umas cem barraquinhas que vendem bebida e comida são montadas no Parque da Cidade. A ala norte é cercada, e ocorrem dois shows por noite no palco do evento. O ingresso para estudantes custa 7 euros por noite, com exceção da sexta, que sai por 8. Os demais pagam 13, mas a maioria é estudante mesmo.

Chegamos por volta da uma da manhã a tal quinta-feira de Queima das Fitas. Como dizem por aqui, foi fixe. Gostei de conhecer a tão famosa festa, que ouvia meus colegas portugueses comentarem sobre desde que aportei por aqui. Bebemos cerveja a 1 euro, comemos hamburger a 3 e viramos alguns copos de vodca a 1,5. Uma das barraquinhas mais animadas era a da Brasup, uma associação tipo ESN para estudantes brasileiros. Rolou funk, axé e o Rap das Armas – provavelmente a música que mais se ouve por aqui. Os estrangeiros adoram!

Além do palco – com shows horríveis -, havia uma tenda gigante com música eletrônica. Fiquei uma hora lá dentro e, quando sai, a música martelou meu cérebro por um bom tempo. A saída foi melhor que a chegada. Mesmo pagando o autocarro na ida, ele estava muito mais lotado do que o gratuito que pegamos na volta. Naquela noite, calculo que umas 50 mil pessoas tenham passado por lá. Foi até tumultuado para entrar, algo estranho para os padrões portugueses, mas blasè para mim.

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