Alles Blau!

Era uma manhã pacata de terça-feira no centro do Porto. Mas não era um dia qualquer. O feriado de páscoa acabara na segunda, e tudo deveria voltar ao normal. Acordei estranhamente estranha. Não sei se a culpa foi da excessiva quantidade de chocolate que comera desde o domingo ou se “as borboletas” aterissaram em minha cabeça por causa da possibilidade de prolongar minha vida na Europa.

A esquina da tal rua do Rosário

Um pedacinho da minha rua pacata

Certo é que eu não estava bem certa. Comi meu sucrilhos matinal, tentei me ocupar com os trabalhos de faculdade, fiquei na varanda olhando a chuva… e nada! Nenhum insight para meu livro ou inspiração para escrever sobre o turismo em Vila Nova de Gaia. O jeito foi pensar no cardápio do almoço, já que passava do meio-dia.

Não costumo ouvir música quando cozinho. Me desconcentra. Mas naquele dia eu já estava um pouco afetada, então puxei uma pasta chamada sonstige, que está em meu desktop, e foi-me passada em meu segundo dia na terrinha por um alemão cujo o nome não lembro, mas estava hospedado no mesmo hostel que eu. Enfim, apesar das músicas alemãs e das baladinhas conhecidas da Dido, Outkast e Nelly Furtado, encontrei um artigo raro perdido por ali.

Yo listen up here’s a story
About a little guy that lives in a blue world
And all day and all night and everything he sees
Is just blue
Like him inside and outside
Blue his house with a blue little window

Uma música que, com certeza absoluta, todo mundo conhece, mas ninguém deve saber que a letra é tão tosca. Aliás, tosca não. Foi perfeita para aquela terça-feira, 14 de abril. Depois de ouvir umas 149.826.946 vezes – em especial, o iniciozinho – decidi fazer uma brincadeirinha tipo “espírito de porco”. Graças ao moche, da tmn, liguei para os amigos “ouropretianos” e coloquei-os a ouvir I’m blue da ba dee da ba die, I’m blue da ba dee da ba die.

– “Alô?”
– Yo listen up here’s a story about a little guy that lives in a blue world…
– “Fernanda, tu enloqueceu?”
– I’m blue da ba dee da ba die, I’m blue da ba dee da ba die…

A Maren estava em casa e logo decretou: “É a última vez que tu coloca essa música hoje”. Ainda pedi que ela não falasse, pois o telefone estava continuamente no alto falante, e a moral da brincadeira é não deixar os outros te ouvirem rolar de rir – ou conversar sobre quantas vezes eu posso deixar uma música no repeat. Depois de alegar que eu deveria ter uns 11 ou 13 anos naquele dia, disse para ela que seria a “letzte mal”.

Chegou um ponto que ninguném mais me atendia. Ou então, atendiam para xingar e dizer que eu estava louca. Ouvi até um “guarda um pouco disso para mim”, já que eu tinha crise de risos e não estava em condições de falar tamanha dor na barriga. A última estratégia foi enviar via sms a letra da música. Até um amigo que estava viajando por Frankfurt recebeu. “Oh Ferrr, que mensagem em inglês era aquela que ocê me enviou?”.

“Abril, chuva a mil”, diz o ditado aqui no Porto. Tudo bem que só chove aqui, mas tem gente que ainda se diverte.

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Filed under Vida Portuguesa

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