O preço da comida portuguesa

Uma das dúvidas mais frequentes daqueles que estão indo viver ou turistar em Portugal é o preço da alimentação. Comer em restaurante é caro? Vale mais a pena fazer comida em casa ou almoçar nas residências universitárias? A comida deles é igual a brasileira ou muito diferente? Quanto custa 1kg de arroz?

Como diria Jack Estripador: Vamos por partes!

1) Há restaurantes para todos os gostos e bolsos. Dá para pagar 5 euros por entrada + sopa + prato principal + bebida no centro do Porto (e na capital Lisboa deve existir opções pelo mesmo valor). Uma das dicas é comer no O Perfume. A comida é ótima, o preço é justo (5 euritos) e ainda dá para almoçar com o rio Douro a janela :)

Se a intenção é comer num lugar mais chic, típico e menos dia-a-dia, sugiro o Tromba Rija. Foi eleito o melhor restaurante de Portugal várias vezes. Além disso, os turistas que se destinam ao norte de Portugal não devem deixar de provar as Francesinhas. Recomendo o Capa Negra, no Porto.

2) Uma possibilidade para os estudantes são as cantinas universitárias. Sopa, pão, prato, bebida e sobremesa por 2,15 euros (cantinas da Universidade do Porto). Além de unir a praticidade ao baixo custo, a comida é bem boa (e pode-se checar o cardápio da semana pela internet antes de encarar).

Para quem está na correria de estudos e não quer perder tempo indo ao supermercado, pilotando fogão e depois lavando louças, é prático e vale a pena comer nas cantinas. Por cerca de 40 euros mensais, pode-se almoçar 5 dias por semana na universidade. Depois, ao jantar, come-se qualquer coisa (sanduíche, pizza congelada ou lasanha que saem bem em conta também). E como final de semana é dia de comer uma coisinha um pouco melhor, os estudantes leitores desse blog podem buscar explorar a culinária portuguesa em um restaurante baratinho (“as tascas”).

3) A comida portuguesa é um pouco diferente da brasileira sim. Os portugueses comem mais peixe e MUITO mais carne de porco. A carne de vaca não é muito popular (e é um pouco mais cara que as demais). Outra coisa que não falta são frangos: Sempre muito temperados com piri-piri (pimenta!). A maioria dos pratos típicos portugueses contam uma História: A alheira (enchido português), a Francesinha e as tripas à moda do Porto são exemplos disso.

Não é costume comer feijão diariamente, mas quem quiser encontra facilmente nas prateleiras do supermercado (seja o saco de grãos ou o enlatado). Na casa das famílias portuguesas, a sopa é sempre presente antes das refeições, seja almoço ou jantar, no inverno e verão. Ao meu ver, os portugueses comem muito mais vegetais e verduras do que os brasileiros, e beeeem menos gordura. Batata-frita é algo que nunca se vai encontrar como refeição em Portugal (isso come-se no Mc Donalds!).

4) A comida no supermercado parece-me mais barata lá (Portugal) do que cá (Brasil). Eu já disse isso inúmeras vezes por aqui, mas, enfim: Volto a repetir! Eu gastava cerca de 25 euros semanais em compras no mercado. Para um estudante viver no Porto, o custo aproximado da alimentação mensal são 150 euros:

€ 25 / semana no supermercado = € 100
+ € 40 / mês na cantina da universidade = € 140

É claro que às vezes acaba-se gastando um pouco a mais, da mesma forma que é possível gastar bem menos do que isso. Creio que € 150 serve como valor médio para ilustrar a despesa mensal com alimentação em Portugal. Importante ainda destacar que esse valor pode modificar um pouco dependendo da cidade onde se vive, mas nada tão diferente assim.

Pedi a um amigo, o Felipe, que fotografasse alguns produtos a venda no Pingo Doce. O Felipe vive em Aveiro.

Pão de forma, leite, salgadinho de batata-frita e macarrão

O pão de forma custa € 0,85, um litro de leite por € 0,49, salgadinho de batata-frita (ideal para os momentos “não-quero-cozinhar-e-vou-comer-qualquer-lixo”) sai por € 0,49 também, enquanto o pacote de macarrão (tipo parafuso) custa € 0,65. O espaguete sai por € 0,39. Geralmente, estudantes costumam comprar produtos da marca do supermercado. É mais barato e a qualidade parece ser a mesma. Eu sempre fui fã dos produtos Pingo Doce e recomendo.

Pizza resfriada, yogurt, arroz e sangria

Famosos entre estudantes & mochileiros, congelados na Europa são baratinhos. A pizza resfriada custa € 1,99 (a congelada sai pelo mesmo preço e tem em diversos sabores). O potinho de yogurt é € 0,22 e o quilo do arroz custa € 0,74. Em Portugal existem alguns tipos de arroz branco. Eu nunca consegui cozinhar direito com tipo Agulha, um dos mais comuns na Europa. Ficava sempre todo colado, estilo “juntos venceremos” hehe. Aconselho o arroz Vaporizado, é o mais fácil para cozinhar. Não tem mistério! Recomendo ainda que nunca compre o arroz Carolino: Pode até ser o mais barato, mas é o pior de todos!

Para completar a pequena amostra da cesta-básica-do-estudante-em-Portugal, o Felipe fotografou ainda os garrafões de Sangria. Por € 1,49 compra-se 1,5 litros da bebida mais famosa de Portugal :)

E já que tocamos no assunto, vale ainda destacar aqui o preço do pack com 24 mini Super Bock (a cerveja mais famosa da terrinha!). Apenas € 10,99!

As minis da Super Bock são tããão bonitinhas

About these ads

3 Comentários

Filed under Porto, Portugal

3 responses to “O preço da comida portuguesa

  1. Manuel

    Pois é…o Pingo Doce continua no seu caminho para a dominação global!!!! Com esta economia iremos todos acabar a trabalhar no Pingo Doce…para poder fazer compras no Pingo Doce!

    A questão do porco deve-se ao facto de tradicionalmente o porco ser TODO aproveitado. De norte a sul as famílias tinham por hábito fazer a chamada ‘matança’. O porco era desmanchado e daqui saiam os enchidos (que usavam as próprias tripas e depois iam ao fumeiro), as febras, o entrecosto, etc, etc… No Alentejo até se faz(ia) a rexina – que aproveita(va) o sangue. Eram normalmente dois ou três dias de intenso trabalho, mas a carne ficava garantida para o ano inteiro! A carne conservava-se na própria gordura, no fumeiro, em arcas de sal e com o avançar dos tempos começou a ser congelada. A UE acabou por proibir esta actividade – por questões de ‘higiene’ – e agora, quem quiser matar o próprio porco, terá de o fazer num matadouro certificado. Mas não é a mesma coisa…para além de ser uma tradição familiar, com um know-how transmitido de pais para filhos (não era chegar e esfaquear o porco não) também se controlava a alimentação do animal – que tem importância no sabor da carne (por exemplo, o porco preto é alimentado a bolota e isso torna-o único).
    Mas também há boa carne de vaca – nós damos muita importância às regiões demarcadas.

    Voltando ao Pingo Doce: os produtos são óptimos e bem em conta, mas peço-vos que, num esforço colectivo para ajudarmos a economia, comprovem se são produzidos em Portugal. Basta procurar um símbolo (um género de elipse) que é iniciado pode ser iniciado por PT, FR, ES, PL,…
    Estas são as siglas dos países produtores a quem o Pingo Doce compra – depois embala e vende. O leite costuma ser francês, e quando assim é, compro da marca Mimosa – um pouco mais caro mas nacional. Os queijos fatiados (tipo Suiço, Holandês ou Francês) costumam ter um PL – ou seja, Polónia. Mas o quejo Flamengo, tipicamente português, tem lá o PTzinho.

    É que o mercado europeu não tem barreiras e obviamente certos pequenos produtores não conseguem competir com produtores que o fazem em massa.
    A conta poderá ficar mais cara uns cêntimos mas estamos a contribuir para a nossa economia, para o que é nosso – mesmo que o seja apenas durante um Erasmus ou intercâmbio. :)

    • fernandapugliero

      Achei engraçada a parte “Com esta economia iremos todos acabar a trabalhar no Pingo Doce…para poder fazer compras no Pingo Doce!”… E viva ao seu Jerônimo! hehe

      Obrigada pelo complemento ao texto… e fica a dica sobre as compras no Pingo Doce (ou em qualquer outro sítio) para que se opte por produtos nacionais portugueses! É um gesto simples de ajuda a nação, mas, se muitos o fizerem, pode fazer qualquer diferença :)

  2. Manuel

    Ah…e em relação aos preços. O Norte é mais barato em termos de alimentação e as rações BEM maiores. Nos últimos tempos, não só devido à economia, mas também aos horários mais apertados, é normal um pouco por todo o lado os ‘menús’, servidos ao almoço e apenas durante a semana. Cada vez mais tendem para a versão ‘mini-menú’ – super económicos e às vezes mais saudáveis. Há-que comer com moderação por questões de saúde, mas também de produtividade!!! (Fazer uma prova depois de uma feijoada não terá bom resultado…)
    BTW: O Tromba Rija é originalmente de Leiria e agora tem uns franchisings pelas principais cidades.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s