Estou há tempos sem passar por aqui, mas de vez em quando é bom vir tirar o pó que se acumula, limpar os fenos e ver se a casa está em ordem. E, dessa vez, trago boas novas! Não, não voltarei a viver a Vida Portuguesa, no entanto, vou participar de um programa alemão para jornalistas e viver cerca de 70 dias em Berlin. Para isso, criei um novo blog (e espero que quem gosta de me ler, dê uma passadinha por lá!). De qualquer forma, nos primeiros três dias de viagem, vou dar uma passadinha em Portugal. E, é óbvio, vou para o Porto rever minha terrinha do coração.
Adivinha o que meus amigos fazem quando veem alguma coisa sobre Portugal na Internet? Colam o link no meu Facebook, ou, então, me enviam por e-mail. Meus amigos encontram comigo e comentam sobre o programa “Muito Giro”, que passa no canal por assinatura Multishow, ou sobre as tantas reportagens que a Globo anda a fazer na terrinha – provavelmente a produção em Portugal tenha aumentado por conta dos estúdios em Lisboa inaugurados no final de 2011. Eles veem Porto, Lisboa e o Algarve inteiro na tv (ou na Internet) e querem comentar comigo. Tem gente que pede dica de viagem, mesmo sem ter nada planejado, enquanto outros aproveitam para esclarecer dúvidas do tipo: “Onde fica a cidade do Algarve?”, e eu tenho que explicar que o Algarve é uma região-muito-gira no sul do país.
Eu gosto de ser esse ímã de assunto sobre Portugal, até porque eu adoro aquele país. Sou até criticada por frequentemente iniciar frases assim: “Porque lá em Portugal…”. É irritante, eu sei. Parece esnobe, eu entendo. Mas o que eu posso fazer? Eu sei que tão cedo não devo voltar, então procuro curtir minhas lembranças da maneira que eu julgo a melhor: diariamente!
Hoje abri meu Facebook, e lá estava o link da versão fado da música de Michel Teló. Não sou muito fã do ritmo, mas custa nada dar um bizóiada. Até porque quem colou na minha wall foi uma amiga muito querida, a Laura, que, inclusive, me visitou quando eu morava no Porto. Detalhe que ela só inclui Porto e Lisboa no roteiro porque eu disse que Portugal valia a pena sim!
Sou membro do Couchsurfing há pelo menos 5 anos. Só tive boas experiências com o projeto. Tenho dezenas de histórias para contar e também já ouvi um bocado sobre as experiências de amigos e conhecidos.
A primeira vez que usei o site mesmo a sério foi em 2007. Eu planejava uma viagem ao Rio de Janeiro no verão de 2008 e decidi fazer alguns amigos cariocas antes do embarque. Conheci o Flávio, a Bianca e a Ane. Mantenho contato com eles até hoje via Facebook.
Algum tempo depois, encontrei-me em Porto Alegre com dois peruanos que estavam a viajar pela América Latina há seis meses. Eles estavam percorrendo o Brasil pegando carona com caminhoneiros na estrada. Mal tinham dinheiro para comer – muito embora tivessem o suficiente para gastar com bebida a se emborrachar. Levei-os a um bar da minha cidade, um dos mais baratos que eu conhecia na época. Ouvi boas histórias naquela noite, e guardei para mim um conselho: “Visite Bogotá, mas não vá a Lima.” Talvez um dia eu faça isso
Mas é claro que foi na Europa que eu tive as maiores experiências. Aqui no Brasil (e isso se aplica a toda América Latina, África e parte da Ásia), as pessoas são mais desconfiadas com esse tipo de coisa. Como vou colocar uma pessoa que nem conheço dentro da minha casa? E se me roubar, sequestrar, matar enquanto durmo? Enfim, os terceiro-mundistas temem mais quanto a segurança, e eu me incluo nisso. Acho mais fácil surfar no sofá alheio se estiver no hemisfério Norte.
Decidi começar a receber pessoas depois de quatro meses morando em Portugal. Encontrei com alguns CS’s antes disso, apenas para um meet for coffee or drink. No entanto, eu não estava apta a receber qualquer um que quisesse usar minha casa como dormitório. O interessante do Couchsurfing é a troca. Realmente conhecer alguém que possa fazer alguma diferença na sua vida – nem que isso se resuma a apenas alguns dias saindo da rotina.
Em meio às mensagens da minha inbox, simpatizei com uma polaca, oriunda de uma cidade a qual eu não sabia pronunciar o nome corretamente, mas hoje me orgulho de ter aprendido: Wroclaw (não se lê “vrôclau”, mas sim “vrôtzlav”!). Asia tinha fotos engraçadas no perfil. Chegou ao Porto no início do verão de 2009, acompanhada do namorado e do filho dele, uma criança de cinco anos (sim, eu recebi uma criança de cinco anos em casa e não a matei!)
Pediram inicialmente para ficar três dias, que viraram cinco e se transformaram em 1 semana. Depois, seguiram para o sul de Portugal, retornando novamente para a minha casa após algumas semanas.
Tive alguns outros hóspedes naquelas primeiras semanas do verão, até que, em julho de 2009, fui eu que comecei a surfar no sofá alheio.
Com algumas dificuldades, arrumei um couch em Barcelona (a Asia me ajudou recomendando algumas pessoas que tinham respondido a ela na época em que viajou pra lá). Fui a primeira hóspede de Catriel, um argentino que morava há algum tempinho na Catalunha. Ele trabalhava como ator e vivia num apartamento daqueles bem antigos, pertinho do centro de Barcelona. Tinha uma companheira de casa que era do país basco e se referia a mim como “chica guapa”. Não lembro o nome dela. Só sei que é uma das mulheres mais bonitas que conheci na vida, apesar de ter a cabeça raspada (se bem que dizem por aí que essa é a melhor maneira de saber quem é verdadeiramente belo: tirar-lhe os cabelos!).
Como o apartamento tinha três dormitórios, fiquei com um quarto só para mim. Não posso dizer que foram as melhores acomodações do mundo, mas tinha uma cama com lençóis limpos e uma sacada que não conseguia acessar porque a porta estava emperrada, além de milhares de sacos plásticos e entulhos espalhados por um armário que estava caindo aos pedaços.
Infelizmente Catriel havia quabrado o pé dois dias antes de eu chegar, portanto não pôde me mostrar a cidade. Apesar disso, me deu alguns mapas de Barcelona e me explicou os pontos imperdíveis. Combinamos pela Internet que eu ficaria por três noites, mas acabei ficando uma a mais – claro que perguntei a ele e a basca se poderia, e lembro que ela disse: “Sí, sí guapa, claro que sí.”
Eu e Catriel, que insistiu em posar com a cortina do apê
Em Barcelona encontrei pessoalmente com Pierre, CS da parte francesa do Canadá. Ele havia me enviado uma mensagem pedindo pouso no Porto. Informei a ele que estaria em Madrid e depois iria Barcelona, por isso não poderia hospedá-lo. As datas de nossa viagem coincidiram, e decidimos nos encontrar em Barcelona. Comemoramos seu aniversário juntos, jantando paella em algum dos restaurantezinhos perto da Rambla.
Aliás, mantenho contato com o Pierre até hoje. Atualmente ele está vivendo em Paris, num pequeno apartamento perto do Moulin Rouge, segundo me informou.
Com Pierre em Barceloneta
Foi uma colega de Faculdade que me indicou um couch na Áustria. Apesar de dizerem que Viena é um dos lugares mais fáceis para descolar um, tive dificuldades. Steffanie me passou o link do perfil da Kathalena, amiga de sua irmã.
Algumas trocas de mensagem depois, Kath me passou as indicações de como chegar a sua casa tim-tim por tim-tim. Combinamos que eu estaria lá por volta das 17h, o que não aconteceu. Acabei demorando mais do que o esperado em Blatislava (minha cidade preferida na Europa!) e peguei o ônibus mais tarde. Nesse dia, eu não estava sozinha, mas sim com meu amigo polaco Karol, que conheci em Erasmus.
Enviei uma mensagem a ela avisando que chegaria atrasada, por volta das 20h. E foi mais ou menos isso que aconteceu. Lembro que saímos do ônibus e pegamos o metro em direção a casa dela. Saímos na estação correta, seguimos as indicações que ela havia passado (caminhar duas quadras e virar a esquerda). Mal estávamos na esquina, e a vi sentada na janela de casa nos esperando. A primeira coisa que ela disse foi: “You are late and I don’t like people who are late.” Subimos. Ela nos recebeu na porta, pediu que tirássemos os sapatos, me deu a chave do apartamento, explicou como eu alimentava o gato, como ligava o chuveiro e disse para eu não comprar comida, pois ela tinha o suficiente em casa. Já estava quase fechando a porta de casa, quando retornou: “Vou dormir na casa do meu namorado, fiquem à vontade.” Eu e Karol tivemos nosso próprio apartamento em Viena por duas noites.
"Nossa" cozinha em Viena
Eu nunca tinha pensado em conhecer Wroclaw. Aliás, eu nem sabia que essa cidade existia antes da Asia aparecer na minha vida. Decidi que poderia visitá-la no caminho para Varsóvia, afinal o trem passaria por ali e custava nada ficar por uns dias. Enviei mensagem a ela para dormirmos no apartamento do seu namorado, pois ela vivia com o pai e eu estava viajando com o Karol.
O namorado da Asia nos passou um número de táxi para quando chegássemos na cidade – o trem passava por Wroclaw às 4 da matina, então não haveria ônibus. Acontece que há dezenas de táxis na Polônia que não são mesmo táxis, ou melhor, são clandestinos. O número que tínhamos era um desses, que, segundo o que nos informaram, seria mais barato.
Confesso que tive um pouco de receio, mas como o Karol é polonês não me pareceu tão mal assim. O táxi marcou conosco no posto de combustíveis ao lado da estação de trem. Ficamos meio de “tocaia”, pois o plano era esperar o motorista estacionar, “dar uma conferida” se parecia boa gente e só então embarcar. Como eu estou viva hoje para contar a história, presume-se que nada me aconteceu naquela madrugada. Enfim, o “esquema” é mesmo tranquilo, e nos custou cerca de 6 euros por quase 15 minutos de corrida. Bagatela. O “taxista” nos contou que o carro tinha placa francesa, pois é possível comprar usados muito baratos por lá, o que vale a pena para o pessoal do leste europeu.
Eu, Asia, namorado da Asia e filho do namorado da Asia de lancha nos canais de Wroclaw, a cidade das ilhas
Na virada de 2009-2010, participei do CouchSurfing Winter Camp em Budapeste. Foi o melhor Ano Novo da minha vida (até hoje!). Tivemos algumas atividades com o grupo, e duas festas bem legais. Numa dela, cada pessoa trazia uma bebida de seu país – eu tive que levar os ingredientes da sangria portuguesa, pois não havia cachaça disponíveis nos non-stops húngaros.
Desde agosto de 2011, o Couchsurfing deixou de ser uma organização sem fins lucrativos. Acho mais do que justo. As pessoas que organizam essa corrente devem sim receber por conta disso. As boas iniciativas do mundo também devem ser bem recompensadas.
Costumo recomendar o site para quem sai de intercâmbio, mas sempre alerto para estarem cientes da real função do projeto. Mais do que um lugar para dormir “de grátis”, o CS é uma troca de experiências. Para manter a ideia ativa, é importante que os indivíduos cadastrados zelem de verdade por essa iniciativa. Sou defensora ferrenha dessa ideologia, e recomendo àqueles que querem apenas economizar na viagem que procurem um hostel baratinho.
E para os que acham uma experiência perigosa, #ficadica do vídeo abaixo, que está na capa do site novo.
E falando em perigo…
Minha amiga Gabriella viajou com mais cinco amigos a Amsterdão. Eram 3 meninas e 3 meninos. Ficaram na casa de um couchsurfer que morava sozinho. Dormiram os seis na sala do apartamento do cara, que era “muito gente fina”, segundo ela me contou. Ele inclusive pagou pizza para eles na primeira noite.
No segundo dia, eles descobriram algo estranho na geladeira. Um pote, com um líquido que parecia sangue e algumas coisas boiando dentro. Mexeram um bocado, sacudiram e decidiram abrir. Era uma orelha humana. Em outro pote havia dedos humanos.
Os seis então fizeram uma pequena reunião e decidiram ir embora na mesma hora. No entanto, estava frio e escuro. Além disso, a casa ficava um bocado longe do centro, e eles não sabiam se haveria transporte até lá. Também não sabiam se os hostels teriam vagas. Então mudaram de ideia: dormiriam mais aquela noite por ali mesmo e saíram bem cedo no outro dia.
A porta da sala onde eles dormiram não tinha chave. Eles então empilharam as mochilas em frente a porta, para dificultar o acesso, caso o então assassino holandês decidisse cortar partes dos seus corpos durante a noite…
Mas é claro que isso não aconteceu! Apesar disso, Gabi e os outros devem ter passado por verdadeiros momento de tensão hehe
Mais tarde, quando o dono da casa chegou, alguém tomou coragem e acabou por perguntar o que tinha naqueles potes. O holandês contou que era maquiador – ou algo assim – e disse ter essas “partes humanas” (que eram de mentirinha) na geladeira para assustar as meninas com quem passava a noite. Pela manhã, pedia a elas para irem buscar água na geladeira. A mulher abre a porta e vê potes com dedos ou orelhas boiando. O que faz? Vai embora na mesma hora, sem dar explicações ou causar desconfiança… ninguém vai arriscar a sorte com um estripador.
Eu sempre fico muito agitada nos dez últimos dias do ano. No 21 comemoro meu nascimento. Em 25, é a festa do nascimento de Jesus. Na noite do 31, nasce um novo ano. É um bocado de coisa para comemorar em apenas dez dias! Fico até mais-agitada-que-o-normal nesses dias…
Nos últimos dois anos (2009 e 2010), comemorei aniversário, Natal e Ano Novo longe de casa. No primeiro ano foi um pouco estranho. A gente nunca sabe muito bem o que fazer ou como comemorar. Mas acho que isso é trauma de primeira vez. Depois dá para encarar tranquilo a sensação de peixe-fora-do-aquário-longe-da-família-e-dos-amigos.
Sempre faz calor no meu aniversário. É o dia de maior insolação no Hemisfério Sul do planeta Terra, ou seja, temos pelo menos 14 horas de dia claro. É solstício de verão, marcando o início da estação mais quente do ano. Bom, pelo menos, era essa a imagem que eu sempre tive antes de viver na Europa.
Em 2009 fiz um diário fotográfico do meu aniversário por dois motivos. Primeiro pelo simples registro da comemoração diferenciada da data que eu mais gosto no ano. Segundo para postar aqui no blog como parte da minha experiência de vida em Portugal.
Em 2010, comemorei meu aniversário só porque meu amigo André insistiu. Eu tinha dois trabalhos (um no shopping e outro num hostel), mas as aulas na faculdade já tinha entrado em recesso de final de ano. Fui comer uma Francesinha com os amigos a noite, num restaurante na Boavista. Minha amiga Alice fez meu bolo (aliás, ela é a melhor fazedora-de-bolos-de-aniversário que eu conheço!). O jantar foi rapidinho, pois eu tinha que acordar cedo no dia seguinte, mas valeu a pena.
Eu tinha esquecido da câmera fotográfica quando saí de casa de manhã, então liguei para minha amiga Tati levar a dela. Tiramos algumas fotos, só para gravar o momento mesmo. Eu pedi a Tati que me enviasse as fotos diversas vezes, e nada! Até que ontem, dia 21 de dezembro de 2011, eu pedi novamente. Aliás, ontem foi meu aniversário (de novo!) então ela poderia fazer um esforço e me enviar as fotos como presente.
Filipe, eu, bolo da Alice e André. Obrigada pela foto, Tati
Meu primeiro Natal em Portugal pareceu mais com “uma festa na casa de alguém”. Cada um levava sua bebida (e, nesse caso, algo para comer). E pronto, foi isso. Conheci algumas pessoas, conversei com os amigos e comi um bocado. Em 2010, passei o Natal na casa dos meus sogros. Foi uma experiência diferente, especialmente pela comida. Ao invés de peru, tivemos algum fruto do mar (lulas, se não me engano). No entanto, achei melhor passar a noite com uma família, pois acho que esse é o verdadeiro sentido do Natal – mesmo isso parecendo um pouco piegas talvez… Enfim, ganhei presente e tudo do Pai Natal (leia-se “minha sogra” hehe).
Natal de 2009 com conhecidos e nem-tão-conhecidos-assim
O Natal de 2009 foi espetacular. Conheci meu namorado em outubro (na época, obviamente, ele não era meu namorado, mas sim um desconhecido). Enfim, o tal desconhecido logo me convidou para ir viajar no Ano Novo para Budapeste. Eu fiz cara de “você-é-doido-acabou-de-me-conhecer”, mas acabei aceitando (vai ver porque eu sou doida também).
Em Budapeste faz MUITO frio no final do ano. FRIO FRIO e FRIO. Foi lá que eu vi neve pela primeira vez – foi pouquinho, mas eu me recordarei pra sempre! Apesar da sensação de freezer, as pessoas saem a rua para assistir shows em palcos montados em praças. Há centenas de barraquinhas vendendo perucas e outros acessórios coloridos. Algumas outras barraquinhas vendem vários tipos de comidas e bebidas. As lojinhas non-stop ficam non-stop de gente entrando e saindo. Foi bem legal
Em Budapeste no último dia de 2009
Em 2010, passei o Ano Novo no Porto. Um pessoal do couchsurfing estava a enviar convites para uma festa no quarto andar de um prédio semi-abandonado no centro do Porto, na avenida dos Aliados. Lá de cima dava pra ver toda a multidão aguardando pelos fogos, que saem por detrás e do topo da Câmara do Porto. Foi legal também.
Acho que Ano Novo na Europa é tudo de bom. Talvez o Natal não seja tão bom assim porque se está longe da família… Comemorar o aniversário longe de casa também é algo do qual não sou muito fã. Gosto de reunir meus amigos todos e não só parte deles. O que posso dizer dessas experiências? É que na segunda vez é muito melhor
Basta enviar um e-mail ou telefonar para o Consulado português mais próximo de você que eles enviam a lista de documentos necessários para obtenção do visto de residência com fins de estudo. (Bom, isso é o que geralmente acontece e podem existir exceções!)
Bom, vamos à lista comentada:
- Formulário de pedido de visto devidamente preenchido, com letra legível, ou datilografado na cor preta: É fornecido pelo Consulado no ato do pedido, ou seja, não precisa se preocupar com isso agora, pois preenche-se no ato da entrega dos documentos;
- Comprovante de residência no Brasil: Serve conta de água, luz ou telefone. Necessário levar o original e uma fotocópia simples e legível;
- Duas fotos 3×4 coloridas e atuais: O “atuais” quer dizer que foram tiradas a menos de 6 meses;
- Passaporte com validade de no mínimo 1 ano: Li que alguns consulados pedem ainda a fotocópia de todas as páginas do passaporte, inclusive das páginas em branco! Ainda parece ser necessário autenticar a fotocópia das páginas que contém identificação (na minha época isso não foi preciso – UI, VELHA!);
- Carteira de Identidade: Trazer o original e fotocópia autenticada (em cartório brasileiro);
- Atestado médico, com menos de 90 dias, de que não sofre de doença infecto-contagiosa, e com assinatura reconhecida, por semelhança, do médico em tabelionato: Essa parte eu considero a mais fácil! Basta pedir para o seu médico escrever num papel que você é saudável e não possui nenhuma doença (depois pergunta em qual cartório ele tem registro de firma e passa lá para autenticar!);
- Certidão de Antecedentes Criminais, emitida pela Polícia Federal, com assinatura reconhecida por semelhança em tabelionato: Na minha época (FERNANDA VELHA!) podia emitir pela internet, no site da PF.. parece que não pode mais…;
- Seguro Médico de Viagem com validade pelo período da estadia em Território Nacional e cobertura mínima de 30.000 euros: ISSO AQUI É PALHAÇADA! Por que não aceitam mais o PB4 que serve como seguro saúde em Portugal, cobrindo inclusive repatriamento do corpo em caso de morte? Isso eu não consigo entender MESMO! (Provavelmente deve ser algum tipo de acordo que os consulados firmaram com as agências de viagem para lucrar algum com os intercambistas, mas isso é assunto para outro post e prometo ainda denunciar esse tipo de conduta na mídia caso se prove irregular como eu penso que é!);
- Carta de aceite (no caso de intercâmbio) OU comprovante de matrícula em estabelecimento de ensino oficialmente reconhecido OU
comprovante de estágio em órgão português reconhecido dentro da área de formação do estagiário;
- Declaração de meios de subsistência em Portugal enquanto durar o curso: Essa parte tb é fácil! Aqui serve o comprovante da bolsa de estudos (em caso de haver) ou termo de responsabilidade dos pais com firma reconhecida, seguido de comprovante de renda ou extrato bancário. Eu levei o extrato da poupança, um boleto do cartão de crédito que comprovava um limite de 8 mil reais para gastos e um documento assinado por meu pai dizendo que me enviaria pelo menos 500 euros todos os meses. Importante destacar que eu NUNCA usei esse cartão de crédito (pois nunca precisei) e meu pai também não me enviava 500 euros por mês (porque não somos ricos!). Portanto, aqui cabe dizer que qualquer coisa é válida, pois o objetivo é provar que você tem condições de se manter bem financeiramente, mas isso cada um define o que isso significa (uns gastam mil por mês, outros sobrevivem com 250!).
Enfim, se alguém tiver alguma dúvida e não conseguir contactar o consulado, fala comigo através dos comentários
Ontem foi ao ar no Fantástico a reportagem gravada em Portugal do quadro “Conselho de Classe” do Fantástico. (Eu já tinha anunciado o teaseraqui!). Os professores-personagens da série visitaram a Escola da Ponte que fica em Vila das Aves, freguesia do concelho de Santo Tirso no Distrito do Porto.
Me emocionei com a praxe cantando “Ai se eu te pego” a beira do Douro, em Vila Nova de Gaia. Foi bom rever o metro-mais-lento-do-mundo: Tenho quase certeza que consigo caminhar mais rápido do que o metro do Porto. Fiquei narrando pros meus pais (que assistiram a reportagem comigo) os sítios que apareciam nas filmagens… locais que conheço mais-do-que-bem! Enfim, adoro ver Portugal na tv, em especial o Porto.
Na reportagem só aponto duas falhas:
1) Por que mostram um avião da Gol decolando se todos sabem que quem voa para Portugal é a TAP? Ok, foi só para ilustrar… mas ficou tosco!
2) Legendas para a portuguesinha? Me senti em Portugal assistindo um madeirense ou um açoriano a falar na tv (pois o povo do continente parece não entender o que os irmãos das ilhas falam…). Enfim, meio exagerado né? Acho que dava para entender perfeitamente o que a miúda estava a falar.
No mais achei tudo muito fixe Além disso, super válida a comparação do ensino brasileiro com o português. Ok, a Escola da Ponte talvez seja uma modelo quase-utópico, mas é possível, não é? Enfim, sem discutir métodos de ensino, vale a pena uma boa analisada na postura dos alunos.
Com a chegada da carta de aceite por e-mail, iniciam os trâmites para a parte mais complexa do intercâmbio: o visto. Não que seja difícil obtê-lo (ainda mais em tempos de crise, quando Portugal está sedenta por “gringos” gastando grana em território nacional..), mas os consulados portugueses exigem uma “papelada” que dá trabalho de juntar.
Entre os comprovantes está o “atestado de moradia”, ou seja, você não pode pedir o visto se não tiver um lugar certo para ficar. Alguns saem em busca de moradia na Internet, outros apenas bookam um hostel por 10 dias, entregam o comprovante de reserva no consulado e ganham mais tempo para resolver o “problema”. Na lista ainda estão o seguro saúde (a maioria das pessoas opta pelo PB4, que é gratuito e expedido através de um acordo internacional do Ministério da Saúde brasileiro com o português), seguro viagem (parece que alguns consulados agora exigem isso) e a passagem aérea (é necessário fazer a reserva do bilhete para entrar com o pedido de visto).
Há dois meios de chegar a Portugal voando: TAP e Ibéria. Ok, também pode-se voar pela Luftansa (com escala em Frankfurt), British Airways (escala em Londres) ou Alitalia (escala em Milão). No entanto, o mais usual é optar pela companhia portuguesa ou voar pela espanhola.
Vantagens da TAP: A companhia é portuguesa, portanto os comissários de bordo são tugas e você já vai se acostumando com o sotaque durante o voo hehe. Atendimento e serviço super eficientes. Participam ativamente nas redes sociais (você pode enviar perguntas pelo Facebook e eles logo te respondem). O atendimento por e-mail também é super ágil. A remarcação da passagem pode ser feita por telefone. Voos do Brasil diretamente para Portugal.
Desvantagens da TAP: A taxa de remarcação da TAP é sempre mais cara que a da Ibéria. As tarifas são geralmente mais caras que as da Ibéria. A companhia já esteve em greve pelo menos três vezes em 2011, ou seja, teve gente que não embarcou, foi forçado a remarcar voo ou ficou “preso” em aeroporto.
Vantagens da Ibéria: Tarifas geralmente mais baratas que as da TAP. Taxas de remarcação de voos inferiores às da TAP.
Desvantagens da Ibéria: Voos do Brasil-Portugal com escala em Espanha, ou seja, a entrada na Europa é feita por território espanhol. Isso quer dizer que é preciso passar no SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) para comunicar ingresso em território português no prazo máximo de três dias (ou então paga multa!). Antigamente havia ainda o medo da negação da entrada na Europa, ou seja, deportação. Creio que isso seja mais difícil de ocorrer hoje por causa da crise (a Europa precisa de estrangeiros para gastar dinheiro lá, ou seja, provavelmente será mais raro alguém da aduana “se meter a besta” com estudante brasileiro e negar a entrada no país).
Eu não tenho opinião sobre o atendimento e serviço da Ibéria, pois nunca voei pela companhia. Sempre preferi comprar passagens da TAP, mesmo sendo mais caras. Ao meu ver, compensa.
Importante destacar ainda que ambas companhias permites 2 malas de até 32kg por passageiro, mais bagagem de mão: 1 volume de 10kg e outro de 5kg (recomendo verificar essas especificações quando da compra da passagem). Os pesos valem para a ida e volta.
A maioria dos estudantes opta por comprar as passagens via agência de turismo e não diretamente pelo site das companhias aéreas. Faz total sentido para passagens de estadia mais longa (acima de 6 meses) e fica mais barato porque a STB, por exemplo, faz desconto na chamada tarifa de estudante. Uma única ressalva sobre isso é o cuidado ao remarcar a passagem: Geralmente as agência vão cobrar uma tarifa maior do que o trâmite feito diretamente com a companhia aérea. É sempre melhor telefonar ou visitar o balcão da TAP/Ibéria no aeroporto e se informar. Não faz a menor diferença remarcar utilizando a agência como intermediária ou diretamente na cia. Ou melhor: Faz diferença sim… no seu bolso!
Sobre comprar passagens em sites específicos (tipo o Decolar ou Submarino), creio que não seja uma boa pedida para intercambistas. Geralmente tratam-se de passagens de curta estadia e sem possibilidade de prolongar a remarcação, ou seja, perde-se o bilhete se o retorno for feito três meses após o embarque.
Lembro ainda sobre o programa de milhagens: TAP e Ibéria possuem. Para quem é viajante frequente, #ficadica. Solicite o “cartão fidelidade” para acumular as milhas. Cada trecho Brasil-Europa gera 5.000 milhas. Com 70.000, ganha-se um voo ida e volta Brasil-Europa (ok, eu sei que é um bocado, mas para aqueles que voam frequentemente faz sentido!). As milhas geralmente são válidas por 3 anos.
A TAP distribui para seus passageiros durante o voo a revista Up. Eu gosto bastante, acho que tem fotos e matéria interessantes (apesar do tamanho da fonte de letra ser muito pequeno #ficadica!). Certa vez, viajei com a equipe da revista num voo Lisboa – Rio de Janeiro. Conversei com uma das jornalistas e uma designer. Não lembro muito mais do que isso, só sei que a menina do design era polaca.
Na edição da Up de Outubro, Porto Alegre está na capa. Provavelmente por causa do novo voo da TAP que conecta a maior capital do sul do Brasil a Lisboa. Eu peguei esse voo em julho: Facilita (e muito!) a vida dos gaúchos que se destinam a Portugal, dos portugueses que pretendem conhecer Porto Alegre (muito embora eu não recomende, pois não é uma cidade muito turística) e também dos tugas que vivem por cá (e são vários!).
O único problema de voar Porto Alegre – Lisboa direto é a infraestrutura precária do aeroporto Salgado Filho. No embarque até não tive grandes problemas, mas não posso dizer o mesmo do retorno. Ao desembarcar no retorno em Porto Alegre, foi fila para passar na aduana (e deixaram os gringos passarem na frente dos brasucas no meu próprio país!), fila para pegar a mala (a esteira disponível para voos internacionais não comporta a quantidade de passageiros e malas que carregam) e fila para sair da sala de desembarque (a alfândega quer revistar todo mundo para ver se descola alguém acima da cota de compras e mete uma multa!). Além disso, quebraram as minhas DUAS malas – sim, é mesmo muita sorte! (Essa última informação não pode ser atribuída a precariedade do aeroporto, pois a mala trocou de voo entre Porto e Lisboa, ou seja, pode ter quebrado nesse trâmite).
Infelizmente eu não consegui uma edição e tampouco possuo um iPad para baixá-la (aliás, nem conseguir baixar do iTunes direto pro pc – não sei pq!). Assim, não li a matéria sobre Porto Alegre (ainda!). Apesar disso, consegui baixar a fotinho da capa e da página interna.
Bombacha e chimarrão na capa da Up de Outubro/2011
Porto Alegre famosa da Europa (chic demais!)
Bom, mas e fora o novo voo da TAP, o que Porto Alegre tem a ver com Portugal? Olha, se você não é gaúcho, provavelmente pode indagar-se sobre isso…
A História que me contaram no colégio foi a seguinte: Oito casais açorianos liderados por Jerônimo de Ornelas Meneses de Vasconcelos foram destacados pela coroa portuguesa para povoar o Rio Grande do Sul e fundaram Porto Alegre. O primeiro nome da cidade teria sido “Porto dos Casais”, pois se tratavam de casais que chegaram num porto (!), e, como eles eram muuuito felizes, o nome depois foi alterado para Porto Alegre (!).
Engraçado que eu acabo de descobrir que o tal Jerônimo não é açoriano, e sim madeirense (talvez seja até parente do Cristiano Ronaldo hehe). Além disso, sempre desconfiei que essa história de oito casais era um bocado lúdica. Futriquei na Wikipedia e lá está escrito que não eram 16 portugueses, mas mais de mil que povoaram diversas cidades do Rio Grande do Sul.
Enfim, sejam da Madeira, dos Açores ou do continente, Porto Alegre foi colonizada por portugueses. A cidade até tem um monumento dedicado a esses supostos casais açorianos que cá chegaram (não acredito até agora que fui enganada por minha professora de Estudos Sociais da quarta série!): O Monumentos aos Açorianos localiza-se no Largo dos Açorianos em frente ao Centro Administrativo do Estado, próximo ao centro e ao rio Guaíba. (O Centro Administrativo é aquele prédio que aparece na segunda foto desse post, muito embora não se veja o Monumento aos Açorianos…).
Bom, espero que essa aparição na revista da TAP torne Porto Alegre mais conhecida em Portugal e na Europa. Eu já perdi as contas de quantas vezes algum europeu me perguntou de onde eu era, respondi que era de Porto Alegre e a pessoa diz: “Ahhhh, conheço.. É bem quente lá né? Fica bem no norte né? Ou seria nordeste?”. Nesse momento, sempre precisei acabar com a felicidade do cidadão e dizer: “Acho que você está confundindo com Porto Seguro ou Porto de Galinhas, meu bem. Eu nasci em outro Porto!”
UPDATE: A Revista da TAP pode ser acessada também através do site na Internet. O endereço é http://upmagazine-tap.com/.
Brasileiro vivendo ou turistando no estrangeiro acaba sempre sofrendo com os estereótipos. Só porque um dos ritmos musicais mais famosos do país é o samba, todos devemos saber sambar (e muito bem!). A Floresta Amazônica é um lugar de super fácil acesso (fui irônica!) e brasileiro que é brasileiro já esteve lá (ah tá né!)! Para os estrangeiros, geralmente, Pelé e Ronaldo são as pessoas mais importantes do Brasil.
Nós brasileiros também costumamos fazer isso com os outros: Americanos são gordos e só falam inglês, portuguesas têm bigode, franceses não tomam banho, chinesas são tímidas e por aí vai.
Ontem eu estava fuçando (leia-se matando tempo) no 9gag e achei um quadro sobre isso. Aliás, eu nem sabia que tantos brasileiros visitassem o 9gag. Fiquei impressionada com a quantidade de likes e shares que o post teve.
Itens essenciais na lista de um mochileiro: Mochila (dã!) e saco de dormir. Se você viaja de low cost é bom saber que as companhias aéreas desse tipo cobram pelas bagagens despachadas. A solução: Viajar apenas com bagagem de mão.
Geralmente, aceitam-se bagagens de mão com até 10kg (a Ryanair, por exemplo). Há um limite também para as medidas, pois deve entrar no compartimento de bagagens de mão – aquele acima dos assentos. Importante destacar também que é UMA bagagem por pessoa apenas. Ou seja, bolsa de mulher, sacolinha de plástico, capa de laptop e qualquer outra coisa do gênero conta como item. É a mochila e ponto final.
Quando eu viajei 40-e-tantos dias pela Europa do leste em 2009, comprei meu “kit viagem low cost” na Sport Zone. Aliás, prefiro a SZ a Decathlon. Paguei €39,90 pela mochila e (vejam só!) ela continua custando a mesma coisa: País sem inflação meio que causa espanto/admiração em brasuca, né?
Enfim, a mochila é essa da foto, da marca Berg. Super útil e bonita!
Minha companheira de aventuras!
Não é como a maioria dos mochilões que parece um saco, ou seja, você praticamente soca as suas roupas lá dentro e depois fica tua amassado ou com cara de sujo. Essa mochila tem zíper que deixa você abrir ela totalmente, parecendo uma malinha de colocar nas costas. O melhor? Ela não é rígida: Se der rolo de não entrar no treco que mede as malas da Ryanair, você senta nela e faz caber!
Quanto aos sacos de dormir (ou “saco cama”, como diz em Portugal), eu paguei 7 euros no meu. Mas ele era meio grande, eu pendurava na mochila mesmo e passava na boa no aeroporto. Foi muito útil para as noites que dormi no chão de estações de trem e aeroportos. Se você paga pouco pelo saco de dormir, não tem pena de sujar, rasgar, emprestar, perder ou se desfazer. Há quem prefira comprar daqueles sacos de dormir bem pequenos, que cabem dentro do mochilão. Eu acho que não vale a pena pagar mais do que 10 euros nisso.
Se achar necessário também, é sempre útil comprar uma daquelas toalhas de banho que absorvem a água. Além de quase não ocuparem espaço, você não precisa se preocupar com toalha molhada umedecendo suas roupas (ou ter que arranjar saco plástico para colocar ela dentro). Vale o investimento!
Ah, e uma última dica: Não entupa a sua mala de coisas, roupas e acessórios. Deixe para comprar no lugar que você está indo. Leve somente o essencial. Não se preocupe também em levar shampoo, condicionador e não sei mais o que naqueles frasquinhos de 100ml: Isso compra-se quando chegar no destino (e divide-se entre os companheiros de viagem!).
Como diz uma amiga minha, a Nina: “Em qualquer cidadezinha da Europa tem supermercado e aceitam cartão de crédito!”. Ou seja, sempre melhor levar 7kg de bagagem do que 10kg, pois nunca se sabe a promoção bombástica que se vai encontrar por aí hehe